What a feeling
1 Capítulo 1 - A.M
Notas iniciais
A.M:
Harry estava sentado na poltrona do seu quarto, com as mãos à cabeça. Eu poderia jurar que pela primeira vez na minha vida eu vi ele chorar de verdade. Não que ele nunca chorasse, muito pelo ao contrário, já assisti vídeos dele emocionado em shows. A questão é que não com tanta intensidade.
Seu choro era algo desesperador, profundo.
Eu sabia que se sentia desconfortável comigo ali, ou até mesmo envergonhado, mas eu estava muito chocada para me locomover e sair.
Nós não éramos um casal de meses, mas temporariamente. Contudo, nossa intimidade era enorme e nossos anos de amizade também, até as coisas começarem a esquentar.
Enfim, eu não me movi um segundo, apenas fitava o chão como se fosse a coisa mais importante do mundo. Entretanto, o que eu pensava ser infinito, sessou. Não existia mais soluços.
O motivo pelo qual tudo isso começou era simples: Annie sofreu um acidente.
A atitude de Harry foi bem diferente do que imaginei. Ele é o tipo de pessoa calma e seguro. Mas não foi essa a reação. Ele caiu em prantos, se desesperou total. E o que eu fiz? Nada. E o que eu pensei em fazer? Tentar deixar ele animado, mas no sentido figurado da coisa.
— Harry — agachei, na tentativa falha de fitar seu rosto — olha pra mim.
Pousei minhas mãos em sua coxa, logo alisando a mesma.
Harry retirou os braços da cabeça como uma tartaruga saindo do casco. Não podi evitar em rir abafado com minha comparação. Mas depois me assustei com a vermelhidão nos seus olhos, até parecia que ele havia chorado anos ou levado um soco. Aquilo cortou meu coração.
Ele voltou para casco assim que viu minha expressão. As vezes eu sou tão tola.
Eu sabia que era difícil ele mostrar seu outro lado na questão de sentimentos. Ele não era do tipo que demostrava estar triste quando estava triste. Aquarianos sendo aquarianos.
Minha cara provavelmente foi muito além de estar apenas assustada.
Eu sempre achei ridículo a forma masculina de achar que chorar na frente de pessoas era visto como uma ameaça à sua sexualidade. Porém Harry não era assim, ele não ligava para estereótipos. A questão dos sentimentos era exclusivamente por ele achar que ficar triste era perda de tempo, que o melhor é resolver os problemas e passar só alegria. Em partes eu concordava, mas não é justo consigo mesmo ignorar a tristeza por fora, se por dentro ela permanece. Temos que ser honestos, e mostrar o que sentimos. Esse era o fato do meu susto por sua sensibilidade de agora e a forma como reagiu. Mas óbvio que ele não viu dessa forma. Ele deve ter visto como: Aí meu deus, ela se assustou com minha cara de choro, deve achar que eu sou um idiota.
— Harry, foca em mim — ele não reagiu — por favor.
Ele levantou-se em câmera lenta, devagar, e seus olhos pousaram, tão salvagens como de costume, nos meus.
Harry é sexy até chorando. E safado, pois depois de fitar meu rosto, ele caiu para meus seios. Eu sorri torto.
— Desculpa por ter que lidar com isso — disse rouco, levantando o olhar.
Olhei sem entender.
— Com meu desespero.
— Não foi tão difícil, eu não fiz nada.
Ele riu rápido. E o silêncio prosseguiu depois dali, por uns dois minutos, porém quebrei.
— Sua mãe vai ficar bem.
— Quero vê-la. Estou esgotado de tudo acontecer com minha família e eu estar sempre do outro lado do continente.
— Todos tem coisas que precisam aprender a lidar. Eu imagino a dificuldade de estar sempre longe, mas imagino que suas realizações também valem a pena, não?.
— A música sempre vale a pena.
— Então não se sinta culpado. Gemma está com ela, e sua mãe é muito mais feliz sabendo que seu filho faz o que gosta.
— Ok, Mel — Harry passou a manga de sua blusa no rosto — já entendi, você é boa com palavras.
Nós rimos, encarando um ao outro.
— Vem — levantei do chão, puxando sua mão — vamos para a cama.
— Mel, eu não estou com cabeça pra isso hoje. Gargalhei.
— Vamos dormir, Harry! Você que malícia tudo.
— Não tem como não pensar besteiras com você.
O relógio figurava 12:48 a.m. Harry sentou na beira de cama e suspirou.
CONTINUA...
Fale com o autor