We're Not Alone
1 Capítulo 1
– Acorda de uma vez Thomas – grita meu irmão de cinco anos enquanto ricocheteia pelas paredes com seu, precoce, legado de anti-gravidade.
Acordo pronto para xinga-lo em um primeiro momento, entretanto um segundo depois percebo o motivo pelo qual ele me acordou. Enfim chegou o dia pelo qual esperei minha vida inteira, hoje finalmente vou entrar para a Academia de Defesa de Nova Lorien. Me levanto da cama em um pulo e vou até a janela enquanto Lucas sai do meu quarto pulando pelos outros cômodos da casa, assim que chego na janela e abro as cortinas uma luz intensa banha o quarto e me faz cerrar os olhos por um instante, vejo o céu azul e completamente sem nuvens resplandecendo a minha frente. O sol brilha intensamente no céu dando ao dia um ar tranquilo por mais que meu estado atual seja de completa ansiedade. Depois de uns cinco minutos enfim olho no relógio, mas vejo que ainda falta uma hora para o ônibus da Academia passar aqui em casa, então tranquilamente vou ate a parede e desenho com o dedo o símbolo o símbolo Lórico para guarda roupas. Uma porta se abre na parede e vejo que Pilha – meu chimæra que tem tendência a permanecer na forma de um gato gordo – está dormindo em cima das poucas roupas que deixei guardadas , já que a maioria delas está dividida entre duas malas que arrumei na noite anterior. Me pergunto a quanto tempo ele está ali mas de pressa vejo que é inútil, apenas o ponho pro lado com minha telecinese e pego a roupa que vou usar, tiro-o dali antes de fechar a porta e assim que eu o ponho no chão ele me olha com uma mescla de tédio e preguiça no rosto. Demoro cerca de meia hora no banho e assim que me visto desço as escadas e vou pra cozinha, meus pais e Lucas já estão tomando café, Lucas ainda está eufórico e vejo minha mãe tentando acalma-lo, enquanto meu pai lê o jornal em meio a goles de café. Tudo parece normal até eu chegar na mesa, os três me dão bom dia em uníssono o que nos faz rir, me sirvo de café e o único assunto abordado depois de minha chegada é a iminente ida para a Academia, vejo que todos estão felizes e orgulhos ao mesmo tempo e vê-los daquele modo me faz pensar em como as coisas serão diferentes sem eles nos próximos cinco anos, enquanto eu estiver fora. Penso nos inúmeros momentos bons que vivi com eles até ali mas penso em especial em Lucas, eu e ele somos muito ligados e me dou conta de que não vou estar do seu lado quando seus próximos legados aparecerem, isso me entristece por um instante mas não deixo transparecer com o intuito de manter o clima agradável. O tempo passa depressa e de repente ouço a buzina do ônibus em frente à casa, me despeço depressa deles exceto por meu irmão que me abraça eternamente, quando me larga vejo que ele soluça em meio às lágrimas que caem em abundância sob seu rosto, impedindo que ele diga qualquer coisa. Aquilo é como um soco no estômago, mas sorrio tentando reconforta-lo. – Daqui a pouco eu vou estar de volta, maninho – digo com tom tranquilo, então saio carregando minhas malas e tendo Pilha como rastro. Assim que entro no ônibus ouço alguns "finalmente" mas ignoro, sigo até o ultimo banco que pelo visto é o único que ainda tem lugar e sento do lado de um garoto um pouco pálido, magro,seu cabelo é loiro e curto, olhos castanhos e algumas peças do que parece ser de um robô um tanto quanto precário em seu colo. O Garde está com a cabeça baixa o que lhe dá um ar de timidez . Assim que me sento, meu chimæra , que estava em forma de uma formiga, volta a ser o tradicional gato gordo e deita no meu colo ronronando. – Meu nome é Noah – diz o garoto do robô, com voz nervosa, estendendo a mão, na espera que eu o cumprimente. –Prazer, Thoams — digo retribuindo o gesto e apertando sua mão. – Esse é seu primeiro ano ? Porque é meu primeiro ano – continua ele atropelando as palavras. – Sim – digo rindo um pouco, Noah ri também e parece um pouco aliviado com minha resposta – O que está montando ? – pergunto vendo se minha primeira impressão foi correta. – Um dia vai ser um robô, quais serão suas funções ainda são uma incógnita até pra mim – responde ele visivelmente mais descontraído – Mas eu perdi uma peça, então ele vai ficar pra depois – continua com um quê de decepção na voz. – Você tem uma foto ou desenho da peça ? – pergunto tentando ser útil, ele afirma e me entrega um caderno pequeno, tomado de desenhos, então aponta pro esboço da peça. Mentalizo o metal frio tocando minha mão e os dentes da engrenagem que falta se formando no ar, então em uns dois segundos faço com que o ar se transforme na peça do esboço e a entrego pro Noah com um sorriso. – Nossa – diz ele um pouco surpreso – Que legado é esse ? – pergunta ele animado vendo que isso pode ajudá-lo com o que eu imagino ser um legado relacionado à tecnologia. – Eu consigo alterar e/ou moldar qualquer matéria que eu toque desde que não seja um ser vivo – explico pra ele vendo que ele realmente parece ter se interessado – E seus legados ? – Até agora domínio sob a tecnologia, criação de escudos e isso – no momento em e ele fala "isso", Noah ergue uma mão aberta com a palma pra cima e um cubo se forma com um tom de azul claro mas extremamente intenso, então ele dispara aquilo como um tiro no teto do ônibus e vejo que uma parte dele congela – Legal né ? – diz ele com um sorriso no rosto – E quanto aos seus ? – pergunta o garoto.
– Por enquanto além da telecinese o legado de matéria, controle da gravidade e domínio sob o tempo –falo com uma empolgação adicional no último então desacelero o tempo ao redor do ônibus e me escoro pra trás no banco para que ele veja pela janela – Legal né ? – digo imitando-o e desativo o legado. Noah ri e nós continuamos conversando, ele pergunta sobre o Pilha e então vejo que seu chimæra está dormindo em cima dos pés dele na forma de um furão. Continuamos conversando por mais um tempo, ele pede que eu faça mais algumas peças, mas após isso a viagem segue silenciosa por cerca de uma hora. No momento estamos em uma estrada que cruza uma enorme floresta, o que faz com que a única paisagem possível de ser vista pelas janelas seja uma imensidão verde. A maioria dos passageiros está dormindo, inclusive Noah e única coisa que impede que eu me junte a eles são pensamentos em relação à como as coisas vão ser daqui pra frente. Estou olhando pela janela, no entanto o que está passando pelos meus olhos não me chama atenção, estou em um espécie de transe, causado em parte pela reflexão sobre o futuro e também pelo sono, que me invade cada vez mais. O ônibus para. Eu estranho já que sei que ainda não chegamos... estranhar é a única coisa que tenho tempo de pensar, um segundo depois da parada repentina no meio da estrada uma explosão faz tudo ir aos ares. Em menos de um segundo já não há mais ônibus e as únicas coisas que vejo é Noah caído ao meu lado com um corte na cabeça e o fogo e a fumaça que se espalharam pela estrada, um zumbido altíssimo soa em meu ouvido, me deixando parcialmente desnorteado. Tento me levantar mas fraquejo vendo que um ferro, provavelmente vindo de um banco, está cravado na minha perda direita. Ponho a mão na barra de ferro e transformo-a em ar com meu legado, que de alguma forma consegui usar deixando apenas um buraco na minha panturrilha. O zumbido cessa assim como a desorientação, então começo a ouvir passos, tenho a esperança de que algum Garde esteja de pé, mas o que aparece em minha frente me deixa em pânico. Dezenas de mogs saem da floresta, em maioria mensageiros exceto por um Genaral que adentra a rua logo depois, em uma de suas mãos um espada mogadoriana e na outra paira um canhão que provavelmente foi o que causou a explosão . Em um sibilo o mog chefe ordena algo, então uma parte dos mensageiros se direciona cada um a um Garde diferente. Quando vejo um deles vindo na minha direção, acelero o tempo na região onde estou ferido até cicatrizar o furo, então transformo a fumaça ao redor da minha mão em uma atadura, e amarro-a no ferimento, agora só em carne viva, com a telecinese. Um impulso toma conta de mim e antes que o mog me toque faço com que uma espada de aço se materialize em minha mão e cravo-a no peito do branquelo, transformando-o em uma nuvem de pó no mesmo instante. Assim em que faço isso sinto como se tivesse assinado meu atestado de óbito. Todos os mensageiros focam em mim, então de pressa faço uma espada brotarna mão vazia e mato o mog em cima do Noah. O General apenas observa seus capangas tentando me matar e manda os que ainda estavam escondidos na floresta saírem tendo eu como alvo. Após matar uns seis mogs começa a ser difícil manter as espadas devido à dor de uns dois tiros que me acertaram e ao cansaço de manobrar as duas lâminas, que são incrivelmente pesadas. Os inimigos acertam mais tiros, e passo de resistência à um rato encurralado tentando a qualquer custo me defender de mais ataques, estou prestes a cair quando sinto as coisas esquentarem. Literalmente. Um pilar , que parece ser feito magma, emerge do chão e acaba com três mogs. Mais dois pilares surgem detonando outros deles. Não sei de onde está vindo isso mas a dose de esperança é ótima e me faz voltar a atacar. O magma continuam brotando do chão mas o que me chama a atenção agora é um garoto com cara de surfista que eletrocuta os magadorianos a cada soco. Só é possível vê-lo graças ao fato de que a fumaça já se dissipou, o que me permite ver também o responsável pelos pilares de magma, um garoto com boné verde virado para trás e com um brinco na orelha. O inimigo parece não acabar nunca, um deles tenta me atacar por trás, mas um gorila de quatro metros o esmaga com as mãos. Valeu Pilha, é a única coisa que penso naquele instante. Meu chimæra entra na luta junto comigo e os outros dois Gardes que pelo visto são os únicos além de mim em condições. A sensação que tenho é que que estamos virando a batalha, mas começo a perceber que as árvores da floresta estão virando cinzas. Em um instante é como se o mundo se desfizesse, engolido pela escuridão e tomado completamente por um silêncio sepulcral. A rua está limpa, sem destroços, chama ou qualquer Garde ou mog. As árvores continuam se desfazendo, no entanto, agora são apenas mais escuridão com um contorno branco delimitando sua forma. Olho imediatamente pro soldado e vejo que seu canhão brilha já apontado para mim emitindo um zunido elétrico a espada que já estava em sua mão agora está tomada por chamas que ardem em um tom de cinza chumbo cintilante. Seus olhos não são mais vazios e negros, eles estão tomados por um brilho vermelho intenso e só expressam ódio e pânico. Sinto como se correntes me segurassem neste mundo alternativo, não consigo me mexer e o Genaral acaba de disparar uma esfera branca carregada de energia do canhão. O projétil está se aproximando de pressa mas não consigo fazer nada, meus legados parecem estar enfraquecidos e ainda estou imóvel. A morte parece iminente até que sinto uma força enorme me invadir, enfim me mexo e paro completamente o tempo já com meus legados de volta. A primeira coisa que faço é sair da trajetória do tiro, então vou até o General. Assim que chego a sua frente uso minha telecinese para impedir que ele se mova, então faço com que o tempo passe absurdamente rápido pra ele e deixo que ao nosso redor o mesmo volte a passar normalmente. Rugas se formam no rosto do General, sinto seus músculos se atrofiando, seus ossos encolhendo e se tornando quebradiços, a armadura por baixo de seu sobretudo começa a enferrujar, em compensação gotas de suor brotam em minha testa e sinto alguns de meus nervos arderem devido o esforço. Percebo que o projétil finalmente tocou algo, já que sinto uma explosão enorme atrás de mim, e no mesmo momento que o estouro ecoa no mundo paralelo, a escuridão parece perder a estabilidade. O mundo real se alterna com o paralelo como se alguém mudasse o canal de uma TV freneticamente . O tempo do mog está prestes a acabar mas um rugido alto, vindo do que seria a floresta , tira minha atenção. No mesmo instante e Genaral se solta de minha telecinese e crava sua espada flamejante em minha barriga com uma gargalhada rouca devido à idade ele ficou após sofrer com meu legado. A dor é inexplicável, sinto a cerne ao redor do corte ser sugada e meus legados serem drenados pela lâmina da arma mogadoriana. Ele gira a arma dentro de meu corpo e tira rapidamente rasgando ainda mais meus órgãos. O branquelo dá um chute no meu peito que quebra umas duas costelas e me arremessa pra trás, então caminha até mim com cautela, ele calça a espada em minha garganta fazendo escorrer um fio de sangue e as chamas da arma quinam meu pescoço e parte do meu peito. Um sorriso de deboche invade o rosto do mogadoriano mostrando seus dentes podres. Ele ergue a espada com fúria no mesmo momento que as sombras se desfazem definitivamente. O General parece cansado e sem forças para sustentar a espada que paira sob sua cabeça. Uso a fraqueza do inimigo como uma brecha, antes que ele me execute uso meu legado para que a gravidade não haja sobre ele. A feição dele muda de guria e confiança para medo. O branquelo deixa de estar preso no chão e passa a flutuar, subindo cada vez mais. Sorrio por ter conseguido vencer mas também sinto meu corpo ficar frio. O sangue escorrer abundantemente do meu ferimento na barriga contratando com minha pela gelada, a cada inspiração sinto as costelas que estão quebradas, sinto uma fisgada no ferimento da minha panturrilha e só então me dou conta do quão idiota fui ao usar o tempo para cura-lo, se por acaso aquilo não tivesse sido curado no futuro eu só iria piorar as coisas. Mas isso não importa mais, fecho meus olhos esperando que não consiga abri-los novamente. Mas sou surpreendido. Sinto uma energia fria fluir no ferimento da minha barriga, percebo que ele começa a cicatrizar, então abro os olhos e vejo uma garota, suas mãos estão um pouco acima do meu ferimento e ela está com uma Xitharis – carregada com o legado de cura – na mão. A única coisa que consigo pensar quando a vejo é que é realmente muito bom ver que nem todos os Gardes que estavam na rua estão mortos.
Notas finais
Continuo ?
Comentem o que acharam ♥ !
PS.: Críticas construtivas :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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