What should i do?
7 Capítulo 7
Notas iniciais

Eren’s POV
À medida que nos aproximávamos da sala de Gunter, ficávamos mais apreensivos. Pelo fato de detestar brigas o professor pegava pesado nas punições. Sabia que ficar perto de Jean só podia me causar problemas.
‒ Muito bem rapazes. ‒Começou ele, abrindo a porta de sua sala. Pude ver Jean engolir seco. ‒ Parece que vocês dois estavam brigando novamente. Dessa vez, qual o motivo?‒Foi minha vez de engolir seco. Não poderia dizer o verdadeiro motivo pela qual brigamos, iria piorar ainda mais minha situação.
‒ Bom senhor... ‒Assim que o cavalo começou a justificar, senti um frio na espinha. Ele não iria contar sobre o vexame que passei naquela festa, iria?‒Na realidade, não é nada de mais. O de sempre. – Ele finalizou e fechei meus olhos, aliviado. Graças a Deus ele ficou de bico fechado.
‒ O de sempre, senhor Kirschtein? Então já devem saber a punição de vocês. ‒ Rolei os olhos enquanto Jean bufava. Ambos sabíamos qual seria a punição. Um trabalho de 30 páginas sobre globalização e a mudança da mesma na cultura do mundo. Magnífico, era só o que me faltava. Eu não tenho tempo para fazer isso, ainda mais agora que tenho aulas com Levi, pelo menos duas vezes por semana.
‒ Senhor, eu não estou muito bem de nota e preciso que... ‒ Comecei a justificar minha situação, mas Gunter a interrompeu com uma risada forçada e sarcástica.
‒ Já que esta tão ruim assim de nota, não deveria estar estudando ao invés de brigando? Se você tem tempo para se importar com o senhor Kirschtein, quer dizer que, tem tempo para fazer um pequeno trabalho de geografia. –Ele finalizou com uma expressão de orgulho estampada na cara.
‒ Aconteceu alguma coisa, professor? ‒Uma quarta voz surgiu na sala de aula, levemente iluminada pelo início da tarde.
‒ Professor Levi. –Ele sorriu receosamente. –Esses dois garotos estavam brigando, mas já resolvi a situação. –O menor se aproximou do geógrafo, curvando uma de suas sobrancelhas.
‒Sabe senhor, não sei quanto a Jean, mas Eren está sob minha observação. ‒ Ele me olhou e passou levemente sua mão esquerda em meus cabelos. Eu estava pasmo e vermelho, provavelmente. –Por isso, ficará complicado para ele fazer um trabalho em uma matéria que está relativamente bem.
‒ “Relativamente bem”? ‒Gunter debochou do comentário de Levi‒Se não me engano, esse garoto tirou 5,0 em minha prova. – O pequeno me olhou novamente com uma expressão de “você não faz nada direito..
‒ Bom, ele tirou 1,0 na minha. Deixe o garoto fazer algo em minha disciplina. – Disse Levi após um longo suspiro. – Não se preocupe, farei com que esse garoto não queira brigar por um bom tempo.
Ao finalizar essa sentença estremeci. Não pude deixar de pensar na noite que ele me prensou contra a parede. Ao lembrar-se disso, instantaneamente coloquei minha mão sobre o pescoço, aonde se encontrava aquelas marcas nada discretas. Jean me olhava curioso.
‒ Muito bem. ‒Parecia que eles haviam entrado em um acordo. ‒ Desde que você puna o garoto como ele merece, não haverá problema algum.
O comentário de Gunter parece ter animado Levi. Seu rosto estava inexpressivo como sempre, mas seus olhos estavam levemente contraídos e uma sombra de sorriso formava em seus lábios. Realmente, acho que me ferrei, ainda mais. Aquela expressão não poderia ser coisa boa. Após segundos, o físico quebrou o silêncio.
‒ Oh, não se preocupe. Ele será muito bem punido.
Após terminarem de discutir minha condição, Levi se retirava da sala. Gunter me indicou com a cabeça que era melhor que eu o seguisse. Apesar de meio rude, o geógrafo conseguia ser muito amigável. Lógico que a ideia de passar a responsabilidade sob mim para o físico, não havia sido o exemplo de sua simpatia.
Saí da sala o mais rápido que pude, seguindo Rivaille pelo corredor. Ele nem se quer olhava para trás. Seus passos ecoavam pelo corredor frio e escuro, se não me engano,estávamos indo em direção ao laboratório de física. Nunca havia entrado lá, alunos do primeiro ano não têm essa permissão. Eu estava curioso, embora aqui fosse o lugar mais isolado do internato.
Rapidamente, ele parou, abriu a porta do laboratório, indicando com a cabeça para eu entrar na sala. Assim que entrei, fiquei meio desapontado. Não havia nada de mais ali. Havia uma mesa de tamanho médio, uma enorme bancada próxima a parede, onde se encontrava diversos instrumentos estranhos, que provavelmente serviam para provar as teorias ensinadas em sala.
Levi entrou logo depois de mim, pegando um pequeno caderno e o livro da matéria com o conteúdo de cinemática. Não acredito que teria que ter aulas particulares com ele, isso era humilhante.
‒ Garoto, pegue uma cadeira sente-se aqui do meu lado. – Ordenou enquanto sentava sobre a mesa, abrindo o livro desinteressadamente. Peguei uma cadeira qualquer e me aproximei do meu superior. –Muito bem, eu tinha planos de começar com suas aulas amanhã. Mas, com você não tem nada melhor para fazer além de brigar, aqui estamos.
‒ Sim, senhor. – Apenas pude concordar de cabeça baixa. Minhas mãos estavam sobre meu colo e suavam muito. Eu estava nervoso. Senti os olhos de Levi sobre mim, porém optei por continuar em minha posição.
‒ Certo. Comecemos então. –Ele continuou sentado sobre a mesa com uma das pernas apoiada sobre minha cadeira, enquanto a outra estava dobrada sobre a mesa. Sua calça preta estava apertada, possibilitando uma visão um pouco melhor de seu... Pêra! Que merda foi essa? Eu não vou ficar reparando nessas coisas, ainda mais do professor. –Cinemática: é o capitulo da mecânica que estuda os movimentos, sem considerar suas causas....
Acho que ficamos estudando esse conteúdo pelo menos algumas horas. Para falar a verdade, eu não compreendi quase nada. Quero dizer, é fácil na teoria, mas quando aparecem coisas tenebrosas como “s = S0+v.t” a vontade de me esconder embaixo da cama voltava a me atormentar.
Acabei me concentrando mais em Levi. Ele era uma pessoa tão reservada tanto que a maioria dos alunos não ia muito com sua cara. Enquanto as meninas o achavam grosseiro, os rapazes o achavam metido. Acredito que ele no fundo deve ser diferente do que aparenta.
Fiquei vagando tanto em meus pensamentos, que quando voltei a terra, o pequeno me olhava com uma lapiseira em mãos.
‒ Então, qual resultado dessa equação? – Eu fiquei mais perdido ainda. Nem vi os cálculos que ele fazia. Tentei começar a responder, mas quando reparei, ele já estava sorrindo de canto. – Bem, acho que chega por hoje, não é? ‒ Concordei com a cabeça e respondi:
‒É, eu acho que sim. –Suspirei cansado.
‒ Serviu para alguma coisa a aula de hoje? – Ele perguntou friamente ainda, tentava puxar assunto ou ter certeza que eu era um caso perdido.
‒ Sim, com certeza. – Menti. Provavelmente ele perceberia, quando visse que minhas notas não iam mudar. – Obrigado por me ajudar aqui hoje.‒ Finalizei e Rivaille sorriu sarcasticamente.
‒ Garoto, tem alguma coisa que você saiba fazer? – Tal pergunta me pegou de surpresa. Estudo não era comigo. Não havia muitas matérias que eu fosse bem, na real, quase nenhuma. Minhas notas estavam sempre entre 5,0 ou no máximo 7,0. Esportes também não eram meu forte. Eu adorava praticar, mas não era excepcional.
‒ Bem, acho que seria... – Foi interrompido por uma brincadeira de Levi.
‒Humm...Brigar? – Eu retiro o que eu disse. Não brincadeira, mas sim crítica.
‒N-não senhor. Eu toco piano. – Ele arregalou os olhos discretamente, não demorando muito para voltar a sua expressão habitual. Ri um pouco ao ver a cara de atordoado que ele fez por alguns segundos.
‒ Como alguém como você pode tocar piano? – Senti a crítica em seu tom de voz. Realmente, poucos sabiam que eu tocava, acho que apenas Armin e Mikasa sabiam. A maioria das pessoas diria que eu não tenho “cara” de quem faria essas coisas.
‒ Eu aprendi ainda quando pequeno, minha mãe sentava ao meu lado para me ensinar. – Lembrei com carinho daquela época. Tocar com minha mãe sempre me alegrava o dia, isso acabou nos deixando muito próximos. Na realidade, hoje não consigo mais tocar nada. Sempre me lembro dela, por isso só tocarei novamente em alguma ocasião especial. – E o senhor, toca alguma coisa?
‒Violino, nas horas vagas – Respondeu dando de ombros. Sempre ouvi que violino era um instrumento complicado de se aprender, por isso nunca tentei. Mas sempre adorei escutar.
‒ Muito legal senhor. – Ele concordou com a cabeça e o assunto finalmente morreu.
Olhei para a janela e reparei que já estava noite. Quantas horas passaram naquele maldito laboratório? Ainda não acredito que ele gastou seu domingo para tentar me ensinar. Bom, acho que é normal, já que ele é meu professor, certo?
O silêncio tomava aquela sala. Eu apenas olhava pela janela pensando sobre Levi, quando lembrei que ele ainda estava do meu lado. Voltei-me para o pequeno, que me encarava. Há quanto tempo ele estava me olhando?
Corei violentamente ao notar isso. Eu odiava o fato de corar com facilidade, sempre foi um problema para mim. Quero dizer, muitas vezes isso denunciava quando eu estava nervoso, tímido ou envergonhado. E não adiantava dizer que não.
Lembrando que já estava tarde e que estava um silêncio constrangedor, eu decidi pegar minhas coisas e voltar para meu dormitório.
‒ Senhor, eu já vou voltando para meu quarto, se me permite. –Falei o mais firme que pude, mas certa insegurança tomou meu corpo, ele me fitava sério e sempre com aquela mesma expressão de “estou pouco me fodendo para você, Jaeger”.
‒ Claro, vá em frente. –Ele me respondeu, desviando seu olhar e tirando um livro de sua gaveta. Realmente, ele estava pouco se fodendo.
Engoli seco, peguei as folhas repletas de anotações feitas por Levi, e me retirei da sala. Fora do laboratório, já não havia mais luzes naquele setor. Corri para chegar o mais rápido possível em meu quarto. Precisava de um banho.
Levi’s POV
Finalmente após um dia estressante, tentando fazer um pouco de física entrar pela cabeça de um moleque tapado, posso descansar um pouco. Não acredito que cedi meu domingo por ele. Se bem que, acho que agora ele pode pegar o jeito. Talvez eu devesse levar meu livro de cinemática para o rapaz, assim ele poderia estudar mesmo de noite.
Com um pouco de indisposição, me levanto da cadeira e saio do laboratório. Eu precisava encontrar o dormitório do estudante, então fui atrás de seus amigos. Com os corredores completamente escuros, caminho até o saguão, ainda pensando em Eren. Ainda não acreditava que um menino como ele saberia tocar algo incrível como piano. Ele me parece ser um fracasso em tudo.
Ainda pensativo passo pelo refeitório, encontro Armin e Jean sentados em uma das mesas, conversando. Aproximo-me da dupla, se não me engano o loiro era o colega de quarto de Eren.
‒Boa noite garotos. – Comprimento, voltando à atenção dos dois para mim.
‒ Boa noite professor. –O pequeno disse sorridente, enquanto Jean permaneceu calado. Olhei para as mãos de Armin e vi um pequeno livro de contos. Os dois estavam lendo aquilo, juntos? O maior não tinha cara de quem se interessaria por contos e leitura. Se não me engano, as notas de Jean em português eram tão ruins quanto às de Eren em minha matéria.
‒Armin, você é colega de quarto de Eren, certo? – Fui direto ao ponto e ele acenou positivamente com a cabeça. – Será que você poderia... ‒Por um minuto, pensei em pedir para o menor levar isso, quando saísse do refeitório. Mas ele poderia demorar a retornar ao quarto, e eu queria que Eren revisasse o conteúdo ainda hoje. ‒... Dizer-me onde se encontra o quarto de vocês? Ele esqueceu seu livro de física em minha sala
O garoto me encarou por um segundo, mas logo respondeu minha pergunta educadamente:
‒ Sim senhor, é o quarto número 116. Acho que ele já deve estar lá essa hora da noite. – Á essa altura, ele já fechara seu livro, e Jean mexia entediado em seu celular, minha presença ali não era nem um pouco desejada.
‒ Obrigado. – Respondi me retirando do ambiente – Não durmam tarde. Amanhã vocês têm aula. – Finalizei com um tom ríspido, impondo minha superioridade como professor.
Escutei um “sim senhor” por parte dos dois e segui o caminho até o quarto de Eren. Apesar de já estar um pouco tarde, ainda eram nove horas, ele deveria estar acordado. Aproximando-me do quarto, lembrei do tempo que ainda estudava aqui. Eu, Hanji e Erwin éramos inseparáveis, embora nunca tenha ido muito com a cara do loiro.
Chegando ao quarto 116 escutei um som abafado, parecia que o garoto estava chorando. Um pouco preocupado e aproximei meu ouvido da porta, imaginado qual seria o motivo de sua tristeza. Ao me aproximar, notei que ele não estava chorando, poderia ser o que eu estava pensando?
‒Uhn... Isso...- Escutei o garoto pronunciar essas palavra em um tom quase inaudível. Não acredito que o garoto estava... Se tocando...Normalmente eu teria dado meia volta e seguido meu caminho, mas, fiquei até que interessado nos sons que ele fazia. Permaneci ali e os barulhos aumentaram. ‒ Mais... Oh... Levi. – Arregalei meus olhos ao ouvir aquilo. Ele estava pensando em mim?Não acreditei nisso. Que garoto pervertido, não conseguiu esconder um pequeno sorriso.
Sem pensar duas vezes, tentei abrir a porta com delicadeza, ela estava destrancada? Eren, não tinha o mínimo de cuidado. Deixei apenas uma fresta para poder espiar o que acontecia lá dentro. Por sorte, o garoto estava tão concentrado em sua atividade que nem notou minha presença.
Choquei-me ainda mais quando vi que o garoto fazia aquilo, por trás. Ele estava voltado para mim, com as pernas bem abertas. Era uma visão bem interessante e parecia que seus gemidos eram cada vez mais altos, acho que estava chegando a seu limite. Passou a se tocar na frente também com uma rapidez, queria acabar logo com aquilo.
A cena estava me excitando, e muito. Eu precisava sair dali antes que fosse tarde. Ver aquele garoto, em uma posição tão submissa, os lábios vermelhos e entre abertos chamando meu nome. Eu não ia aguentar.
Fechei a porta com cuidado e deixei o livro de física ali mesmo. Caminhando o mais rápido que pude, encontrei a saída.
Aquelas imagens de Jeager ficaram em minha cabeça. Eu não conseguiria somente ignorá-las. Precisava fazer algo a respeito. Eren Jeager, realmente um garoto muito interessante.
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