Notas iniciais
Só uma palinha

Se você nunca teve a oportunidade de estar sentada na frente dos seus pais, em silêncio, depois do famoso “precisamos falar com você”, então você nunca realmente sentiu vontade de sair correndo de casa, em sem fazer barulho, só com a roupa do corpo.

Até alguns minutos atrás eu estava no meu quarto, fazendo planos e mais planos para minhas sagradas férias de verão. Agora eu estava sentada no sofá, esperando ouvir o que provavelmente (ok, certamente) acabaria com tudo.

Veja bem, meus pais estão separados desde os meus seis anos. Eu morava com meu pai, já que a minha mãe viajava demais. O que significava que, mesmo que a relação deles não fosse do tipo “Me separei de você, agora morra!”, ela também não era lá muito próxima. Por isso, quando meu pai falou “Precisamos falar com você”, assim, no plural, soube que estava ferrada, mesmo sem ter feito nada de mal (ou de tão mal assim).

– Então, vocês vão falar logo ou eu vou ter que esperar pelo próximo capítulo? – perguntei.

Meus pais se entreolharam, provavelmente se perguntando quem falaria primeiro. Então minha mãe respirou fundo e começou:

– Então, Melanie, eu sei que que suas férias são muito importantes para você e tal...

– E são mesmo. – comentei.

Ela me lançou um olhar de reprovação. Minha mãe detestava ser interrompida.

– Mas eu e seu pai concordamos que você não está merecendo tanto as férias que planejou o ano inteiro. Suas notas foram horríveis, assim como seu comportamento, o ano inteiro.

Eu revirei os olhos.

– Você devia se preocupar menos, senão vai ficar com rugas. Aliás, isso já é pagina virada, o ano letivo já acabou.

– Só que nós não queremos que isso se repita ano que vem. – disse meu pai. – Por isso vamos manda-la para a fazenda da sua avó Abigail durante as férias.

Eu soltei uma risada nervosa.

– Vocês não podem estar falando sério. – Olhei bem para eles. Merda, estavam falando bem sério.

Levantei-me num salto.

– Vocês devem estar brincando comigo. Isso não é justo! – gritei.

– Achamos que você pode tirar bons ensinamentos da vida no campo. – disse meu pai.

– Tipo o que? Ordenhar uma vaca? Não, não mesmo. Eu não vou.

– Ah, você vai, sim. Já compramos sua passagem, e você viaja amanhã de manhã. Melhor ir arrumando suas coisas.

Eu os encarei estupefata, esperando que alguém dissesse “Rá, enganamos você, babaca!”, mas a casa ficou em silêncio. Saí correndo para meu quarto, batendo a porta atrás de mim. Me joguei na cama e enterrei a cara no travesseiro, gritando de raiva.

Será que a única vez que eles se juntam é para ferrar com a minha vida?



Notas finais
Então, vale a pena acompanhar?