Notas iniciais
Oi coleguinhas =D Então, essa é a minha primeira fic original #emoção espero do fundo do meu coração que você goste! Nesse primeiro capítulo vou dar mais enfoque no Pedro, no segundo passarei para outro personagem. O formato em que escrevi é como se fossem relatos ou cartas pessoais, se você já leu As Vantagens de Ser Invisível ou Georgia Nicolson vai saber do que eu estou falando. De qualquer modo, espero que gostem e deixem comentários :DD


Eu tento pensar na minha família como um tipo de estágio para o inferno, parece cruel, mas você não tem idéia do que é ter pais neuróticos tentando lhe empurrar para um maldito curso de Direito a todo custo. Quer dizer, eu acabei de entrar no terceiro ano droga, eu deveria ter ao menos até o meio do ano para decidir se quero ser mais um engravatado dentro da caixa que chamam de escritório ou se vou viver da minha arte e ser um mendigo livre pra sempre, bem não exatamente isso, mas você entendeu certo?! Já meus pais parecem não entender nada, muito menos que é uma escolha minha o que eu farei do meu futuro.

De qualquer modo, tudo o que eu preciso é continuar me esquivando do assunto até o segundo semestre, pra eu fazer o bendito vestibular de oceanografia e me mandar da droga desse lugar.

Eu moro em Pedra Azul* uma merda de cidade do interior do Paraná. Seria impossível respirar o oxigênio daqui se não fosse por Caio, meu melhor amigo. E mesmo sendo um tanto quanto estranho ele é o único que parece ter um pouco de sanidade pelas redondezas, eu não tenho certeza de quando nos conhecemos. É difícil lembrar. Mas nós sempre andamos juntos, e não existe ninguém que me conheça melhor.

Esse ano por obra do destino, pela primeira vez, nós saímos em salas diferentes na escola. Eu não gosto do colégio, além de Caio eu não tenho muitos amigos, tem uma garota na minha turma chamada Cristine, eu costumava conversar bastante com ela, no primeiro grau era muito divertido ter Cristine por perto, ela gostava de cinema, não se importava de ouvir eu e Caio falando sobre videogame e ela sempre tinha um monte de doces, que compartilhava conosco. Mas então no primeiro ano do ensino médio, Cristine passou a andar com Júlia e as outras garotas descartáveis da escola (lê-se gostosas com uma cabeça inutilmente vazia) desde então ela raramente está com a gente, e tudo o que ela consegue falar é sobre como ela precisa perder peso e que seu cabelo nunca está bom. Eu sinto falta da Cristine cheia de balas, ela parecia mais feliz, e bonita.

A minha escola é realmente um antro de idiotas, eu sinto como se a cada segundo gasto naquele lugar um pedaço da minha alma fosse sugado por um tubo invisível. Nossa isso soou bem exagerado;a minha escola não é tão ruim assim, e tem sempre um momento em que eu fico contente de vir as aulas. Que é quando o senhor Albert começa as aulas de História. Ele é um ótimo professor, e realmente sabe o que está ensinando, além de ser bastante divertido. Al é um cara legal -ele me pediu para chama-lo de Al quando não estivéssemos em aula- e apesar de ser velho, bom, pra mim 43 é velho, ele sabe como as coisas funcionam hoje em dia e não se importa com bobagens como chicletes e bonés, e raramente passa tarefas!Al diz que eu tenho uma grande capacidade de leitura e compreensão, o que é bacana quando tudo o que eu ouço dos meus pais é que eu deveria lavar meus tênis e que já passou da hora de me tornar um ser humano.

De qualquer forma, não é isso o que eu quero lhe dizer, o que eu venho tentando falar é que no ultimo sábado, quando minha mãe teve uma crise enquanto preparava o almoço meus pais decidiram que passaríamos o dia fora, então minha família, que consiste em minha mãe Geraldine,o meu pai Júlio e meu cachorro, o Garfo, fomos ao parque municipal.

Eu me sentia terrivelmente miserável novamente, eu tinha ligado para o Caio pra chama-lo pra nos acompanhar, mas ele tinha rejeitado com uma desculpa qualquer de ter que verificar algumas coisas, eu não fiquei chateado com ele, só irritado. É que a companhia dos meus pais não é das mais agradáveis. Estávamos eu e minha mãe sentados debaixo de uma árvore vendo algumas crianças brincarem nos balanços, (meu pai caminhava em algum lugar com Garfo) e eu arrancava alguns fiapos da grama verde e bem aparada quando minha mãe começou:

–Pedro, você deveria aproveitar estes momentos de folga para pensar sobre seu curso, você já decidiu se irá fazer direito aqui ou na capital?- Ela disse puxando minha mão para o seu colo e dando um olhar zangado para pilha de grama que eu havia arrancado.

–Eu não tenho 100% de certeza que farei direito mãe.

–Mas você vivia dizendo que ia ser um advogado como o seu pai querido!- Minha mãe realmente adora repetir isso, droga eu tinha 4 anos, qual criança nessa idade não repete por ai que quer ter a mesma profissão que o pai? Eu desisti de ser um advogado desde que eu descobri o que era um advogado. Mas dizer a verdade a mamãe nunca foi fácil, principalmente quando ela junta as sobrancelhas e franze o nariz cheio de sardas, exatamente como naquele momento.

–Eu farei onde eu passar mãe.

–Bom, então se esforce bastante! Você sabe que eu adoro todos da cidade, e a senhora Guedes mãe do reitor da faculdade municipal é uma grande amiga da família, mas eu ficaria encantada se você fosse para um escola da capital!

Eu sorri em resposta, e minha mãe passou os próximos quarenta minutos falando sobre as maravilhas da faculdade, e de como eu teria uma nova visão do mundo quando entrasse lá e em suas palavras: "você deixará de ser assim, bom... assim desse jeitinho que você é, você vai ver, vai ser incrível!" Quando meu pai voltou,o suor escorrendo por todo o seu corpo fora de forma, mamãe continuava tagarelando sobre meu brilhante futuro, mas assim que ele se sentou ao lado dela o foco de minha mãe mudou para meu pai, e ela começou a reclamar com ele sobre a sua saúde. Garfo parecia extremamente cansado, deitado no chão. Olhei minha unhas, elas estavam pequenas de tanto roer mas ainda sim tinham ficado com as pontinhas verdes da grama. Sem paciência nenhuma para ouvir a discussão que se iniciava entre meus pais, me levantei e fui fazer a minha caminhada pelo parque. Eu realmente gosto daquele lugar, o parque é bem grande, no meio dele existe um lagoa oval onde vários patos e todos aquelas outras aves parecidas vivem, circundando o lago existem varias árvores de todos os tipos, os patos gostam de ficar nas raízes destas árvores e tentar bicar seu pé quando você passa perto deles. Foi perto de uma dessas árvores que eu a vi. Eu caminhava de cabeça baixa, chutando uma pedrinha branca, meus pensamentos perdidos nos meus pais que pareciam caminhar cada dia mais para o divórcio, quando a pedra voou para a grama levantei meu olhar, e então vi a imagem que nunca poderei me esquecer.

A garota era linda, eu não poderia, eu... Não existem comparações para que eu possa expressar como foi ter aquela visão. Era fim de tarde no parque e ela parecia pulsar em todas aquelas cores malucas que o céu ganha quando o sol começa a se por. Eu confesso que fiquei lá em pé, parado como um idiota a encarando, eu não pude nem mesmo disfarçar, ela parecia um tipo de ninfa das florestas com o vestido longo e branco de chiffon e os cabelos bagunçados em um chapéu engraçado, desses que garotas adoram e uma flor no meio do emaranhado de fios daquele penteado louco. E tudo o que eu pude pensar foi: Linda.

Notas finais
Oi humanos o/ #Pedra Azul é uma cidade fictícia! E então gostaram? Não, Por que? Bom, esse capitulo foi meio fraquinho mesmo, o Pedro é um cara meio paradão e introspectivo então não teve muitas emoções no capítulo. Maaaaas no próximo que é a vez do Caio eu prometo muitos agitos, pois isso é a cara dele :DD Eu acho que o texto fica meio poluído quando tem imagem, mas essa foto da Beatriz (sim é ela)ai no final foi uma das minhas inspirações da fic, então n podia faltar. Tomara que alguém tenha lido até aqui hahaha.Até o próxiimo cap coleguinhas o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.