Notas iniciais
Espero que gostem!!

–Poderia mostrar a mansão para vocês, mas não tenho tempo para isso. Vocês mesmos terão que carregar suas malas até os aposentos, o mordomo morreu há alguns dias e ainda não contratamos um substituto. – Donna falava enquanto nos guiava até o quarto.

Já no segundo andar, ela pegou uma antiga chave pendurada em seu pescoço e abriu uma das inúmeras portas do corredor.

–E é aqui que vocês ficam. – ela deu passagem para entrarmos. – Vocês terão que dividir o quarto. O único outro disponível é o quarto em que o mordomo morreu e nosso último hóspede relatou que ainda era possível escutar os gritos do pobre homem. Bem, se precisarem de alguma coisa, estarei em meus aposentos.

Assim que Donna saiu, entramos no quarto. Ele era extremamente grande, com uma cama de casal em um dos cantos e vários sofás. Os móveis, que pareciam ser de muitas décadas atrás, estavam cobertos por uma grossa camada de poeira.

–Achei minha cama! – Jake falou e se atirou num dos sofás. O pó acumulado sobre o tecido se espalhou pelo quarto, me fazendo tossir.

Lucy caminhou até uma das janelas e empurrou-a até abrir.

–Quando foi a última vez que abriram essas janelas?

Comecei a andar pelo quarto.

–Como pode ter somente dois quartos disponíveis? Olha o tamanho desse lugar.

Josh se sentou em um dos sofás, tomando cuidado para não espalhar a poeira.

–Achei muito estranha essa mulher. Ela ignorou completamente o aperto de mão de Peter.

–Bem, ela não é a primeira mulher a recusar algo de Peter. – Jake riu e cruzou as mãos atrás da cabeça.

–Muito engraçado.

Tirei meu celular do bolso. Sem sinal. Saí do quarto e comecei a procurar por um lugar onde pegasse sinal. Já tinha começado a chover lá fora. Os galhos das árvores batiam contra as janelas e faziam sombras no chão do corredor. Levantei o celular. Nada.

O papel de parede parecia se soltar nos cantos e o carpete tava manchado em alguns lugares. Notei que havia vários pregos espalhados pelas paredes, provavelmente para pendurar quadros, mas não havia quadro nenhum.

Passei por uma porta escancarada e notei um vulto no canto. Olhei para os dois lados do corredor para ter certeza de que não havia ninguém e entrei no quarto. Fui até o canto do quarto e peguei um caderninho aberto sobre a escrivaninha. As páginas estavam amareladas e algumas partes comidas por traças. Comecei a ler:

22 de Julho, 1976.

O estado de Elisabeth tem piorado nos últimos dias. Dá para notar o seu desespero pela coroa e sua determinação crescendo cada dia mais. Daqui a poucos dias serei coroado e Elisabeth perderá suas chances de se tornar rainha. Sei que ela está tramando alguma coisa e isso me preocupa. Não sei até onde ela iria para conseguir o que quer e espero não ter que descobrir.

Passei algumas páginas até a última.

27 de Julho, 1976.

Amanhã é o dia da coroação. Como sou o filho mais velho dos reis, serei coroado, a menos que eu esteja morto, fazendo com que a coroa passe para minha irmã mais nova, Elisabeth. Preciso dessa coroa. Sei que serei um rei muito melhor e muito mais bondoso. Elisabeth é a pessoa mais fria e ambiciosa que já conheci. Fico com medo do que pode acontecer a essas pessoas se ela conseguir o que quer. Então, a única coisa que eu preciso fazer é sobreviver até amanhã.

Ao ouvir vozes no corredor, larguei o diário no mesmo lugar em que eu havia achado e caminhei apressadamente para fora do quarto. Voltei pelo mesmo caminho por onde tinha vindo e me deparei com Lucy e os outros garotos em frente à nossa porta.

–E essa é Clare. – falou Luke apontando para mim.

Olhei para o menino ao seu lado. Aquele só poderia ser Kevin.

–É um prazer conhecê-la. – Apesar de não parecer muito feliz em me ver, sorriu. Seu cabelo era preto como carvão e seus olhos escuros como a noite. – Acho melhor deixarmos vocês descansarem, devem ter feito uma viagem muito cansativa. – e com isso, saiu.

Estava deitada na cama com Lucy ao meu lado. Jake estava deitado no sofá mais próximo, e Peter e Josh estavam nos sofás do outro lado do quarto.

Não conseguia dormir, então levantei e caminhei até a porta, fazendo o mínimo de barulho possível. Quando cheguei do lado de fora, o som que eu escutava antes ficou mais alto.

Caminhei até o final do corredor e parei em frente a uma porta. Ela parecia diferente das outras, mas eu não conseguia entender o motivo.

Levei a mão até a maçaneta.

–Não consegue dormir?

Virei para ver quem era.

–Não. E você?

Kevin chegou mais perto.

–Também não. Digamos que Luke faça muito barulho enquanto dorme. – Sorriu.

Os olhos dele pareciam crateras que tentavam me sugar para a escuridão. Ele veio mais para perto e apoiou a mão na parede, ao lado da minha cabeça.

–Me parece que Luke tem ótimos amigos. – falou.

–Me parece que já esta na hora de eu ir dormir. – provoquei, indo em direção ao quarto e fechando a porta.

Só depois que me deitei, percebi que Kevin havia aparecido bem no momento em que eu ia abrir aquela porta.

Terei que esperar até amanhã para descobrir o que tem lá dentro.

Notas finais
Comentem!! Mesmo que você não tenha gostado!! Preciso saber o que estão achando!