What Comes With The Wind

16 15 - Promessas e despedidas


Notas iniciais
Hello!! Me desculpem pela demora :( eu tinha o capítulo pronto na minha cabeça, mas na hora de escrever eram outros quinhentos. Anyway, consegui terminar. Espero que gostem :3

As semanas passam rápido. O tempo parece ter se acelerado, para minha total tristeza. Num piscar de olhos, as férias acabaram, e logo está na hora de voltar para casa. Já te disseram que o que é bom dura pouco? Pois é, nunca tive tanta certeza disso.

Eu devia estar arrumando minhas coisas para viajar no dia seguinte, mas me encontrei muito mais feliz deitada no colo do meu namorado assistindo o pôr-do-sol. O vento que bate é fresco e não muito forte. Suspiro. Vou sentir falta do ar puro.

– No que você está pensando? – pergunta Peter.

– Estou pensando que vou sentir falta disso aqui. – murmuro.

Peter suspira e não diz nada. Eu me sento e o encaro com as sobrancelhas erguidas.

– O que? Você não vai soltar uma frase sábia, um ditado, ou algo do tipo?

– O que você quer que eu diga? – diz sem tirar os olhos do horizonte. Então ele suspira e olha para mim.

Mais uma vez, sou desarmada pelos seus olhos. Neles eu encontro algo diferente do de sempre. Algo como... dor? Um bolo se forma na minha garganta.

– Peter... – tento dizer com a voz baixa.

– Vai ficar tudo bem. – ele acaricia minha bochecha e dá uma sorrisinho. – Você vai ver. Vai dar tudo certo.

Eu franzo minha testa.

– Do que você está falando?

Peter se levanta e estende uma mão para mim.

– É melhor você ir logo arrumar suas malas. Já está anoitecendo.

– Achei legal o “É melhor você ir”. Grande apoio. – resmungo, pegando sua mão e me levantando.

Peter ri e segura minha mão enquanto andamos de volta para casa. Subo até o meu quarto e o encontro exatamente como o deixei. Suspiro, abro meu armário e começo a jogas os bolos de roupas na minha cama. A tarefa nem é tão difícil. Todo mundo já teve vontade de jogar tudo para trás como uma escavadeira.

Em alguns minutos, meu armário estava vazio e minha cama, cheia. Pego umamala de um canto e a abro no chão. As primeiras roupas são dobradas antes de depositadas na mala. As outras são jogadas e socadas até que todas se encaixem. O orgulho da minha obra some quando a mala não fecha. Sento-me em cima dela, puxando o zíper com força.

– Minha nossa. – ouço a voz de Peter da porta. Ele está com as sobrancelhas erguidas encarando minha cena com a mala.

– O que foi? Não está fechando. – reclamo me levantando e sentando novamente. O zíper ainda não fecha.

Peter revira os olhos e anda até mim. Eu me levanto e observo com os braços cruzados enquanto ele fecha a mala com a maior facilidade do mundo. Eu detesto quando isso acontece. Faz você parecer fraca e estúpida, como uma criança tentando enfiar o triangulo no buraco redondo.

– Prontinho. – ele diz se levantando. – Não é difícil pedir ajuda, você sabe.

– Vou escrever isso. – digo sarcasticamente. Então noto uma caixinha encima da minha cama, que não estava lá antes. – O que é isso? – pergunto, apontando.

Peter a pega e vem até mim. Olha para a caixinha e dá de ombros.

– Não é nada demais... Só algo que eu queria te dar antes da viagem.

– O que é? – digo, animada e curiosa como uma criança.

Peter entrega a caixinha para mim, e eu a abro. Dentro dela há uma corrente de prata, com um pequeno pingente. Examino o pingente em minha mão. Nele há uma pedra que brilha em várias cores. Olhando de perto, vejo que ela é feita de várias pedrinhas, verdes, azuis, brancas.

– Oh meu Deus. – murmuro. – É lindo.

Ele sorri e pega o colar das minhas mãos. Eu viro para que ele possa prendê-lo em meu pescoço.

– Que bom que gostou. Eu o tenho há muito tempo. Era da minha mãe.

Meu queixo cai e fico sem palavras. Viro-me para poder encará-lo.

– Da sua mãe? – digo com a voz cheia de surpresa. – E você está dando para mim?

Peter dá de ombros.

– Eu não pretendia usar mesmo. Achei que devia te dar alguma coisa... Para você lembrar-se de mim em Nova York.

Aqui estou eu novamente, sem resposta. Meu cérebro desacostumado não reage a em tempo normal a atos românticos como esse. Mas, no fundo, sei que não há mesmo nada para se dizer. Então fico nas pontas dos pés, abraço sem pescoço e o beijo. Seus braços logo enlaçam minha cintura. Ele sorri. Bom, eu também.

Depois de enrolar o máximo possível e até tentar criar habilidades de controle de tempo, enfim estávamos andando para Flor, a camionete. Eu me arrasto atrás de Peter, que está levando minha mala. Entro no carro enquanto ele a guarda na traseira. Por fim, ele também entra.

– Pronta?

– Não. – respondo.

O caminho até o aeroporto é longo (ênfase no longo) e silencioso. Não falamos nada porque simplesmente não há nada para falar. E se Peter me dissesse um “Eu te amo” nesse carro, juro que o obrigaria a parar e imploraria para que ele me criasse no quarto da universidade. O silêncio é uma proteção para a angústia de ir embora.

Quase quatro horas depois, finalmente chegamos ao maldito aeroporto. Temos meia hora antes do voo, então sentamos juntos. Peter passa o braço pelos meus ombros e eu me aconchego nele. Por fim, uma mulher no alto-falante nos avisa para embarcarmos. Eu gemo e me levanto devagar.

Travo em frente ao portão de embarque. Viro-me para Peter e enterro meu rosto em seu peito. Ele afaga meu cabelo.

– Não quero ir. – digo com a voz abafada pela sua camisa.

– Ei, ei. – ele me afasta, coloca uma mão em cada lado do meu rosto e me olha nos olhos. – Nós vamos ficar juntos, ok? Você só tem que ter paciência. Vai dar tudo certo.

– Por que você continua dizendo isso?

– Por que eu sei. – diz ele. Me beija nos lábios e então encosta os seus em minha testa. Eu fecho os olhos. – Eu amo você.

– Também de amo. – murmuro.

O alto-falante nos apressa.

– Tudo bem, hora de ir. – Peter limpa as lágrimas no meu rosto com os dedões. – Só tenha paciência. Vamos ficar juntos, ok?

– OK. – suspiro. Pego minha mala e a arrasto até o portão. Paro uma vez, e olho para trás. Peter acena para mim, com um sorriso confiante no rosto. Aceno de volta e continuo meu caminho até o avião.

– Olha ela lá! Melanie! – a voz do meu pai atravessa todo o aeroporto.

Não posso dizer que não senti saudades dele. Então quando ele me dá um abraço de urso, eu o abraço forte de volta. Ele começa a falar coisas como “Ah, senti tanta falta da minha garota” e “A casa fica tão vazia sem você!”. Eu sorrio e balanço a cabeça. Na verdade, estou louca para ir para casa.

Meu quarto continua a mesma coisa. Jogo-me na cama e encaro o teto. Do andar de baixo, meu pai pergunta de quero algo para comer. É claro que digo sim.

Resolvo começar logo a desarrumar minha mala. Pego uma delas, a jogo encima da cama e começo a tirar o conteúdo de dentro dela. Passo para a segunda mala, mas sou pega de surpresa.

Nela há uma florzinha amarela, uma daquelas que encontramos perto da cachoeira. Está meio murcha por conta da viagem, mas ainda é lindinha. Embaixo dela há um pedaço de papel dobrado ao meio. Eu o pego e leio. As três palavras escritas são o suficiente para me fazer sorrir.

“ Espere por mim.”

Notas finais
Esse é último capítulo (aaahh), mas ainda falta o apílogo, que vai ser bem legal :) Reviews
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.