What a wonderful love

3 Capítulo 3 - Novas implicações


Notas iniciais
Sim, sim, sim, eu estou viva! Sei que é uma vergonha ficar tanto tempo sem postar, e espero que vocês ainda tenham algum interesse em ler isso aqui. E peço sinceras desculpas pelo imenso hiato - involuntário, asseguro - e juro solenemente que isso não se repetirá! Como vocês verão, esse é um capítulo essencialmente de transição, mas eu coloquei algumas coisas que julgo bastante importantes aqui (inclusive sobre a personalidade e os sentimentos de Severus). Bem, chega de papo, espero que vocês gostem! Boa leitura!

A vida no Castelo seguiu seu curso normal e Severus quase se esqueceu da breve troca de cartas com Potter. Quase, porque, nos três dias passados desde que ele enviara sua resposta, todas as noites seus pensamentos acabavam se voltando para aquilo. Não havia sentido nas ações do garoto; Severus fora um miserável com ele — e vice-versa -, fim. Estaria o Menino que Sobreviveu fazendo sua ação de caridade anual? Só o tempo diria, no fim das contas. Mas a sua vida tão carente de afeição sincera o tornava descrente, para dizer o mínimo.

Desde Lily, não houvera quem se interessasse pura e simplesmente pela amizade de Severus. Mesmo Dumbledore, que o aceitara de braços abertos, tinha interesse nos seu serviços de espionagem. Lily, e apenas Lily, lhe estendera a mão despreocupada e sinceramente. Não à toa ela acabou se tornando a mulher que ele mais amou, a que mais duramente lhe partiu o coração e, ainda que indiretamente, a que deu rumo à sua vida. E também não à toa, foi aquela a quem ele mais magoou. Quanto mais próximos somos de alguém, mais chances temos de magoá-lo; Severus aprendeu isso da pior forma. Perdeu qualquer chance de ter amor ou amizade vindos de Lily e isso foi ao mesmo tempo o veneno de sua alma e a sua chance de redenção: dedicar sua vida a proteger o filho de Lily era a única forma de aliviar a dor em sua alma e ao mesmo tempo, sempre acrescentava uma pequena dose de sal à ferida, pois o garoto era malditamente parecido com James Potter e isso, mais que tudo, o tornava uma lembrança viva do que Severus deixara escapar.

E, novamente, lá iam seus pensamentos para o lado do Garoto de Ouro! Talvez fosse necessária mais uma dose de firewhisky... Não, não, certamente era necessária mais uma dose. Severus tinha uma reunião importante no dia seguinte e com certeza não seria proveitoso que seus pensamentos fossem desviados para outras questões, portanto, tudo o que pudesse fazer para esquecer aquele assunto, faria. Ou talvez isso fosse apenas uma desculpa para apreciar um pouco mais da bebida...

~x~

O dia 1° de setembro estava perigosamente próximo e a diretora McGonagall se deparava com uma dificuldade inesperada: encontrar um novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Simplesmente não parecia haver pessoas qualificadas o suficiente dispostas a assumir o cargo. A maioria dos ex-alunos envolvidos na batalha seguiria outras carreiras, e nenhum dos velhos mestres e especialistas no assunto tinha aceitado seu convite, portanto, ela tivera de tomar uma providência drástica — o que trazia Severus Snape à sua sala naquela manhã.

O lugar mudara significativamente desde que a diretora assumira o cargo: boa parte das geringonças de Albus Dumbledore não estava mais lá, tornando o lugar muito mais amplo e espaçoso, também não havia mais Fawkes, a fênix do ex-diretor. Mas a mudança mais significativo era a senhora de aspecto grave e preocupado atrás da mesa. Severus adentrou a sala e se acomodou, enquanto cumprimentava a diretora. Sempre muito direta, ela imediatamente iniciou o assunto de que tratariam:

– Não sei se chegou ao seu conhecimento, Severus, mas ainda não conseguimos um professor para a posição de Defesa Contra as Artes das Trevas. Falta muito pouco para o ano letivo começar e tudo o que menos quero é deixar todos os novos alunos sem aulas em qualquer das matérias…

Se o assunto era esse, o homem não podia entender porque a reunião era apenas com ele e não com todos os professores da escola, como seria mais lógico. Arriscando um palpite, ele interrompeu a diretora.

– Então a senhora gostaria de uma indicação?

– Na verdade, meu caro — continuou McGonagall, parecendo pouco incomodada pela interrupção -, gostaria de convidá-lo para assumir o posto.

Severus não era um homem facilmente perturbável, justamente por isso, sua sensação e consequente aparência de atordoamento durou apenas um instante. A cadeira de DCAT fora sua maior ambição por anos — e essa ambição fora parte do que o levara a arruinar a carreira de Remus Lupin na docência e a imagem pública do homem, fato de que, hoje, ele nem chegava perto de se orgulhar. Após meditar brevemente acerca do convite, ele acabou se surpreendendo com o quão facilmente a que chegou a uma conclusão.

– Não, diretora. Sinto, mas minha resposta é “não”.

A expressão de Minerva McGonagall combinava de forma ligeiramente cômica, choque, descontentamento e preocupação. Aquela não era a resposta esperada, certamente. A recusa de Snape a deixava novamente sem opções e de volta à estaca zero. O professor à sua frente, no entanto, estava disposto a auxiliá-la.

– Creio ser correto supor que a senhora buscou outras alternativas antes de me procurar, estou correto? — diante da afirmativa recebida da diretora, ele continuou — E isso inclui ex-alunos e heróis de guerra?

Minerva pareceu ligeiramente impaciente, mas respondeu com voz calma e controlada, seus olhos perscrutadores pousados sobre ele:

– Certamente, Severus. Busquei todas as opções disponíveis.

– Inclui também o Trio de Ouro? — Severus estremeceu internamente ao pensar no trio de grifinórios, mas permaneceu impassível enquanto esperava a resposta da bruxa.

– Bem, não… — Bingo! Severus tinha quase certeza de que essa seria a resposta. — Eles todos estavam com empregos praticamente arranjados, segundo pude me informar, de modo que os descartei. — E bingo novamente! Se tivesse apostado, o bruxo teria ganhado talvez um bom dinheiro. Grifinórios, sempre tão previsíveis…

– Bem, diretora, eu não os descartaria tão facilmente. Segundo soube, houve algum tempo atrás um grupo clandestino de estudos de Defesa Contra as Artes das Trevas comandado por estudantes grifinórios — um, em especial. O nome era…

– Armada de Dumbledore! Claro! — Se não fosse tão contrário à sua natureza, McGonagall poderia ter dado um tapa na própria testa. Como ela pudera se esquecer?

– Vejo que agora compreende o meu ponto, diretora. Talvez a senhora encontre um professor mais facilmente do que pensa.

– A recusa é sempre uma possibilidade, é claro, mas eu vou tentar, com certeza. — a seu modo nem remotamente efusivo, a bruxa parecia imensamente contente. — Muito obrigada, Severus! Realmente, muito obrigada!

Com apenas um aceno de cabeça, Severus respondeu ao agradecimento e saiu do escritório. No entanto, assim que deu o primeiro passo para fora do local, um alarme soou em sua cabeça: se a diretora tivesse êxito, isso definitivamente implicaria numa longa — muito longa — temporada de aulas. E o pior: ele colocara a si mesmo naquela situação. Brilhante.

Notas finais
E aí, o que acharam? Contem-me por favor! Sei que tinha prometido mais interação entre eles, mas seria impossível fazer isso sem forçar completamente a barra nesse cap. No próximo isso será resolvido! ;) E me avisem sobre qualquer erro encontrado, por favor! Até o próximo (que, com certeza, não demorará esse absurdo todo)! XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.