Cindy se olhou no espelho após prender os cabelos, um jeans preto, camiseta cinza e a velha jaqueta que era de seu irmão do time Yankees. A morena riu ao se lembrar que não entendia nada do esporte, sempre preferiu o futebol ao beisebol, diferente do irmão, que atualmente joga no time da universidade e que só assistia por causa do irmão também, mas nunca havia entendido o jogo.

—Querida, sua carona chegou! –gritou Jolene a filha que se assustou, mas logo pegou o celular descendo as escadas rapidamente.

—Tchau mãe, sem namorados em casa, viu? –disse após dar um beijo no rosto da mulher que riu.

—Engraçadinha, juízo, e nada de festa depois do jogo, não pense que eu esqueci sobre a detenção.

—Jolene, olha pra sua filha, e vê se ela tem cara de quem vai para festas?

—Quando eu era jovem aproveitava muito mais que você! –respondeu empurrando Cindy porta a fora.

—E BUM... –fez gesto com as mãos insinuando uma explosão e ao fundo Luke apertava a buzina do carro. —O Johnny foi parar no seu útero!

—Calada! Agora vai! –Cindy riu mandando beijo pra mãe e logo entrou no carro sentando-se ao lado de Isabelly e Will a frente estava Luke e Grace.

O caminho ao estádio era um pouco longe e por isso haviam saído mais cedo, logo atrás do carro de Luke vinha Andrew, que finalmente havia pegado a habilitação, junto a Allison. Todos estavam animados para o jogo, afinal era o maior clássico do beisebol, Yakees contra Red Sox, sendo que dentre eles somente Grace e Allison torciam para os Red Sox.

[...]

Já em seus lugares todos torcedores esperavam ansiosamente pela entrada dos times, o grande clássico iria acontecer e lá estavam eles no estádio, Will olhava tudo maravilhado assim como Andrew, Luke estava acostumado a ir em estádios, mas estava realmente alegre em ir assistir o jogo. Grace com a jaqueta dos Red Sox, falava mais alto que o necessário a todo momento para Isabelly que vestia a camiseta dos Yankees, que os “vermelhinhos”, como William costumava os chamar, iriam ganhar de lavada dos Yankees, Cindy por sua vez ignorava a todos procurando o homem da pipoca logo o achando e indo comprar as guloseimas.

Alguns minutos após o início do jogo todos reclamavam de algo que o jogador que ia rebater havia feito, Cindy olhava para os amigos enchendo a boca de pipoca sem entender nada, logo todos que vestiam as camisas dos Yankees se levantaram gritando indignados com algo, Cindy fez o mesmo, afinal torcia para eles.

—Isso foi pênalti, cadê o juiz? Expulsa ele! –gritou fazendo não só os amigos mas todos a volta a encarar e logo rirem.

—Isso não é futebol Cindy! –disse Isa e Will juntos e em seguida riram fazendo a morena sentar emburrada.

—Que se dane. –murmurou voltando a encher a boca com pipoca.

[...]

Ao fim do jogo os torcedores dos Yankees comemoravam a vitória do clássico por dois pontos de diferença.

No estacionamento, os jovens riam e comemoravam enquanto Grace e Allison ficavam quietas, mas logo começaram as provocações para cima da ruiva, tudo que ela dizia os outros respondiam com um grito alegre “YANKEES” fazendo a loira revirar os olhos e a ruiva bufar de raiva.

—Eu só queria falar se...

—YANKEES!!! –gritaram a atrapalhando.

—JÁ CHEGA! –gritou Grace. —Eu só queria saber se vamos comer por aqui ou vamos passar no Huug’s?

—HUUG’S!!! –gritaram a fazendo rir desta vez.

—Gente, desculpe eu não vou poder ir com vocês, meu pai está chegando, ele veio me buscar porque hoje é dia de jantar em família. –falou Allison fazendo Cindy fazer uma careta.

—Podemos ficar até seu pai chegar, não é? –perguntou Andrew aos outros que concordaram, exceto por uma morena que estava a revirar os olhos.

—Que isso pessoal, podem ir ele já está chegando!

—Vocês ouviram a loirinha aí, ‘vambora’! –praticamente gritou Cindy sorrindo fazendo Isabelly e Grace disfarçarem o riso e Drew a encarar sério.

—Nós ficaremos, como você disse ele já está chegando. –disse sorrindo para Allison que assentiu sorrindo também.

Cindy atrás de Drew fingia vomitar vendo a cena o que fez os outros rirem, mas logo disfarçou percebendo que Andrew viraria por conta das risadas.

Pouco mais de dez minutos depois, ainda estavam lá encostados nos carros conversando, uns mais animados e outros nem tanto já cansados de esperar, um carro branco estacionou perto deles e Allison se despediu entrando no mesmo.

—Podemos ir agora? –perguntou Cindy.

—Vamos! –respondeu Luke entrando no carro e dando partida, assim que Will entrou fechou a porta impedindo Cindy de entrar no carro.

—Abre a porta loiro de farmácia! –gritou ela batendo no vidro.

—Primeiro: meu cabelo é natural e você sabe disso! Segundo: Vai com o Drew! –disse Will sorrindo.

—Abre logo essa porta William! –pediu o olhando com os olhos semicerrados, mas o garoto somente sorriu. —Por favor!

—Não! Você é gorda e faz eu e a Isa ficarmos apertados aqui.

—Eu não sou gorda! –retrucou.

—Anda logo Cindy, todos estão com fome, não é como se eu fosse bater o carro. –Falou Drew após entrar em seu carro.

Cindy mostrou o dedo do meio para Will e saiu resmungando diversos palavrões, assim que entrou no carro ligou o rádio ficando emburrada, assim que Andrew abriu a boca para falar algo ela aumentou o volume e gritou.

—Fica quieto ou eu te assassino! –porém o garoto abaixou o volume e deu partida no carro seguindo Luke.

—O que você tem hein? –perguntou a morena que preferiu não responder. —Pensei que era seu melhor amigo. –assim que ouviu tais palavras do garoto teve uma enorme vontade de puxar o volante e fazer o carro entrar pelas portas de vidro da loja que passavam em frente.

—Eu também pensei. –respondeu seca.

—Eu fiz algo errado? –perguntou olhando-a rapidamente, mas logo voltando os olhos para a rua.

—Claro que não, você é um santo que nunca erra Drew! –disse sarcasticamente.

—Você poderia me dizer o que foi que eu fiz, não acha?

—Não, eu não acho! Se você nem ao menos se lembra é porque você não se importa. –respondeu dando de ombros e evitando olhar para ele, fixando seus olhos nas lojas e comércios que passavam rapidamente por seus olhos.

—Então... Seja lá o que eu tenha feito, me desculpa? –Cindy respirou fundo e virou o rosto para ele que a olhou de relance e novamente deu de ombros sem responde-lo.

O caminho levou cerca de quinze minutos, o carro só não se encontrava em silêncio pelas músicas que soavam do rádio, que novamente havia sido aumentado pela garota que queria evitar qualquer conversa com o amigo.

Assim que o carro estacionou Cindy abriu a porta e saiu entrando na lanchonete ante de todos, e se sentando em uma mesa onde tinha lugar para todos. Logo os outros se acomodaram sentando Isabelly a sua direita e Grace a sua esquerda, mas não deu tanta sorte com o assento a sua frente. Já que o mesmo foi ocupado por Andrew, fazendo a garota soltar suspiro decepcionado, que fora notado pelas meninas.

Isabelly olhou de Cindy para Grace que havia feito o mesmo, mas decidiram não questionar e começaram a fazer seus pedidos.
Todos comiam e conversavam animados, mesmo que duas da seis auras estivessem mais pesadas que as outras.

—Quem topa karaokê? –perguntou Grace com um grande sorriso.

—Vamos combinar que nessa mesa só uma pessoa canta bem. –disse Luke fazendo o sorriso da ruiva murchar, mas logo voltar olhando para Cindy que bufou.

—Só canto se alguém for comigo! –disse ela erguendo os braços.

—A Isabelly vai! –afirmou Grace fazendo a morena a encarar incrédula.

—Eu? Não, não, dispenso! –falou mordendo um pedaço da pizza.

—Ah você vai sim! –afirmou Grace chamando o garçom. —Podem liberar o palco hoje?

—Claro! –respondeu o garçom que aos olhos das três garotas, deveria estar na capa de uma revista e não servindo pizzas e hot dog’s.

Assim que as coisas do palco foram ligadas e arrumas, Cindy subiu no mesmo pegando um dos microfones, já Isa era praticamente arrastada por Grace e Will, assim que a colocaram no palco Cindy a entregou um microfone e a olhou com olhos pidão.

—Só dessa vez e nunca mais! –falou Isabelly séria fazendo Cindy rir e em seguida sussurrou um pedaço da música para a amiga.

—Conhece? –perguntou a Isa que sorriu e assentiu, as duas estava de costas para as mesas em cima do palco e logo a música começou, assim que o solo da Cindy começou elas se viraram

[Cindy]
Someday i let you win
Treat you right
Drive you outa your mind
Ooo

[Isabelly]
You've never met a chick like me
Burn so bright
I'm gonna make you blind

Todos estavam surpresos com a voz de Isabelly, para quem não queria cantar, ela era incrível. As pessoas das mesas soltaram, gritos de animação a apresentação das garotas que se animaram.

[Ambas]
Give it up
You can't win
Cuz i know where you've been
Such a shame
You don't put up a fight
That's a game that we play
At the end of the night
It's the same old story
But you never get it right
Give it up

Elas desceram do palco e se aproximaram da mesa em que seus amigos estavam e com ajuda deles subiram na mesa.

[Cindy]
So stop trying to walk away
No you wont ever leave me behind
(Isa: noooo)


[Isabelly]
You better believe that i'm here to stay
(Cindy: that's right)
Cuz your the shade and i'm the sunshine
(ooooohh)


As garotas se moviam de forma sensual, recebendo assobios, palmas e gritos dos grupos de garotos que tinham pelas mesas da grande lanchonete.

[Ambas]
You can't win
Cuz i know where you've been
Such a shame
You don't put up a fight
That's a game that we play
At the end of the night
It's the same old story
But you never get it right
Give it up
Wooahhh
Yeah

E assim acabou a música com as duas sorrindo em cima da mesa enquanto os amigos e as outras pessoas da lanchonete as aplaudiam, Cindy abraçou Isa de lado dando um beijo estalado na bochecha da amiga que começou a rir enquanto tinham ajuda dos amigos para descerem.

[...]

—La, lalalala, lalala... –Cindy cantarolava enquanto seguiam para o carro, mas assim que foi entrar no casso de Drew, correu para o carro de luke, parou perto da porta e pediu que o menino abaixasse o vidro, assim que ele fez ela deu um beijo na bochecha do amigo.

—Boa noite Luke! –disse sorrindo, enquanto abria a porta de trás se jogando no colo de Will, dando um beijo no rosto do amigo e da amiga que estava sentados atras, se estiou alcançando Grace e beijando sua face também. —Bo anoite, loiro, ruiva e morena! –sorriu saindo do carro e fechando a porta.

—Se ela sem beber álcool é assim, imagina se bebesse! –disse Isabelly fazendo os amigos rirem.

—A doença dela é contagiosa, nós já estamos infectados, você é a próxima. –falou Grace se virando pra trás enquanto o carro de Luke pegava o caminho diferente do carro de Drew.

—Acho que irei me vacinar!

[...]

Assim que Drew estacionou o carro em frente sua casa, Cindy saiu se direcionando a sua que era uma casa após a dele, mas antes dela passar pela cerca, Andrew a chamou e ela parou esperando-o a alcançar.

—O que foi? –perguntou ela assim que ele parou a sua frente.

—Podemos conversar? –perguntou a ela apontando o caminho para praça que era no fim da rua.

—Tudo bem. –respondeu começando a andar.

em direção a praça, onde logo chegaram e se sentaram em um dos bancos de mármore. Cindy balançava os pés como uma criança pelo mesmo não estarem encostando no chão.

—Sobre o que você quer conversar? –perguntou olhando para Andrew que estava sentado de lado no banco a encarando.

—Sobre isso.

— “Isso” o que? –perguntou fazendo aspas com as mãos.

—Isso que está acontecendo, você se afasta, briga comigo por qualquer coisa e você nem mais olha pra mim direito, porque está agindo assim? –disse calmo, como sempre costumava fazer ao ter conversa séria com a amiga.

—Porque quer saber? –perguntou por não saber o que responder.

—Porque você deixou claro, que isso é culpa minha!

—Não, na verdade não é culpa sua. Nunca foi! Sim, você fez algo que “influenciou”... Mas não é sua culpa. –falou olhando para os pés que continuava a balançar.

—Você está com proble...

—Não! –praticamente gritou cortando o amigo. —Não estou, as coisas em casa estão indo bem, muito bem na verdade.

—Você já ligou pra ele, entrou em contato? –ela simplesmente negou. —Você tem que fazer isso.

—Eu sei, mas não quero falar disso. –disse se levantando e indo até a arvore que tinha gravado a inicias de ambos. —Lembra disso? –perguntou ao perceber de Andrew havia se aproximado.

—Lembro. –ele sorriu e passou a mão sobre as letras gravas no tronco. —Foi no mesmo dia que você aprendeu a andar de bicicleta. –Cindy riu.

—E me ralei bonito.

—Eu sabia que esse dia ia chegar. –ele disse fazendo-a encarar confusa.

—Do que está falando?

—De nós? Desde o começo do ano não é a mesma coisa, não é a mesma amizade, você não sente falta? –ele perguntou a encarando, Cindy por sua vez não respondeu ela encarava os olhos azuis do garoto que a um tempo não a olhavam com aquele brilho que sempre a encantou, mas logo lembrou que estavam sempre brilhando para outra, por isso o brilho havia se perdido para ela.

—Desculpa. –disse desviando os olhos que começavam a se encher de lagrimas e se afastou do garoto na intenção de ir embora, porém o mesmo parou a sua frente.

—Pelo que eu deveria te desculpar? –perguntou Drew tentando olhar no rosto da morena, porém ela escondia os olhos marejados que deixaram a primeira lagrima escapar. —Porque tá chorando?

Cindy ergueu os olhos para o amigo que a encarava preocupado, ela tentou passar por ele mas o mesmo a impediu e ao empurra-lo sentiu as mãos dele segurar-lhe os pulsos.

—Por favor, me deixa ir pra casa. –pediu com a voz chorosa.

—Não posso Cindy, não enquanto você não me dizer a verdade. –ele disse tentando ser firme, mas ver sua amiga a ponto de chorar como uma criança indefesa o preocupava e o deixava com o coração partido.

—Não posso falar droga, eu não posso! –gritou tentando soltar-se dele.

—Porque? Sempre contamos tudo um ao outro. –perguntava indignado.

—Não é algo tão simples Andrew, eu não posso dizer. –dizia agora com várias lagrimas sobre a face, logo sentiu seus pulsos serem soltos mas dois braços passarem em volta de seu corpo a envolvendo em um abraço carinhoso, ela só notou o quanto precisava daquele abraço quando o sentiu, com as pequenas mãos segurou a camiseta de Drew, para impedir que se afastasse.

Após algum tempo abraçada ao amigo o soltou mais calma, mas assim que ergueu os olhos para ele pode perceber o olhar preocupado que o mesmo tinha, porém mantinham o mesmo brilho que fez a garota no impulso passar a mão pelo pescoço do amigo logo o beijando. Andrew se assustou com o ato da amiga, porém correspondia o beijo, o que deixava a situação que se encontrava mais confusa, mas logo sentiu Cindy se afastar e o olhar confusa.

—Eu não quis... desculpa. –disse saindo correndo em direção de sua casa.

A garota agradeceu por sua casa ser tão próxima da praça, assim que chegou a porta entrou fechando a mesma rapidamente e subindo para seu quarto.

—Filha? –sua mãe a chamou mas a mesma já havia ido para o quarto se encolhendo em um canto.

Jolene que se dirigia a escada para falar com a filha, ouviu a campainha tocar então voltou para atender a porta e sorriu ao ver quem era, mas estranhou o mesmo estar ofegante e com a expressão preocupada.

—Drew?

—Tia, posso falar com a Cindy? –Jolene pensou no jeito que a filha havia passado por ela e negou.

—Desculpe querido, não sei o que houve, mas conheço minha filha e provavelmente ela só vai querer a mãe. – “já que o pai não está aqui” pensou ela.

—Tudo bem... –disse se retirando cabisbaixo.

Jolene fechou a porta e subiu para o quarto da filha, assim que entrou a viu encolhida em um canto perto do guarda roupa, a mulher se aproximou de Cindy a abraçando.

—Seja lá o que tenha acontecido, nós iremos resolver, eu prometo querida!

Notas finais
Então, o que acharam??? Espero que tenham gostado ^^ Comentem, please ^^ Beijinhos