When Hatred Turns Love
23 Come back to me
Notas iniciais
Ai ai, leiam leiam.
Percy:
Eu já estava encarando seu rosto angelical por mais de cinco minutos. Esperando um movimento, o sinal que fosse, de que tudo ia ficar bem. Mas lá estava a garota que eu amava, pálida, imóvel. Quase morta? Não sei dizer. Annabeth respirava por meio de aparelhos, e seus batimentos cardíacos em constantes. Então, porque ela não acordava?
Não fiquei por perto quando o médico explicou a causa do coma. Para que saber mais, ou saber menos? Isso não muda nada. Não posso fazer nada. Só esperar. Foi o que fiz, durante os dois meses que se passaram. Visitando Annabeth todos os dias naquele quarto frio, de cores claras e mortas. Diferente do que fazem nas novelas, não contava histórias e acontecimentos para ela. Apenas segurava sua mão e a olhava, esperando um sinal.
Todos dizem que eu devia tirar um dia de folga. Descansar um pouco era o conselho mais dado para mim. Eu estava com olheiras escuras embaixo dos meus olhos, frutos de noites mal dormidas, adornadas de pesadelos. Quase todos envolviam perder Annabeth para sempre. A dor era tão grande, que me faziam acordar, e passar horas á fio olhando pela janela, sem me permitir voltar a dormir.
Era uma manhã de sábado. Eu lá, no quarto de Annabeth, olhando-a. Os médicos disseram que houve uma melhora, mínima, mais ainda uma melhora. Mas nada parecia ter mudado em Annabeth. Ela continuava lá, sem se mover.
Tomei sua mão direita entre as minhas e a beijei, como sempre faço. Mas algo foi diferente desta vez. Senti um leve tremor em um de seus dedos. Foi um movimento mínimo, quase imperceptível, mas eu não pude deixar passar.
Encarei Annabeth com os olhos arregalados e até marejados.
- Annabeth. Annabeth, você está me ouvindo? – murmurei para ela. – Por favor, se você estiver, mande um sinal. Qualquer coisa.
Lágrimas caíram enquanto eu esperava por alguma coisa. Passaram-se dois, três, cinco minutos, e nada acontecia. Comecei a perder a esperança. Talvez fosse tudo da minha cabeça, meu desespero em tê-la de volta, me fez imaginar o tão esperado sinal. Abaixei a cabeça, girando com a frustração e a tristeza que me atingiram.
Mas a senti de novo, o mesmo movimento mínimo, na minha mão. Minha cabeça se ergueu em um segundo. As máquinas ligadas a Annabeth, que sempre emitia aqueles bips contínuos, apitaram mais rapidamente. Me levantei de onde estava sentado, olhando sem acreditar. Sai do quarto ás pressas, parando uma enfermeira que passava pelo corredor. Eu a puxei para o quarto, apontando para o aparelho ao lado da cama e explicando tudo que havia acontecido.
A mãe de Annabeth e Thalia estavam por perto – elas também vinham todos os dias – e percebeu a agitação no quarto. Logo apareceram na porta, perguntando o que estava acontecendo. Ninguém respondeu de imediato, o médico foi chamado, as enfermeiras checavam os aparelhos.
Finalmente, os bips se acalmaram. As enfermeiras deram uma última checada e saíram do quarto, com pequenos sorrisos no rosto. O médico se aproximou de nós.
- Então? O que aconteceu? – perguntou a mãe de Annabeth.
- Senhorita Chase. – disse o médico sorridente. – Sua filha está acordando.
Demorei alguns segundos para processar a informação. Annabeth estava voltando. Tantos dias imaginando esse momento. Thalia e Sra. Chase se abraçaram, comemorando.
- Quer dizer que... ela pode acordar a qualquer momento agora? – perguntei ao médico.
- A qualquer momento. – concordou o médico. Ele pediu licença e saiu do quarto.
Nós três nos aproximamos da cama. Eu fiquem em pé do outro lado da cama. Annabeth parecia na mesma, mas havia um pouco de cor de volta a seu rosto. Não sei bem o que foi, mas ela parecia mais... presente. Depois de uns dois minutos de pedidos e incentivos, suas pálpebras tremeram.
Eu prendi a respiração. Seus olhos se abriram lentamente. Meu coração deu um pulo e disparou quando vi seus olhos cinzentos. Olhos que nunca vi em mais ninguém, que me fizeram tanta falta, agora estavam de volta. Eles piscaram e examiram o local.
- Onde... Onde eu estou? – Annabeth perguntou, com a voz fraca.
- Você está no hospital, minha querida. – disse sua mãe, com a voz transbordando de emoção e lágrimas caindo dos seus olhos. – Mas você está bem. Eu senti tanto a sua falta. – ela se inclinou e beijou a testa da filha.
- Annabeth. – disse Thalia, que também chorava. – É tão bom te ver acordada! – ela pegou a mão de Annabeth e a beijou, sorrindo.
- Há quanto tempo estou aqui? – ela perguntou, ainda desnorteada.
- Quase dois meses agora, querida.
- Dois meses? Mas... – ela parecia espantada. Desviou o olhar das duas que estavam ao seu lado, e me viu. Prendi a respiração novamente. Ela cravou seus olhos cinzentos em mim, e pude perceber que ela estava prendendo a respiração também.
A mãe de Annabeth pigarreou.
- Bom, acho que vocês dois precisam ter uma conversinha. – ela disse. Deu mais um beijo na filha e puxou Thalia para fora.
A verdade era que eu não sabia ao certo o que dizer. Andei lentamente até a cadeira ao lado da cama, Annabeth me acompanhando com o olhar. Eu me sentei, respirei fundo, e a encarei também. Meus olhos voltaram a ficar marejados e eu ri de mim mesmo. Meu Deus! Tanto tempo esperando esse momento, e agora não sei o que dizer!
- Desculpe, eu... – abaixei os olhos e ri de novo. – Eu não sei que dizer.
- Diga o que aconteceu. – ela murmurou.
Eu levantei a cabeça. É claro que cedo ou tarde teríamos que conversar sobre isso. Eu não esperava que fosse tão cedo, mas era melhor acabar com esse assunto, e enterrá-lo.
- Não aconteceu nada. Absolutamente nada.
- Então você explica o que eu vi como “nada”? – disse Annabeth. – Eu acho que não.
- Foi tudo armado, Annabeth. Rachel armou para nós. Ela colocou alguma coisa na minha bebida, e eu apaguei.
Annabeth pensou por um segundo.
- Então... Aquela cena toda não significou nada? Quer dizer que não aconteceu nada... nada mesmo? – ela perguntou, me olhando nos olhos.
- Eu nunca trairia você. – eu sussurrei.
Ela me olhou por mais alguns segundos. Então sorriu e corou. Eu sorri também. Peguei sua mão e a beijei.
- Eu senti sua falta. Mais do que você imagina.
- É, você não está em seu melhor estado. – brincou ela.
Eu me inclinei, e Annabeth pôs a mão na minha nuca, me puxando para mais perto. Nos beijamos de leve, já que, de qualquer forma, ela ainda estava internada e fraca. Mas foi o suficiente para fazer meu coração se acelerar. Ela sorriu contra meus lábios. Nos afastamos e eu colei minha testa na dela, próximo o bastante para sentir sua respiração.
- Eu amo você. – sussurrei.
- Eu também te amo. — ela sussurrou de volta.
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