Well, You Just Cant Tell

33 Cap. 33 – Do you miss her or not?


Notas iniciais
Então, aí está o capítulo com Jeff. Não é muita coisa, mas fiz por que vocês me pediram muito sobre ele, se não só apareceria daqui alguns muitos capítulos.
Bem, espero que vocês gostem e matem a saudade dele ^^
Boa leitura!
PS.: Desculpem pelos reviews, eu respondo assim que conseguir. Estou em uma correria que vocês não fazem ideia.

PDV Jeffrey

Fazia seis meses desde minha vinda para Los Angeles. Foi tudo muito estranho no começo. Era minha primeira vez em terras californianas e bem, L.A. era um pouco assustadora a primeira vista. Aquelas luzes, as pessoas andando apressadas de um lado para o outro. Pessoas estranhas, cheias de plásticas de um lado da cidade e de outro, o meu paraíso. Calças de couro, camisetas de todas as bandas possíveis, coturnos de couro, jaquetas de couro. Talvez, a luz do dia, aquele parecesse um lugar normal, com algumas pessoas andando de lá para cá. Mas ao cair da noite, bares de rock, clubes noturnos, de strip-tease, pessoas com o mesmo estilo que o meu, e também os mais variados estilos, todos puxados para o rock. Prostitutas andavam quase seminuas pela rua, enchendo meus olhos.

Mas nem tudo é sexo, drogas e rock’n’roll em Los Angeles. Cheguei na cidade com apenas cinquenta dólares no bolso. Não poderia comer se quisesse passar a noite em algum lugar que não fosse na rua. Consegui um quarto alugado por quarenta e oito dólares o mês. Quando cheguei, era um lixo, mas teria que procurar um emprego se quisesse algo melhor que aquilo. Comecei como garçom em uma pequena lanchonete perto do quarto que aluguei, fiquei os primeiros três meses lá, até pedir demissão, pois não aguentava mais aquele inferno. O salário era baixo, quatrocentos dólares por mês, mas pelo menos pude alugar algo melhor para mim.

Em quatro meses eu já havia conhecido muita gente e havia passado por algumas bandas. Naughty Women era uma banda punk, na qual eu tocava bateria. Bateria não era bem o que eu queria e a banda também não durou lá muito tempo. Após a banda terminar, entrei na banda de hard rock Atoms. Apenas alguns dias naquela banda, e a bateria na qual eu havia gastado quase todo meu dinheiro, fora roubada, então comprei um baixo, mas também não era exatamente o que eu queria. Sentia falta de minha guitarra que estava guardada em um canto de meu apartamento. E então, a última banda que entrei e que continuo até hoje é Shire, banda de heavy metal que até então, fora a primeira de todas as outras que me deu algum lucro. Era pouco, mas era um começo.

De qualquer modo, passei por dificuldades que nunca pensei passar. Fome, nem um lugar para dormir, sem dinheiro pra qualquer bosta, confusões em bares. Mas agora parecia tudo mais estabilizado. Eu experimentava cigarros por dinheiro e tinha uma banda que me dava como lucro, cinquenta dólares por show. Conseguia drogas com um amigo que fazia preços especiais para mim. Tudo estava começando a se ajeitar.

Sentei-me no único sofá que havia ali, olhando para o calendário que estava acima da TV velha e estragada.

– Julho... Seis meses... Ainda não dei sinal de vida... Como será que estão as coisas por lá? – falava comigo mesmo. Levantei do sofá e sai de casa a procura de uma conveniência qualquer para comprar um cartão para telefonar. Sai apressado até o primeiro orelhão que achei, discando o número da casa de Michelle.

*Ligação On*

– Alô? – uma voz masculina sonolenta atendeu, e não era pai de Michelle. Fiquei mudo. – Alô? Quem é, porra? – claro, era Bill. Mas por que ele estava dormindo na casa da Michelle?

– Oi, é o Jeffrey.

– Jeff? Sério que é você?!

– Sim...

– Puta merda! Por que você não deu sinal de vida nesses seis meses?

– O que você está fazendo aí na casa da Michelle? Por que está dormindo aí?! – perguntei desconfiado.

– Ah não! Você some seis meses e quer explicações do que acontece com a pessoa que você deixou de lado aqui. E para a sua informação, eu estava a ajudando por que você não sabe o que ela passou noite passada!

– Eu não deixei Michelle de lado! – falei alto fazendo todos na rua me olharem.

– Ah é? Por que não ligou antes? Você não faz ideia de como ela sofreu por você ter ido!

– Eu também sofri! – falei irritado.

– Não parece. – lágrimas se formaram em meus olhos. Eu realmente não dera muita atenção a isso. – Ela está dormindo.

– Eu... Deixa... Tenho que desligar. – o medo de voltar a falar com Michelle havia me tomado.

– Eu posso acordar ela pra falar com você. Acho que Mi iria ficar feliz, apesar de eu não gostar nada disso.

– Não. Você tem razão. Tchau.

*Ligação Off*

Tentei disfarçar as lágrimas que escorriam pela maça do meu rosto, indo rapidamente em direção a meu apartamento velho e atirado. Sentei novamente em meu sofá e abri uma garrafa de vodca. Comecei a chorar. Eu sentia muita falta de Michelle, mas não tinha coragem de ouvir sua voz desapontada, e o motivo desse desapontamento ser eu. Foi o que eu fiz aquela noite. Encher a cara, chorar, vomitar, encher a cara outra vez, vomitar, chorar, dormir e sonhar com Michelle, acordar, me sentir culpado, chorar mais e beber mais ainda. Me senti sem sentido, o ato mais idiota da minha vida fora esse: deixar de dar noticias a Michelle.

PDV Michelle

– Eu posso acordar ela pra falar com você. Acho que Mi iria ficar feliz, apesar de eu não gostar nada disso. – ouvi Bill no telefone. Um frio tomou conta do meu corpo, parecia ser Jeff ao telefone. Continuei fingindo meu sono profundo. – Filho da puta! Desligou na minha cara! Que vontade de matar aquele... – fingi estar recém acordando. – Ah... Bom dia, pequena... – falou sem jeito.

– O que aconteceu? – perguntei já sabendo do que se tratava e louca para chorar.

– Ah... Nada não.

– Bill, não mente pra mim. Não para mim. – ele ficou me encarando por alguns instantes.

– Tudo bem... Jeff ligou...

– E ele não quis falar comigo.

– Não... Capaz. Ele não quis te acordar. Ele vai ligar mais tarde...

– Você mente muito mal William. – ele ficou mudo, encarando os lençóis da cama, constrangido – Eu sei que ele não quis falar comigo! – falei começando a chorar descontroladamente.

– Michelle, não fica assim, por favor... – Bill falou me abraçando e acariciando meus cabelos.

– Você também vai me deixar na primeira oportunidade, não é?

– Michelle! É mais do que obvio que não!

– Foi isso que Jeff sempre disse para mim! – falei saindo correndo até o banheiro, me trancando lá dentro.

PDV William

– Foi isso que Jeff sempre disse para mim! – ela falou saindo de meus braços e se trancando no banheiro. Escorei minha cabeça na porta, com os olhos fechados e respirando fundo.

– Mi... Eu não sou o Jeffrey... – ela demorou um pouco a responder, pois estava chorando muito.

– Mas todo mundo é igual! Todos que passaram pela minha vida me deixaram. Minha mãe, o Jeff, minha família inteira, até mesmo meu pai, que “mora” na mesma casa que eu! – ela falava e soluçava ao mesmo tempo. Dei um soco forte na porta.

– Eu não sou todo mundo! Se eu fosse te deixar, já teria feito isso a muito tempo Michelle! Agora sai da porra do banheiro, não me deixa irritado, por favor! – seu choro começou a amenizar, mas continuava trancada lá dentro. Meu nervosismo apenas aumentava e comecei a tremer. – Michelle! Abre a porra da porta, merda! – falei batendo violentamente na mesma.

– PARA COM ISSO WILLIAM! – ela gritou.

– ENTÃO ABRE ESSA MERDA! – gritei também.

– ENTÃO VAI EMBORA! NÃO PRECISO DE NINGUÉM GRITANDO COMIGO! – respirei fundo mais uma vez, dando um soco muito forte na parede. Respirei fundo mais uma vez, tentando me acalmar.

– Michelle... Por favor... Sai daí... Vamos conversar decentemente, como dois adultos... – ela nada respondeu – Por favor, pequena... Abre essa porta, eu estou mais calmo agora. Por favor... Pequena. – demorou um pouco, mas ela cedeu, abrindo a porta e me surpreendendo com um abraço apertado.

– Eu amo tanto o Jeff... – falava soluçando em meu ombro enquanto eu acariciava seus cabelos – Ele sempre foi tudo pra mim... Por que está fazendo isso comigo?! – beijei o topo de sua cabeça. Meu peito estava apertado de tanta pena e ao mesmo tempo, fervendo de tanta raiva do Jeffrey.

– Calma... Ele só está um pouco confuso. Ele deve estar achando que você não quer falar com ele.

– Mas o que o faria pensar assim?

– Esses seis meses sem ele dar notícia... Não sei... Mi, vamos parar de pensar nisso...

– Tudo bem... Com a dor de cabeça que eu estou, não vai ser tão difícil. – dei uma risada curta.

– Você está bem, falando nisso?

– Uma ressaca do caralho.

– Você pode me explicar o que realmente aconteceu ontem a noite? – perguntei enquanto ela voltava a deitar na cama, muito abatida.

– Primeiro... Deita aqui comigo? – não respondi, apenas fiz o que ela havia me pedido. Ela ficou de frente para mim, olhando dentro de meus olhos. – Eu não lembro direito de tudo... Não sei como vim parar aqui e nem como você está aqui...

– Até onde você lembra?

– Brian – meu rosto se contorceu de raiva ao ouvir aquele nome – me buscou e me levou até a casa dele... A gente tava bebendo, eu não tomei muita coisa, mas fiquei bêbada, muito rápido. Lembro-me dele injetando alguma coisa em mim. Deveria ser heroína, mas não lembro direito o que era. Depois chegaram Mike e Zac... – ela começou a chorar outra vez – Eu juro que tentei fazer de tudo, mas não consegui... Eu estava muito debilitada pra fazer alguma coisa... Eles me forçaram... Foi a coisa mais horrível que já havia acontecido comigo... – ela chorava muito e eu achava estar entendendo aquilo.

– Não me diz que eles... – não consegui terminar a frase, eu já estava transtornado de raiva.

– Sim Bill... Ele me estupraram... – ela chorava cada vez mais e eu já não pude mais me conter. Levantei rapidamente da cama, vestindo meu casaco.

– Ah, isso não vai ficar assim. NÃO VAI!

– Bill! Por favor! Se acalma! Não vai atrás dele... – ela levantou rapidamente, segurando forte o meu braço.

– Me solta Michelle! Você acha que vou deixar por isso mesmo? Está muito enganada!

– Por favor... Não quero que algo ruim aconteça com você... Você disse que não me deixaria.

– Não vai acontecer nada comigo, mas com o Brian, não sei se vou conseguir deixá-lo vivo.

– BILL! Por favor, quantas vezes vou ter que pedir? Brian está metido com gente muito barra pesada, por favor, não faz isso.

– Rá! E quanto a tudo que ele fez com você a noite passada?!

– Tudo o que ele fez comigo não vai mudar se você for ou não lá. Eu estou te implorando. Me culparia se algo acontecesse com você... A gente vai dar um jeito, mas não agora, por favor. Preciso de você aqui comigo. – respirei fundo, pensando na última frase dela.

– Se é assim... Tudo bem, eu fico aqui hoje... Mas não vou deixar isto desse jeito. Não mesmo. – sentei-me na cama e ela ao meu lado, me dando um beijo no rosto.

– Obrigado... – a abracei e assim ficamos em silêncio.

PDV Jeffrey

Acordei com o sol pousando em meu rosto. Meus olhos ardiam e minha cabeça latejava. Lembrei-me da ligação feita na última noite e a discussão com Bill sobre Michelle. Por um lado sentia muita raiva de William, mas por outro, sabia que ele tinha razão e estava mais tranquilo por saber que realmente estava cuidando de Michelle. Michelle... Como eu precisava dela. Me lembro como se fosse ontem, eu estava na rodoviária enquanto ela chorava, me beijando. Quando me disse claramente: “Mas eu não quero Bill, quero você”. Mais lágrimas saiam de meus olhos já vermelhos do sofrimento da noite passada. Sequei-as no mesmo momento levantando do sofá no qual eu havia dormido de mau jeito.

Sai porta a fora para ir ao mesmo bar de sempre para tomar um café da manhã. Sentei sozinho em uma mesa e pedi um capuchino. Não estava com fome, meu estomago estava embrulhado de raiva, arrependimento e saudade. Meu café chegou e eu apenas encarei o conteúdo dentro da xícara de vidro pensando em Michelle. Estava completamente alienado, pensando em todos os momentos bons que tivemos juntos, deixando brotar um sorriso em meu rosto. Tantas outras mulheres que eu já havia saído em Los Angeles, tantas delas incríveis, algumas nem tanto. Mas isto não fazia diferença, nenhuma conseguia fazer meu sentimento por Michelle desaparece. Talvez por que eu não me esforçasse, por que não queria esquecê-la, ou simplesmente por que era meu destino ficar preso a ela o resto de meus dias.

– Oi? – acordei do transe, olhando para a pessoa que estava sentada a minha frente. Um homem que parecia alguns poucos anos mais velho que eu, com algumas tatuagens espalhadas em seu braço – Está tudo bem com você? – perguntou com um ar de riso.

– Er... Desculpa... Posso, hm, ajudar? – perguntei confuso, dando o primeiro gole no capuchino. O homem deu uma risada.

– Você estava viajando bastante... É alguma mulher? – perguntou rindo outra vez.

– Me desculpa, quem é você?

– Ah sim... Sou Chris Weber... Você é Izzy Stradlin, certo?

– Sim...

– Eu vi você tocando, gostei bastante do seu estilo.

– Hm... Obrigado. – falei desanimado.

– Desculpa te incomodar, pelo jeito você não está em um bom dia e...

– Está tudo bem. – o cortei, impaciente.

– Bem... Queria saber se você gostaria de tocar na minha banda...

– Eu já estou na Shire, está tudo indo bem com a banda. Acho que não mudaria, pelo menos não agora. – ficamos nos encarando em silêncio por um tempo.

– Tudo bem... – falou dando os ombros – Mas se mudar de ideia, já sabe meu nome. A banda é chamada Hollywood Rose. Me procura qualquer coisa. – estendeu a mão para apertar a minha.

– Valeu cara... Até mais.

– Até. – falou sumindo da lanchonete. Não estava com paciência para pensar sobre isso. Queria pensar sobre Michelle, queria minha cabeça tomada por imagens suas. Terminei meu capuchino indo até a casa abandonada onde eu e a banda ensaiávamos, mas sabia que não seria fácil me concentrar.


Notas finais
O que acharam? Vou esperar os reviews e tentar voltar a postar todos os dias, mas não é nada garantido.
É isso, até o próximo *-*
Bjos amores ♥
ESPERA! Para tudo! Lembrei de uma coisa e tenho que contar pra vocês! Não fui no show do Slash, sim isso foi muito triste. Mas em compensação VOU NO SHOW DO KISS *-* quase nem estou feliz -q E ainda vou ficar na budzone, bem na frente do palco. Estou rolando no chão de felicidade, vocês não fazem ideia.
Agora sim, é isso kkk
Bjos ♥