Whatever
9 Tutorial
Notas iniciais
Adam se afastou do carro. Colocou os airpods do seu iPhone no ouvido e tateou a tela do celular, abrindo um aplicativo. O rapaz vestia uma jaqueta de couro preta por cima da camiseta e calçava botas, que subiam com o cano até o meio da sua perna.
A rua estava deserta àquela hora da manhã e nem mesmo o sol tinha dado as caras ainda, para fazer quebrar o silêncio da cidade grande. Adam parou de frente para a grande casa de fachada de tijolos vermelhos, no mais natural estilo inglês, pondo-se a abrir a pesada porta de madeira com a ajuda de um grampo, enquanto ainda segurava o celular com a outra. Como tirar doce de um bebê, ele pensou ao destravar a porta, adentrando a sala pouco iluminada da residência logo depois.
Os móveis eram elegantes e pomposos, mas a casa não era grande e muito menos ficava em um bairro chique de Londres. Adam sentou-se no sofá por um instante, e observou o local, apontando o celular para todos os cantos. Está tudo perfeito, tudo saíra como planejado.
Levantou-se de súbito, balançando os braços como se estivesse se preparando para pular em uma piscina, passou a mão no rosto limpando o suor que brotava em sua testa e então caminhou até a escada lentamente, tomando o primeiro degrau. Ele estava nervoso, mesmo depois de ter feito aquilo tantas vezes! Mas dessa vez era diferente, dessa vez não era apenas ele que estava lá observando.
O primeiro andar era um mezanino, com vista ampla para o andar inferior. Era contudo um quarto, igualmente bem decorado como a sala, onde um jovem rapaz dormia, afogado em seus lençóis e travesseiros. O jovem estava completamente despido, de bruços e imóvel, imerso num sono profundo. Adam aproximou-se da cama com passos curtos e cautelosos, sem a mínima intenção de acordar o louro rapaz e colocou o celular encostado à um porta retratos na cômoda. Observou o despertador ao lado da cama, 04h45, e repetiu três vezes para si mesmo: faça.
Aquilo era parte do ritual.
Estava agora ao lado do jovem, a apenas alguns centímetros do seu corpo, podia até mesmo ouvir o som de sua respiração e talvez se seus tímpanos fossem mais potentes, poderia ouvir o toque ritmado das batidas do coração. Adam pegou um dos travesseiros com cuidado, pondo-o com pressa sobre o rosto do rapaz, pressionando contra sua face para que ele não fosse capaz de respirar. O jovem se debateu em agonia. Era um pedido desesperado pela vida que estava lhe sendo tomada. Quando o garoto deixou de se mexer e lutar pelo ar que lhe fora tirado, Adam soube que ele estaria desacordado.
Depois de amarrar e amordaçar o pobre coitado, Adam colocou-o nos braços, levando-o para fora da casa e pondo-o no porta-malas do carro. Antes de fechar a porta, olhou o rapaz por mais algum tempo, sempre com o celular ao seu lado. Em seguida tomou o assento do motorista e ligou o motor do carro, pondo o iPhone em cima do banco do carona.
No visor do aparelho via-se que um vídeo rodava no youtube, ganhando mais visualizações a cada segundo e fazendo a aba de comentários enlouquecer. Likes e dislikes eram computados simultaneamente, enquanto o vídeo reproduzia e entrava em replay automaticamente, seguido logo abaixo pelo título que dizia:
Como sequestrar e matar uma pessoa — parte I.
Fale com o autor