Era mesmo só mais um ensaio do Glee Club. As pessoas cantavam, Finn errava os passos, Ryan tropeçava em seus próprios pés e Rachel reclamava. Nada de novo nisso. O inesperado foi quando Sophia bateu na porta timidamente.

- Com licença – disse ela. – Vocês ainda estão aceitando integrantes?
Ryan não conseguiu conter o sorriso olhando a cheerleader entrar.
- Claro, — respondeu William animado com mais gente entrando no clube.

- Na verdade, precisamos saber se você é boa – disse Rachel, cruzando os braços e a encarando.
Sophia olhou para ela, sem entender a hostilidade.
- Ok – disse ela, encolhendo os ombros e dizendo a música ao pianista.

- Eu não... Conheço essa música... – disse ele.
- Talvez eu... – disse Ryan, dando um passo a frente. – Talvez eu conheça.
A menina disse a música e ele se sentou para tocar.

Comparisons are easily done
Once you've had a taste of perfection
Like an apple hanging from a tree
I picked the ripest one
I still got the seed

You said move on
Where do I go?
I guess second best
Is all I will know

Cause when I'm with him
I am thinking of you
Thinking of you
What you would do if
You were the one
Who was spending the night
Oh I wish that I
Was looking into your eyes

- Eu acho que não há mais dúvidas – disse Ryan, rindo, olhando para a prima.


O ensaio continuou como sempre. Até que Rachel o interrompeu, nenhuma novidade nisso.
- Podemos parar, por favor? – dizia ela.
- Você não precisa pedir pra ir no banheiro, Rachel. Apenas vá – disse o professor.

- Não é a minha bexiga. É a coreografia... – disse, incomodada.
- O que há de errado com a coreografia? – perguntou William.

- Não podemos competir com o Vocal Adrenaline com esses passos. Você é um ótimo professor de canto, Sr. Schue, mas você não é um... Coreógrafo profissional. É isso que precisamos para sermos os melhores. Precisamos do Dakota Stanley.

- Só porque ele era o substituto de um ator da Broadway, não quer dizer que ele se apresentava – disse ele.
- Você já se apresentou, Sr. Schuester? – perguntou Quinn, em deboche. – Depois da escola. Você ao menos tentou?

- O que isso tem a ver com a gente? – perguntou Ryan, vendo a expressão do professor. – É, as coreografias não são complexas nem possuem saltos como as que vocês sabem, mas quer saber? Ainda bem. Nós somos um grupo que começou a menos de 2 meses. O que vocês queriam?

- Eu quero o melhor – disse Rachel.
- Então faça o seu melhor e pára de perturbar os outros! – respondeu ele.

x.x.x

- Você não pode falar assim comigo – disse ela, quando eles saíram do ensaio.
- Você viu como estavam falando com o Sr. Schue? Elas o estavam atacando e você estava junto – brigou o rapaz.

- Só queria uma coreografia melhor.
- Você sabe muito bem como elas são. E eu tenho quase certeza que elas não entraram no glee porque gostam de cantar ou pela bondade em seus corações. Elas querem algo e estão te usando.

- Você sempre acha que estão me usando.
- Porque você é manipulável. Desesperada por atenção.
- E você é um idiota!

- E assim voltamos aos 10 anos de idade! Estou falando sério...
- Engraçado porque a sua namoradinha também é uma cheerleader, então se Fabray quer alguma coisa, provavelmente Puckerman também quer.

- É diferente!
- Qual a diferença? – ela cruzou os braços. Ele tentou formar algum argumento, mas não conseguiu. – Foi o que eu pensei. Agora vai tomar conta da sua vida que eu cuido da minha – saiu andando, mas depois parou. – E me avisa antes de ir embora porque eu preciso de uma carona.

x.x.x

- Ele não vem – disse Rachel, com uma travessa de biscoitos na mão quando entrou na sala de ensaio.
- O que houve? – perguntou Finn.

- Ele provavelmente comeu um dos biscoitos dela... – disse Ryan, rindo.
- Não foi isso – ela explicou.

- É claro que ele não quer vir, depois de levar um chute no traseiro – levantou Finn, nervoso.
- Não vamos ser dramáticos, gente – disse Sophia.

- Então porque ele me agradeceu?
- O objetivo é vencer. E agora que o Sr. Schue concordou em nos deixar contratar Dakota Stanley conseguiremos – disse Santana.

- Ele não quer que o contratemos, só perdeu a confiança para nos treinar – disse Finn.
- Depois do que vocês falaram para ele, até eu – disse Ryan.
- Homens são meio sensíveis nesse sentido – Finn coçava a cabeça.

- E isso é culpa minha? – perguntou Rachel.
- Há mais alguém aqui com um prato de biscoitos “desculpa”? Eu não, só você – disse ele.
- Ei, eu falo assim com ela, você não – Ryan parou em frente a prima.

- Eu estou entediada – disse Quinn. – Todos a favor de contratar Dakota Stanley?
Todos levantaram a mão, menos Finn e Ryan, que continuavam se encarando.

x.x.x

- Os ensaios são sempre assim, tão... Intensos? – perguntou Sophia, enquanto todo mundo saia.
- Se intenso você quer dizer Rachel gritando, eu tentando acalmar tudo e o Finn falando besteira. Sim – ele riu. – Mas você não falou nada.

- Eu sou nova, se vocês estão com um problemas, deixo vocês resolverem. Só não me sinto ainda parte do grupo para me meter.

- Você é parte do grupo. É, eu tenho algo para te perguntar... – ele coçou a cabeça, incomodado com aquilo. Por que Rachel tinha que colocar aquelas coisas em sua cabeça? – Por que... Por que você entrou no Glee Club?

- Porque eu quis, ora... – disse ela, sem entender. Mas logo percebeu. – Ah, você acha que eu faço parte de um plano secreto da Sra. Sylvester. Claro, eu sou uma cheerleader, por que pensaria sozinha?

- Não foi isso...

- Foi sim. Sabe o que é mais estranho, vocês são os mais desprezados da escola e ainda assim julgam a todos. Vocês se dizem tão injustiçados, mas fazem a mesma coisa que todo mundo. Só escondem melhor... – ela saiu, deixando-o sozinho e frustrado.

x.x.x

Os garotos chegaram ao auditório do Vocal Adrenaline a espera de uma chance para falar com Dakota Stanley. Sophia se sentou ao lado de Rachel.
- Por que eu estou aqui?

- Você é parte do grupo... – disse ela. – E Ryan não quis vir, pensei que se viesse ajudaria a convencê-lo...
- Vocês são tão estranhos...

x.x.x

- Cara, meus intestinos têm mais balanço do que você – dizia Noah Puckerman a Finn, enquanto eles ensaiavam para o Acafellas.
Ryan ouviu aquilo e, curioso, logo grudou o rosto a porta para olhar.

- Pessoal, para, vocês já decoraram os passos. Só... Só precisam relaxar.
- Licença – disse Ryan, entrando na sala. – O que vocês estão fazendo?
- Agora você persegue minha irmã e eu, estranho.

- Cala a boca, Puckerman – disse Finn.
- E eu não persigo sua irmã – se defendeu Ryan. – É um ensaio do acafellas, certo?
- Sim, Ryan – disse William. – Por que?

- Eu quero entrar.
- Pensei que seu pai não deixasse você participar de mais nada – disse o professor.
- E você é péssimo dançando – comentou Finn.

- Sou melhor do que você – respondeu ele.
- O que não é tão difícil – ria Puck.
- Gente, parem – pediu o professor. – Ryan, bem vindo ao grupo.

- Pensei que o grupo devesse decidir – disse Puckerman.
- E decidimos – disse Finn.
- Você não queria que ele entrasse também – disse Noah.

- Eu não disse isso – respondeu Finn.
- Você é doido.
- Não dá pra vocês ficarem quietos, eu tenho que aprender a coreografia – reclamou Ryan.

- Sabia que ele aqui não ia dar certo... – disse Puck.
- Ah é, porque antes estava tão melhor... – riu Finn.
- Gente, apenas... Vocês jogam basebol, certo?

- Sim – disseram Puck e Finn.
- Não – disse Ryan.
- E o que o técnico de vocês diz sobre bater?

- “Se acertar o arremessador, traga o taco” – respondeu Puck.
- Ok. Aposto que ele também fala para relaxar, não é?
- Não sei, nunca joguei basebol, mas o senhor parece não se importar com isso... – disse Ryan.

- Você é um pianista, Ryan, você não sente a vibração das notas quando toca. A harmonia e tudo. Apenas siga isso e você vai conseguir se mexer. Agora deixa eu falar com eles...
- Ok... – disse o garoto, se balançando tentando entender o que o professor falara.

- Bem, pra rebater tem que usar o quadril, certo? Precisam se soltar. Balancem o taco. Certo, imaginem. Acafellas, Madison Square Garden. Lá estamos, com todas aquelas lindas mulheres. Balance esse taco grande...

- Só eu estou achando isso muito gay? – perguntou Ryan, sendo ignorado.
- Façam uns Home Runs, ok? Vamos tentar do começo... – eles fizeram. – Isso aí!

x.x.x

No ensaio do Glee, Stanley chegou com vários papeis na mão, mandando os alunos ficarem alinhados um ao lado do outro. Ryan parou ao lado de Sophia, que logo se afastou e mudou de lugar. Quando ele ia falar, Stanley começou.

- Certo, vamos examinar seus menus personalizados. Isto é o que comerão nos próximos 6 meses – disse ele.
- No meu só diz café – disse Mercedes.
- Eu não sei cozinhar e só como algo do meu pai se quiser morrer, como vou fazer isso? – perguntou Ryan.

- O que é eperleno? – perguntou Rachel.
- Um peixe de água doce com poucos carboidratos – disse o homem. – Primeiro, Artie está fora. Você não tenta o bastante.

- O que? – o garoto perguntou.
- Andar. Não podemos te empurrar toda hora. Acaba com a dinâmica e é depressivo.

- Então você vai tirar ele? – perguntou Mercedes.
- Sim, e você também – disse o homem. – Tem que ir, Effie.
- Ele tá brincando, né? – perguntou Ryan.

- Você não pode tirar as pessoas do clube só porque não gosta de como são – reclamou Kurt.
- Fica quieto, feioso, e fica longe de aerossóis para não pegar fogo – deu um passo até as cheerleaders. – Vocês quatro são perfeitas. Sério, continuem assim.

Mais um passo e ficou na frente de Rachel.
- Você, plástica no nariz.
- Espera um pouco – disse Finn.

- O que? O que foi, girafão? Muda essa cara de drogado e começa a andar igual a gente.
- Qual o seu problema?
- Meu problema é você ser alto pra caramba. Me sinto como um ser da floresta. E você também – olhou para Ryan.
- Vou te enfiar dentro daquele piano se vier pro meu lado – disse Ryan.

- O que foi, magoei vocês? Disse algo errado? Porque pensei que queriam alguém que os respeitasse o bastante para dizer a verdade. Mas parece que vocês não tem a confiança necessário para ouvir. Talvez precisam de alguém que vá mentir para vocês e dizer coisas como: “Vocês têm o que precisa” . Mas pelo o que eu vejo, vocês não têm. Então, parem por um tempo, respirem um pouco e se pergunte: “Quero ser um vencedor... ou não?”

- Que se dane. Estou fora – disse Finn.
- Eu também – disse Tina, saindo com Mercedes e Artie.
- Isso é bom. Temos que separar o lixo do luxo. É perfeito – disse o homem.

- Esperem – disse Rachel. – Barbra Streisand. Quando ela era mais nova, todo mundo disse que ela devia fazer plástica no nariz. E ainda bem que ela recusou.
- Onde vai chegar, Yentl?

- Quero dizer que... Não precisamos de você. Vamos encarar isso. Nunca dançaremos tão bem quanto o Vocal Adrenaline. Ganharemos por sermos... diferentes. È isso que nos faz especial.
- Disseram que J.Lo tinha a bunda muito grande – disse Mercedes.

- Curtis Mayfield fez mais sucesso depois de ser cadeirante.
- Ray Charles ficou cego aos 7 anos e aprendeu a tocar piano... – disse Ryan.
- Jim Abbot – disse Finn.

- Não tenho ideia de quem seja – disse Kurt.
- Era um arremessador de apenas um braço dos Yankees. Ninguém rebatia.
- Certo, então estranhos, desajeitados e aleijados também podem. É excelente, mas aonde você quer chegar?

- Estamos dizendo que você está demitido. E sou mais alta que você...
- Ainda bem, é bem difícil levar a sério alguém que parece um gnomo que nem ele – disse Sophia.

x.x.x

Todos estavam nervosos no camarim. Era a estréia dos novos integrantes do Acafellas e o local estava lotado.
- Droga, o que eu estou fazendo aqui... – dizia Ryan.

- Oi – disse Sophia, aparecendo atrás dele.
- Ei, como você entrou aqui?
- Eu sou uma cheerleader e tem suas vantagens. Mesmo com tudo mundo desconfiando de mim...

- Me desculpe – disse ele.
- Eu sei. Mas foi bom você ter me falado aquilo. Acho que todo mundo pensou a mesma coisa, eu digo... Se eu não me sinto parte do grupo, porque as outras pessoas sentiriam... Acho que aprendi minha lição. E você a sua. Já posso parar de te ignorar.

- Obrigado – disse ele, sorrindo.
- E boa sorte na apresentação – disse ela, se inclinando e lhe dando um beijo no rosto. O garoto só se moveu quando sentiu Finn o puxando.
- É a gente.

x.x.x

Alguns dias depois, todos estavam de volta ao ensaio, com o Sr. Schuester ensinando a coreografia.
- O que acharam?
- Sr. Schuester – chamou Rachel, estendendo o braço.

- Lá vem – disse Sophia baixinho, fazendo Mercedes rir.
- Fala, Rachel.
- Foi muito bom – ela riu da tensão do professor, se juntando aos outros alunos.

- Obrigado, obrigado. Certo. Do início.