Were you really surprised? - Cobrade
48 Capítulo 48
Notas iniciais
– Isso quer dizer que ela vai... morrer?
– Não posso lhe afirmar nada, Ricardo, porque eu não sou médica, mas a informação que nos foi dada é que o quadro dela não é nada bom. Até porque o hospital que a Alice está internada não é dos melhores, devido a condição financeira da Casa. – Confessou a assistente social, constrangida.
– Eu pago. – Movido sabe Deus pelo que, Cobra agiu no impulso. – Eu pago o melhor hospital dessa cidade. Se acontecer alguma coisa com ela, que não seja por falta de tratamento. – Disse ele, com convicção.
– O senhor tem certeza? – Perguntou a mulher, admirada.
– Absoluta.
***
Agora viria a parte mais difícil: contar para a Jade que a Alice estava internada em estado grave. Sozinho no apartamento, Cobra buscava em todos os lugares as palavras que contassem, da forma mais suave, que a pequena dos dois estava quase morrendo, porém as palavras fugiam. Juntava coragem para iniciar a ligação, mas a coragem também escapava. Convicto que seria melhor falar com a noiva antes que a Karina voltasse da Academia (e isso poderia acontecer a qualquer momento, pois já era tarde), o lutador resolveu fazer logo o sacrifício.
– Alô? – Disse uma voz sonolenta do outro lado.
Cobra estava tão atormentado que nem viu as horas passarem e esqueceu completamente da diferença entre os fusos. Se em Las Vegas era quase meia noite, no Brasil já era alta madrugada. Ah, Cobra! Que bela forma de acordar alguém!
– Oi, minha dama...
– Vagabundo, você tem noção de que horas são? – Indagou Jade, ameaçando ficar irritada. – Cobra, são quase cinco da manhã!
– Desculpa, Jade... Eu me esqueci completamente. – Ele não sabia nem por onde começar. – É que eu precisava falar com você urgente e...
– E não podia esperar o dia amanhecer? Fala sério, vagabundo! O que você tem na cabeça? – Cobra conseguia imaginar perfeitamente a Jade com o cabelo desgrenhado, passando a mão pelos olhos a fim de acordar, em tom de reprovação. Tão linda.
– Se eu esperasse o dia amanhecer, você ia me dizer para ter te contado antes. – Respondeu ele, procurando ganhar tempo.
– Cobra, fala logo! Tá me deixando preocupada. – Nitidamente, Jade estava mais alerta.
– Lembra da Alice?
– Claro. – Respondeu de pronto. – O que tem ela?
– Lembra que eu contei que tinha ligado pra Casa e tinham dito que ela tava indisposta?
– Cobra, vai direto ao ponto. O que aconteceu?
– A Alice tá com tuberculose, Jade. Ela tá internada em estado grave.
Cobra pode ouvir a respiração da noiva ficar mais pesada do outro lado da linha. Houve um longo instante de silêncio, antes do lutador começar a ficar realmente preocupado com o que poderia ter acontecido com a morena.
– Jade?! Jade, você tá aí?! Fala alguma coisa, pelo amor de Deus!
– Mas... Mas como?! – Foi a única coisa que a voz embargada pronunciou.
– Nem eu sei direito, Jade. Parece que foi quando ela foi visitar uma ex-vizinha na qual ela era muito apegada, e acabou adquirindo a doença por lá. No início, pensaram que não era nada demais, mas os sintomas acabaram aumentando e ela foi diagnosticada. – E Cobra finalmente despejou seu discurso decorado.
– Mas tuberculose tem cura! Não é tão sério assim! – Argumentou Jade, tentando se convencer.
– Parece que não no caso dela. Não entendo muito dessas coisas, dama, mas a Alice é criança e tem defesa baixa. O quadro fica pior ainda quando ela é diagnosticada tanto tempo depois.
– Ela vai... morrer? – Ela perguntou, segurando o choro.
– Eu também fiz essa pergunta, Jade. – Iniciou Cobra, depois de um instante de silêncio. – Me disseram que tudo pode acontecer, mas que o caso é sério.
O lutador ouviu algumas fungadas e seu peito apertou. As lágrimas vinham aos seus olhos, mas ele lutava contra elas. Tinha que ser forte. Sua dama precisava dele inteiro.
– Vagabundo, eu tô indo pra aí. A gente se encontra no hospital. – Afirmou a morena, com voz inacreditavelmente firme.
– Como assim? Você não tá do outro lado da rua, Jade, você tá em outro continente! – Lembrou ele. – Não pode simplesmente pegar um avião e vir pra Las Vegas!
– Por que não? – Perguntou ela, deixando Cobra sem resposta.
– Mas... Mas e o Enem? E os teus estudos? Minha dama, é o seu futuro que tá em jogo!
– Não interessa, Cobra! Caso você ainda não tenha percebido, a ALICE PODE MORRER! – Gritou ela, novamente explodindo em um choro nervoso. Ah, se ele pudesse abraçá-la... Mas não podia. – Por isso eu não ligo pro Enem! Eu vejo depois o que vou fazer com o meu futuro! Eu quero pelo menos ver a Alice, Cobra. Dizer o quanto ela é importante pra mim. Eu preciso disso, vagabundo. – Encerrou ela.
– Nos vemos no hospital, minha dama. – Concluiu Cobra, desligando a ligação.
Quando viu a tela ficar preta, deixou as lágrimas lavarem seu rosto.
***
Eram quase oito horas da noite do dia seguinte e Jade estava pra chegar. Havia pego o primeiro avião para Las Vegas naquela manhã e, como combinado, Cobra estava no hospital, esperando por ela.
Ficou alguns instantes sem fazer nada na recepção. Péssima ideia.
Começou a pensar na Alice. Poucos haviam sido os momentos dos dois, porém marcantes e intensos. Lembrou-se da mão pequena e delicada da menina, entrelaçada na sua, durante a apresentação da Jade. Lembrou-se do olhar encantado da Alice, admirando a dança da sua dama, e admitiu que não poderia julgá-la, já que provavelmente estava do mesmo jeito. O riso fácil, as respostas afiadas. Certamente, quem conhecia a pequena jamais a esquecia. Menos aquele homem que quase foi o seu pai. Só de pensar na frieza com que ele poderia tratar a Alice, Cobra sentia uma pontada de raiva. Com certeza, se fosse pai da menina, ela seria tratada como uma princesa.
– Com licença, senhor. Posso lhe ajudar em algo? – Perguntou a atendente, com um sorriso gentil. – Faz um bom tempo que vejo o senhor parado aí. Gostaria de informações sobre um paciente em especial?
– Uhm... É, pode ser. – Realmente, ficar sem fazer nada já estava ficando feio. – Alice... Alice Baker. Ela pode receber visitas?
A atendente passou os olhos por alguns prontuários. Depois de alguns instantes analisando o quadro da paciente, ela respondeu:
– Pode, as visitas foram liberadas hoje a tarde. A Alice ainda está acordada, então não há problemas. Siga por aquele corredor e dobre a direita, quarto 301.
– Obrigado. – Agradeceu Cobra, de longe, pois assim que recebeu as instruções foi na direção que a atendente deu.
Ao chegar na frente do quarto 301, o lutador ficou receoso. E se ela não tivesse esperando visitas? E se ficasse surpresa demais? E se ela não quisesse que ninguém a visse daquele jeito? Vaidosa do jeito que era, Cobra não duvidava nem um pouco dessa última hipótese. Mesmo assim, respirou fundo e levou a mão na maçaneta.
Tomou um susto ao ver as condições da menina. Tubos auxiliavam na sua respiração, enquanto medicamentos eram injetados direto na veia. Seus braços estavam mais finos em consequência dos quilos perdidos. O olhar vago perdido na televisão em frente ao leito aumentava ainda mais o clima pesado da cena. Ao ouvir os passos dentro do quarto, Alice nem virou o rosto para ver quem era.
– Tia, eu já disse que não quero comer. Essa comida é tão... Tão... Argh! – Disse ela, fazendo uma careta.
– Mas a tia aqui não veio para isso. – Afirmou Cobra, um pouco mais nervoso do que gostaria.
– Tio Ricardo? – Ela olhou, surpresa. – O que você tá fazendo aqui?
– Oras, o que eu poderia fazer? – Ele sorriu, chegando mais perto da maca. – Eu vim te ver, pequena.
– Verdade? Quer dizer... Você veio só pra me ver? – Ele afirmou. – Nossa...
– Por que o espanto, Alice? É isso que as pessoas fazem. — Quando as outras estão quase morrendo, Cobra se segurou para dizer.
– Não as pessoas que eu conheço. – Revidou ela, com tristeza na voz. – Você é a primeira visita que eu tenho, tio.
– Não, Alice, não é assim... – Começou ele, nocauteado pela lágrima que escorria pela bochecha da menina. – A atendente me falou que só hoje de tarde as suas visitas foram liberadas. Tenho certeza que daqui há pouco chega mais gente pra te ver.
– “Mais gente” quem, tio? Eu sou sozinha no mundo. – Lamentava ela. Sem revolta, sem angustia. Só aceitação. – Minha mamãe foi pro céu, meu pai me abandonou. As tias da Casa tem muitas outras criancinhas para cuidar. Eu não tenho ninguém por mim, tio Ricardo.
– Você tem à mim. Você tem a Jade. – Ele sorriu, nervoso. Nunca sabia o que falar. – Com a gente do teu lado, pequena, você nunca vai tá sozinha.
– E cadê a tia Jade agora? Não tô vendo ela. – Perguntou ela, triste.
– A tia Jade tá voando pra cá. – Ele contou e viu um sorriso discreto brotar no rosto da menina. – Ela largou os es... – Lembrando-se da mentira da morena, Cobra improvisou: — Espetáculos da turnê pra vir te ver quando soube do que estava acontecendo.
Ele a viu enxugar as lágrimas e abrir um sorriso sincero. Acontecesse o que acontecesse depois, aquilo já valia a visita.
– Você é muito especial, pequena. Não esquece disso. – Pediu ele, acariciando delicadamente as bochechas da menina, cuidando para não encostar nos tubos. – Você parece comigo, sabe?
– Com você? – Ela ameaçou uma risada. – Desde quando eu pareço um menino, tio Ricardo?
– Não, Alice! – Ele riu. – Não nesse sentido. Quer dizer, você é uma guerreira, forte e decidida. Uma sobrevivente. Eu me orgulho muito de você, pequena.
– Sabe... Você é um cara bem legal. E lindo. – Ela disse, simples e direta. – Eu ia gostar bastante se você fosse meu pai.
– Eu também, Alice. — Concordou ele, emocionado. – Eu também.
***
– Cadê a Alice, Cobra?! – Foi a primeira coisa que Jade perguntou, ao entrar praticamente correndo pela sala de espera.
– Jade, eu preciso que você se acalme... – Tentou ele, sendo ignorado pela noiva.
– Moça, qual o quarto da Alice... – Pediu a Jade no balcão de atendimento. – Cobra, qual o sobrenome da Alice?!
– Baker, Jade, Baker... – Disse ele, enquanto buscava a noiva e a trazia pelo braço até um canto da sala de espera.
– Para, Cobra! Tá pensando o que?! – Indagou ela, estressada.
E o lutador não tirava a razão. Afinal, tinha dormido pouco, enfrentado uma viagem enorme e ainda estava extremamente preocupada com a Alice. Mas pelo menos estava ali, perto dele. Antes que ela despejasse outros mil xingamentos, Cobra a abraçou forte. Ah, como era bom tê-la ali, tão perto! Sentir o cheiro dos cabelos, a maciez da pele. Poder sentir o batimento acelerado do coração da morena contra seu peito. Por um instante, todos os problemas ficaram de lado. Mas apenas por um instante.
– Eu não sei se aguento, vagabundo... – Choramingou Jade, ainda aninhada nos braços do lutador.
– Como assim, Jade? – Perguntou ele, abraçando-a mais forte.
– Perder mais alguém importante. – Ela travou, impedida pelas lágrimas de continuar. – Você sabe... É difícil...
– É muito difícil, dama, eu sei. – Ele concordou, tentando a todo custo parecer inteiro. – Mas pensa comigo... A Alice precisa do nosso apoio agora. Não adianta entrar no quarto se for pra ficar chorando na volta dela. Eu sei que você consegue, Jade.
Ela olhou para os olhos dele, amedrontada. Ali sabia que podia buscar força, tranquilidade e coragem enfrentar o que viesse pela frente. E não foi diferente daquela vez.
– Então me diz qual a situação... Preciso estar preparada, não é? – Concluiu ela, limpando o rosto.
– Na verdade, eu não sei. – Confessou Cobra. – O médico ficou de aparecer por aqui daq... Ali tá ele!
– Oi, doutor! – Cumprimentou Jade, sendo seguida pelo Cobra.
– Olá! Vocês são...? – Perguntou ele, confuso.
– Os responsáveis pela Alice Baker no momento. – Afirmou o lutador, sem pensar duas vezes, deixando a noiva surpresa. – Nós queríamos um pouco mais de informações sobre a doença, sobre o estado dela...
– Ah, claro! – Concordou o médico. – Como vocês sabem, a tuberculose foi uma doença que causou muitas mortes antigamente. Nos dias atuais, ela não deveria ser tão grave como é no caso da Alice, mas uma série de fatores contribuiu para isso e essa parte eu explico depois. Bom, a tuberculose é uma doença que atinge os pulmões, causando, como no caso da Alice, tosse seca e com sangue, dificuldade ao respirar, fraqueza, emagrecimento acentuado, dentre uma série de outras características.
– Certo, doutor, mas o que exatamente faz do caso da Alice algo tão sério? – Perguntou Jade, sem muita paciência para toda aquela baboseira médica.
– A Alice é uma criança. O sistema imunológico dela ainda está em formação e como ela ainda não tinha tido contato com esse tipo de bactéria, a infecção ocorreu de forma bastante natural. Como vocês sabem, ela contraiu a doença enquanto visitava uma ex-vizinha. As condições eram precárias, muitas pessoas aglomeradas, enfim, um ambiente perfeito para a contaminação. A Alice voltou para a casa com os sintomas brandos e acabou passando despercebido o contágio. Acreditavam que era uma virose a princípio, ou qualquer outro tipo de infecção. Foi apenas quando os sintomas ficaram mais pesados que ela foi diagnosticada corretamente. O problema é que já era um pouco tarde e a infecção estava bem avançada. Estamos fazendo o possível, mas não podemos garantir nada por enquanto.
Depois do fim do discurso, um silêncio pesado pairou entre os três. Nem o Cobra e muito menos a Jade sabiam o que dizer, então coube ao médico encerrar o assunto:
– O que vocês precisam no momento é passar segurança para a Alice. – Ele disse, experiente. – E, principalmente, sejam fortes. Agora eu preciso ir. Um de vocês pode visitar a menina, mas por favor, não deixem ela agitada demais.
Assim que ele virou as costas, Jade respirou fundo, ganhou um selinho do vagabundo e foi até o balcão de informações saber qual era o quarto. Agora era a sua vez.
***
– Ei, pequena! – Falou Jade, sorrindo, assim que entrou no quarto. – Como vai essa menininha?
– Tia Jade!! – Comemorou Alice, sorrindo. – Nem acredito que você largou a turnê pra vir me ver!
– Ah, claro! A turnê... Bom, tinha quem me substituísse. E você é bem mais importante que qualquer apresentação que eu faça, Alice. – Afirmou ela, confiante, enquanto se aproximava da maca em passos firmes. Nem parecia a mesma jovem assustada que chegou no hospital. Realmente, aquela capacidade de domar os sentimentos era de alguém que nasceu para trabalhar na área da saúde.
A menina ficou quieta diante da demonstração de carinho. Depois que a mãe faleceu, raramente recebia um apoio mais íntimo de alguém.
– Tia Jade, posso te fazer uma pergunta?
– Claro, meu amor. – Ela disse, recostando-se na maca e segurando a mão da Alice. – O que você quer saber?
– Eu vou encontrar minha mãe no céu? – Perguntou ela, inocentemente.
Se para os adultos, o tabu da morte já é complicado, mais ainda para as crianças, das quais tudo é escondido. A cabeça da menina estava confusa, mal sabia porque estava ali, cheia de máquinas piscando ao redor, com “canudinhos” no nariz e agulhas nos braços e a maior parte do tempo isolada em um quarto, para não correr o risco de infectar alguém. Ela só sabia que não gostava nada daquilo.
Já a Jade foi pega de surpresa. Aquela pergunta destruiu toda a fortaleza que ela tinha construído e tocou fundo nos seus sentimentos. Por que todos tinham que ir embora? Seria tão mais fácil se os seres humanos fossem eternos.
– Olha, Alice... Eu sinceramente não sei. – Jade suspirou, sendo acompanhada atentamente pelo olhar da menina. Com voz embargada, ela continuou: — Às vezes isso acontece, sabe? As coisas simplesmente fogem do controle e a gente não sabe o que vem depois. Mas o que eu sei, pequena, é que eu quero que você fique bem. Não sei como, não sei onde, mas eu preciso disso. Eu queria muito te ensinar todos os passos de balé que eu sei, queria te ensinar a falar português, queria tantas coisas, mas se for melhor pra você... – Ela parou, antes de começar a chorar. – Eu tenho certeza que a sua mãe guardou um lugar muito especial pra você, bem do ladinho dela.
– Eu sinto falta da minha mãe... – Ela comentou, triste.
– E eu da minha. E vou sentir de você, caso você for pra lá com ela. – Em um descuido, Jade deixou uma lágrima cair.
– Não, tia Jade, não chora! – Alice implorou. – Eu não queria fazer você chorar, só queria saber mesmo, porque se eu for encontrar minha mãe... Tudo bem. Eu fico feliz. Se eu for ficar aqui, tudo bem também, porque eu vou ter você, o tio Ricardo. Sabia que ele disse que enquanto eu tivesse vocês dois, eu nunca ia tá sozinha? – Perguntou ela, sorrindo honestamente.
– Ele tem toda razão, Alice. – Disse a morena, enxugando as lágrimas. – A tia Jade que é uma boba. Então você não tá com medo disso tudo que tá acontecendo?
– Eu nem sei direito o que tá acontecendo, tia Jade! Só sei que tem alguma coisa que não tá muito certa. – Alice riu. – Mas tudo bem mesmo, não tô nervosa. Vocês dois me passam uma segurança tão grande... Não sei, mas eu sinto como se não precisasse ter medo de nada quando vocês estão comigo. Acho que eu amo vocês de verdade. – Concluiu ela.
Jade sorriu, quase chorando e incapaz de responder o que quer que fosse. Antes que pudesse se conter, abraçou a pequena com força. Parecia que uma parte da sua vida estava ali, em jogo. Talvez estivesse.
***
De volta a sala de espera, Jade estava completamente atordoada. Chegou em silêncio, sentou-se em um dos sofás e apenas juntou fechou os olhos para iniciar sua prece, depois de ouvir ao longe o médico dizer a Cobra que talvez a menina não passasse daquela noite.
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