Weltschmerz

2 Capítulo 2 - Stars


Ouvi um barulho no corredor, e acabei acordando mais cedo do que pretendia. Lembrando sempre que levantar e acordar são coisas diferentes. Fiquei deitada e olhei para o teto, que refletia pontos de luz através da janela.

Estrelas. Estrelas na minha janela. A vista que não muda. Uma janela redonda ao invés de quadrada mostrava a paisagem constante do planeta Terra do lado de fora, girando lentamente no espaço.

Estava em minha cama, com um cobertor quente e uma gravidade diferenciada, num quarto de cinco metros quadrados, numa capsula espacial não muito maior que isso. Toda manhã igual.

Levanto para o café por uma voz eletrônica.

– Bom dia, o café está pronto. Vem comer senão esfria!

Vou até a cozinha quase flutuando, sem que meus sapatos sintam minha falta. Parcialmente acordada, no limiar entre sonho e realidade, sinto o cheiro do leite puro e não consigo tomá-lo de início. É difícil comer enquanto a alma não se adequou de volta ao corpo. Os pensamentos e o raciocínio chegam ainda mais atrasados.

Volto ao meu quarto e ponho meu traje. Roupa pesada de articulação difícil, gravidade esquisita. Deixo pegadas que não serão famosas de nenhuma maneira. Na porta termino vestindo o capacete de vidro espelhado que mostra não meu rosto, mas a imagem do vazio tanto de dentro quanto de fora.

Dizem que as estrelas só podem ser vistas enquanto ainda estamos no quarto, pois fora dele elas se apagam, se misturam com a multidão e é difícil reconhecê-las.

Meu capacete reflete um estranho. O capacete do estranho me reflete de volta. Ambos um vulto negro, quase invisível. Quem é você, estranho? Quem sou eu também? Vazio refletindo o vazio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.