Well, You Just Cant Tell
7 Cap. 7 – You’re a fuckin’ lier.
Notas iniciais
PDV Michelle
Acordei muito melhor no dia seguinte. Eu e Jeff fomos à aula, quer dizer, eu o arrastei para escola, isso que quem estava mal era eu. Chegamos na frente de minha sala e nos despedimos, ele seguiu para o terceiro andar, onde era sua sala. Quando olhei para o meu lugar, vi o menino irritante de cabeça baixa e camisa de mangas compridas, naquele verão que mais parecia um inferno. Sentei-me no meu lugar ao seu lado, esperando o professor.
– Olá turma! – falou nosso professor de sociologia, Jim, entrando na sala de aula, animado. – Hoje teremos algo diferente, já que é a primeira semana de aula... Vamos fazer um trabalho sobre o movimento anarquista, que ganhou importância no inicio dessa década. Esse trabalho vai ser feito em duplas, então, juntem-se com o seu colega do lado.
“Puta merda” – pensei, olhando para o lado. O ruivo não havia mexido um músculo, continuava de cabeça baixa. Todos se reuniram, menos a gente.
– Michelle? Não vão juntar? – perguntou o professor esperando por nós.
– Se ele resolver acordar, quem sabe? – falei grossa.
Foi quando tive uma surpresa, ele levantou o rosto e estava muito machucado, com um olho roxo. A raiva nos seus olhos era algo inexplicável. Parei de encará-lo pondo minha classe ao lado da sua. Fiquei um bom tempo olhando para o nada, em choque.
– O que aconteceu com você? – perguntei ainda olhando para o nada, mas ele não me respondeu. Tomei coragem para voltar o olhar para ele. – Eu falei com você.
– Não te interessa o que aconteceu comigo!
– Foi o Brian? – ele deu um sorrisinho no canto da boca.
– Foi...
– Vou matar ele! Vou matar!
– Ué, pensei que me odiasse... – disse irônico.
– E odeio. Não que o Brian possa te bater. Eu ficaria puta com ele se batesse em qualquer pessoa.
– Rá! Então você me odeia? – perguntou olhando para mim com raiva.
– Já não ficou obvio isso? – respondi indiferente.
– Tá, tá bom então, tuuuudo bem. – não entendia a irritação dele, como se isso fosse novidade pra ele. – Vamos começar a bosta desse trabalho? Provavelmente no final do ano vou precisar de nota.
– Problema é seu... – falei abrindo meu livro.
– Ainda vai matar o Brian? – a ironia dele me irritava.
– Eu não vou fazer esse trabalho por você, só avisando. – ele fechou a cara e abriu seu livro. Fiz todo o trabalho sozinha, mas deixei o nome dele, como uma pessoa muito legal e caridosa... Na verdade eu só queria me livrar logo dele.
Logo o sinal para o intervalo tocou, e encontrei Jeff já na porta de minha sala.
– Oi Mi!
– Oi Jeff! Espera, já te encontro. Tenho umas coisas para resolver agora.
– OK... – ele respondeu sem entender.
PDV Jeffrey
– OK... – respondi sem entender Michelle e fui ao encontro de Bill. – Porra! O que aconteceu? – perguntei assustado com os machucados no seu rosto.
– Onde está Michelle?
– Falou que ia resolver umas coisas e saiu... Achei muito estranho até. – ele deu uma risadinha estranha.
– Vamos... – disse se levantando – Não posso perder isso.
– O que está acontecendo? – perguntei enquanto Bill me arrastava para o pátio externo da escola, onde geralmente ficávamos. Ele não me respondeu, apenas sentamos perto de Brian e seu grupo. Logo vi Michelle no meio deles.
PDV Michelle
Fui ao encontro de Brian. Não podia deixar aquilo daquele jeito, daqui a pouco ele estaria batendo no Jeffrey, e isso eu não admitiria. Cheguei no meio do grupo e fui recebida com olhares maliciosos, como sempre. Brian botou seu braço ao redor de meu pescoço, mas o empurrei imediatamente.
– O que aconteceu lindinha? – perguntou com aquele sorriso idiota escondido nos lábios.
– Você quer saber o que aconteceu? Eu que deveria te perguntar o que aconteceu! Você é tão estúpido, tão canalha, infantil! Gente como você não merece o ar que respira!
– Eu falei para você ir lá em casa... A fila anda meu bem, eu transei com a Ashley sim. E aí? – o olhei incrédula. Não era nem ao menos isso que eu estava falando.
– Mais uma prova da sua estupidez! Eu não estou falando disso, porra!
– Adoro quando você fica irritadinha... – disse passando a mão em minha bunda. Não pensei duas vezes antes de dar um tapa na cara dele.
– Não encosta em mim! Nunca mais olha na minha cara! E se você encostar um dedo, eu disse UM DEDO, no Jeffrey, você está morto! Entendeu? MORTO!
– VOCÊ PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO?! – ele perguntou vindo para cima de mim, eu não recuei.
Quando ele levantou a mão para mim, duas pessoas vieram para cima dele. Não pude distinguir muito bem na hora, mas depois vi quem se tratava. Era Jeff e o menino ruivo. Entrei em desespero no mesmo momento.
– PAREM! JEFFREY! PARA! MANDA O RUIVO PARAR! Puta merda!
[...]
Os dois estavam esperando no lado de fora da diretoria e eu estava junto, muito preocupada. O ruivo estava muito estranho.
– Por que vocês fizeram isso?!
– Não ia deixar o Brian bater em você, olha o seu tamanho perto do dele!
– Mesmo assim! Olha o seu nariz! Não para de sangrar! – falei pondo o lenço em seu nariz e logo depois, indo até o ruivo. – Qual é o seu nome que eu nunca perguntei e você nunca me falou?
– William.
– Por que você fez isso? Já estava acabado, todo machucado...
– Eu me sentiria culpado se alguma coisa acontecesse com você, por mais nojento que seja falar isso, é verdade.
– Mas por quê? Você me odeia tanto, por que sentiria culpado?
– Por que não foi Brian quem bateu em mim... – disse abaixando o olhar para o chão. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
– Como é que é?! – perguntei indignada.
– É isso mesmo... Não foi ele. – me levantei e fui até o banheiro chorar, mas chorar de raiva e com a certeza de que nunca mais me meteria em nada que se relacionasse ao William.
PDV William
– É isso mesmo... Não foi ele. – então ela saiu em direção ao banheiro.
– Eu não acredito que você Fez isso com ela William! – Jeff falou alterado. – Qual é o seu problema?!
– Desculpa, porra! Eu não sabia que ia dar em tudo isso!
– Mas o que aconteceu de verdade então? – perguntou com ar de deboche. Meus olhos se encheram de lágrimas e de imediato comecei a encarar o chão para disfarçar.
*Flashback On*
– Tchau! E lembra: Não fui eu quem ajudou, eu não sei de nada. – disse indo em direção a porta.
– Tá, vai Bill... Eu ein! – ouvi Jeff.
Sai de lá morrendo de raiva, mas que em pouco tempo se transformou em um medo terrível ao chegar em frente a minha casa. Fiquei encarando a maçaneta por um tempo, tentando tomar coragem para girá-la. Quando me encorajei, entrei sem fazer barulho, mas não adiantou. Quando estava no pé da escada para subir até meu quarto, ouvi passos atrás de mim, gelando completamente e perdendo o sentido das minhas pernas. Senti um puxão nos meus cabelos, me fazendo girar para ver de quem se tratava, apesar de eu já saber muito bem.
– WILLIAM BRUCE BAILEY! – a figura bêbada gritou, puxando ainda mais meus cabelos – Onde você pensa que estava seu projeto de travesti?!
– E-e-eu... Eu posso explicar... – foi quando recebi um tapa na cara que me fez parar no chão.
– RÁ, RÁ. Errado! Você não pode explicar! LEVANTA AGORA SEU BICHA DE MERDA! – fiz como ele me mandou. Minha face ardia de raiva e minhas mãos tremiam, mas eu não podia me atrever a fazer nada. – Você acha que pode sair assim e passar a noite fora? Mas hoje você aprende uma lição! – falou me pegando forte pelo braço.
– PARA! POR FAVOR! NÃO FOI MINHA CULPA! – eu tentava, mas quanto mais gritava, mais ele apertava meu braço.
Ele entrou na sala comigo tirando o cinto de suas calças, eu já imaginava o que ia acontecer depois. Eu estava tão atordoado com aquilo que nem percebi a primeira cintada em minhas costas, percebi apenas quando aquilo começou arder, e muito. Ele estava dando uma atrás da outra, eu mal conseguia respirar, apenas gritava por socorro.
– FILHO DA MÃE! PARA COM ISSO! PARA! – eu gritava, mas não adiantava, ele não iria parar.
Foi quando consegui segurar o cinto com uma das mãos, dando um soco em seu rosto, o que não adiantou. Aquela fora a primeira vez que revidei fisicamente contra meu pai. Ele me soltou, segurando o nariz que nem sangrar não sangrou. Fiquei o encarando em choque.
“Puta que o pariu, ele vai me matar”- pensei.
– VOCÊ ME PAGA, SEU VIADO! – falou acertando um soco no meu olho, me deixando caído no chão outra vez.
Ele pegou o cinto mais uma vez e começou a me bater com mais força, e agora, com a fivela de ferro. Acertava todo meu corpo, já não conseguia nem pedir para ele parar, pois já tinha perdido minhas forças. Minha boca tinha gosto de sangue e havia sangue no chão.
“É, ele vai me matar” – pensei outra vez.
– STEPHEN! VOCÊ VAI MATAR O GAROTO! PARA! – ouvi minha mãe gritar, mas não enxerguei, pois minha visão estava ofuscada e meus sentidos cada vez mais fracos.
– CALA A BOCA VADIA! SE NÃO SOBRA PARA VOCÊ TAMBÉM! – e o pior, ela o obedeceu. Conseguia ouvir o choro baixo dela, enquanto o som do metal caindo sobre minha pele violentamente me deixava zonzo. – STEPHEN! Por favor... Já foi o bastante... Por favor, para. – ele por algum milagre, parou, e a ultima imagem que eu tive, foi minha mãe vindo até mim.
[...]
Acordei duas horas depois do ocorrido com minha mãe, Sharon, ao meu lado. Cada milímetro do meu corpo doía e estava cheio de curativos.
– William, hoje você não vai pra aula. – falou seca como sempre.
– Por que ele me odeia tanto? – perguntei mais para mim mesmo do que para ela.
– Ele está tentando te educar.
– Quase me matando? Claro... – falei irônico.
– Não questione seu pai, William! Ele está fazendo isso pelo seu bem. – tentei me sentar na cama, sem sucesso, meu corpo estava muito debilitado. Senti meu rosto molhado de lágrimas, então minha mãe virou as costas para sair do quarto.
– Eu odeio vocês... – falei baixinho. Sharon virou para mim, com os olhos cheios de lágrimas.
– Eu sei... – disse fechando a porta.
Eu estava sozinho, sempre estive.
*Flashback Off*
– Fui assaltado... De manhã quando voltava da casa dela para a minha.
– Ih, acho difícil. Assaltado de manhã aqui em Lafayette? Você está mentindo. Mas não quero saber... Vou ver como Michelle está depois de toda essa confusão que você nos meteu. – ele virou as costas e foi até o banheiro.
– Ninguém quer saber... Ninguém se importa. – falei sozinho dando os ombros enquanto meu rosto encharcava de lágrimas.
PDV Michelle
Entrei rapidamente no banheiro feminino e comecei a chorar desesperadamente de raiva. Não queria mais ver o rosto do William na minha frente. Não podia acreditar no que havia acabado de acontecer.
– Michelle! Abre essa porta! – Jeffrey falava batendo sem parar.
– Me deixa Jeff! Por favor me deixa!
– O que eu te falei noite passada? Eu nunca vou te deixar. – fiquei uns minutos em silencio, mas resolvi ceder, eu vi que ele não desistiria. Abri a porta e o encarei. Sem pronunciar uma palavra, ele me abraçou forte. – Não fica assim... Por favor.
– Como não?! Olha a confusão que ele fez! Você não faz idéia do ódio que eu sinto dele! Eu acho que vou mudar de turma, ou sei lá... Mudar de escola. Eu não consigo mais nem olhar para a cara daquele mentiroso ridículo.
– Não, você não pode fazer isso! E eu? Você vai me deixar nessa escola, sozinho? – respirei fundo, tentando me recompor.
– Não Jeff... Claro que não. Desculpa por estar falando isso para você, mas é que eu não agüento mais ele! – disse o abraçando.
– Não liga para ele não... É o jeito dele, sempre foi assim.
– Não Jeff! Ele só quer me ferrar!
– Você não deveria pensar assim... – falou num tom de censura.
– Como assim? – Jeff estava nervoso.
– Vai pra aula... E se acalma, só te peço isso. – falou quando o sinal para a aula tocou.
– Eu não quero ir pra aula, não quero ficar do lado dele. E outra coisa... Você está me escondendo algo.
– Só na sua cabeça! Agora vai para aula e para um pouco de pensar no Bill.
– Que Bill?
– É o apelido do William.
– Nossa, que intimidade. – debochei. Jeff assentiu negativamente, com um sorriso incrédulo na boca.
– Vai pra aula de uma vez, bobona. – mostrei a língua para ele, indo em direção a minha sala.
Notas finais
Mandem reviews falando se tem que mudar algo, se a história tá ficando chata, ou se tá bom assim, sei lá... Eu fico agoniada, me desculpem.
Até terça-feira amores ♥
Bjs
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