When Can I Claim You To Be My Own, So Selfishly?
1 The answer to everything reflects off your breath
A aula de biologia era sua favorita.
Mesmo quando ele havia apenas começado a ter aulas de biologia, ele já podia dizer que essa seria sua matéria favorita. E não era porque eles poderiam abrir sapos e assustar as garotas com os órgãos internos do bichinho, porque não, ele não fazia parte dessa parcela dos garotos da sala, definitivamente. Ele não saberia explicar exatamente o que era, mas ele realmente gostava das aulas de biologia. Não era também culpa da Mrs. Parkman, a jovem professora com blusas decotadas, afinal, ele sequer reparava na mulher na frente da sala de aula.
E ele se negava a acreditar que talvez o grande motivo fosse as mesas em duplas. Ele duvidava que gostasse tanto das aulas de biologia porque podia se sentar com John. Tudo bem que ele fosse seu melhor amigo, e uma das suas pessoas favoritas no mundo, mas amizade não causava aquele frio na barriga e nem aquela sensação de que estar próximo a ele era o bastante, certo?
Não que ele se deixasse acreditar que o sentimento de amizade era somente o que os unia, porque não, ele não era tão inocente assim. Só que a partir do momento em que ele começava a pensar e tentar definir até que ponto o que ele sentia era carinho de amigo, e onde isso começava a se tornar o sentimento de alguém apaixonado, as coisas ficavam... confusas e embaçadas. Ele era Jesse Lacey, “simplicidade” não era uma palavra que existia em sua vida.
Mas ele sabia, ele sabia que os longos beijos que partilhavam escondidos no vestiário, ou no quarto de John nas noites em que ia dormir lá, os toques discretos ou acidentais de mãos, os olhares de cumplicidades que trocavam demoradamente sempre que havia uma oportunidade denunciava a resposta de qualquer pergunta. Mas ele preferia manter tudo do seu jeito confuso e inexplicado.
- Me passa a folha de perguntas? – pediu John analisando o aracnídeo boiando no formol dentro do vidro grande no centro da mesa de duas cadeiras. Ele esticou a folha com as perguntas digitadas, vendo os olhos castanhos correndo de um lado para o outro, lendo a pergunta novamente antes de a responder com precisão no caderno.
- Você quer mesmo que eu fique segurando a folha? – riu, fingindo indignação quando o outro ergueu os olhos para os seus, corando de leve, tomando a folha de suas mãos, tocando seus dedos propositalmente no processo. Se recobrou rápido, mantendo um sorriso fraco nos lábios, continuando a rabiscar no caderno a resposta.
Cutucou o vidro, vendo o formol se mexer, o aracnídeo bater de uma parede à outra do vidro redondo, escutando os murmúrios dos outros alunos, escutando a lapiseira de John correr pelo papel enquanto a neve caía do lado de fora da janela.
Não sabia o que sentia.
Não sabia o que era.
Talvez fosse o conforto da sala de pouca iluminação no inverno, talvez fosse o silêncio quase reconfortante dos alunos durante a aula, talvez fosse o tema, a analisa de como funcionam os seres vivos, os seres humanos, ele não sabia explicar.
Mas talvez, também, fosse o joelho de John confortavelmente apoiado contra o seu debaixo da mesa, ou talvez sua mão livre entrelaçando os dedos nos seus debaixo da mesa, ele não sabia explicar, mesmo. Só sabia que as coisas não mudariam, eles seriam eternamente o cadáver no armário um do outro, aquele segredinho sujo que se alguém descobrisse, um deles – ou ambos – teria a vida arruinada.
Mas ele tinha certeza, porque ele sabia que amava John, porque amar John era tão natural e inconsciente quanto respirar, comer, piscar os olhos ou bocejar, e ele não achava, de forma alguma, que descobrir a maneira exata de qual era a forma dos seus sentimentos por seu melhor amigo era a prioridade.
- Vem dormir lá em casa hoje, Jess? – perguntou John o olhando de soslaio, os dedos quentinhos da mão entrelaçados aos seus, a lapiseira ainda fixa em uma linha do caderno.
- Vou. – sorriu simplesmente, recebendo um sorriso de volta.
Não era como se precisasse definir as coisas agora, então.
Porque ninguém viria os cobrar uma resposta, ninguém viria os pedir nada, porque no fundo eles não deviam explicação nenhuma a ninguém. E enquanto não eram cobrados de nada, ele não precisava dar algum nome ao que sentia... porque...
...por enquanto, ele só sabia que a aula de biologia era a sua favorita.
Notas finais
Comentário? óo
Obrigada por ter lido. =)
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