Werewolf
2 Capítulo 2
POV RACHEL
Rachel acordou com seus sentidos atordoados. Abriu os olhos e não reconheceu o lugar onde estava. Ela tentou se mover e sentiu suas mãos atadas. Depois de acostumar-se a falta de iluminação do ambiente, notou que estava presa por algumas correntes de prata. A morena agradeceu internamente por eles não terem colocado a prata diretamente sobre a pele, caso contrário seu corpo estaria seriamente machucado agora. Ela já não estava nua, vestia uma enorme camisa de mangas compridas.
Com um pouco de dificuldade conseguiu sentar-se para estudar melhor o lugar. Parecia apenas um quarto de hospedes normal. A colcha da cama onde estava era florida, as paredes lisas pintadas de branco e a decoração refinada. Tinha a aparência de um cômodo modelo da casa de uma perfeita família americana. A única coisa quebrando essa imagem era a garota amarrada, e com uma dor de cabeça dos infernos.
— Maldita latina! — Rachel praguejou. Sentindo uma pontada mais aguda levou as mãos à cabeça em reflexo, só para ser travada pelas correntes.
Tentou ignorar a dor e se concentrar para analisar a situação. A audição aguçada permitiu-lhe ouvir os passos de várias pessoas na casa e algumas discussões que pareciam vir do andar de baixo. Se não fosse o irritante zumbido em seus ouvidos ela poderia saber exatamente o que eles estavam falando. Houve uma pequena comoção, e depois passos subindo uma escada. Se os seus sentidos estavam certos, e eles sempre estavam, era a líder de torcida.
“É hora do 2º Round”, Rachel pensou dando um sorriso malicioso. Ela colocou-se em uma posição agachada precária. Quando a latina abriu a porta, a morena lançou-se para frente usando o poder de sua metamorfose para quebrar as correntes. A líder de torcida não teve oportunidade de reação. Como ela poderia ter esperado algo assim? A maioria dos lobos leva de um a três minutos pra completar a transformação e eles nunca poderiam fazer isso com tanta prata em volta de seu corpo.
O lobo negro saltou sobre a garota mordendo a mão direita que carregava uma pistola. Sentindo o peso sobre si, a latina bateu a cabeça na soleira da porta e caiu inconsciente. “Um a Um”, Rachel pensou. Tomando cuidado pra não pisar a garota no chão, girou-se e saltou janela afora.
POV QUINN
Quinn corria. Seus pés descalços impulsionavam contra o chão áspero e irregular. Os galhos aranhavam sua pele pálida. Ela podia senti-los atrás dela, cercando-a, brincando com ela. Ela estava cansada e machucada. O ferimento no ombro direito sangrava consideravelmente. Ela se sentia mais fraca a cada passo, mas se forçava a continuar, impulsionando mais forte, mais rápido. Ela não entendia porque eles não acabavam logo com isso.
Quinn derrotara um dos lobos, mas ainda havia dois deles em seu encalço e, em algum lugar no bosque, mais um homem-lobo carregando uma arma com balas de prata.
Seus pulmões ardiam. Ela estava cansada e sem esperança. A única coisa que a motivava a continuar correndo era o orgulho Fabray. Ela não desistiria. Se eles querem um pedaço de sua bela bunda terão que lutar pra conseguir. Seu pai e sua alcatéia a vingarão, e ele ficará orgulhoso ao saber o quanto ela lutou.
Quinn viu a estrada pouco à frente e uma chama minúscula de esperança nasceu em seu peito, mas logo foi apagada. Ela chegou a estrada. Ela não podia mais correr. Mesmo se alguém aparecesse quais as chances de que seria alguém capaz de ajuda-la? Provavelmente morreriam com ela. Ela ouviu o motor de uma moto e depois se viu iluminada pela luz forte de um farol. Ela não conseguia enxergar o piloto. Um rugido as sua costas a fez virar assustada, o lobo amarronzado saltava para atacá-la. A loira fechou os olhos, aguardando o fim inevitável, mas ele nunca veio. Quinn tentou forçar suas pálpebras para cima depois de alguns segundos, ela queria saber o que havia acontecido, mas a exaustão enfim a alcançou. Tudo ficou escuro.
— Você pode me ouvir? — Uma voz suave perguntou pouco acima da loira. Quinn abriu os olhos tentando encontrar a fonte desse som melodioso. Por um segundo ela pensou que morreu e estava diante de um anjo, mas anjos não deveriam ser tão malditamente sexy. A não ser pelos anjos caídos. Sim, é isso. A morena que pairava acima dela, a dona daquelas lindas piscinas castanho-chocolate tão profundas que Quinn sentia que poderia se afogar nelas, só podia ser um anjo caído.
— Eu... — a loira tentou responder, ela não queria deixar o anjo esperando, mas luzes brilhantes e barulhos de carros vieram de todos os lados, e ela estava tão cansada. A escuridão caiu sobre ela mais uma vez.
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