Werewolf
1 Prólogo
Notas iniciais
Essas férias foram as piores. Pelo menos pra mim. Não que eu não tenha saído e encontrado meus amigos e me divertido. Eu fiz tudo isso. E fiz mais. E esse era o problema. Agora eu consigo entender perfeitamente o que Remo queria dizer quando falava que por mais que nós o apoiássemos, nós não sabíamos como era ter que se “esconder” de tudo e de todos durante uma semana, todo mês. Agora eu entendo o que é ter medo da lua cheia.
É, isso ai. Eu agora sou uma lobisomem. Como? Vou explicar. Fui viajar para os Estados Unidos com meus pais e bom, lá eu conheci um cara que era muito sexy. Sexy demais e confiante demais, forte demais e rápido demais e eu devia ter desconfiado. Mas naquele momento tudo que eu pensava era em como eu estou em meus plenos 17 anos, cheia de hormônios desesperados e aquele cara estava me dando mole. Então foi isso, eu fiquei com ele e de repente os olhos dele não eram mais castanhos e sim, AMARELOS. Isso mesmo, o olho dele ficou amarelo e surgiram presas e eu tentei correr. Juro que tentei. Mas como eu disse, ele era rápido demais e forte demais. Ele me mordeu. E saiu como se nada tivesse acontecido.
Confesso que meu braço doeu pra caralho naquele dia, mas no outro quando eu estava indo contar a minha mãe e pedir pra ela me levar ao hospital para quem saber fazer um curativo e tomar um remédio, a mordida tinha sumido. Simples assim. Sem vestígios de que algo tinha acontecido. Isso me assustou muito e eu fiquei pior ainda quando eu consegui ouvir a conversa de um cara que estava do outro lado da rua.
O pior foi quando chegou a lua cheia. Eu parecia estar em um tipo de TPM. Tudo me irritava, a comida me enjoava, todos os sons faziam minha cabeça doer. Quando anoiteceu, eu fugi de casa. E acordei na floresta, com a roupa rasgada e as unhas um pouco mais compridas do que o normal. E ai eu entendi.
Mandei uma carta para o Remo no mesmo instante, sabia que ele seria o único que não me julgaria ou pior, fugiria de mim.
Em vez de me responder, ele aparatou na minha casa de férias e me abraçou tão fraternalmente que eu comecei a chorar desesperada. Quer dizer, o que eu faria agora?
Nós passamos a tarde inteira conversando e ele me explicou que existiam várias espécies de lobisomens, assim como existem várias espécies de lobos – e cachorros.
Ele era de uma espécie e eu de outra. Era como se ele fosse lobisomem só durante a lua cheia, mas eu era lobisomem o mês inteiro. Meus sentidos permaneciam aguçados todo o tempo.
Procuramos em algum livro que explicasse melhor a situação. E lá estava: “Lobisomens e suas diferentes espécies”.
Depois de ler, eu estava me sentindo um lixo. Tudo que eu menos queria no mundo era me tornar esse tipo de monstro.
- O que eu faço agora? – perguntei a ele, enquanto as lágrimas caiam desesperadas pelo meu rosto.
- Fique calma e procure usar isso a seu favor. – ele sorriu, aquele sorriso maroto que eu estava acostumada a ver nele, no James e no –argh – Sirius.
- Como?
- Pense, Sirius se transforma em cachorro. Com seus poderes, agora você pode controlá-lo. – seu sorriso se alargou e eu me permiti sorrir também.
E foi assim. É por isso que minhas férias foram as piores da minha vida. É por isso que agora eu me sinto guardando um segredo de estado.
Porque agora eu, Marlene Mckinnon, sou uma lobisomem.
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