What About Us?

1 Capítulo 1 - Oneshot


Notas iniciais
olha quem apareceu, antes tarde do que mais tarde não é mesmo?
8 DIAS PARA A 4ª TEMPORADA DE BLINDSPOT!!!!!!!!!!!

eu deveria estar fazendo um dos vários trabalhos que tenho para fazer, mas desde que a ideia desta oneshot surgiu enquanto eu ouvia uma música (what about us - pink) eu não consegui deixar ela de lado até escrever. Então, venho através desta oneshot matar um pouquinho da minha vontade de escrever algo com a Remi (não tem jeito, eu amo essa criatura).

Enfim, espero que gostem, boa leitura! ♥

— Será que nós podemos conversar ou você vai fugir mais uma vez? — pergunta Kurt entrando no quarto instantes depois de mim. Pela terceira vez essa semana eu havia me esquivado do toque dele e no FBI dito que preferia trabalhar com Patterson ao invés de sair à campo com ele.

— Não há o que conversar, Weller. — minto mais uma vez. Eu era boa nisso. Em mentir; sempre fui. Ou costumava ser, quando a mentira era destinada aos outros e não à mim mesma. Minha maneira de mentir para mim mesma sempre foi fugir. — Eu só preciso de um tempo, eu--

— Um tempo do que? — questiona ele atravessando a porta e parando apenas quando chega a cerca de meio metro de mim. — Do FBI, de mim, do nosso casamento?

— Não! — digo rápido demais. Ser afastada do FBI era tudo o que eu não precisava no momento. Continuar infiltrada estava acima de qualquer emoção ou sentimento, não importa o quão confusos estivessem os meus. A missão era mais importante. — Eu estou com muita coisa na cabeça, a questão é que… o caso…

— O caso não é o assunto aqui. E a questão somos nós.

Kurt dá mais um passo em minha direção e instintivamente eu dou um passo para atrás para manter uma distância segura entre nós. Ele observa o meu movimento e dando mais um passo para frente, consegue se aproximar de mim o suficiente para segurar meu queixo e me forçar a olhar para ele quando tento desviar o olhar.

— O que você está tentando fazer?

A pergunta dele me pega de surpresa e por um momento me pergunto se ele não está perguntando sobre meus planos quanto a estar infiltrada. Planos esses que vinham sendo meu único motivo racional para não me deixar levar pelos sentimentos que eu julgava não ser possível desenvolver. Como eu poderia estar me afeiçoando à pessoas que eu tinha como objetivo destruir? Como aceitar que o ódio que eu deveria sentir por Kurt Weller, agora era apenas um reflexo do meu ódio por mim mesma por não conseguir odiá-lo?

— Eu não estou tentando--

— Você vai continuar mentindo para mim ou isso é para si mesma?

— Kurt...

— Desde àquela noite você está diferente. — pressiona ele. — O que aconteceu? O que aconteceu depois daquele dia?

Engulo em seco sentindo meu coração acelerar e minha respiração se tornar mais pesada. Àquela noite em que eu me permiti ser vulnerável como eu nunca havia sido em minha vida. Naquela noite em que eu estava determinada a avançar mais um passo em meu plano; Kurt e eu saímos para jantar, em comemoração de mais um mês de casamento. Um hábito dele com Jane. Foi quando durante o jantar, eu senti meu coração desacelerar, começando a bater mais devagar do que o habitual ao mesmo tempo em que minha cabeça doeu como se fosse explodir.

Kurt avançou até mim no mesmo instante em que eu sentia meu corpo perdendo a força, prestes a desmaiar. Em seu colo ele me segurava contra si como quem segura o mundo. E enquanto ele ligava para a ambulância eu vi a mudança acontecer. Eu vi a expressão do medo no rosto dele, e foi a mesma que senti. No olhar de desespero dele, o medo de me perder era proporcional ao meu medo de morrer e de nunca mais vê-lo. E ele também viu isso.

— Se você estiver tentando me afastar por causa de doença, — começa ele abrandando o tom de voz e abrindo um quase sorriso ao final da frase. — saiba que não vai funcionar porque eu estou com você e vou ficar até o fim.

— Eu sei. — digo concordando com ele pela primeira vez hoje. — Você é muito teimoso para isso.

— Exatamente. — agora é a vez dele de concordar comigo. Também pela primeira vez hoje. — Se quiser chamar assim, eu sou teimoso demais para sair do lado da pessoa que eu amo quando ela mais precisa de mim.

Estar frente a frente com Kurt nunca foi fácil. A tensão que havia entre nós era inegável e isso era uma das coisas que fazia o meu ódio ir à flor da pele na mesma intensidade que eu era inexplicavelmente atraída para ele; E não deixar que ele penetrasse minhas barreiras vinha sendo umas das tarefas mais difíceis que eu já havia enfrentado.

— Kurt, eu não sou mais a… — as palavras se formam em minha boca e por um momento eu me vejo colocando-as para fora. Eu não sou mais a Jane. Eu nunca mais serei a sua Jane porque eu voltei a ser a Remi. Mas não posso fazer isso. Não ainda. Então eu as engulo e continuo. — Eu não sou mais a mesma pessoa, Kurt, e isso tudo é demais para mim, as vezes não consigo--

— Você é a mesma pessoa que sempre foi. — afirma ele. A convicção na voz dele por um momento me faz querer acreditar nisso, por mais que eu saiba que não é verdade. — E você sempre consegue o que quiser, Remi.

Remi.

A voz suave, baixa, não mais do que um sussurro alto o suficiente apenas para que eu ouvisse, me atinge como um soco no estômago. O som do meu nome direcionado a mim pela primeira vez por Kurt, sai estranho, ácido, cortante. Mas ao contrário do que eu esperava, não havia nenhum tom de amargura, raiva ou ódio em sua voz ou em seu rosto. Apenas a decepção. O que é muito pior.

Nas diversas vezes em que imaginei esse momento, em todas eu estava sendo algemada ou presa, mas em nenhum deles sequer se aproximava deste. Parada no quarto que sempre foi de Kurt e Jane, vendo tudo desmoronar à minha frente sem fazer nada.

— Desde quando você…?

— Faz algum tempo. — confessa ele.

Ele não faz nenhum movimento brusco e sua expressão continua serena, apenas uma fina linha de expressão em sua testa demonstrava a tensão que estava sentindo mas que lutava firmemente para esconder.

— E você não me desmascarou. — digo calmamente sentindo uma onda de adrenalina se espalhar pelo meu sangue e meu sentidos se prepararem para se defender e fugir o mais rápido possível; mas a ordem não viria. Eu não iria fugir. Não dessa vez. — Por quê? Por amor?

— Não. — a responde dele vem rápido demais, me atingindo antes que eu tivesse a chance de me preparar. — Porque não há quem desmascarar.

— Como assim?

— Remi sempre esteve aqui, embora adormecida. — diz ele simplesmente. — Assim como a Jane sempre existiu na Remi e apenas não havia tido oportunidade de se mostrar.

Abro a boca para falar mas fecho em seguida, por um momento, sem saber o que dizer. Kurt estava certo em tantas maneiras que admitir isso seria aceitar para mim mesma coisas com as quais eu estava tentando arduamente lutar contra.



— E o que você pretende fazer agora?

— Nada.

Nada? — digo com uma pontada de indignação na voz.

— O que você quer que eu faça? — questiona ele. — O que você espera que eu faça?

— Me… — começo a falar mas a palavras se recusam a sair. Engulo em seco sentindo a bile amarga voltar ao meu estômago. — Me entregar, me prender....

— Você ainda é minha esposa…

— Não! — rebato sem esperar que ele termine a frase. — Você é casado com a Jane, e eu não sou a Jane!

— Vocês duas são a mesma pessoa! — emenda ele elevando o tom de voz acompanhando o meu. — Jane é a pessoa que você se tornou quando teve toda a sua memória apagada! Ela é a parte de você que teve a oportunidade de receber acolhimento, cuidados, amizade, amor, ela não é uma robô muito menos um clone seu.

Mas eu gostava de fingir que ela era exatamente isso. Era mais fácil, mais cômodo não ter que encarar que existia um lado meu que era o meu oposto e mais difícil ainda encarar que esse lado estava cada vez mais presente em mim.

Jane Doe não existe mais. — replico usando minha melhor mentira e dando um passo para a frente pela primeira vez. Solto cada palavra lentamente na tentativa de atingi-lo. Mas ao invés de se afastar, ele se aproxima ainda mais de mim, mantendo o olhar fixo ao meu me atingindo direta e totalmente.

— Você está tentando atingir a mim ou a você?

Engulo em seco sentindo seu hálito fazer cócegas em minha pele, enquanto a tensão cresce no ambiente. Reconhecer que Kurt Weller conseguia penetrar as barreiras que eu construíra em torno de mim e do meu coração ao longo dos anos era como reconhecer uma fraqueza; e eu não iria admitir que ele me tirava completamente do meu eixo. Não tão fácil.

— Está funcionando? — eu provoco, entrando no jogo dele.

— Não. — responde ele olhando para meus lábios. — Nem sempre você consegue tudo o que quer.

Parafraseando o que ele mesmo havia dito momentos antes, ele inclina o rosto para o meu, nossos narizes se tocando quando ele fala.

— Você não sabe o que eu quero. — sussurro contra seus lábios, tendo a certeza de que ele foi capaz de sentir o meu hálito e talvez até de sentir minha boca roçar na sua.

— Sim, eu sei. — responde ele sem vacilar.

— Você conhece a Jane, não eu.

— Mas eu sei exatamente o que você quer agora, Remi. — responde Kurt dizendo meu nome mais lentamente como se pronunciasse cada letra antes de colocar a mão em minha nuca e fechar a pouca distância que havia entre nós.

Sua boca conseguia ser doce mesmo me beijando com voracidade, em um beijo carregado de emoções e sentimentos represados, o desejo se fazia maior do que qualquer outra coisa. O modo como minha boca e me corpo pareciam se encaixar perfeitamente ao dele era inexplicável.

Não demora para que o beijo se aprofunde e rapidamente estamos os dois apenas com roupas de baixo e estou empurrando Kurt em direção à cama. Intercalando beijos com chupões e mordidas leves, Kurt beija meu pescoço e desce deixando uma trilha de beijos pela minha barriga, fazendo meu corpo arquear e facilitar o ato de desabotoar meu sutiã. Ele o desliza pelos meus braços e aproveita para chegar à minha calcinha, tirando-a lentamente.

Um arrepio percorre meu corpo ao ver o olhar de Kurt. Seus olhos estão ligeiramente mais escuros, tomados pelo prazer. Não percebi em que momento ele tirou a cueca e colocou o preservativo. Como se pedisse permissão para prosseguir, por um momento ficamos apenas nos encarando, olhando nos olhos um do outro.
— Isso não significa… — começo a falar mas ele logo me interrompe.

— Cala a boca, Remi. — rebate ele em um tom de voz sério fazendo com que eu me retraia em uma reação automática, tentando me afastar. Mas basta olhar para sua expressão que eu vejo o sorrisinho malicioso no canto de seus lábios.

Incapaz de resistir mais, levo minha mão até ele e o coloco dentro de mim. Sem dizer mais nada, ele começa a se movimentar. As mãos dele percorrem meu corpo, explorando cada centímetro, enquanto as minhas fazem o mesmo com o corpo dele. Kurt intensifica seus movimentos, forte, firme, puxando meu corpo contra o dele, me penetrando cada vez mais fundo.

Me aproveitando do fato de minhas mãos estarem nas costas dele eu cravo minhas unhas ali, arranhando-o. Seu corpo se arqueia em resposta e eu volto a beijá-lo, deixando de propósito um chupão em seu pescoço, tendo a certeza de que irá marcar.

A medida que o clímax vai se aproximando, Kurt acelera seus movimentos, e apenas alguns momentos depois, a onda de prazer se alastra sobre nós dois quase ao mesmo tempo. Durante algum tempo, ficamos calados concentrados apenas na respiração ofegante um do outro até que ele sai de dentro de mim e deita ao meu lado.
— O que faremos agora?

— Temos que voltar para o FBI. — responde ele virando apenas o rosto para mim.

— Estou querendo dizer o que faremos com isso, nós? — explico.

— Nós daremos um jeito. — responde ele colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Nós sempre damos.

Notas finais
E entãaaaao, gostaram?
Por favor, digam, se expressem, é importante para mim e eu adoro saber como foi a emoção de ler, se foi a mesma que tive ao escrever. ❥

Por último mas não menos importante, sei que prometi escrever durante o hiatus mas devido a contratempos e faculdade não foi possível. Mas já adianto que tem coisa vindo por ai, aguardem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!