Sr. Schue ensinava mais uma de suas coreografias para os alunos do Glee Club. Alguns deles esperavam pela sua vez, já que eram passos diferentes, enquanto os outros tentavam acompanhar a animação do professor, mas não conseguiam.
- Pessoal, vocês estão parecendo sonâmbulos. Mais energia – disse ele. – Temos as seletivas em duas...
- Isso vai ser moleza – disse Mercedes.
- Talvez sim – ele disse, suspirando. – Mas a Regional vai ser mais difícil. Nós temos que entrar no jogo.
O professor parou quando Kurt e Ryan começaram a rir.
- Desculpe. Vídeo engraçado de alguém pisando em uvas – disse Kurt, recebendo um bravo olhar do professor.
- Se o senhor visse, também acharia engraçado – Ryan tentou se defender.

- Cara, estou tão cansado – reclamava Ryan à Finn. – Todos esses ensaios e treinamentos é loucura. De um lado o Glee, do outro o meu pai. Eu juro que estou começando a olhar as partituras e ver tudo se misturando e fazendo voltas e voltas...
- Sei como é isso, cara. Ainda estou surtando por causa da Quinn. Não tenho ideia do que fazer, de como fazer ou de quando fazer. Não tenho ideia de nada.
- Sinto muito, cara – disse Ryan, se distraindo ao dar tchau para Sophia, que passou ao seu lado.
- Então, você e Sophia, hein... – riu o jogador.
- O que? Não, nós não... – ele viu que o outro não acreditava. – Todo mundo já sabe?
- Praticamente. Puck já até falou pro resto do time ficar de olho no que você está fazendo. Agora você tem mais de 20 caras olhando para cada passo que você der, cara...
- Se todo mundo sabe, Rachel...
- Não acredito que você não me contou – ele sentiu um empurrão e quase caiu. – Eu devia ser a primeira a saber disso, e agora...
- Por que você devia ser a primeira?
- Porque eu sou sua prima. E sua melhor amiga. E porque eu te conto tudo – ela parecia mesmo chateada.
- Se quiser parar de me contar, juro não ficar chateado.
- Qual é, Ryan? Você sabe que errou! Devia ter me contado – ela saiu batendo o pé.
- Dá pra acreditar nisso?!
- Ela está certa, cara – disse Finn. – E vindo do cara que mal consegue manter o olho aberto, está meio na cara...

- Competição – disse Sr. Schue, no começo do outro ensaio. Era o jeito dele motivar os alunos, que não estavam muito animados com a ideia. – Todas essas pessoas ou elementos foram campeões em seus méritos. Eles competem entre si para ser ainda melhores.
- Não entendo como um raio compete com uma piscina – disse Kurt.
- Deve ser uma daquelas analogias que só ele entende – comentou Sophia.
- Apenas aceite. Vocês se acomodaram. Foram ótimos nas pré-seletivas, mas precisam melhorar para as seletivas. Certo, dois grupos: Meninos para a direita e meninas para a esquerda. Vamos lá – ele observou os alunos se repartirem e viu Kurt do lado das meninas. – Kurt, do outro lado. É o seguinte, dois times. Meninos contra meninas. Daqui a uma semana, apresentarão um mash-up que escolherem.
- O que é um mash-up? – perguntou Puck.
- É quando pega duas músicas e as mistura para fazer uma explosão de expressão musical. Meninos apresentam na terça, as meninas na quinta. Pensem em tudo. Figurino, coreografia. Quem ganhar a competição, escolhe a música das seletivas.
- Espere! Quem será o juiz? Seu sexo o torna imparcial – disse Rachel.
- Por que é sempre você que faz essas coisas? – perguntou Ryan, rindo. – Ele não vai votar na gente só porque é um homem...
- Pode deixar, Ryan. Vai haver um juiz celebridade – disse ele, misterioso.
- Quem?
- Terão que vir para conferir.
Ryan observou as meninas saindo e esperou o professor terminar de conversar para ir falar com ele.
- Ei, Sr. Schue. Será que tem como o senhor me liberar da disputa? Eu estou meio enrolado e preciso mesmo de um descanso.
- Ryan, não podemos relaxar agora. Se não passarmos nas seletivas não terá mais Glee. Desculpe-me, mas o grupo precisa de você.

- Não acredito que ele apenas disse não – disse Sophia, andando com Ryan pelos corredores da escola.
- Eu sei, mas ele está certo. Eu só tenho que aprender a equilibrar as coisas, mas isso é difícil quando sou cobrado de todos os lados...
- Sinto muito que seu pai seja assim contigo, mas não sei o que é pior. Pais que acreditam demais ou que acreditam de menos. Minha mãe, por exemplo, só espera de mim um marido rico para sustentá-la. Por um lado é bom, porque ela não espera grandiosidades, mas por outro é frustrante, como se ela achasse que eu não posso fazer nada, entende?
- Você já disse isso pra ela?
- E você já falou pro seu pai que ele te cobra demais? – ela o encarou.
- Não, mas é diferente. Meu pai é louco.
- Minha mãe também... – eles riram.
- Tenho o ensaio do mash-up – ele parou em frente a sala de ensaios. – Te vejo depois.
- Ok – disse ela, dando um beijo de despedida. Enquanto ela saía, ele ficou parado por um tempo saboreando aquilo. Não estava acostumado com isso ainda. Foi quando sentiu um braço o puxando para dentro da sala.
- Beleza, gente? Que dia lindo. Vamos ensaiar logo, estou muito animado – dizia Finn, com um olhar psicótico e ainda segurando o braço do Ryan.
- Ele vai arrancar meu braço – o garoto pedia ajuda.
- Levanta, gente. Vamos arrasar – continuou ele.
- Sua alma foi levada por aliens cafeinados? – perguntou Artie, assustado.
- Não, só fui na enfermaria, tomei uma vitamina e estou ótimo.
- Você tem olhos de maluco e não consegue parar de se mexer, o que você tomou? – perguntava Ryan.
- Vamos ensaiar logo e depois construir uma casa como voluntários.
- Que vitamina é essa? – perguntou Puck.
- Vitamina C? A Vogue disse que aumenta a energia e melhora a pele – dizia Kurt.
- Vitamina D. E eu peguei pra vocês também.

It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
These are my confessions
I just want to live while I'm alive
(It's my life)

- Demais, garotos. Não sabia que eram tão bons assim – dizia Will, orgulhoso. – Parece que tomaram algo. Garotas, vocês terão que arrasar amanhã senão temos a música de abertura das seletivas!

- O que diabos aconteceu com vocês? – dizia Rachel, cercando Ryan quando saía do banheiro.
- Há quanto tempo você está aqui? – ele perguntou assustado.
- Desde que você entrou no banheiro. Você está passando mal ou coisa parecida?
- Não, mas estou assustado com você me seguindo – disse, andando para escapar dela.
- Não estou te seguindo, quero saber o que vocês fizeram. Vocês não são bons daquele jeito, todo mundo sabe disso. Então pode contando, o que houve?
- Nós nos esforçamos e merecemos ter ganhado.
- Vocês não ganharam ainda.
- Ah, mas vamos ganhar – disse ele, indo embora com um sorriso no rosto.

“Sabe, esse negócio de vitamina D funcionava mesmo. Eu consegui acompanhar as aulas, melhorar no piano e até mesmo consegui ficar um dia inteiro ensaiando uma coreografia sem cair no chão nenhuma vez. Mas é claro que isso não durou muito tempo. Quando eu vi a coreografia das meninas eu percebi que tinha algo errado. E me senti péssimo por isso.”

- Sentimos muito, Sr. Schue – disse Finn.
- Não queríamos causar problemas – disse Rachel a frente de todos. Todos podiam ver a expressão decepcionada do professor.
- As coisas meio que... Fugiram do controle – Ryan coçou a cabeça. – Não queríamos que tudo chegasse a esse ponto...
- Estou muito decepcionado com vocês. Glee deveria ser sobre o que está no coração, não nas veias – disse ele.
- Nós sabemos e falo por todos que queremos seguir e esquecer disso – continuou ela.
- Não é tão simples assim. Por causa desse desastre, foi decidido que não posso mais coordenar o Glee sozinho.
- Mas isso é absurdo, nada disso é culpa sua – disse Sophia.
- Não importa. Já temos outra pessoa para co-dirigir.
- Quem?
- Oi, gente – dizia uma sorridente Sue entrando na sala. – Tenho que dizer que estou emocionada. Entrar a bordo para ser co-capitã da tripulação do showbiz. Como quero cantar e dançar. Talvez até usar um traje de gala.
- Isso não vai dar certo... – disse Ryan para Rachel.
- Definitivamente não.