We're not broken
2 1000 years of drama
Notas iniciais
Katherine estava fora de Mystic Falls e do radar do híbrido Klaus há mais de dois anos, portanto tinha convicção de que tinha escapado de toda a loucura que seus 500 anos de existência tinham sido.
Ela estava tentando deixar de lado sua parte desconfiada e se estabelecia em New York. Lá passava-se por humana tranquilamente e raros eram os dias que precisava compelir um humano a esquecer sua existência. Aquela era a vida que sempre sonhou, longe das fugas e da instabilidade que estava acostumada quando não um, mas dois irmãos Mikaelson pareciam querer sua cabeça.
A mulher acordou com o celular vibrando em sua cabeceira, espreguiçou-se em seu colchão, praguejando mentalmente por ser acordada tão cedo, esticou o braço na direção do telefone e o trouxe para seu campo de visão.
Um suave calafrio percorreu seu corpo quando ela viu o nome conhecido em seu identificador de chamadas. Aquela pequena ligação foi suficiente para trazer a velha Katherine de volta a vida. Todos os medos e inseguranças. Ela rejeitou a ligação, considerando no mesmo instante jogar o aparelho janela abaixo.
― Está tudo bem? – a voz do homem com quem partilhava a cama há três meses soou ao seu lado e ela virou-se para ele com uma escolha em mente. – Era o seu chefe?
Ela acariciou o rosto do rapaz de olhos verdes e barba por fazer, lamentando-se internamente pela escolha que tinha feito. Logo disfarçou sua cólera com a expressão de superioridade que sabia encenar como ninguém.
― Você vai esquecer os últimos meses comigo, esquecerá que me conheceu. Quando sair deste prédio, tudo o que vai se lembrar é que passou uma noite agradável com uma mulher qualquer. Não saberá como chegou aqui e esquecerá o número do meu apartamento.
O homem levantou-se de cama no segundo seguinte e pescou as peças de roupas que estavam espalhadas pelo quarto, vestindo-as apressadamente. Saiu do pequeno apartamento, que mais parecia um estúdio e, assim que atingiu a rua, esqueceu-se completamente de todas as memórias que envolviam Katherine.
Seu celular tocou em seu bolso e ele atendeu.
― Desculpe o atraso, Joe. Estou a caminho – ele desculpou-se com seu gerente e melhor amigo. – Estou saindo da casa de uma mulher que conheci ontem a noite, foi agradável, mas mal consigo lembrar do nome dela.
Novamente, o celular de Katherine tocou. Ela se levantou da cama e correu na direção da janela, rápida feito o vento. Esticou o braço para fora, ameaçando soltar o aparelho, mas então pensou melhor. Não necessariamente aquilo era uma ameaça, poderia ser o começo de uma grande aliança, onde ela não tinha que esconder o que era. Afinal, já estava desejando arrancar os olhos do imbecil que chamava de chefe.
― Não lhe disseram que é pouco educado acordar uma dama antes das onze? – ela atendeu teatralmente, disfarçando o medo na voz e convencendo-se de que não trocar de número foi a melhor escolha.
― Você não é nenhuma dama – a voz do outro lado da linha soou irreconhecivelmente cortante. Ela quase se encolheu. – Preciso conversar com você, onde posso encontrá-la?
Katherine demorou a responder. Tentava prever o assunto da conversa, já que em sua opinião não devia mais nada aquele homem. Suspirou e respondeu confiantemente:
― O que você quer? Não sei se tenho espaço em minha agenda pra você.
― Então encontre um espaço. É importante.
― Que seja. Podemos nos encontrar no Hard Rock – disse ela, sentindo-se estúpida no segundo seguinte, quando ele soltou uma risada debochada. Tinha sido previsível em sua escolha.
― Um local público, sempre cheio de turistas, em NY? Você já foi mais difícil de se encontrar, Katerina.
― E você já foi um homem mais gentil, Elijah. Nos vemos hoje, às oito.
×××
Elijah sorriu triunfante, sua ideia tinha dado certo. Desligou o celular e apressou os passos na direção da saída de sua casa, mas foi interrompido por Klaus.
― Conseguiu encontrá-la?
― Estou a caminho de nosso encontro, irmão. Se me der licença – o vampiro fez menção de esquivar-se do irmão mais novo, mas este o deteve, segurando-o pelo braço.
― Não ouse pensar que esta é a sua chance de se redimir por Tatia – Klaus praticamente rugiu.
Elijah esquivou-se das mãos de Klaus com uma delicadeza impaciente, ajeitou a manga de seu terno e lançou ao irmão um olhar carregado por um alerta mudo. Nos últimos tempos, o relacionamento fraterno dos dois andava por um fio e, aparentemente, nenhum dos dois conseguia explicar o motivo de toda aquela hostilidade.
― Eu sugiro que você dê um passo para trás, Niklaus – Elijah finalmente verbalizou o aviso. Klaus afastou-se com as mãos para o alto, em sinal de rendimento.
― Quem cuidará de Hope enquanto você vai a este encontro patético?
― Acredito que esteja na hora de você se relacionar com sua filha, Klaus. Logo ela chamará a mim de pai, assim como Hayley me colocou em seu lugar.
As palavras ácidas de Elijah provocaram uma rápida erupção de fúria em Klaus. O híbrido rosnou audivelmente, o aspecto de seus olhos mudou sombria e rapidamente e ele exibiu os caninos ao irmão mais velho, que não recuou.
Elijah estava farto de baixar sua cabeça para Klaus e seus desejos imperiais, desde o casamento de Hayley andava impaciente e sua personalidade mais bestial aflorava com mais frequência. Perdera mulheres demais para satisfazer as vontades do irmão e prometera a si mesmo que isto não aconteceria uma quarta vez.
― Rapazes, vamos nos acalmar! – a voz de Rebekah soou um pouco aflita e seus olhos denunciaram sua desaprovação quando ela colocou-se entre os dois. – Não me obriguem a separá-los a força.
Os dois deram um passo para trás e Klaus os deixou no minuto seguinte, dando a oportunidade que Rebekah desejava para perguntar o que estava acontecendo entre os dois.
― Estou farto de satisfazer tudo o que ele deseja, Bekah – confessou o irmão mais velho, com certo pesar. – Eu cuido e protejo Hope praticamente o tempo inteiro desde que ela retornou, enquanto ele, que é o pai da criança, vive ocupado demais para sequer visitá-la.
― Agora você tem a chance de se afastar, pelo menos por um dia. Vá e use esse tempo para pensar, Elijah – Rebekah respondeu, olhando de relance para a cozinha de onde tinha certeza que Kol bisbilhotava a conversa.
― Eu tenho pensado muito ultimamente – ele respondeu de má vontade e saiu com pressa, sem dar chances para que ela tentasse dizer algo.
Rebekah fez um gesto negativo com a cabeça, observando o elo entre Elijah e Klaus fragilizar-se a cada dia mais. Ao passo que o híbrido conseguia a coroa que desejava, perdia o irmão mais velho no processo. O único que nunca o abandonou, agora parecia mais do que disposto a fazê-lo.
― Kol, já pode parar de ouvir agora. Seu bastardo fofoqueiro!
― Desculpe, irmã. Você sabe como eu adoro um drama familiar – brincou o bruxo, fazendo sua voz soar alta da cozinha.
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