What I Am?

3 Táxi das Irmãs Cinzentas


Notas iniciais
Gente, me falem o que vocês acharam

Ele iria ficar aqui por um tempo. E adivinha onde? Na minha casa. Não me perguntem o porquê o meu pai decidiu isso, mas ele vai ficar aqui.

O Eliot, o Alex e a Lucia foram colocar as coisas no quarto que ele iria ficar. Ele disse que precisaria de uma geladeira para colocar as bolsas de sangue, então o Lennox foi pegar uma pra ele.

Eu ia ficar com ele, porque o meu pai chamou o pessoal para resolver uns “assuntos”.

Eu fiquei um pouco curiosa sobre a transformação dele.

- Então... Como você se transformou?

- Eu era um semideus. Nasci em 1898, e me transformei em 1920. Eu fui para o Acampamento Meio-Sangue em 1910. O Quiron me mandou em uma missão em 1920, a missão era pegar a cabeça da Medusa e derrotar uma hidra.

- E você conseguiu. – falei.

- Sim, no meio do caminho de volta eu conheci a Katherine, uma vampira. Ela falou que estava fugindo de um vampiro original chamado Klaus. Então, eu a ajudei a chegar a Chicago. Depois ela falou que seu eu bebesse o sangue dela, eu me tornaria mais forte.

- E você bebeu.

- Sim, e depois que eu bebi o sangue dela, ela quebrou o meu pescoço. Morri com 22 anos. Depois disso, eu acordei com uma sede imensa. Foi ai que eu descobri o que eu tinha virado. Do meu lado, tinha um anel de lápis lazuli com uma letra E. coloquei no dedo e voltei para o Acampamento.

- Posso fazer uma pergunta?

- Sim.

- Você gosta dos seus irmãos?

- Do Nico e da Hanzel? Sim, eu gosto deles, e você?

- Eu gosto muito da Thalia, do Jason e da Mary.

Depois disso, nós ficamos conversando sobre varias coisas. Ele era uma pessoa interessante.

- Vamos para o acampamento? – falei de repente.

- Vamos, mais o Quiron vai achar bem estranho. Alix, a pessoa que nunca quis ir ao acampamento, ir pra lá.

- Eu mando uma mensagem de Iris pra ele.

- Ok, vou arrumar as coisas. – falou ele.

- Ok.

Fui para o meu quarto, e lá tinha um arco-íris.

- Ó, Íris, deusa do arco-íris, mostre-me Quiron no Acampamento Meio-Sangue. – Joguei uma dracma de ouro e a imagem me mostrou o Quiron treinando alguns adolescentes.

- Olá Quiron.

- Oi Alix, como você tem passado?

- Muito bem, obrigada. Lembra daquela proposta que você me fez há alguns anos?

- De você vir visitar o Acampamento? Lembro.

- Eu to indo pra aí, hoje, se não for muito incômodo.

- Claro que não é incômodo.

- Perfeito, vai eu e o Erik, talvez o Alex.

- Ok, até daqui a pouco.

- Até.

- Falou com o Quiron? – perguntou o Erik.

- Sim, ele está nos esperando.

* * *

- Alex, você quer vir com nós? – perguntei.

- Pra onde?

- Para o Acampamento Meio-Sangue.

- Claro, vou arrumar as minhas coisas.

- Eu já arrumei.

- Claro, porque eu me dou ao trabalho?

Fomos para a entrada do Olimpo, descemos o elevador e nos encontramos no Empire State Building.

- Vamos pegar um taxi com as irmãs cinzentas.

- Sim – falou ele.

- Stêthi – falei – Ô hárma diabolês. – E joguei uma dracma no asfalto. Ela não quicou ruidosamente, ela simplesmente afundou no asfalto.

Por um momento, nada aconteceu. Então, bem no lugar onde a moeda tinha caído, o asfalto escureceu. Fundiu-se em uma poça retangular mais ou menos do tamanho de uma vaga de estacionamento — borbulhando um líquido vermelho como sangue. Então um carro irrompeu daquele lodo. Era um táxi, sem dúvida, porém, diferentemente de qualquer outro táxi de Nova York, não era amarelo. Era cinza-escuro. Quer dizer, parecia feito de fumaça, como se fosse possível atravessá-lo andando. Havia palavras impressas na porta Irmã Cinzentas.

A janela do passageiro desceu, e uma velha pôs a cabeça para fora. Tinha um tufo de cabelos grisalhos cobrindo os olhos, e falou de um jeito estranho e murmurante, como se tivesse acabado de tomar uma injeção de anestésico.

- Passagem? Passagem?

- Três para o Acampamento Meio-Sangue — disse Erik. Ele abriu a porta traseira do táxi e acenou para que eu e o Alex entrássemos, como se aquilo tudo fosse a coisa mais normal do mundo. Entrei no táxi com relutância. Alex se espremeu no meio. Erik se arrastou para dentro por último. O interior também era cinza-escuro, mas parecia bastante sólido. O assento era rachado e irregular — não muito diferente dos da maioria dos táxis.

Não havia divisória nos separando da velha ao volante... Espere um minuto. Não havia apenas uma velha. Havia três, todas amontoadas no assento dianteiro, cada qual com cabelos pegajosos cobrindo os olhos, mãos ossudas e um vestido de tecido grosso cor de carvão.

A que estava na direção disse:

- Long Island! Bandeira dois! Há! — Ela pisou fundo o acelerador, e minha cabeça foi de encontro ao encosto.

Uma voz gravada veio do alto-falante: Olá, aqui é Ganimedes, sommelier de Zeus, e quando saio para comprar vinho para o Senhor do Céus sempre ponho o cinto de segurança! Olhei para baixo e encontrei uma corrente grande e preta no lugar do cinto. Concluí que não estava assim tão desesperado... ainda.

O táxi disparou e virou na esquina da West Broadway, e a velha cinzenta sentada no meio guinchou: — Cuidado! Vá para a esquerda!

- Bem, se você tivesse me dado o olho, Tempestade, eu poderia fazer isso! — queixou-se a motorista. A motorista guinou para desviar-se de um caminhão de entregas, passou por cima do meio-fio com um tranco de fazer bater os dentes e entrou voando no quarteirão seguinte.

- Vespa! — disse a terceira mulher à motorista. — Passe para mim a moeda da menina! Quero mordê-la.

- Você mordeu da última vez, Ira! — disse a motorista, cujo nome devia ser Vespa. — É a minha vez!

- Não é! — gritou a que se chamava Ira. A do meio, Tempestade, berrou:

- Sinal vermelho!

- Freie! — berrou Ira. Em vez disso, Vespa pisou fundo e subiu no meio-fio, cantando os pneus em outra esquina e derrubando uma máquina de vender jornais. Ela deixou meu estômago para trás em algum lugar da rua Broome. ( sim, eu conhecia um pouco Nova York).

- Já tivemos gente famosa neste táxi! — exclamou Ira. — Jasão! Lembram-se dele?

— Não quero nem lembrar! — lamuriou-se Vespa. — E nós não tínhamos um táxi naquele tempo, sua morcega velha. Aquilo foi há três mil anos!

— Me dê o dente! — Ira tentou agarrá-lo na boca de Vespa, mas Vespa afastou a mão dela com um tapa.

— Só se Tempestade me der o olho!

— Não! — guinchou Tempestade. — Você o usou ontem!

— Mas estou dirigindo, sua bruxa velha!

— Desculpas! Vire! Era a sua entrada! Vespa entrou com violência na rua Delancey, espremendo-me entre Alex e a porta.

Pisou o acelerador, e disparamos pela ponte Williamsburg a oitenta quilômetros por hora. As três irmãs estavam agora brigando mesmo, estapeando-se, enquanto Ira tentava agarrar a cara de Vespa e Vespa tentava agarrar a de Tempestade. Com os cabelos esvoaçando e a boca aberta, berrando uma com a outra, percebi que nenhuma das irmãs tinha dentes, com exceção de Vespa, que tinha um incisivo amarelo embolorado. Em vez de olhos, elas tinham apenas pálpebras fechadas e afundadas, com exceção de Ira, que tinha um olho verde injetado que olhava para tudo avidamente, como se nada que visse fosse o bastante. Por fim, Ira, que tinha a vantagem da visão, conseguiu arrancar o dente da boca da irmã Vespa. Isso a deixou tão furiosa que ela deu uma guinada para a beirada da ponte Williamsburg, gritando:

- Devolva! Devolva!

Vespa deu uma puxada violenta no volante e o táxi se afastou da grade. Disparamos pela ponte em direção ao Brooklyn, mais rápido que qualquer táxi humano. As Irmãs Cinzentas guinchavam, e se esmurravam, e clamavam pelo olho.

Olhei pela janela. Com certeza, árvores, carros e bairros inteiros passavam ventando, em um borrão cinzento. Já tínhamos saído do Brooklyn e atravessávamos Long Island.

Estávamos agora fora da estrada, disparando pelos campos no norte de Long Island. Pude ver a Colina Meio-Sangue à nossa frente, com seu pinheiro gigante no topo.

Ela pisou o freio. O táxi rodopiou quatro ou cinco vezes em uma nuvem de fumaça e guinchou até parar no meio da estrada vicinal na base da Colina Meio-Sangue.

No topo da colina havia um grupo de campistas.

Assim que saímos do táxi, as Irmãs Cinzentas se safaram a toda rumo a Nova York.

Fomos para o acampamento.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.