What A Hungover Do With You
3 Capítulo 3 A Bagunça e uma Falsa Esperança
Notas iniciais
- Lisanna? — Chamara Gray, tocando no ombro da garota. Ela virou-se quase de imediato e encarou o mago. Se o perguntassem, ele diria que a garota estava mais feliz impossível. Suas bochechas estavam coradas, seu rosto exibia um enorme sorriso e seus olhos pareciam querer saltar das órbitas de tanta excitação e ansiedade.
— Gray! — Saudou ela, alegremente — Gray, logo quem eu queria ver!
— Lisanna, escute, preciso que...
— E eu preciso saber se esta tudo certo com seu terno! — Interrompeu ela, de maneira radiante — sabe, sei que não tivemos tempo para ensaios, aconteceu tudo tão rápido... — Ela começou a saltitar no lugar e a bater palmas frenéticamente, o que fez Gray revirar os olhos — Mas isso não é motivo para fazer feio! Ainda por cima você, padrinho de casamento.
Gray a analisou de cima a baixo. Ela falara padrinho? Gray seria o padrinho? Okay, tinha algo de errado naquela história e ele iria averiguar. Estava prestes a perguntar do que se tratava, quando lembrou-se do motivo por ter ido atrás de Lisanna.
— Lisanna, acalme-se — Ele a segurou pelo ombro, fazendo com que ela parasse instantaneamente de saltitar e bater palmas — preciso que você me responda algo.
Ela o fitou, olhando bem fundo em seus olhos. A maga de cabelos brancos suspirou e deu de ombros.
— Desculpe... O que você quer mesmo saber?
— Bem... Você estava conosco noite passada, sim? — Ela assentiu — e estava no bar do início ao fim da festa, não é mesmo? — Ela assentiu novamente.
— Sim, eu estava. — Confirmou.
— Então, pode me explicar por que diabos a Erza está com tanta raiva de mim?
A resposta de Lisanna foi a esperada por Gray. Primeiro a garota olhara para suas sapatilhas, em seguida direcionando os olhos para o teto, lá permanecendo por um bom tempo. Ela mordeu o lábio inferior e sua expressão mostrava-se aflita.
— Gray... — Ela hesitou.
— Pode dizer. — Encorajou ele. Já estava saturado de todos esconderem o que ele tinha feito.
— Você... — Seu rosto, de tom pálido, assumiu uma coloração avermelhada — você pediu a Er-chan para... Transar com ela.
Os olhos de Gray estavam arregalados. Quando ouvira o que Lisanna dissera, não pode evitar, colocou as mãos na cabeça e começou a caminhar para trás. Agora lembrara-se de tudo. Natsu se declarando para Lucy e a garota para ele, depois a fuga de Lisanna do bar e o Dragon Slayer do fogo indo atrás dela, a volta dos dois de mãos dadas, sorridentes, anunciando seu casamento no outro dia. Veio a sua cabeça também o pedido de Natsu para que ele fosse o padrinho e as lágrimas de Lucy que se escondiam em um rosto sorridente, feliz por Natsu e Lisanna, sua rival no amor. "Pobre Lucy..." Pensou. Todos sabiam que a Heartfilia, mesmo triste, prefere colocar a felicidade de seus amigos em primeiro plano e a sua propria em segundo. Daria um peteleco em Natsu quando o encontrasse.
Aos poucos, tudo o que acontecera noite passada voltava a sua cabeça, inclusive as cenas de suas cantadas fajutas para Erza. "Meu Deus..." Ele ficou boqueaberto quando finalmente lembrou da conversa que tivera com Titania. Não era à toa que a amiga estava com tanta raiva dele.
— Hm... Gray? — Chamara Lisanna depois do longo silêncio constrangedor que se propagou entre os dois.
— Foi isso, ou aconteceram mais coisas? — Perguntara, pensativo. Estava até com medo da resposta da garota. Pelo rumo que tudo aquilo tomava, daqui a pouco Gray descobriria que se casou com um filhote de dragão, na noite passada.
— Hm... — Ela pousou a ponta do indicador em seu queixo — que eu saiba apenas isso.
— Tudo, bem. Obrigado. — Ele virou-se e começou a caminhar na direção oposta a garota.
— Gray, espere! Temos que falar dos preparativos! — Ela jogou os braços para o alto em uma tentativa de chamar a atenção do mago, mas Gray agora estava em outro mundo. Seus olhos negros olhavam fixamente para frente, mas não havia foco neles. O Ice Maker estava totalmente absorto em pensamentos avulsos que martelavam sua cabeça desde que lembrara-se de todo o ocorrido da noite passada. A dor o atingiu como uma pontada afiada da mais grossa agulha existente e ele cambaleou para frente. "Droga, nunca mais eu bebo na minha vida!"
E depois de tomar apoio em uma das grandes mesas de madeira e equilibrar-se, voltou a andar, agora com um real objetivo: encontrar Erza.
***
- Ai, minha cabeça... — Rasmungou Lucy, ao sentir a dor aumentar. Colocou a mão em sua testa e bebericou um gole de seu chá. O liquido quente descendo por sua garganta de certa forma a encorajou a mordiscar mais outro pedaço de sua torta de limão. Levou a colher que segurava com a outra mão até o prato, mas algo a interrompeu: a imagem que estava refletida no talher. Espantada, largou a xícara de maneira nada delicada no pires e tateou sua bolsa atrás de um espelho. Pouco depois, lá ela estava, sentada em um dos bancos de sua padaria preferida, observando seu reflexo em um espelho de bolso.
Estava vermelha, principalmente seus olhos que, de bônus, também estavam inchados. De qualquer ângulo que olhasse, sua aparência continuava abatida. Ela suspirou, guardando o objeto de volta a bolsa branca que carregava consigo e voltando a mordiscar sua torta.
— Lucy? — Chamou uma voz masculina, fazendo com que a feiticeira celestial soltasse um grito agudo, que chamara a atenção de todos os que estavam próximos. Se Leo quisesse que ela ficasse mais vermelha ainda, havia conseguido.
— Loke! — Repreendeu ela — não me assuste assim!
— Desculpe, — disse ele sorrindo — não fiz por mal.
Seus olhos se encontraram e Lucy dá de ombros.
— Você só me faz pagar mico. — Disse, sorrindo para o espirito celestial de leão — Mas me diga, algum motivo especial para você estar por aqui hoje?
— Bem... — Ele fez uma longa pausa, onde sua expressão, de serena, passara a séria — Lucy, noite passada...
— Oh, você tem mesmo que falar a respeito disso? — A garota sentiu sua cabeça doer ainda mais forte. Estava magoada, ressentida e gostaria de conversar a respeito de qualquer coisa, menos sobre o ocorrido da noite anterior.
— Sim. Tenho. — Algo no tom de Loke dizia a Lucy que o que ele estava prestes a contar, era um tanto sério.
— Okay, tudo bem. — Entregou-se ela, apoiando os cotovelos na mesa — Pode falar.
— Veja, lembra que eu estive com vocês no bar ontem a noite?
— Sim — assentiu ela — até você ter nos dito que estava passando um pouco mal e retornar para o mundo celestial. Pensei que fosse alguma desculpa que você nos dera para ter um encontro com alguma garota...
— Antes fosse... — Lucy riu, mas Loke não, o que a fez calar-se logo em seguida — Desculpe! — Disse, ao reparar a expressão de ressentimento que surgira no rosto da maga — Não estava querendo ser grosso...
— Não, não. Sem problemas. Agora termine a historia.
— Bem... — O espirito celestial suspirou e depois de uma pausa, prosseguiu — Eu disse aquilo por que eu realmente estava me sentindo um tanto mal.
— Como assim? — Lucy arqueara a sobrancelha — Espiritos celestiais não ficam doentes....
— E realmente não ficamos.
Lucy abriu uma enorme interrogação em seu rosto.
— Escute. A unica maneira de fazer um espirito desaparecer ou até mesmo ficar em grandes apuros, é cortando sua magia.
— Loke, o que você esta querendo dizer...
— Lucy, noite passada, naquele bar, o barman estava usando três magias, Destemido, Absorção rondônica e Confusão.
— Não me diga que...
— Ele estava roubando minha magia.
Lucy levantou-se do banco acolchoado em um salto e passara a encarar Loke com os olhos semicerrados. Estava com raiva. Sim, estava. Talvez fosse por causa da frustração que preenchia suas veias ou talvez estivesse relacionado as quantidades de açucar que ela engerira da noite para aquela manhã.
— Destemido é uma magia que faz com que tenhamos coragem fora do comum... — Comentou Lucy.
— E Confusão implanta pensamentos aleatórios na cabeça da pessoa, de modo que a mesma sinta-se confusa e acabe acreditando em algo que nunca existiu. — Disse Loke.
— E um de seus efeitos colaterais é a dor de cabeça e perda de memória recente. Bingo!
Lucy praticamente pulava de alegria e felicidade. Seu rosto, antes abatido e triste, agora exibia um sorriso que ia de um canto do rosto a outro. Será que descobrira a verdade sobre tudo o que aconteceu noite passada? Sim, tudo indicava que sim. Abriu sua carteira, de lá tirando o dinheiro necessário para pagar a conta e mais um pouquinho, o jogou em cima da mesa e estendeu a mão a Leo, que a agarrou e usou de apoio para levantar-se e ficar ao lado da loira.
— Loke! So pode ser isso! — Estava animada, mais que contente — Venha, vamos averiguar.
— Sim!
— Lucy! — Chamou uma garota que acabara de entrar na padaria, fazendo com que o sino a cima da porta tilintasse — Estive te procurando por todo lugar!
— Oi Cana! — Saudou a amiga assim que a viu.
— Você... — Ela colocou a mão em sua bolsa, de onde tirou um envelope de cor vermelho sangue — Esqueça. Apenas queria te entregar isso.
— O que é? — Perguntou, pegando-o na mão.
— Não sei, não o abri. A sua senhoria mandou o Gray te entregar e eu resolvi fazer as honras pessoalmente.
— Sendo assim, obrigada! — Ela sorriu para amiga, logo depois passando a encarar o envelope vermelho.
— Você parece feliz... — Observou Cana — O loke fez algo com você?
— Ola, Cana, a quanto tempo. — Ele sorriu para ela, e ela retribuiu.
— Sim sim, faz um bom tempo. Mas, Lucy, me diga o por que desta felicidade...
— Eu acho que descobri a razão de todos os nossos problemas! — Ela agarrou Loke pelo braço e o puxou para a entrada — Mais tarde, quando tudo estiver bem, nos falamos! — Junto ao espírito celestial, a loira partiu em direção ao Flame's Bar, agarrando-se a uma esperança que podia ou não estar relacionada com tudo o que acontecera.
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