What Is Your Sun Like?
5 Capítulo 5
Quando Kanon parou, Takuya continuava com a respiração acelerada. Apenas a respiração, não. Durante aquele beijo, sentiu seu sangue sendo pulsado mais rápido, um frio diferente de todos os ouros, as mãos suadas. Mas o que era aquilo que estava acontecendo com ele, afinal?
Depois de já terem os rostos separados, os meninos permaneceram em silêncio por um tempo; Takuya porque não tinha palavras, Kanon por simplesmente não saber como começar a explicar que aquilo havia sido apenas uma forma de mostrar que estava dando chances ao outro para que se incluísse, que não o odiava, que queria que o perdoasse. Mas, particularmente, agora pensando com mais calma, chegou à conclusão de que havia sido uma idéia bem idiota, beijar o ruivo com a intenção de se desculpar. Se antes queria seu perdão, precisaria então se jogar no chão e jurar que suas intenções com aquilo eram das melhores. Via o espanto estampado na cara do guitarrista; na verdade, ele próprio não se sentia muito bem depois daquilo. Devia ter sido um impulso, um grito de desespero pela falta de Bou, no máximo, uma carência súbita.
-Eu... — começou, percebendo seu próprio susto, sentindo-se desorientado pelos próprios atos. — Desculpe, Takuya, eu não... — e deixando a frase aberta, apenas se levantou, cobrindo o próprio rosto com as mãos, envergonhado, e saiu murmurando algo parecido com \"gomen\", perdão.
Lá estava Takuya, agora sozinho; nada além de uma bebida de não se sabia o quê lhe fazia companhia. Um Takuya perturbado, desconfortável, apenas sentado na mesa do kiosque, mal e mal podendo se mexer. Não sabia ao certo o que havia sentido durante aquele beijo — tirando o medo e a surpresa. Tudo o que se lembrava era de ter sentido seu corpo quente, calmo, apesar da insegurança e a respiração ofegante; a alma tranqüila, apesar de toda a tensão que o dominava; e principalmente os batimentos acelerados, apesar do peito dolorido. Nunca, nunca em toda a sua vida havia sentido algo parecido. Tão real, tão seguro, e tão vivo.
Se dando conta de que provavelmente parecia um maluco sentado imóvel naquela mesa, e vendo a expressão de choque do barman que havia presenciado a cena, levantou-se e saiu de lá em silêncio, sem querer pensar em nada que o confundisse mais. Estava, na verdade, pretendendo ficar sozinho, sentado na borda da piscina infantil que se encontrava deserta, quando Yu-ki o surpreendeu.
-Ocupado? — ele perguntou, rindo ao ver o pulo de susto do outro.
-Não, Yu-ki — sorriu, paciente. — Pronto pra conversar com você. Não vai voltar pra sua festa?
O tecladista levantou os braços e se espreguiçou, enquanto bocejava de forma ruidosa:
-Não, acho que não. Preciso me guardar para a noite — sorriu, malicioso, fazendo o ruivo rir; ao menos, a companhia dos outros o divertia. Realmente, não seria nada se não fossem eles, animando-o a cada problema que aparecia (e até que não eram poucos, os problemas). — Fiquei sabendo de um probleminha que você teve com o Kanon.
Pronto. Foi o suficiente para que Takuya se engasgasse com a própria saliva.
-Ele disse isso? — perguntou, arregalando os olhos, vermelho, logo depois de ter se recuperado.
-Ele passou correndo pelo hall. É uma pessoa bem problemática, Takuya, seria bom se você mantivesse distância, sabe? — voltou ao sorriso, fazendo o outro sorrir também.
-Não é tão fácil.
Ouvindo isso, tudo que Yu-ki fez foi se estender em uma cadeira que estava sob o sol e encontrar uma posição confortável para dormir, provavelmente, até a hora do banho.
-Sabe o que eu acho? – respondeu ele, ajustando os óculos. — Que tem um Miku lá em cima pra conversar com você sobre isso. Por que você não dá um pulo lá, hm?
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Dentro do quarto, Kanon se torturava, pensando no problema em que havia arranjado em apenas alguns segundos de beijo. Agora, pelo menos, seus pensamentos não giravam mais em torno de Bou; giravam em torno de Takuya. Pobre Takuya que havia sido amaldiçoado com a crueldade e frieza do baixista; pobre Takuya que além de aguentar a pressão de ser novo no grupo — e parecia sofrer com aquilo muito mais do que Yu-ki sofria — ainda tinha que se preocupar com problemas alheios, suportar os atos inconscientes de todos e se confundir com sentimentos que nem o próprio Kanon sabia se gostaria que ele se confundisse. Seu estado era inconsolável. Já fazia algumas horas que havia largado o ruivo sozinho naquele kiosque, e continuava se revirando na cama, agitado; não conseguia controlar a própria mente.
Olhou no relógio: sete horas. Logo, todos estariam de seus respectivos quartos, disputando um chuveiro para ir ao que devia ser uma balada própria do hotel. Ele, não. Não teria pressa para tomar banho, porque simplesmente não iria à festa. Continuaria distante dos outros, fazendo de tudo para... Teve seus pensamentos interrompidos por algumas batidas frenéticas à porta. Assustado com o desespero da pessoa que batia, Kanon levantou-se rápido e foi atender.
-Ah, não...
-Ah sim, Kanon — era Teruki. Mais elétrico que nunca. Foi adentrando o quarto sem nem pedir licença, sem nem perguntar se estava ocupado. — Tome banho e vista-se. Essa noite você vai para a festa.
-Eu? Não, Teruki, eu não vou. Não sei se você sabe, mas...
-Bla, blá, blá! Você fala demais, Kanon, demais. Agora entra no banho, isso não foi um pedido.
-Mas eu não...
-Já, agora! Haiyaku, anda!
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-Miku, eu não posso!
-Não pode? Como não pode? Takuya, eu apostei dinheiro nisso, hein. Yu-ki vai me dar umas boas moedas se eu mostrar pra ele que é você quem vai tirar o Kanon desse poço sem fundo.
Já era noite, e as luzes azuis da piscina principal haviam sido acesas, quando Miku e Takuya continuavam discutindo sobre o mesmo assunto. O plano era que Kanon e o ruivo ficassem juntos naquela noite. As intenções, como sempre, muito boas; queriam que com aquilo Kanon esquecesse Bou de uma vez e levasse sua vida de uma forma normal, da mesma forma que levava quando o loiro ainda fazia parte da banda. Queriam vê-lo alegre da mesma forma que viam quando iam a bares na época, animado da forma como ficava quando era véspera de show, otimista o suficiente para dizer que uma pipa voaria até quando não havia vento algum.
-Mas ele não gosta de mim! Eu não sou o Bou, não sou, Chikuso!
-Ele gosta de você, Takuya. Você sabe. Não precisa ser Bou nem nada pra isso. Se você quer saber, eu acho até que ele está fantasiando demais essa história do Bou. Me escuta. Você vai fazer isso. Entendeu?
Sem ter mais como recusar o pedido, Takuya simplesmente abaixou a cabeça:
-Hai...
A mesma resposta que Kanon deu, em outro lugar e com outra pessoa, mas usando exatamente o mesmo termo:
-Hai...
Respeitando a vontade de dois, Miku e Teruki deram um jeito para que não se vissem antes da festa: trocaram o quarto. Kanon ficaria no de Teruki e Yu-ki, enquanto que Takuya estaria com Miku, muito próximo. Em cerca de meia-hora, e já pronto, Kanon esperou que os vizinhos lhe avisassem que Takuya já havia saído, e que era hora já de descer a escadaria. O baixista não fazia idéia de como seria capaz de encarar o ruivo depois daquela tarde. Mas não mais poderia recuar.
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