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5 Parte 5 - Lembranças dolorosas


Notas iniciais
Aqui estou outra vez, com um novo capítulo! Me desculpem, mas ele ficou um pouco pequeno, mesmo assim não deixou de ter conteúdo! O próximo capítulo com certeza será maior - surpresas te aguardam, prepare-se... :) Aproveitem a leitura e não deixem de comentar! Beijos, Giovanna.

Sentimentos expostos

Eu sempre menti para mim mesma. Dizia que estava tudo bem e tentava me distrair com as coisas à minha volta. Mas a verdade é que estava em uma fuga infinita da dor.

Era Natal. Você deve se perguntar, porque alguém sairia de casa na noite de Natal e enfrentaria ruas cobertas de neve? Porque alguém iria de carro com outra pessoa, e passaria por uma das estradas mais congeladas da cidade?

Talvez esse alguém só quisesse ajudar. E talvez ele tivesse uma filha que precisasse de um remédio urgente e talvez... Talvez ele não imaginasse que poderia não voltar.

Perdi meu pai e minha irmã naquele dia. Ella era mais velha, mais responsável, e decidiu que queria ajudar de qualquer maneira. Os dois morreram na hora, foi o que disseram.

Ele foi morto.Arya...

As palavras de Sebastian ecoavam na minha cabeça. Já tinham se passado quatro anos desde o incidente, achei que nunca mais precisaria lembrar daquilo de novo. Mas no final, de que adiantou fugir da dor? Porque aqui estava eu, no meio da madrugada, chorando agarrada no travesseiro como quando tinha doze anos.

– Arya?

Minha mãe abria a porta devagar. Talvez toda mãe tenha um “sensor” de problemas, porque sempre que me estava mal, ela era a primeira a me ajudar. Senti que ela se aproximava e deixei que me abraçasse.

Não precisava falar nada. Nada de explicações ou desculpas. Ela sabia o que eu sentia, talvez porque a mesma dor incomodasse seu coração todos os dias.

– Não force um sorriso quando quiser chorar, Arya... – Minha mãe sussurrou no meu ouvido.

Meu pai sempre me dizia isso, e por algum motivo, isso sempre me acalmava.

– Seu pai não gostava de tristeza. – Dizia secando as lágrimas dos meus olhos – Mas ele acreditava que esconder os sentimentos só ajudava a piorar. Ele era um bom homem, gostava de felicidade, acreditava que podia ajudar as pessoas...

– Do que adianta? – Respondi num tom seco. – O que vale tudo isso, se no final as pessoas que ele ama estão chorando?

– O que vale... – Ela falava com paciência – É que ele sabia que tinha uma filha forte, que não se deixaria abalar por nada. O que vale é que o seu sonho pôde se tornar realidade e você... – Ela tocou a ponta do meu nariz – É parte dele.

Senti um calor dentro de mim. Aquele calor que você sente quando percebe que é amada e que talvez tudo valha a pena. Se estivéssemos num filme, essa seria a hora em que nos abraçaríamos e minha mãe prepararia um chocolate quente para mim. Mas se existe algo bem óbvio aqui, é que isso não é um filme.

– Mãe, eu... – Na mesma hora fui interrompida.

Embaixo de mim, o chão tremia. Não como um terremoto, mas compassado e acelerado, como uma corrida. Eles estavam aqui.