Wendy & Peter
13 Brincando com Peter Pan
Notas iniciais
Quando Mary contou ao marido que encontrou um garoto perdido no quarto das crianças ele quase teve um infarto causado pelo susto da notícia, ela demorou a convencê-lo de que Peter era “inofensivo” e demorou ainda mais um pouco quando também o convenceu a acolher Peter na casa deles, pelo menos até eles encontrarem o lar dele ou alguém que possa adotá-lo. A parte mais difícil para Mary foi acalmar a babá Naná que quando chegou da folga de domingo e descobriu que Peter estava dormindo no quarto das crianças queria de todo jeito garantir que ele não fugisse mais, mas Mary também a muito custo conseguiu convencê-la a deixa-lo sozinho aquela noite e garantiu que ele não fugiria, pois ela tinha trancado muito bem as janelas e portas de toda casa e mostrou as chaves.
Naquela noite Wendy, Jonh e Michel dormiram no quarto dos pais e Mary pediu a todos que ninguém incomodasse Peter e que pela manhã todos poderiam conhecer ele. Todos concordaram e foram dormir, Mary trancou o quarto das crianças, mas deixou a chave em pendurada ao lado de fora da porta, afinal todos tinham concordado e ninguém tinha motivo para desfazer o acordo, mas naquela noite alguém não cumpriria o acordo e esse alguém foi a Wendy.
Wendy não conseguiu fechar os olhos pensando em como seria o garoto das fadas ela estava muito curiosa para saber como ele era, tanto que para controlar sua ansiedade foi à cozinha beber um pouco de leite para se acalmar e depois tentar dormir. Ao voltar para o quarto dos pais ela quando passou bem próxima a porta do seu quarto, curiosa pôs o ouvido na porta para tentar ouvir se algo estava acontecendo dentro e ela ouviu que ele estava acordado possivelmente pulando nas camas dela e de seus irmãos e sorrindo.
– Mas o que ele tá fazendo? — Wendy olhou para a chave e num impulso incontrolável a pegou e abriu a porta para surpreendê-lo, mas acabou que ela foi surpreendida quando viu Peter voando e dando cambalhotas no ar.
Quando Peter percebeu que alguém estava o observando voou de volta para cama de Wendy, se cobriu e começou a roncar e fingir que estava dormindo. Wendy riu, mas ficou pasma com a tamanha bagunça que ele fez em seu quarto todas as roupas dos irmãos e as dela também estavam espalhadas, ele tinha arrancado as plumas de quase todos os travesseiros e aberto quase todas as gavetas e portas das cômodas e dos guardas roupas, até o baú que Wendy ganhou do senhor Chapman com os utensílios para costura ele tinha mexido.
Wendy fechou a porta com cuidado foi até ele e disse. — Eu sei que você não está dormindo pare de fingir.
Peter saiu da cama e derrubou a Wendy no chão e voou ficando no teto de cabeça para baixo a encarando com cara de poucos amigos e depois perguntou. — Quem é você? Uma pirata feiosa?
Wendy ficou ofendida pela comparação e falou revoltada. — Eu não sou uma pirata feiosa, sou uma garota, mas antes de me perguntar qualquer coisa deve-me desculpas por ser tão rude comigo e sem se apresentar primeiro perguntar o meu nome, um cavalheiro de verdade não agiria como você fez.
Peter mordeu os lábios e voltou para o chão, ele então faz uma reverência e se apresenta. — Sou Peter Pan.
Wendy meio desconfiada também faz uma reverência e diz. — Sou Wendy Moira Angela Darling.
Peter fica confuso e pergunta. — São o seu nome e os de suas irmãs?
– Não seu bobo esse é o meu nome completo. — Wendy rir e diz. — O seu que é muito curto.
Peter nunca tinha pensado que o seu nome era muito curto, mas deixou isso de lado e falou. — Você é grande, você é uma mãe ou uma babá?
Wendy o olhou surpresa e disse – Eu não sou nem uma coisa e nem outra sou uma garota como você, só que estou crescendo rápido.
– Que azar o seu, eu nunca vou crescer, vou ser um menino para sempre, você que é boba de querer crescer.
Wendy cruza os braços dá as costas e diz — Eu não sou boba, só que não posso evitar me tornar uma mulher adulta, você é muito rude eu vou embora.
Peter voa sobre Wendy e fica na sua frente planando e tão perto dela que por um momento ela achou que ele iria beija-la. — Não vá fica comigo!
Wendy se vira e ele fica na frente dela outra vez e ela pergunta. — O que está fazendo?
– Desculpa Wendy uma garota como você vale mais que dez garotos e você não é feiosa é mais bonita que mil garotas.
Wendy fica corada e o empurra para longe dela e diz. — Está bem eu vou ficar. -Peter pousa no chão e curiosa ela pergunta. — Como consegue fazer isso?
– Fazer o que?
– Voar.
– É fácil eu penso em fazer isso e voo. — Peter fica um pouco acima do chão e pousa novamente.
– Mas como consegue voar? — Wendy se senta em frente a ele com os olhos fixos em Peter.
– Ah entendi precisa ter pensamentos felizes e também um pouco de pó mágico das fadas.
– E você conhece alguma fada?
– Sim a Sininho ela é a minha fada.
– E onde ela está Peter?
– Escondida aqui no quarto.
– Tem uma fada no meu quarto! Que estamos esperando vamos procura-la.
Wendy e Peter reviram ainda mais o quarto dela, ele em dado momento já tinha esquecido que procurava algo, mas Wendy acaba encontrando a Sininho dormindo profundamente em uma das gavetas da sua cômoda. Ao vê-la Wendy se recorda dela e lembra que a conhece desde pequena.
– Eu lembro-me de tudo agora, Sininho é você mesma? — Wendy a segura com toda delicadeza possível e maravilhada, mas a pequena fada continua dormindo e ela pergunta a Peter. — Ela está bem?
Ele a pega com uma das mãos e avalia. — Está dormindo, sininho tem um sono pesado as vezes. — Ele a sacode e um pouco de pó mágico sai dela caindo na outra mão de Peter que deixa Wendy chocada com que ele fez.
– O que você está fazendo com ela? — Wendy tenta pegar Sininho da mão de Peter, mas ele sopra o pó magico no rosto dela que fecha os olhos tentando desviar. — Para Peter.

– Wendy olha pra mim.
Ela abre os olhos e Peter joga Sininho em sua direção Wendy reage rápido e a pega e sem perceber começa a flutuar no ar com a pequena fada nas mãos.
– Viu é fácil!
– Meu Deus! Estou voando! Espera? Estou voando? — Wendy cai no chão protegendo Sininho com as duas mãos e depois do nada ela começa a rir feliz e começa a flutuar outra vez.
– É incrível Peter. — Ele flutua para perto dela e eles riem sem parar cada vez mais alto e subindo até perto do teto até que Peter para de rir ao ouvir passos lá fora do quarto, ele a puxa dizendo.
– Vem comigo. — Peter leva Wendy para cama dela e eles se deitam juntos embaixo dos cobertores, Wendy não reage fica completamente parada frente a frente com ele com o rosto todo corado. Alguém abre a porta do quarto e Wendy faz menção de dizer pra ele tomar cuidado com a Sininho que está entre eles, mas Peter põe uma das mãos sobre a boca dela pedindo silêncio deixando-a ainda mais envergonhada.
A pessoa dá uma volta no quarto e para em frente da cama que Peter e Wendy se deitaram eles se olham quase que sem respirar e Wendy pensa que vai ser descoberta e que vai ficar de castigo pelo resto da vida.
A pessoa que entrou aparentemente fica satisfeita com o que vê e sai do quarto fechando a porta atrás de si, Wendy respira aliviada e Peter rir, ele tira a mão da boca de Wendy e diz. — Nós ganhamos, ela não descobriu a gente.
Wendy pensa que jamais imaginou poder se deitar em sua cama tão perto de um garoto fora seus irmãos ela acaricia o rosto de Peter e diz. — Tenho que voltar para o quarto dos meus pais se eles descobrirem a gente aqui assim nos dois teremos problemas.
– Ele fica um pouco triste e diz. — Não quer ficar brincar mais comigo?
Wendy fica de coração partido, mas se levanta da cama, ela põe Sininho na gaveta da cômoda que encontrou dormindo e a fecha.
Peter se senta na cama e pergunta — Podemos brincar amanhã?
Wendy o deita na cama novamente e lhe dá um beijo de boa noite, ele começa a bocejar e ela responde. — Sim podemos brincar amanhã.
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