What Lies Ahead
31 She Will Be Loved
Notas iniciais
PVT Gabi
Acordei com meu celular tocando, nem olhei quem era e atendi.
Ligação On*
– Bom dia Liam!
– Liam? – Ouvi uma voz desconhecida.
– Quem é?
– A Camila... Filha da Sandra.
– Ah... Oi Camila.
– Te acordei né? Me desculpa... É melhor eu ligar outra hora né?
– Não tudo bem... Eu tinha que acordar mesmo.
– Por quê? Tem algum compromisso? Que enxerida eu. – Eu ri.
– Não... É só que se eu dormir muito não consigo dormir depois... Mas e aí, como ta?
– Estou bem e você?
– Bem também.
– Gabi... Você tem alguma coisa pra fazer essa tarde?
– Não por quê?
– É que minha mãe foi viajar com meu pai hoje bem cedo, e eu estou sozinha, aí eu pensei... Já que eu não tenho nenhuma amiga... Quer dizer, eu até tenho, mas não gosto delas. – Tive que rir.
– Por que não gosta delas?
– São muito enjoadas... Odeio gente enjoada.
– Mas então... Você pensou?
– Se você não gostaria de passar à tarde comigo? Pode trazer seu namorado, se quiser.
– Ah... Okay. Quer que eu vá pra í que horas?
– Se não for pedir muito... Agora.
– Okay, chego aí em 10 minutos.
Ligação Off*
Desliguei o telefone e fui me arrumar, pensei em ligar para Liam, mas preferi passar uma tarde só de meninas, conhecer melhor a Camila sabe... Assim que fiquei pronta peguei meu celular que estava em cima da penteadeira e saí.
Cheguei alguns minutos depois e encontrei Camila sentada na calçada.
– Você é doida né? – Fechei a porta do carro.
– Por quê?
– Ta um frio lascado, e tu ta de shorts.
– Ah... Isso... Se acostume, pois é difícil me ver com outro tipo de roupa... Eu amo shorts.
– Percebi. – Um garoto muito bonito saiu da casa ao lado, com um skate na mão, não o reconheci até que ele levantou o rosto e olhou pra Camila.
– Mas nem no frio você usa roupa descente né?
– E nem no frio você cuida da sua vida né?
– To cuidando... A propósito, suas pernas são lindas. – Ele subiu no skate e passou bem rápido por nós.
– Bom dia Gabi. – Eu acenei com a mão, mas duvido muito que ele tenha visto.
– Conhece ele? – Camila me olhou com interesse.
– É primo de um amigo meu... Nos vimos uma vez, fico surpresa dele lembrar meu nome...
– Você não lembra o nome dele né? – Balancei a cabeça negativamente, e nós rimos. – O infeliz se chama Brandon.
– Ah... Brandon... Acho que agora não esqueço mais... Como era mesmo? – Nós rimos.
– Vem, vamos entrar.
PVT Harry
Peguei a roupa da Andrea, passei em casa pra trocar de roupa e voltei ao hospital. Assim que cheguei lá encontrei Louis saindo.
– Pensei que tinha ido embora Lou.
– Eu fui... Mas Niall me ligou e pediu pra eu voltar.
– E por quê?
– Andrea queria chocolate... – Fiquei um pouco confuso. – Uns que eu trouxe pra ela uma vez.
– Ah... Já ta indo embora?
– Já... Eu vim só deixar o chocolate mesmo. Aliás, ela acabou de ter alta.
– Ué, mas disseram que... Oh tudo bem, vou ir logo lá então, ela deve estar muito impaciente.
– Chega a ser insuportável. – Eu ri, e Louis foi embora. Cheguei à porta do quarto e ouvi a voz de Andrea.
– Meu Deus como esse Harry é lerdo.
– Você ta apaixonada por ele né?
– Não sei...
– Você não consegue mentir pra mim lembra?
– Não estou mentindo... Eu não estou apaixonada por ele, eu estou amando ele.
– Só não vai se machucar depois ta bom? – E então eu entrei.
– Cheguei minha gente. Louis disse que já teve alta.
– Agorinha. – Resolvi fazer um teste, queria saber se Andrea era sincera comigo.
– Demorei muito?
– Magina... – Fiquei um pouquinho decepcionado, mas então como sempre, ela mudou completamente meu pensamento. – Só uma vida inteira... Achei até que tinha morrido no caminho. – Eu ri – E porque trocou de roupa. – Não pude nem responder, pois ela imediatamente entrou no banheiro pra se trocar.
– Graças a Deus que chegou, eu já não estava mais aguentando ela dizendo “esse Harry não vai voltar mais?” – Niall tentou imitar sua voz, me fazendo cair na gargalhada.
PVT Camila L.
Eu estava passando uma tarde bem agradável com Gabi, tive que aguentar Brandon passar pela minha sacada a cada 20 minutos e gritar “delicia”, mas isso já era uma coisa de rotina.
– Ele é sempre assim?
– Todos os dias, todas as horas.
– Ele é o vizinho criança né?
– É sim...
– Ah Cami... Dá uma chance pra ele. Ele é super gatinho.
– Quando ele parar de ser tão infantil, eu posso pensar nisso. Mas me conta aí, quem é o primo dele que é seu amigo?
– Zayn, conhece?
– Conheço... Ele é legal... Metido, mas legal. – Eu ri. – Acho que é de família.
– Talvez... Brandon mora aqui há muito tempo?
– Desde neném. Nós costumávamos brincar quando crianças, aí crescemos e nos afastamos, e hoje ele é esse imbecil.
– E Zayn? Ele já morou aqui alguma vez?
– Não... Zayn se mudou há pouco tempo, mas ele sempre vinha visitar.
– Então vocês se conhecem há muito tempo já?
– Sim... Era bom, porque sempre tivemos a mesma idade, então nós passávamos a tarde toda brincando juntos. Mas Zayn sempre tinha que ir embora, e ele ficou muito tempo sem vir pra cá, acho que não é mais a mesma coisa.
– Já viu Zayn depois dele ter se mudado pra cá?
– Três vezes só... Mas foi só de longe, não cheguei a conversar com ele.
– Mas ele te viu?
– Não... Eu estava no meu quarto, e achei melhor não incomoda-lo, ele está muito bonito né?
– Está sim... – Ficamos em silencio por um tempo, até que o telefone dela tocou.
Ligação On* PVT Gabi
– Alô?
– Amor, você não faz ideia do que aconteceu! – Fiquei um pouco assustada.
– O que aconteceu?
– Deia teve alta. – Olhei pra cara da Cami por alguns segundos, ela estava com um olhar curioso, eu não ia fazer isso, mas foi mais forte que eu.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. – Cami me olhou muito assustada e eu comecei a rir. – Sério? E ela já foi pra casa?
– Harry disse pra irmos vê-la amanhã à noite.
– Por quê?
– Não sei.
– Okay então né.
– Era só isso.
– Okay.
– Onde você tá? Passei na sua casa pra te contar, mas sua mãe disse que você saiu correndo de casa e nem tchau deu.
– Ela me viu saindo? Achei que ela ainda estava dormindo.
– Não... Ela estava na cozinha.
– Ah... Estou na casa da Camila... Lembra aquela do casamento que eu te contei?
– Ah... Divirta-se aí então... Beijo te amo.
– Beijo, também te amo.
Ligação Off* PVT Gabi
PVT Harry
Deia apareceu na porta do banheiro completamente pronta e com o chapéu na mão.
– Sério mesmo que precisa de tudo isso pra sair do hospital Harry?
– Sim.
– Essa roupa? Salto alto? – Ela me olhava completamente indignada. – Chapéu? – Tive que rir.
– Sua cara de indignação é muito engraçada sabia? – Niall entrou no quarto, e imediatamente sua boca abriu.
– Tudo isso só pra sair do hospital? E o mais incrível... Você arrumou isso sozinho? – Eu ri. – Você está muito linda.
– Valeu, mas me lembre de nunca mais pedir ao Harry para pegar roupas pra mim...
– Ué, mas por quê?
– Por quê? Cara ele tem problema né? Pra que precisa de chapéu e salto alto só pra sair do hospital?
– Você tem que sair com estilo. Agora para de drama e vamos embora. – Niall puxou sua mão e saiu arrastando ela até o carro.
Tive que dirigir o caminho todo com Andrea me encarando ainda perplexa, assim que parei em frente à casa de Niall ela foi abrindo a porta.
– Onde pensa que vai?
– Pra casa?! – Niall colocou a cabeça no meio de nós.
– Tchau gente, e valeu pela carona viu Harry? Divirtam-se seja lá aonde vão. – E ele saiu do carro.
– Nós iremos até Holmes Chapel.
– Fazer o que?
– Sempre nessa época do ano, meus pais fazem uma festa... Tipo uma festa de rua sabe. E é uma tradição de família, é muito importante, até a Gemma vai.
– Como assim até a Gemma vai?
– Bom é difícil pra ela vir pra casa essa época do ano. – Dei uma batidinha com o dedo em seu nariz. – Mas ela vem.
– Se você disse que é uma tradição de família, eu não tenho que ir. – Ela deu uma batidinha com o dedo no meu nariz. – Não sou da família.
– Claro que é.
– N...
– Shhhhhhhhhh. Não discuta comigo. Vamos passar lá em casa rapidinho pra pegar as malas que eu deixei lá ta bom?
– Quanto tempo ficaremos lá?
– Voltaremos amanhã.
– Então porque vamos levar malas? Mochilas já não é suficiente?
– Você não conhece minha mãe. Vai por mim, malas são o ideal.
– E sua mãe? Ela sabe que eu vou?
– Sabe sim... Eu ia avisar ela, mas como sempre ela foi mais rápida e pediu para eu te levar. – Parei o carro e nós descemos.
PVT Deia
Eu estava muito surpresa, mal saí do hospital e já iria conhecer a família de Harry... Nós nem éramos namorados. Subimos até o quarto de Harry e ele começou a arrumar nossas malas.
– Você não tinha dito que estavam prontas?
– Talvez eu tenha exagerado. – Eu ri. – Pega minha blusa do Ramones que está aí dentro do guarda-roupa, fazendo um enorme favor?
– Onde? Aqui? – Apontei pra porta mais próxima.
– Isso, aí mesmo. – Abri a porta e encontrei a blusa em cima de outras duas blusas, assim que puxei ela as outras blusas se mexeram, e quando fui estendê-las de novo, encontrei uma caixinha preta de alianças.
– Que isso Harry? – Pude ver pavor em seus olhos, e ele tomou a caixinha da minha mão com tanta rapidez que me deixou até tonta.
– NADA.
– Como nada? Alguma coisa é.
– Por que tem que ser alguma coisa? Pode muito bem ser nada.
– Tenho certeza absoluta de que não é nada. Se fosse nada, você teria dito ”ah não é nada”.
– Mas foi o que eu disse.
– Não... Você cruzou o quarto, que não é nada pequeno, em menos de meio segundo, tomou a caixa da minha mão e ainda gritou, GRITOU.
– Já te disseram que você é muito enxerida?
– Já sim... Mas eu não ligo. E não mude de assunto. O que é isso?
– É uma caixa.
– Eu sei que é uma caixa. E o que tem dentro dela?
– Por que quer saber?
– Porque eu sou enxerida. Vai me contar ou não?
– São só... Alianças velhas do meu ultimo namoro.
– Ah... – Ele colocou a caixinha no bolso e continuou arrumando as malas. Essa história estava muito mal contada, mas resolvi deixar pra lá.
PVT Niall
Assim que Harry me deixou em casa, eu subi pro meu quarto e pulei a sacada e entrei no quarto da Deia, fazia algum tempo que eu não entrava ali. Ouvi pessoas rindo lá embaixo e desci as escadas, encontrei Jacky e Greg na cozinha, Jacky estava sentada no balcão com Greg em pé entre suas pernas, o nariz de Greg estava sujo de brigadeiro, e as bochechas de Jacky também, eles ainda não tinham percebido minha presença.
– Vejo que conheceu um brigadeiro melhor que o da Deia né Greg? – Greg se afastou e Jacky ficou vermelha. – Não precisam ficar envergonhados não. Eu só queria saber se alguém viu a Gaby’s.
– Foi no parque. – Eu podia ouvir a vergonha que Jacky estava sentindo em sua voz.
– Valeu... E eu fico com isso. – Peguei o prato de brigadeiro, e uma colher e fui até o parque.
Encontrei Gaby’s sentada em um banco, ela segurava alguma coisa.
– Gaby’s? – Ela se assustou, e limpou os olhos.
– Ah... Oi Niall.
– Estava chorando?
– Não... – Ela olhou pra mim e sorriu. – O que faz com um prato de brigadeiro na mão? Você está em um parque sabia?
– Só porque eu estou em um parque não significa que eu não possa ter fome okay?! – Ela riu.
– Okay.
– Mas por que está chorando?
– Nada não.
– Ei... Pode confiar em mim. Não é porque eu sou um garoto que anda com um prato de brigadeiro na mão no meio de um parque que eu não sou confiável ta? Magoou. – Ela riu, e isso me deixou melhor.
– É só que... Que está sendo difícil passar todo esse tempo sem a Deia sabe... Ela era minha companheira, mesmo que quase nunca ficava em casa... Mas quando ficava era com ela que eu ficava. Agora que ela está no hospital eu fico sozinha, porque a tia nunca tem tempo pra mim, ainda mais agora que ela está namorando com Greg. – Ela olhou uma foto que estava em sua mão. – Minha vida no Brasil nunca foi muito boa sabe Niall... Eu morei minha vida toda com meu pai, e ano retrasado meu pai me mandou morar com minha avó. Não que seja ruim, mas é que... Não é minha casa sabe? Sei que meus avós me amam, mas não é o mesmo amor sabe? Eu sentia que eles me queriam fora de lá o quanto antes, e então eu tive a chance de vir pra cá, e tipo eu achei de verdade que me sentiria mais completa aqui, mas agora que a tia Sheila foi embora eu sinto falta de uma mãe, sinto falta da minha mãe sabe? – Eu queria de verdade dizer algo, mas no momento em senti que deveria só ouvir. – Minha mãe nunca foi daquelas mães que dizem que ama, e que abraça sabe? Ela nunca foi uma mãe muito presente. Eu sei que ela me ama, mas às vezes eu chego a duvidar disso. Eu não pude me despedir dela antes de vir pra cá, e eu estou tentando ligar pra ela, mas ninguém atende, eu liguei pra tia Sheila, mas o celular dela está desligado. – Ela começou a chorar. – Eu não sei mais pra onde correr, não sei mais o que fazer. – Eu simplesmente a abracei me segurando para não chorar. E então tive uma ideia.
– Você está precisando muito disso. Eu costumava fazer isso com a Andrea quando a mãe dela não estava e ela precisava de uma.
– O que?
– De um tratamento de mãe. Minha mãe é muito boa nisso. – Me levantei do banco, e estendi a mão. – Vem comigo, você vai gostar. – Segurei sua mão e a puxei para que se levantasse. – Vem logo, vamos.
Fomos correndo até em casa, e assim que abri a porta vi minha mãe segurando um bolo de chocolate e olhando a TV.
– MÃE... TEMOS UMA EMERGÊNCIA.
– O que foi menino? – Ela estava assustada.
– Precisamos urgentemente de um tratamento de mãe.
– Estava chorando querida? – Ela se aproximou de nós. – Vem, vou te dar um tratamento de mãe... Não quero me gabar não, mas eu sou muito boa nisso viu?! – Gaby’s riu, e minha mãe nos puxou até a cozinha.
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