Notas iniciais
Oii pessoal! Antes de tudo, queria saber se vcs tem uma resposta pra minha pergunta: por que Cobrade some às vezes?? Sério, esses autores ainda vão me enlouquecer!! Mas continuando... O cap de hj tem música! Seria mt legal se vcs conferissem a tradução Ta aí o link para quem quiser: http://www.vagalume.com.br/linkin-park/numb-traducao.html# Não esqueçam de comentar! Boa leitura!

– Ai Cobra, não me faz pergunta difícil... — Jade desviou o olhar do garoto.

– Não é difícil, Jade. É só você dizer se quer ou não. Qual é? A resposta não deve ser tão difícil! — Ele sorriu, se achando como sempre.

– Cobra, vamos fazer assim: me dá um tempinho. — Cobra não parecia estar acreditando no que estava ouvindo. — Entende, por favor! Eu só preciso de um tempo para me acostumar com tudo o que tá acontecendo... com a minha nova vida. Não tô te dizendo não! Até porque, provavelmente, eu não vá ficar com mais ninguém até que a gente se resolva por completo. — Jade olhou no fundo dos olhos do rapaz, como quem implora para ser entendida. Infelizmente, ela não esperava ouvir aquilo:

– Pena que eu não posso dizer o mesmo. — Ele estava magoado, e isso era claro até em sua voz. — Eu venho até aqui, me declaro e você me pede um tempo? Quem foi que disse que não era mulher de tempo? Jade... Por que a gente não consegue se acertar? — A garota não respondeu, apenas ficou olhando para ele, até que este sumiu pela portão do cemitério. Ela não conseguia reagir. Então, moveu a mão na direção dos cabelos e se pôs a arrancar os fios.

***

Cobra não viu Jade por três dias. Este foi o tempo estabelecido pela a Academia do Gael e pela Ribalta, em função do luto pela morte da Lucrécia. Mas o fato de não vê-la não o impedia de pensar nela, e isso ele fazia constantemente. Continuamente, melhor dizendo. Pensava em seus beijos, em seus toques, na sua voz. Pensava que talvez tivesse sido muito rude no último encontro dos dois, e estava arrependido por isso.

Já para Jade, esses três dias serviram para colocar os pensamentos e sentimentos em ordem. Estava disposta a seguir a vida e, principalmente, ser feliz. Para isso, ela precisava, e muito, do Cobra. Ele já havia até se declarado, então estava tudo bem. Quer dizer, nem tudo. O lutador disse que ficaria com outras pessoas enquanto os dois não se acertasse e isso fazia com que o ciúmes da garota crescesse. Ela precisava fazer com que ele se sentisse especial, como ela havia se sentido no momento em que o rapaz confessou estar apaixonado. Ela só não sabia como.

O primeiro encontro dos dois foi na Fábrica. E não foi bem um encontro. Cobra estava se preparando para ser novamente apresentado aos lutadores da Academia do Gael e viu Jade subir as escadas em direção à Ribalta. Eles se olharam por três segundos, antes dela continuar seu caminho e do Gael perguntar a Cobra:

– Você não quer mesmo que eu conte o motivo pelo qual você voltou?

– Não, Mestre. Eles vão ter que acabar com todas as certezas que tem sobre mim com o convívio comigo.

– Tá bem, se você quer assim... — Com um grito do professor, todos se calaram e ele começou: — Pessoal! Hoje o Cobra começa a treinar com a gente de novo e eu espero que vocês o recebam bem. Podem continuar o treino.

– Como assim, Mestre? Ninguém aqui gosta desse cara... Por que o senhor tá trazendo esse marginal de volta? — Wallace foi o primeiro a se pronunciar.

– Porque essa Academia é minha, quem manda aqui sou eu e eu quero ele de volta com a gente. Ponto final.

– Se acalma, Mestre. Ele só tá assim porque é o namorado da Ruiva. Wa... Wallace? Pode ficar tranquilo. A Ruiva é até bem gostosinha, mas já passou. Eu tô em outra. — Embora talvez essa outra não esteja em mim.

– Cobra, não provoca. — Ordenou Gael.

– Se não tiver provocação, não sou eu, Mestre. — Cobra sorriu, debochado e foi começar o seu treino.

***

Já na Ribalta, o clima estava péssimo. Os alunos e professores haviam sido convocados para um comunicado e estavam reunidos no auditório. Todos ficaram surpresos quando Jade apareceu e ninguém se preocupou em disfarçar os olhares de pena. Jade, percebendo tudo isso, se sentou isolada em um canto.

Assim que conseguiram o silêncio, Edgard começou:

– Todos vocês já devem estar sabendo que... que a professora Lucrécia não está mais entre nós, por isso... — Ed não conseguiu conter algumas lágrimas, então Dandara prosseguiu:

– Por isso nós resolvemos fazer uma homenagem a ela. Semana que vem, na sexta-feira, ocorrerá um grande espetáculo, com direito a belíssimos shows dados por vocês, queridos alunos. Esperamos as melhores canções da banda Galera da Ribalta e do nosso coral, assim como as melhores interpretações do pessoal do teatro e os melhores movimentos dos alunos da dança, que agora serão comandados pela professora Sara. Façam o melhor que puderem, em tributo a uma das pessoas que colocou sua alma no projeto desta escola. Preparem-se! O tempo é pouco! — Assim que Dandara terminou, os alunos se dirigiram aos seus professores.

Jade estava indo de encontro ao pessoal da música, quando Ed, Dandara, Renê e Nando vieram na sua direção. Dandara começou, depois dos cumprimentos:

– Querida, nós estávamos pensando... Sabemos que é um momento delicado, mas nós pensamos em uma apresentação sua, solo, finalizando a noite de apresentações.

– Você teria que escolher uma música, montar uma coreografia, ensaiar... Até sexta-feira da semana que vem. Será que você consegue? — Perguntou Ed.

– Eu sou Jade Gardel, meu amor. Eu consigo tudo que eu quero. — Jade olhava séria para eles. Ela estava decidida a recomeçar e aquele show certamente seria um marco.

– Garota confiante, gostei! — Comentou Nando. — E aí, lindinha, você aceita?

– É claro! — Me aguardem.

***

Os dias até a apresentação foram tranquilos. Cobra e Jade não se encontraram, apenas se viram de longe na Fábrica e chegaram a trocar alguns acenos. Tudo detalhadamente acompanhado pelos olhos atentos de Thawik. Ele estava esperando o momento certo para dar o recado do Lobão.

Quinta-feira a noite, quando Cobra já tinha perdido todas as esperanças de reatar o que quer que fosse com a Jade, recebeu uma mensagem:

"De: Jade

Para: Cobra

Oii vagabundo *-*

Saudades? Se estiver com, pode matar amanhã.

Vai ter um espetáculo em homenagem a minha mãe lá na Ribalta, às 20:30. O pessoal do canto vai cantar, o pessoal do teatro vai interpretar e... eu vou dançar.

Queria muito que você estivesse lá, nem que seja para recordar o tempo em que eu dançava só para você...

Será que a gente vai conseguir fazer isso de novo?

Beijos,

Sua dama"

Aquela garota sabia provocar. Apenas a lembrança das antigas danças da Jade deixavam Cobra maluco, imagina a possibilidade de vê-la de novo. Assim que percebeu a maneira como Jade assinou, nem titubeou e mandou a resposta:

"De: Cobra

Para: Jade

Eu já estava sabendo dessa apresentação e nem tava dando muito valor, mas... com um pedido desses...

Vai ser ótimo te ver dançando de novo.

Beijos,

Seu vagabundo"

Agora tudo estava completo. Jade sabia que a sua apresentação desagradaria a muitos, mas ela realmente precisava daquilo. Além de que o "seu vagabundo" estaria na plateia, o que a deixou ainda mais ansiosa pelo dia seguinte.

***

Na sexta, o auditório da Ribalta estava lotado. As famílias dos alunos, alguns lutadores do Gael e alguns desconhecidos marcavam presença. Cobra tinha chegado uma pouco antes do início e se sentou lá no fundo, onde poderia assistir tudo e ninguém perceberia sua cara de bobo ao ver a Jade dançar.

Iniciaram o show com as apresentações da Galera da Ribalta e do coral da Dandara. No camarim, todos exalavam nervosismo, menos Jade, o que era estranho. Ela estava mesmo confiante na sua performance.

A próxima apresentação foi uma peça de teatro. Eles fizeram as pessoas se emocionarem, mostrando que eram capazes de decorarem texto em uma semana e fazerem bonito.

Enquanto o grupo de dança fazia a sua apresentação, Jade começou a se alongar. Quando começou a sentir suas mãos tremerem, logo tratou de tentar se acalmar. Relaxa, Jade. Você ensaiou como uma louca todos esses dias, nada vai dar errado. Entre naquele palco e mostre a que veio. Por mais incrível que pareça, funcionou.

Minutos antes de anunciarem Jade, Edgard foi conversar com ela.

– Jade, como você está linda!

– Obrigada Ed!

– Você tá precisando de alguma coisa?

– Não Ed, eu tô bem.

– Ótimo. — Chamaram Jade para o palco. — Você está pronta?

– Desde sempre.

Toda aquela auto-confiança assustava um pouco Edgard, mas antes que ele falasse qualquer coisa, Jade subiu no palco e ele foi para a plateia.

Ela estava com um figurino todo em preto, com salto alto, maquiagem marcante e cabelo solto. Assim que ela apareceu, Cobra, como todos os meninos, prendeu a respiração. Não que a beleza dela fosse novidade, mas aquele olhar era diferente, carregava mais... mistério.

Ela pediu a autorização para dizer algumas palavras antes da sua apresentação, e esta lhe foi concedida. Empunhou o microfone e começou:

– Não quero me estender muito em minhas palavras. Quero apenas dizer que certamente, se minha mãe estivesse aqui, ela estaria muito orgulhosa de todos nós. Queria também dizer que eu a amo. E que a minha apresentação é para você, mãe. — Olhou para o alto. — Você me prometeu que estaria me vendo de onde que você estivesse. Espero que esteja.

Entregou o microfone para alguém que estava ao lado do palco e pediu para colocarem a música. Nos primeiros acordes, ela estava virada de costas para o público, deixando que a vibração da melodia tomasse conta de seus movimentos. Assim que a letra começou, ela encarou o público, iniciando sua coreografia.

I'm tired of being what you want me to be
Feeling so faithless, lost under the surface
I don't know what you're expecting of me
Put under the pressure
Of walking in your shoes
(Caught in the undertow, just caught in the undertow)
Every step that I take is another mistake to you
(Caught in the undertow, just caught in the undertow)

– Essa música é um desaforo! — Exclamou Ed, deixando Dandara surpresa. — Essa irresponsável está manchando a memória da Lucrécia!

– Ela só tá dando seu grito de liberdade, Ed! — Retrucou Dandara, incrédula com a atitude do amigo. — A arte é isso, lembra? Renove seus conceitos, Edgard!

Não muito contente, Ed se acomodou novamente na cadeira. Uma coisa ele não podia negar: ela estava deslumbrante.

I've become so numb
I can't feel you there
Become so tired
So much more aware
I'm becoming this
All I want to do
Is be more like me
And be less like you

Enquanto Jade executava seus movimentos, procurava desesperadamente por Cobra na plateia. Ele disse que viria... Já estava quase desistindo quando o encontrou, lá no fundo, hipnotizado, quase babando. Ele percebeu que ela o havia encontrado e sorriu. E foi como se ela dançasse só para ele.

Can't you see that you're smothering me
Holding too tightly
Afraid to lose control
'Cause everything that you thought I would be
Has fallen apart right in front of you
(Caught in the undertow, just caught in the undertow)
Every step that I take is another mistake to you
(Caught in the undertow, just caught in the undertow)
And every second I waste is more than I can take

Os movimentos da bailarina eram perfeitos. Tão logo ela saia de um passo, entrava em outro. Ela estava arrasando e sabia disso. Tinha nascido com a missão de encantar a quem estivesse lhe assistindo. Tinha crescido aprendendo, sob o maior rigor, a como fazê-lo. E agora estava ali, pondo em prática todos os ensaios até tarde e todos os puxões de orelha recebidos. Olhou para Cobra e teve a sensação de que ele seria capaz de tirá-la daquele palco a qualquer minuto. Por mais louco que pareça, ela gostou daquilo.

I've become so numb
I can't feel you there
Become so tired
So much more aware
I'm becoming this
All I want to do
Is be more like me
And be less like you

Karina, Pedro, Edgard, Dandara, Gael, Duca... Aos poucos a bailarina começou a distinguir os outros rostos presentes. Pareciam estar gostando, menos Ed, que parecia querer trucidar a garota. No fundo, ela já esperava por aquilo. Aquela música tinha uma letra forte, mas ela precisava daquilo. Se surpreendeu, porém, quando viu Bianca, sua inimiga número um, lhe olhando com... admiração. Talvez ninguém esperasse, que depois de tudo, ela seria capaz de fazer um show como aquele. Vocês realmente não me conhecem.

And I know
I may end up failing too
But I know
You were just like me
With someone disappointed in you

– Já chega! — Disse Ed. — Eu vou acabar com isso, e vai ser agora!

– Não vai porcaria nenhuma! — Revidou Dandara, puxando o amigo pelo braço e fazendo-o se sentar novamente.

– Mas isso é uma falta de respeito!

– Isso é um belo show, Edgard! Olha em volta... Tá todo mundo vidrado! Se eu fosse você, curtiria também, porque faz muito tempo que eu não vejo alguém dançando com tanta... alma. Você deveria estar orgulhoso da menina, e não chateando a gente com esses comentários! — Sem argumentos, Ed se acalmou novamente.

I've become so numb
I can't feel you there
I'm Become so tired
So much more aware
I'm becoming this
All I want to do
Is be more like me
And be less like you
I've become so numb I can't feel you there
(I'm tired of being what you want me to be)
I've become so numb I can't feel you there
(I'm tired of being what you want me to be)

Assim que terminou, Jade estava incrivelmente cansada e inacreditavelmente feliz. Parecia ter tirado um peso enorme das costas. Curvou-se enquanto o som dos aplausos inundavam seus ouvidos.

Depois de um bom tempo, quando o som tornou-se mais falhado, ela ergueu-se e viu toda a plateia em pé. Olhou para o fundo e encontrou Cobra sorrindo. Ele lhe mandou um beijo e ela foi em sua direção, deixando de lado o ritual de voltar ao camarim. Estava com uma saudade gigante e mataria ali mesmo, na frente de todos os incrédulos presentes, assumindo seu compromisso com o lutador.

Quando estava no meio do caminho, porém, alguém a pegou firme pelo braço. Ela virou-se e viu a raiva nos olhos do Thawik.

– Onde você pensa que vai, gata? — Perguntou, enquanto a puxava para fora da Ribalta.

Notas finais
Comentem!