Well, You Just Cant Tell
19 Cap. 19 – Goodbye and grandmother
Notas iniciais
Boa leitura!
PDV Michelle
O maldito dia havia chegado. Jeff estava partindo para Los Angeles. O desespero que eu estava sentindo era algo inexplicável, eu queria que ele ficasse ali comigo, como sempre foi durante todos estes anos. Fiquei sentada em minha cama, pronta para ir até a rodoviária. A campainha tocou. Peguei minha bolsa e fui atender a porta.
– Oi... – falei desanimada.
– Oi, como você está? – Bill perguntou preocupado. Dei os ombros, sem responder nada. – Ok... Vamos lá, já está quase na hora do ônibus do Jeff.
Seguimos o caminho em silêncio, ele sabia que eu não queria conversar sobre nada, apenas passou o braço ao redor de meus ombros me puxando para perto dele. Não sei como ele me conhecia tanto a ponto de saber que isso era tudo que eu precisava numa hora difícil dessas. Chagamos na pequena rodoviária de Laffayete, pude avistar Jeff a alguns metros de nós. Bill parou de caminhar.
– Boa sorte... – falou.
– Você não vai lá se despedir?
– Já me despedi. Passei na casa dele antes de passar na sua, queria deixar vocês dois a sós na despedida.
– Então por que foi até minha casa, por que me trouxe até aqui?
– Por que ele não queria que você voltasse para casa sozinha, o que foi bem sensato da parte dele. – bufei com aquela superproteção. – Vai lá... – falou apontando Jeff com a cabeça. Olhei para ele, receosa.
– É o que me resta... – me afastei dele com passos cautelosos chegando cada vez mais perto de Jeff. Ele parecia estar tão perdido em pensamentos que nem me viu ao seu lado. – Pensamento longe? – perguntei o assustando.
– Ah... Er... Michelle, faz muito tempo que está aqui?
– Não... – mirei o chão – Merda... Por que esse dia teve que chegar?
– Ei... Não fica triste, é só um ano, depois você vai para lá junto comigo, quando acabar o colégio... – falou segurando meu rosto que estava ficando quente, louco para descontar aquele desespero em lágrimas.
– Eu sei que não vai ser assim, nunca as coisas dão certo para mim...
– Não fala isso, não é verdade.
– É sim, não adianta. – o ônibus dele ligou – Acho que chegou a sua hora de ir... – falei acabada, destruída por dentro.
– Tchau minha linda... — ele falou depositando um beijo em minha cabeça.
– Por favor. Me deixa ir para LA junto com você... — com os olhos cheios de lágrimas, fiz aquele pedido estúpido e irrelevante, já que o ônibus estava prestes a dar partida e eu não tinha outra roupa se não a que estava no meu corpo. Aquilo foi mais um ato desesperado e ridículo.
– Você vai morar comigo daqui um ano, eu prometo... — disse acariciando meu rosto — Bill vai cuidar de você. — ele tinha um sorriso triste no canto da boca. Olhei para trás e avistei o garoto ruivo me esperando a alguns metros de distância.
– Mas eu não quero Bill, quero você. — falei tomando sua boca com vontade em um beijo voraz, mas ele separou nossos lábios rapidamente — Jeff... — choraminguei.
– Não... Para Michelle... — falou nervoso — Não faz isso comigo... Eu tenho que ir... Bill! — o chamou. Em alguns segundos ele já estava ali do nosso lado. — Cuida da Michelle por mim... Por favor, promete para mim.
– Prometo... Não precisa se preocupar, já falamos sobre isso.
– Valeu cara... Tchau meu amor... — disse me dando um selinho. Essas foram as últimas palavras que ouvi de Jeffrey antes dele entrar no ônibus para Los Angeles. Foi o adeus mais difícil da minha vida. Comecei a chorar desesperadamente e Bill me abraçou, tentando me confortar.
– Vamos Mi... Vamos pra casa. — falou me puxando pela mão. Agora ele era o único que estava em Laffayete para mim. — Você vai ficar bem...
– Eu não vou ficar bem... – falei aos prantos enquanto via o ônibus de Jeff desaparecer na estrada.
Bill me abraçou forte, acariciando meus cabelos enquanto molhava seu ombro com lágrimas. Depois de um tempo, quando me acalmei, voltamos lentamente para minha casa e ao chegarmos, subi direto para meu quarto, enquanto Bill pegava algo para beber na cozinha. Estava tão mal que nem percebi quando ele entrou no meu quarto, segurando um copo de água e dois comprimidos estendidos para mim.
– O que é isto? – perguntei limpando as lágrimas.
– Remédio para dor de cabeça...
– Como você sabe que eu estou com dor de cabeça? – ele riu.
– Bom, não sei se você percebeu, mas eu percebi que a cada dois passos que você dava, reclamava de dor de cabeça.
– Sério? – falei pegando o copo e os dois comprimidos. Ele assentiu. – Desculpa, você não precisa ficar me ouvindo reclamar. Eu sei que fico um porre quando estou chateada com algo.
– Capaz, você não é nada. Amigos de verdade não servem apenas para fazer festa, você sabe disso melhor do que ninguém.
– Obrigado, Bill.
– Não precisa agradecer... – falou sentando ao meu lado.
– Você pode ir para sua casa, eu sei que você deve estar cansado, não quero ocupar mais você com bobagens.
– Não, eu vou ficar aqui. Na verdade vou passar a semana aqui, por isso aquela mochila enorme que eu trouxe. – falou apontando para a mesma com a cabeça. Virei para ele com os olhos arregalados. – Não posso te deixar sozinha desse jeito, ainda mais que você disse que sua avó está vindo pra cá.
– Nem me lembra daquela bruxa.
Minha avó, Elisabeth, mãe do meu pai. Uma completa idiota que só liga para limpeza e dinheiro. Minhas lembranças dela eram das piores. Quando eu era pequena, me batia, me botava de castigo por nada, falava coisas horríveis da minha mãe, mesmo depois dela estar morta. Era uma pessoa terrível e arrogante. O pior de tudo é que meu pai sempre estava de acordo com ela, seja lá qual for a loucura dela. Estava vindo passar essa semana comigo, pois meu pai achava melhor que alguém de maior estivesse ali para tornar minha vida um inferno, ela era a pessoa perfeita para isso, e ele sabia disso. Bill não precisava passar por esse trauma.
– Não, Bill, você não precisa fazer isso, por favor, se poupe dessa... Vai ser só por uma semana, não tem necessidade.
– Claro que tem! Olha como você está!
– Eu estou bem!
– Não me convence...
– Foi Jeff quem pediu, não foi? – perguntei. Ele ficou em silêncio, apenas me encarando. – Sabia! – me levantei, indo em direção a minha janela para respirar. Senti suas mãos segurando meus ombros por trás.
– Tudo bem que ele pediu... Mas eu faria da mesma forma. Eu quero ficar aqui com você. Quero ter certeza de que você vai ficar bem e não vai fazer alguma bobagem. – dei um longo suspiro, ainda olhando pela janela.
– Tudo bem... Acho que é melhor mesmo. – virei, apoiando as costas na janela. Olhei para o William que deu um sorriso.
– Agora nós vamos passar mais tempos juntos, você não vai ficar sozinha...
– Você tem razão. – falei com os olhos úmidos outra vez.
– Eu sei que eu não sou o Jeff, mas...
– Não é isso...
– É o que?
– Eu amo o Jeff. – ele ficou me encarando em silêncio, depois deu um profundo suspiro.
– Mulheres... – falou rindo.
– Não tem graça. – disse séria.
– Não é isso Michelle. Você ficou com ele tantos anos, e só descobriu isso agora?
– Não sei, eu estou confusa. Acho que eu sempre gostei dele... Como sou burra.
– Não fala assim de você mesma. Você nunca gostou de ninguém, deve ser por isso que ficou tão confusa. Mas de qualquer maneira... Daqui um ano vamos para L.A. também e você vai ficar com ele, pronto.
– Um ano é muito tempo, Bill! – ele não falou nada, apenas me abraçou até me acalmar. O abraço dele era o mais confortável, era incrível. – Obrigado por estar fazendo isso por mim... – falei com a cabeça afundada em seus cabelos compridos.
– Está tudo bem, não precisa agradecer. Sempre que precisar vou estar aqui. — se fez um breve silêncio, continuei abraçada nele. – E também... Se você quiser... Quando tiver uma pequena tensão, sexualmente falando, se é que você entende... Também posso ajudar. – me afastei dele o encarando séria. Ele começou a rir. – Estou brincando com você. – falou apertando minha bochecha.
– Você e suas brincadeirinhas sem hora... – falei cruzando os braços.
– Ah, para! Eu estava tentando fazer você sorrir, não gosto de ver você triste. – a campainha tocou – Você está esperando alguém?
– Agora sim que você perdeu todas as chances de me ver sorrir... Minha avó chegou. – indo em direção as escadas. Bill veio atrás de mim.
– Elisabeth... – falei abrindo a porta sem vontade.
– Michelle... – falou me analisando, mas sua atenção logo foi desviada para Bill que estava atrás de mim. – Quem é esse aí? – falou apontando com a cabeça. Olhei para Bill que olhou para mim. – Seu namorado? – dei uma risada sínica.
– Não, ele é meu amigo.
– Foi o que pensei, ele é muito bonito para ser seu namorado.
– Obrigada. – falei sarcástica.
– Não vai me deixar entrar?
– Não queria, mas sei que se não deixar a senhora entrar, você vai fazer meu pai transformar minha vida num inferno como foi há tempos atrás por sua culpa. Então... Tenha a bondade. – falei dando espaço.
– Você está muito mal educada. Obra da sua mãe aquela...
– Cala a boca, não fala da minha mãe que ela não está aqui pra se defender. – interrompi. Olhei para Bill que tinha as sobrancelhas arqueadas, mas não parecia surpreso.
– Tanto faz. Ruivo, qual o seu nome?
– Er... William.
– Leva essas malas lá pra cima. – pediu completamente grosseira. William olhou para mim e depois para minha avó e depois para as malas.
– É melhor levar, não queira ela implicando com você essa semana. – sussurrei para ele que pegou as malas e levou lá para cima. – Bem, você sabe onde as coisas ficam nessa casa. Eu estou no meu quarto, mas tenho certeza que você não vai precisar de mim, então... Tchau. – falei subindo as escadas. Topei com Bill no corredor.
– Adorei sua avó, só que não. – debochou enquanto entravamos no meu quarto.
– Você deve estar arrependido agora.
– Por quê?
– Por decidir ficar aqui em casa.
– Não, ainda falta muito pra eu me arrepender, é algo praticamente impossível. A convivência na minha casa é mil vezes pior.
– Desde que ela não comece a incomodar, me deixar quieta aqui, está tudo bem. Não estou com cabeça para ela... E estou com sono.
– É, eu também, onde vou dormir?
– Comigo, como se você nunca tivesse dormido aqui em casa.
– Perguntei por habito, só.
Botei o pijama e escovei meus dentes, Bill fez o mesmo e deitou ao meu lado. Lembrei-me de Jeff no mesmo instante, das noites que ele passava comigo quando algo ruim acontecia e como ele era atencioso. Comecei a chorar silenciosamente, mas Bill acabou vendo.
– Você está chorando?
– Nã-não... Você está vendo coisas. – tentei disfarçar.
– Não adianta disfarçar, eu vi que você está chorando... Vem cá... – falou me abraçando. Afundei meu rosto em seu peito enquanto seus braços me acolhiam no seu corpo quente. – Shh... Não fica assim.
– Mas eu estraguei tudo...
– Não pensa assim. Você não estragou nada. Você sabe que ele iria de qualquer jeito, mesmo se você estivesse com ele.
– Mas ele me esperaria se nós estivéssemos juntos. Agora ele pode arranjar qualquer uma. É um ano, tempo suficiente pra isso acontecer.
– Eu tenho certeza que se isso acontecer, quando ele te reencontrar e você falar para ele tudo o que sente, ele vai largar seja lá quem for pra ficar com você. Jeff te ama mais do que tudo, você sabe. – afundei meu rosto em seu peito novamente, chorando.
Bill ficou acariciando meus cabelos em silêncio até eu adormecer, o que não demorou muito para acontecer.
Notas finais
Vou esperar os reviews para postar o próximo capítulo que já está pronto :)
Não sei se tenho mais alguma coisa pra falar, acho que é isso por enquanto.
Até os reviews!
Bjos ♥
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