Notas iniciais
Eu voltei com uma nova fic UAHUHUS. Essa ideia tava me pinicando a cabeça há um tempinho já e quando eu falei da ideia pra umas pessoas, elas me disseram pra postar, principalmente a diwa da Mrs Beifong. Obrigada, gente. :3 Aproveitem o capítulo ;3

Durante tantas horas no avião, tudo o que poderia fazer, era lembrar. Lembrar em como eu vim parar aqui. Lembro perfeitamente do dia. Tinha acabado de sair do Joey's, a lanchonete em que trabalhava, e fui pra casa.

No íncio, achei estranho que a casa estava silenciosa. E, ainda estava um pouco apreensiva com o fato de anunciarem o sorteio semana passada.

Quando passei pela cozinha, olhei uma grande quantidade de dinheiro. O que, na atual economia do país, era mais do que estranho.

Procurei pelo meu pai. Tinha que ter uma explicação razoável. E, no fim, tinha. Encontrei a carta não muito depois.

Meu pai havia ganhado.

Uma aeromoça me tira de minha recordação, me trazendo de volta a realidade.

– Senhorita, nós já pousamos. — Avisa a aeromoça. — Já pode se retirar do avião.

– Obrigada. — Falo, retirando o cinto.

Pego minha bagagem de mão e saio do avião, me sinto cansada, não dormi nada enquanto estava dentro do veículo aéreo.

Depois de ter pego minha mala, saio da área de desembarque e fico parada no meio do aeroporto, me perguntando para onde devo ir. Sinto uma mão áspera tocar em meu ombro e automaticamente, me viro.

– Você é Katherine Campbell? — Pergunta um homem todo vestido de preto. Bem, se ele quis evitar a atenção das pessoas, ele fez exatamente o contrário.

– Por que eu te diria? Nem te conheço. — Digo, encaro-o e ele ergue uma sobrancelha.

– Sou Sean e sou o motorista do Rei. — Responde enquanto me mostra uma carteirinha comprovando sua afirmação. Reviro os olhos. — Agora, se me der licença, vou levar sua bagagem para o carro.

Não deixo ele levar minha bagagem de mão e tento ajudá-lo, mas ele recusa. Sean para atrás de um carro preto e abre o porta-mala, colocando minha mala e minha bolsa lá dentro. Ele se dirige até a porta de trás e a abre, fazendo um gesto para que eu entre. Paro na porta.

– Você não precisa fazer isso. — Digo. — Não sou mimada como os seus patrões.

– Estou apenas seguindo as ordens, senhorita. — Ele diz e eu entro.

Depois de um curto tempo observando as luzes de Londres, adormeço.

~*~*~*~*

Uma mulher com roupas de criada está me sacudindo e ela tem uma expressão de preocupação e alegria no rosto, me espreguiço dentro do carro e olho pra baixo me deparando como o meu vestido de alcinha com estampa florida está amassado.

– Senhorita, o seu vestido... — Ela diz, apontando.

– Está amassado? — Pergunto, sorrindo. — Sim, ele está, mas não importa. Qual o seu nome?

– Ruth, senhorita.

– O meu é Katherine, me chame de Kath.

– Sou sua criada, tenho que chamá-la apenas de senhorita Katherine ou senhorita.

– Teremos uma exceção. — Pisco para ela.

– Vamos, daqui a pouco será o jantar em que você conhecerá a família real.

– Eu posso conhecer eles amanhã, estou tão cansada. — Digo. — Vou jantar no meu quarto.

– Querida, você precisa jantar com eles. — Diz. — É necessário que você os conheça no primeiro dia.

– Tudo bem, mas na primeira chance, eu vou para o meu quarto.

Ruth me explica onde fica tudo, mas não consigo memorizar metade do que ela disse. Quando chego no meu quarto, tiro meus sapatos e me jogo em uma macia cama de casal, fecho os olhos e penso que se eu estivesse em casa agora, estaria deitada em uma cama velha e extremamente desconfortável. Me pergunto o que meu pai está fazendo nesse exato momento.

– Ruth, quanto tempo falta para o jantar? — Pergunto ainda de olhos fechados.

– 2 horas em ponto, querida. — Responde.

– Me acorde daqui a uma hora, sim?

– Vou preparar seu banho e não pense em dormir, queridinha.

– Vou tirar um pequeno cochilo.

– Não.

– Ruth entra no banheiro e depois de uns 15 minutos, ela retorna.

– Pode ir.

Me arrasto até o banheiro e vejo que uma banheira espumada me espera, me viro para a porta.

– A água tá fria? — Pergunto.

– Não, pensei que preferiria água quente já que a temperatura está um pouco baixa.

– Obrigada, Ruth. Você acertou em cheio. — Sorrio para ela.

Tranco a porta do banheiro e depois de me despir, entro na banheira e tento aproveitar o máximo possível daquele luxo que eu nunca pude ter. Encosto a cabeça na parede e fico encarando o nada. Embora, não há mais ninguém nesse mundo que eu me importe, preferiria estar na minha casa do que aqui. Com esses pensamentos em mente, choro e depois de um tempo, me acalmo. Saio da banheira e depois de me enxugar, me enrolo na toalha e volto para o quarto.

Ruth está analisando uma peça de roupa que está em cima da cama, me aproximo dela e começo a analisar também.

– O aroma funcionou. — Ruth se vira pra mim. — Agora, você está com um cheiro de baunilha. Mas, espere porque você estava chorando?

– Eu não percebi. — Falo e cheiro meu braço, eu estava cheirosa. — Eu não estava chorando.

– Seu rosto está vermelho. — Pergunta.

– Bem, saudades da minha casa. — Respondo.

– Eu sei, querida. — Ruth me abraça e eu choro novamente. — Não precisa chorar, o príncipe vai te fazer muito feliz aqui, todos irão.

– Eu poderei visitar meu pai? — Pergunto. Eu só quero ir pra casa, meu pai não importa.

– Não sei. — Responde.

– Eu não serei feliz aqui. — Afirmo. — Preciso voltar pra casa.

– Você irá se acostumar com tudo isso e vai ser a pessoa mais feliz do mundo. — Ruth enxuga minhas lágrimas. — Agora, vamos preparar você.

Ruth pega o vestido e o joga em mim, eu analiso o vestido.

– Não estou acostumada a vestir esse tipo de roupa boa. — Encaro Ruth. — Deixe-me ver outras roupas?

– Claro, Kath.

Ruth me guia até um imenso closet e fico pasma com o tanto de roupa que eu tenho agora, nunca vou conseguir usar metade dessas roupa, sabendo que existe pessoas passando fome por toda a Inglaterra e eu aqui, usando um vestido que se eu vendesse, poderia alimentar uma pequena família por 5 dias. Meus olhos batem em um vestido amarelo liso com um detalhe preto em cima, vou em direção a ele e o pego.

– Mas, querida, esse é um vestido muito simples para uma ocasião dessas.

– Não importa se ele é simples, o que importa é se ele é confortável. — Digo. — Esses vestidos luxuosos são lindos, mas são tão desconfortáveis que dá vontade de queimá-los.

Peço licença a Ruth e depois que ela sai, me visto e coloco uma sapatilha preta que iria me fazer calo, com certeza. Saio do closet e Ruth me lança um olhar de aprovação, sento na penteadeira e ela começa a pentear meus longos cabelos ondulados. Ela vai ao closet e volta com uma caixa que ao abrir percebo que é maquiagem.

– Você não vai fazer isso comigo, Ruth. — Digo.

– Você precisa estar deslumbrante.

– Desde quando a pessoa tem que ficar deslumbrante para comer?

– Desde quando se trata de algo especial.

– Não vou passar. — Cruzo os braços e faço cara feia.

– Vamos, Kath, só um gloss. — Implora Ruth.

– Não. — Teimo. Ela passa apenas um pouco e eu espremo os lábios um contra o outro.

– Pode ir agora. — Diz sorrindo.

Saio do quarto e desço as imensas escadas, olho para o corrimão e dou um sorriso, imediatamente sento no corrimão e desço até chegar ao final da escada. Um guarda me encarava severamente.

– O que foi? As pessoas não costumam se divertir por aqui? — Pergunto.

– Senhorita, não posso dizer que isso é proibido já que ninguém nunca pensou em fazer isso por aqui.

– Quer dizer que eu fui a primeira pessoa a deslizar a bunda no corrimão? — Pergunto entusiasmada. Finjo secar uma lágrima. — Me sinto especial agora.

– Não devia achar isso legal. — Ele diz com um ar de frustação.

Ele abre uma imensa porta de madeira e eu me deparo com um grande salão onde no meio tem uma imensa mesa de jantar. Paro na porta e começo a andar devagar até o centro do salão. Encaro o rei, depois a rainha e meu futuro marido que mais se parece com um gay. Ele tem olhos verdes escuros, cabelos pretos como carvão e a pele branca. Percebo que ele também me encara e mantenho o olhar até minha atenção ser desviada para uma mulher que está colocando um tipo de aparelho no meu ouvido.

– Faça exatamente tudo o que você ouvir por esse aparelho. — Afirma a mulher. — E não pense em fazer nada errado, mocinha.

Reviro os olhos, pensando em como esse jantar será monótono. Sento à mesa, sem fazer a devida reverência às majestades. Ouço uma voz me dizer para que eu me levante e faça o cumprimento, mas continuo sentada.

A mulher de antes aparece e para na nossa frente.

– Majestade, essa é Katherine Campbell. — Ela tem uma voz extremamente irritante. — Senhorita, levante e faça a reverência.

Eu a encaro.

– Tô com dor nas costas. — Digo. — Não dá.

O rei começa a gargalhar e bater com o punho cerrado na mesa, fazendo com que a rainha se junte a ele, o príncipe continua sério.

– Que indecência. — Ela parece ofendida. Reviro os olhos, me levanto e faço uma reverência desajeitada e dou um dos meus sorrisos mais graciosos. — Ótimo. Suas Majestades são o rei Chandler, rainha Evelyn e o príncipe Matthew.

– Posso ser sincera? — Pergunto e antes de esperar a resposta, abro a boca. — Você tem o perfil de um gay, príncipe.

– Isso soa um pouco estranho vindo da minha futura esposa. — Ele tem uma voz rouca, o que o deixa demasiado sexy. A rainha solta uma risadinha.

– Bem, vamos jantar. — Anuncia o rei. — Tragam o banquete.

Muitos empregados começam a colocar vários tipos de comida e eu não fico surpresa com o tanto de comida que servem por aqui. De onde eu vim, só comíamos batatas e um bife mediano. Me sirvo de um prato que eles chamavam de ensopado de vitela à provençal acompanhado de batatas com alecrim e alho, é um prato extremamente delicioso. Evito olhar a família real e todos comemos em silêncio e quando perguntavam algo a mim, eu respondia com perguntas curtas e não os encarava, afinal a culpa é toda deles por eu estar aqui, não é mesmo?

Depois de todos terminarem de comer, um criado traz um bolo de morango com muito chantilly por cima e eu praticamente babo, me contenho e espero alguém se servir primeiro e quando o príncipe pega um pedaço, eu vou e pego também. Quando coloco um pedaço na boca, fecho os olhos e suspiro, Matthew percebe e solta uma risada.

– O que foi? — Pergunto.

– Você nunca comeu um bolo desse?

– Não. — O encaro. — De onde eu vim, não temos esse luxo. Já falei que 95% das pessoas da minha cidade sofrem.

– Me desculpe. — Pede. — Mas, você já comeu morango, certo?

– Sim. — Me concentro no bolo. Esse garoto não sabe nada das coisas que estão acontecendo lá fora. Eu já esperava isso.

Depois que termino o bolo, me sinto a pessoa mais pesada do mundo. Peço liçenca e saio do salão, ando devagar até a escada e depois de subir os degraus, saio em disparada até meu quarto e quando chego, tiro aquele vestido e as sapatilhas e os arrumo delicadamente no closet. Vou para o banheiro, escovo os dentes e visto um pijama, pulo na cama e me cubro com o cobertor. Alguém bate na porta eu finjo não ouvir, bate de novo e eu reviro os olhos e digo que pode entrar.

– Olá, docinho. — Diz o príncipe. — Como está?

Ele se senta em minha cama e eu fico de lado para encará-lo.

– Não me chame assim. — Peço. — Cansada, quero dormir.

– Eu entendo. O que está achando da estadia do castelo?

– O que você acha? — Ergui uma sobrancelha. — Eu fui vendida.

Notas finais
Então, o que acharam da minha nova ideia?