Notas iniciais
Oi gente! Queria agradecer muito todo mundo que vem comentando. Eu estava meio desanimada e cada review de vocês me dá uma vontade de escrever mais. Muito obrigada, meu amores! E aqueles que ainda não comentam, comentem, por favor. Gostaria muito de conversar com vocês! Atendendo a pedidos, esse capítulo vai focar um pouco mais nas histórias paralelas ao romance. Boa leitura!

Se quisesse mesmo esquecer o lutador, tinha um longo caminho pela frente.

***

Mal o dia clareou e Jade já estava levantada. Despediu-se do Ed e ligou para John avisando que o encontraria no aeroporto. Ela tinha que resolver alguns assuntos pendentes e não podia ficar presa à compromissos. Fez suas malas, pegou um táxi e partiu rumo à sua missão.

A primeira parada foi no bairro do Catete. Desceu toda a sua bagagem em frente ao Perfeitão, decidida a falar com o Pedro e resolver as coisas, porém vacilou ao olhar para o outro lado da praça. Junto com as portas, o QG parecia trancar muitas histórias da dama e o vagabundo. A bailarina viajou nas lembranças das vezes em que, na calada da noite e escondida da mãe, foi procurar carinho nos braços do Cobra. Percebeu então que, apesar de tão recentes, aquelas lembranças pareciam ser de outras pessoas. E ela sentiu uma falta enorme dessas pessoas.

Respirou fundo, tentando esvaziar a cabeça. Ainda tinha coisas importantes para fazer.

– Oi, Delma! — Exclamou Jade ao entrar no restaurante, torcendo para que tivesse acertado o nome da dona do estabelecimento.

– Oi... Você é aquela bailarina da Ribalta que foi pra Las Vegas, não é? Jade? — A moça confirmou. — Olha, Jade, eu não sei o que você fez, mas eu sei que o meu filho tá furioso.

– Pois é por isso que eu tô aqui, dona Delma. Será que eu posso dar uma palavrinha com o Pedro?

– Deixa suas malas aí e vai lá. Se você conseguir fazer o meu filho sair do quarto, eu te dou uma balinha.

Jade sorriu e foi na direção da casa do guitarrista. Ao entrar na sala, ouviu Pedro iniciar mais uma canção depressiva aos berros, mesmo com os pedidos insistentes do João para que ele fizesse o contrário.

– Pô, Pedroso! Não força, vai! Não é porque você tá todo ferrado que o meu ouvido precisa ficar do mesmo jeito, cara!

– Fica quietinho na tua, Jonnhy... Deixa eu curtir a minha fossa em paz. — Repreendeu Pedro, antes de seguir com a cantoria.

– Licença... — Murmurou Jade, enquanto batia de leve na porta do quarto do guitarrista. — Posso entrar?

– Claro! Mulher bonita é sempre bem-vinda, não é mesmo?! — Adiantou-se João, pulando da cama com o sorriso cheio de malícia. Percebeu que tinha pisado na bola quando recebeu o olhar matador do melhor amigo. Dando uma de machão, João tentou consertar: — Quer dizer... De jeito nenhum! Quem você pensa que é para destruir romances perfeitos, tipo Perina?

– Eu sou Jade Gardel, meu amor. E você baixa esse tom para falar comigo. — Revidou Jade. — O meu assunto é com o Pedro, João.

– Caramba, Jade... Poxa, eu te considero bastante até, mas olha o estado que a sua revelação bombástica de ontem deixou o meu brother... — O gamer olhou por cima do ombro e a bailarina seguiu o seu olhar, encontrando Pedro sentado na cama com cara de poucos amigos. — Por favor, deixa pra amanhã...

– Amanhã eu vou estar em Las Vegas e vai ser tarde de mais, esquisito. Dá uma licencinha, dá... — Disse Jade, empurrando de leve o nerd para o lado.

– Mulheres... Conseguem tudo com sua delicadeza. — Ironizou João, fazendo uma careta e se jogando na cama da Tomtom.

Enquanto isso, Jade se aproximou da cama do Pedro e se sentou lá. Mesmo sendo fuzilada pelo garoto, Jade tomou coragem e puxou assunto:

– Olha, Pedro, eu sei exatamente como você tá se sentindo e...

– Não, você não sabe! — Exclamou Pedro, deixando a sua guitarra de lado. — Você não sabe o que é se sentir traído pela pessoa que mais ama!

– Tá de brincadeira, né? Nessa matéria eu sou PhD, guitarrista. — Revelou Jade triste, deixando Pedro surpreso. — E eu não sou a única. É só sair na rua e você vai encontrar um monte de gente cheia de história sobre desilusão amorosa pra contar. Uma delas é a Karina.

– Não começa, Jade... — Pediu Pedro, antevendo o que a bailarina diria.

– Por que? Eu não posso dizer que você já vez a Karina se sentir exatamente como você tá se sentindo agora? Isso te incomoda? — Lançou Jade, fazendo Pedro engolir em seco.

– Foi diferente... Eu não beijei ninguém. — Defendeu-se o menino.

– Mas machucou do mesmo jeito. — Argumentou Jade. — A Karina tava confusa. Acontece, caramba! Olha a idade dela e tudo o que ela teve que passar! — A bailarina pausou e respirou fundo. — Eu só acho que você não tem o direito de julgar a Karina. Ela te traiu? Bom... Você fez isso antes.

– Você não entende, não é? Ela quebrou o meu coração!

– E você quebrou o dela, Pedro! Contas zeradas! — Jade perdeu a paciência. — E chega de drama! Dois corações quebrados podem se encaixar de alguma forma, afinal. Então levanta a bunda desse colchão e vai fazer as pazes com a sua esquentadinha de uma vez! — Jade levantou e se encaminhou para a saída, enquanto Pedro processava as palavras.

– Espera! — Chamou ele e Jade se deteve. — Você não se incomoda nem um pouquinho? Foi com o Cobra e...

– E eu não tô nem aí pro Cobra, Pedro. — Decretou Jade, com a voz vacilante. — Por favor, guitarrista... Se você gosta da Karina de verdade, não deixa que nada atrapalhe, porque daqui a pouco começa a juntar um desentendimento de cá, uma desconfiança de lá... Chega uma hora que aquilo que era pra ser legal se torna a sua maior dor. E quando isso acontece... Não tem declaração que adiante. Vai lá, antes que a lutadora volte pro Estados Unidos, vai!

– Você tá me dizendo isso... Por experiência própria? — A resposta foi uma aceno sutil de cabeça, antes que a bailarina saísse andando e deixasse para trás tanto o Pedro quanto o João abismados com o que aquela máscara de durona podia esconder.

***

Jade estava cercada por suas bagagens na praça, esperando um táxi, quando ouviu:

– Quem é viva sempre aparece... — Era a voz da Bianca e Jade revirou os olhos, ainda sem encarar a atriz. — E aparece bagunçando tudo! A minha irmã chegou arrasada em casa ontem, Jade. Você não cansa de fazer estrago? Eu...

– Bianca, na boa... — Interrompeu a bailarina. — Sem paciência para o seu sermão de boa moça.

– Mas você nem deixou eu terminar! — Estrilou Bianca. — Você e essa sua mania de mandar em tudo...

– Tá, continua, vai... — Rendeu-se Jade, suspirando e se preparando para o que viria. — O que você quer?

– Eu ia te dizer que sinto muito. — A bailarina arqueou a sobrancelha, irônica. Mesmo assim, Bianca continuou: — Sinto por você e pelo Cobra, pela Karina e pelo Pedro... São casais que parecem apaixonados. Deveriam ficar juntos.

– Nossa, quanto altruísmo! — Fez cara de surpresa a Jade. — Já terminou?

– Caramba, Jade! É tão difícil pra você manter um diálogo normal? — Exasperou-se a atriz.

– Bianca, eu tenho um monte de coisa pra fazer e o meu avião sai ainda hoje. Não tenho tempo pra botar a fofoca em dia com a minha inimiga de infância. — Explicou-se.

Foi então que Bianca pareceu notar as malas da bailarina e teve uma ideia.

– Pra onde você tá indo? Eu posso te levar... — Disse ela, abrindo a bolsa e balançando a chave do carro.

– Você?! Dirigindo?!

– Muitas coisas mudaram deste que você foi embora, bailarina. — Bianca sorriu.

Analisando suas opções, Jade concluiu que poderia ser uma boa ideia. Quem sabe descobria como a Karina estava? Depois que se deu conta do que tinha feito de verdade, sua consciência começou a pesar.

– É, pode ser... — No entanto, Jade pareceu se dar de conta de uma coisa e ficou assustada. — Espera aí! Por acaso, você não vai me trancar no carro e depois botar fogo nele, não é?

– Claro que não, Jade! — Exclamou Bianca, rindo. — A vilã é você. Eu sou apenas a mocinha.

– Ah, é verdade... Tinha me esquecido disso. Então tá tudo bem. — Disse Jade, também rindo.

Elas colocaram as bagagens no porta-malas e entraram no carro. Logo Jade deu as primeiras direções para a Bianca e o silêncio se instalou. Para quebrá-lo, Bianca ligou o rádio e poucos segundos após a música iniciar, Jade começou a balançar a perna no ritmo da melodia.

– Não nega que é bailarina... — Comentou Bianca.

Jade riu, mas soou forçado. E por que mentir? Era mesmo. Nunca tinha sido próxima da atriz e agora tinha ganhado até uma carona da mesma. A situação era, no mínimo, desconfortável.

– Por que você tá fazendo isso, Bianca? — Soltou Jade, de repente. — A gente nunca se deu bem e, do nada, você me oferece uma carona!

Bianca suspirou. Já esperava por aquela pergunta.

– A Karina me contou como foi a convivência de vocês duas. — A atriz começou. — Ela falou que vocês faziam piada uma da outra, mas ficavam furiosas quando alguém de fora fazia. Ela disse que vocês se apoiaram, que vocês construíram uma amizade de verdade, mesmo depois do beijo... — Jade estava tensa, Bianca percebera. Ela podia imaginar como aquilo doía. — Pelo que ela falou, foi mais do que amizade. Foi uma irmandade.

Jade sentiu um nó se formar na garganta. Quem diria que algum dia ela sentiria tanta falta da loirinha! E pensar que agora tudo pode ir por água abaixo... Por minha causa.

– Você se lembra do que me pediu, antes da gente ir pra Las Vegas? — Bianca ficou em silêncio. — Cuida da minha irmã, por favor.

– E você cuidou. Cuidou tanto que agora eu quase tenho que dividir o meu posto de "irmã" com você. — Elas sorriram ao constatar aquilo. Jade deu mais algumas orientações para a motorista. — Você é muito importante pra Karina, Jade. Ela gosta muito de você.

– E eu dela. — Admitiu a bailarina.

– Mas ontem ela chegou em casa muito mal, sabe... Acho que ela ficou com medo de perder namorado, amiga... Tudo de uma vez e ficar sozinha de novo em um país diferente. — Bianca falou, começando a reconhecer o caminho.

– É, eu fui uma estúpida. Não devia ter feito aquilo. — Jade passou a mão no cabelo. — Mas eu já mexi os meus pauzinhos. Se tudo correr como eu imagino, quando você voltar pra casa, Perina já vai ter reatado.

– Você não perde tempo... — Constatou a atriz, enquanto realizava a última orientação da bailarina. Ao perceber para onde estavam indo, Bianca sentiu um pesar tomar conta de si. — Você tá indo... visitar a sua mãe? — Jade afirmou. — Você não tá legal com isso, né?

A bailarina sentiu o olho marejar e prometeu a si mesma que não choraria na frente da Bianca. Respirou fundo.

– Bianca, a minha mãe podia ser rígida, inflexível, durona e autoritária, mas era a minha mãe. Isso bastava pra que eu amasse ela. E agora que ela não tá mais aqui... — Ela pausou e virou-se para a janela, tentando esconder o olhar marejado. — Eu não consigo explicar o tamanho da falta que ela faz.

Bianca assentiu com a cabeça. Ela sabia exatamente do que a bailarina estava falando. Estacionou o carro em frente a entrada do cemitério e ajudou a bailarina a descer suas duas malas.

– Eu ficaria pra te levar ao aeroporto, mas eu tenho um compromisso agora. — Disse Bianca.

– Tudo bem, você já fez muito me trazendo aqui. Muito obrigada. — Bianca estava prestes a entrar no carro de novo. — Espera... Posso te pedir uma coisa? — A atriz afirmou. — Me dá um abraço?

As duas sorriram, emocionadas, ao enlaçar seus braços ao redor da outra. Bianca afagou o cabelo da morena e sussurrou ao seu ouvido:

– Se cuida, tá?

Jade balançou a cabeça, afirmando. Faria o possível.

Após se desprenderem, Bianca entrou no carro e Jade encarou os portões do cemitério. Com passos lentos, caminhou na direção do túmulo da sua mãe.

***

Enquanto isso, Cobra descia em um táxi em frente a uma casa humilde em um bairro afastado de Goiânia. Tinha decidido de última hora visitar sua família e combinou de ir direto de Goiânia para Las Vegas.

Ao empurrar o pequeno portão tomado de ferrugem, sentiu um aperto no peito. Estava com muita saudade da mãe, mas também estava com medo da reação dos irmãos, principalmente do Robson. Sabia que o rapaz jamais o havia perdoado por ter abandonado a família e o culpava pela morte do pai.

Bateu na porta. Já ia bater de novo quando viu a antiga porta se abrir vagarosamente, revelando uma silhueta magra, com os olhos tristes sendo tomados pela surpresa conforme o reconhecia.

– Mãe... — Murmurou Cobra, com a voz embargada.

– Meu filho! — Cobra escutou, antes de receber um abraço.

Um abraço apertado, acolhedor, saudoso. O lutador sentiu as lágrimas da mãe molhando-lhe a camiseta e percebeu que também chorava, mas não queria soltá-la. Não de novo. Se pudesse, ficaria sempre ali.

– Ricardo?! — Era o pequeno Reinaldo chegando na sala. — É você mesmo, mano?!

Cobra sorriu, ainda abraçado na mãe, e puxou o irmão mais novo para o abraço. Percebeu que o garoto estava bastante magro e lembrou-se do que Júlia havia dito. Os dois irmãos tiveram que trabalhar. Isso significava que o Reinaldo também havia tido que dar um jeito de ajudar em casa, deixando de lado as brincadeiras de criança. O lutador se sentiu um lixo.

– Eu não acredito...

Cobra levantou os olhos e encontrou Robson parado na porta que ligava a sala e a cozinha com os punhos fechado, parecendo pronto para atacar.

– O que você tá fazendo aqui, seu marginal?

– Robson, olha o respeito. Ele é seu irmão! — Tentou dona Quitéria.

– Ah é verdade! Depois de tudo o que ele vez, eu devesse correr de braços abertos. Ou melhor, devia pedir pro padre da igreja aqui perto tocar os sinos, já que a gente tá recebendo um santo!

– Robson... — A mãe começou, porém Cobra a deteu.

– Deixa, mãe. Ele tem todo o direito de tá chateado.

– Eu não tô chateado, seu bandido. Eu tô furioso. — O olhar do garoto confirmava a verdade. — Por que você voltou logo agora, que a gente não precisa mais de você?

O lutador já esperava aquela reação. O temperamento do irmão era igualzinho ao seu.

– Porque eu precisava pedir desculpas. Eu precisava tomar vergonha na cara e dizer que... — Ele olhou para a família. Dona Quitéria estava emocionada, Reinaldo estava radiante e Robson estava impassível. — Eu amo vocês. E eu tô com muita saudade do seu colo, mãe; de brincar de lutinha com o Reinaldo e até de você, Robson... Lembra de quando você me pedia conselhos pra pegar as menininhas? — Cobra sorriu na esperança de que o irmão fizesse o mesmo. Não aconteceu.

– Você deve tá com saudade do pai também, né? — Robson revidou, frio. — Pena que ele morreu por sua causa.

– Tá bom, vamos parar por aqui, meninos. — Acalmou dona Quitéria. — Você deve tá morrendo de fome, meu filho.

– Um pouquinho, mãe. — Cobra sorriu. — Esse cheirinho... Ah, não brinca!! Arroz com pequi?!

–Parecia que eu sabia que você tava chegando, Ricardo... — A senhora nem acreditava no que estava acontecendo. — Vamos almoçar?

– Perdi a fome. — Respondeu Robson, enquanto Quitéria, Reinaldo e Cobra sentavam-se na mesa.

– Esse menino... — Suspirou a mãe.

Todos comiam em um silêncio estranho que começava a incomodar o pequeno Reinaldo.

– E a sua namorada, mano? A gente viu na TV... Ela é muito gata.

Jade. Cobra estava evitando pensar nela porque doía, mas estava realmente difícil. Ainda mais agora, que o irmão caçula resolveu trazer o assunto a tona.

– A gente não tá mais namorando, Reinaldo. O nome dela é Jade. — Cobra inconscientemente largou o garfo e baixou a cabeça.

– Ô meu filho... Fica assim não. Vai passar. — Quitéria não sabia o que dizer.

– Eu sei, mãe. Eu supero tudo, lembra? Sou teu filho. — Ele ergueu a cabeça e sorriu para mãe. Resolveu mudar de assunto. — Olha mãe, agora eu vou voltar a lutar e vou mandar um dinheiro pra senhora.

– Não precisa, meu filho, a gente já se arrumou por aqui. — Respondeu a mulher.

– Mas eu quero. Mãe, eu preciso arrumar um jeito de me desculpar. Eu deixei vocês na pior, sai fugido... Eu fui um canalha! Agora eu tenho que me redimir.

– Você tá aqui, meu menino. Isso já me basta. — Sorriu a mãe, com os olhos marejados. — Eu fiquei com tanto medo de nunca mais te ver, Ricardo...

– Pode mandar esse medo pra longe, então. A gente vai ser uma família de novo, mãe. Não é não, moleque? — Cobra perguntou para o irmão menor, que confirmou com a cabeça.

Voltaram a comer. Cobra se sentia em casa novamente.

***

– Oi, mãe. — Disse Jade, assim que chegou no túmulo da Lucrécia.

Sentou-se no chão, encostando as costas na lápide. Passou a mão pelos cabelos e olhou em volta. Estava sozinha.

– Eu terminei uma turnê esse fim de semana. — Comentou Jade, olhando para o nada. — E eu tô dançando no Palace of Dance Company, sabe? Aquela companhia famosa de Las Vegas. Eu sou a protagonista do espetáculo. Você ficaria orgulhosa.

Jade sentiu uma lágrima correr. Por que tinha que machucar tanto, meu Deus?

– Eu terminei com o Cobra. — A bailarina suspirou. — Você tinha razão, mãe... Ele não presta. Como eu queria que você tivesse aqui pra me dizer: eu te avisei!– Jade colocou a mão no rosto, tentando conter as lágrimas que caíam descontroladamente. — Você faz tanta falta, mãe...

A menina respirou fundo, procurando se acalmar. Repensando os últimos dias, lembrou-se:

– Sabe, mãe... Eu conheci o meu pai. Você tava certa, de novo. Ele não vale nada, só se aproximou de mim por causa do dinheiro que eu tô ganhando.

Jade se calou quando ouviu passos.

– Eu sinto muito, mas é verdade, Lucrécia.

A bailarina se levantou num pulo ao reconhecer a voz. Papai, pensou ela, ironicamente.

– Você tá me seguindo, seu maluco? Eu posso te processar!

– Não é nada disso, minha filha, eu... — Começou Sérgio, mas Jade o interrompeu.

– Não me chama de filha! Eu não sou nada sua!

– Desculpa, Jade. — O homem passou a mão pelo cabelo, sem saber o que falar. — Eu... Bom, nós tivemos um começo meio ruim, não é?

Jade afirmou, cruzando os braços.

– Eu nunca pensei que a minha ausência tivesse te machucado tanto e...

– Ah, não, imagina! Crescer sem o pai é uma maravilha! — Exclamou Jade, sem acreditar em uma palavra daquele senhor. — Você é doente, só pode!

Sérgio baixou a cabeça. Aquela seria uma conversa difícil.

– Depois de tudo o que você me falou aquele dia no camarim, eu repensei todos os meus atos. Realmente, eu me aproximei de você por dinheiro, mas agora que eu te conheci... Agora que eu vi essa garota incrível que você é, eu quero me aproximar de você. Ser o pai que eu nunca fui.

– Tarde demais, essa vaga já foi ocupada. — Jade pensou em Edgard, aquele sim é o seu pai. Uma coisa não saia da cabeça da morena. — Como foi que você me achou aqui?

– Na verdade, foi coincidência. Depois que eu fiquei sabendo que a Lucrécia tinha falecido, eu pesquisei nos registros e acabei descobrindo que o túmulo ficava aqui. Jade, eu sei que pode ser complicado pra você confiar em mim, mas tenta. Eu mud...

O celular da bailarina tocou e ela pediu um minuto. Ligação internacional. Mas o que...?

– Alô?

– Senhorita Jade? Aqui é a assistente social da Instituição de Caridade Para Crianças Carente. — Disse a mulher, em inglês.

– Poderia ajudar em alguma coisa? — Perguntou Jade.

– Sinceramente, eu não sei... É que a Alice, uma das nossas crianças...

– Aconteceu alguma coisa com a Alice? — Desesperou-se a bailarina. Ela tinha um apego enorme por aquela menininha.

– Na verdade, sim. Ela ficou um pouco doentinha e não para de chamar pela tia Jade. — A mulher parecia um pouco envergonhada ao dizer aquilo.

– Eu tô indo. — Adiantou-se a bailarina, rapidamente. — Posso demorar um pouquinho, mas diz pra Alice que a tia Jade já vai ir ver ela.

Notas finais
* Conheço muito pouco sobre Goiânia, então perdoem-me se usei alguma expressão que não é utilizada na região. * Quem tá amando o Cobra protetor da família em Malhação? Sério, assim eu me apaixono mais ainda! * Olha a Alice aí de novo, minha gente! Comentem pessoal! Tô louca pra conversar com vocês!