Notas iniciais
Espero que gostem, leiam com carinho :3

Fiquei observando os traços da cicatriz por um tempo, levei a ponta dos dedos até uma de suas linhas, ela estava... quente. Não era possível, não podia ser real, não era real. Vesti a camiseta cinza do trabalho por cima de uma de manga de frio, prendi meu cabelo com uma piranha e desci as escadas, me encontrando com minha mãe na cozinha, me despedindo dela, peguei minhas roupas de frio do sofá e fui até a porta, parando debaixo do batente, pensando duas vezes antes de perguntar:

— Mãe, lembra das histórias que você me contava sobre aquele muro do centro? – Perguntei, ela acenou com a cabeça em confirmação. – Então, você disse que só os “escolhidos” ou coisa assim sabiam o que tinha além dele, como você sabe que é um escolhido? – Perguntei, ela respirou fundo antes de começar a falar.

— Bem, a lenda diz que é dada uma marca para a pessoa, mas primeiro ela tem que ser corajosa o bastante para chegar perto dele e se... comunicar com o muro, depois ela passa por um teste que seu próprio subconsciente a proporciona, se ela passas, ela recebe a marca. – Ela disse limpando a mão de tinta na calça jeans velha.

— E se ela não passar? – Tive medo da resposta.

— Nada, ela continua vivendo sua vida, e aquilo que ela viveu com o muro, a pintura some da memória dela, é o que ajuda a manter o segredo e atrair escolhidos, os Consumidores de Sentimentos. Claro, é só uma lenda para encantar crianças, mas por que a pergunta? – Ela disse, pegando outra cor de sua paleta e voltando a se concentrar na sua obra, um desenho colorido e abstrato.

— Nada, o Ian e eu estávamos lá hoje cedo e ele me perguntou, só queria dar uma resposta pra ele. – Dei de ombros, sentindo algo me aquecer por baixo da blusa.

— Talvez vocês dois devessem parar de ir lá. – Ela sugeriu com um olhar sombrio no rosto. – Aquele lugar, por mais que vítima de uma lenda inocente, pode atrair... outras coisas. – Ela terminou, apenas concordei com a cabeça e sai de casa, no caminho do trabalho fiquei pensando sobre o que ela disse, e como minha vontade de voltar lá só crescia.

Minha avó havia me contado sobre os Consumidores de Sentimentos, eram como os humanos, cresciam e viviam como nós, porém tinham certos poderes. Podiam compartilhar dos maiores prazeres ou maiores dores que uma pessoa pode sentir, ampliavam os sentimentos alheios e compartilhavam com as pessoas esses sentimentos, se alimentavam deles, somente com um olhar. Eram sedutores, incapazes de amar, viciados em adrenalina, tiravam o que as pessoas tinham de melhor e a deixavam como eles, vazios, necessitando usar alguém para se sentirem completos, consumindo seus sentimentos até esse alguém virar um Consumidor também. Na minha opinião eram seres muito interessante, apesar de me assustarem um pouco, não era exatamente meu sonho ser uma.

Cheguei na lojinha em que eu trabalhava com o Michael e coloquei minhas coisas atrás do balcão do caixa, roupas de frio inclusive, já que o lugar era aquecido. Ouvi uma conversa abafada vindo de um dos corredores de mantimentos, sabia muito bem quem era, mas não ia entrar na zona de guerra entre o Mike a Sthacy, a coitada achava que ele gostava dela, tadinha, o dia que o Michael gostar alguém além de si próprio, neva em Las Vegas. Ela saiu chorando e correndo, a cabeleira tingida de rosa enroscando na porta em sua “saída dramática”, fingi que não tinha visto, da minha cadeira do caixa, ela já tinha sido bastante humilhada:

— Era necessário fazer ela chorar? – Perguntei pro ser humano que vinha em minha direção, sua camisa azul aberta por cima da camiseta da loja contrastava com o azul piscina de seus olhos, que estavam especialmente azul, como ele ficava depois de sentir algo intenso. Acho que a discussãozinha foi pior que eu pensei.

— Sério? Ela chegou com um papo de “conhecer os pais”, “comprar anéis de compromisso”. Eu dormi com ela uma vez, nem foi tão bom assim, ela acha que eu quero casar com ela, mandei a real, mina louca. – Ele disse passando a mão em suas mechas pretas de cabelo, ele era realmente lindo, pele lisa, branquinha, bochechas rosadas, parecia maquiagem, só que era real, principalmente seus irresistíveis lábios vermelhos. Eu já estava acostumada à meninas virem correndo atrás dele aqui, ele era meio famoso entre as meninas da nossa antiga escola, um galã, o que deixava nosso segredinho mais gostoso. Ficamos conversando e contando moscas esperando alguém entrar na loja, era inverno, quase ninguém saia de casa, principalmente porque eram férias. As horas passaram até eu sentir minha bunda ficando quadrada de tanto ficar sentada, então fui organizar os refrigerantes que estavam fora da geladeira por cor, hesitei um pouco antes de perguntar o que estava na minha cabeça o dia todo:

— Mike, o que cacetes você foi fazer na minha casa hoje? – Perguntei, rindo da minha própria babaquice, por ficar com vergonha. Houve um momento de pausa entre a pergunta e a resposta, então imaginei que ele não tinha ouvido, então continuei a fazer o que eu estava fazendo, mas quase levei um susto quando ele respondeu.

— Queria te ver, você me ajuda a esquecer dos problemas. – Ele disse me olhando de cima à baixo, filho da puta, ele sabia me deixar querendo.

— Eu não sou sua psicóloga. – Respondi com um sorriso de lado, eu quase podia sentir ele em mim.

— Eu nunca disse que você era. – Seus olhos azuis brilhavam em um turquesa maravilhoso, o puxei pelo braço e o beijei, dei graças a deus que não tinha câmera naquele lugar, ele desceu as mãos pelas costas até atrás das minhas coxas, as puxando pra cima, me colocando em seu colo, me levando até a parede, gemi baixo ao encontrar com a superfície dura, cravei minhas unhas em seus ombros, ele desceu os beijos até meu pescoço, mordendo a curva do meu ombro, mas quando ele fez menção de tirar minhas camisetas peguei sua cabeça com ambas mãos e o fiz me encarar, seus olhos transbordando de desejo, sorri travessamente, sai de seu colo e dei um tapinha em seu peito:

— Aqui não, cara, mais tarde talvez. – Voltei pra meu afazeres pra afastar o tédio, ele deu uma risadinha e foi sentar no caixa, passando por mim como se nada tivesse acontecido, poucos segundos depois umas crianças entraram na loja pra comprar uns refrigerantes e bombinhas, nos deixando imaginando o que ia acontecer lá fora. Sentei no balcão e fiquei conversando com ele. Esse era nosso segredinho, a gente sabia se divertir.

Notas finais
Comentem, comentem e comentem. Vou tentar postar de 5 em 5 dias, pra dar tempo de eu elaborar algo legal, é isso. s2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.