A viagem durou 5 horas, e quando chegamos no hotel já era de noite, com os quartos distribuídos nos separando indo cada uma para o seu lugar.

Janaina, era a garota que iria ficar comigo, “era” pois logo que entramos ela me disse que se não contássemos a ninguém ela passaria as noites com suas outras amigas e garotos, e eu teria o quarto somente para mim durante os dez dias.

—Topo

Eu disse.

—Então vou esperar de noite, quando não tiver ninguém nos corredores, para levar as minhas coisas.

Ela sussurrou.

—Tudo bem, mas não precisa sussurrar.

Eu disse sorrindo educadamente.

E então ela saiu, e eu me deitei na cama e dormi por algumas horas.

Até eu escutar a porta abrir e fechar, me levantei assustada e liguei o abajur que ficava ao lado da cama, Janaina colocou o dedo indicados nos lábios e disse “Shhh” pegou as suas coisas e saiu, de novo.

Olhei a hora no celular e indicava 2:30 da madrugada — sim eu tenho problemas como dormir de mais, ótima técnica para se livrar de dramas e problemas mais sérios – Eduardo e Gabriel teriam me mandado mensagens se estivessem acordados, mas a única coisa que tinha eram algumas chamadas perdidas da minha mãe.

Ela disse para ligar quando chegasse, mas decidi que não, eu precisava de um tempo.

Minha relação com ela não era ruim, mas era sufocante o suficiente para que Gabriel, Eduardo e Duda tivessem que aguentar meus ataques de raiva de vez em quando.

Basicamente ela me amava, eu queria um pouco de liberdade, nós conversávamos sobre isso até ela dizer “ mas eu te dou tudo, nada falta para você”, e eu tentava delicadamente explicar para ela que o que eu precisava não era algo material, só que no fim eu nunca conseguia e então eu fingia que estava tudo bem, até encontrar as minhas partes e elas me aguentarem chorando e explicando repetidamente que minha simplesmente ignorava o fato de eu estar precisando de algo que nem eu entendia o que era, e então eles me abraçavam até eu parar de falar e chorar.

Quando o relógio me mostrou que eram 3:40 da manhã e eu entendi que não conseguiria dormir, decidi tomar um banho e me preparar para o primeiro dia da “grande viagem e bla bla bla”.

...

8:00 Batidas na porta, e antes mesmo de eu me virar para abri-la Gabriel e Eduardo já estavam se jogando na minha cama.

—Vem aqui.

Gabriel falou alto me puxando pela cintura me jogando em cima deles.

—O que que é isso?

Eu perguntei no meio das risadas, me deitando no peito de Eduardo.

—Vimos a Janaina sair do quarto, pensamos que ela ficaria aqui com você...

Começou Eduardo.

—Então ela disse que você estaria aqui, e pediu segredo...

—Vimos ela saindo do quarto de um cara lá, não importa

—Então... quais são os planos para hoje?

Perguntei, torcendo para que eles tivessem alguma ideia.

Estamos pensando em sair para fotografar, e no fim da tarde esperar o pôr do sol, Gabriel disse que conhece um lugar incrível.

—Meu Deus! Vocês são os melhores sabiam disso!

Eu disse.

—Mas agora, levantem-se, quero arrumar a cama.

Eu disse me ajoelhando.

—O que?

—Ninguém arruma cama de hotel, Lua.

Eles protestaram.

—Bom, eu arrumo! Podem esperar naquele sofá ali.

Disse apontando para o sofá no canto do quarto.

—Ei! Eu tenho uma ideia, isso vai ser especial.

Eduardo chamou.

—O que?

— Tatuagens, aqui deve ter algum lugar, nossa primeira viagem juntos, nossa primeira tatuagem juntos...

—Não estamos completos...

Gabriel pegou a foto que estava nas minhas coisas, a foto que tinha as outras três pessoas mais importantes para mim.

—Eu sei..., mas ela iria gostar, tenho certeza que ela fara alguma coisa assim em Londres.