Welcome to my life

1 Welcome to my life


Notas iniciais
Espero que apreciem o trabalho, primeira história original.

Welcome to my life

Preso em meu pequeno mundo, era assim que eu me sentia. Para vocês, estranhos que leem essas histórias que acabam por ser simples pensamentos de meninos e meninas que veem sofrendo em suas vida, imaginam que isto seja maluquice, mas apenas quem passa por todos estes problemas pessoais sabe o quão difícil é suportar tudo isto.

Rafael Mendes é meu nome, tenho cabelos acastanhados e olhos da mesma cor, nunca fui gordo mas sambem nunca cheguei a ser magro, sempre tive aquele corpo invejável, ou costumava ter, a mais ou menos quatro meses. Já não lembro mais a quanto tempo estou nesta escuridão.

Esta tudo escuro, é escuro demais, tudo neste mundinho é negro. Minha cor é negra, os poucos objetos no local são pretos, uma cama de solteiro que não se tem noticias do colchão em local algum deste quarto, uma cadeira giratória como as utilizadas em escritórios, porem com seu estofado rasgado tirando toda o conforto da mesma, e um pequeno abajur no canto do cubículo em que me encontrava. Nunca tentei o ligar, tenho medo de chegar aquela luz novamente, a mesma luz que me fez sofrer tanto antes de ter chego aqui.

Encolhido, sentado no chão, no canto do quarto. Meus olhos já se acostumavam aquela escuridão, mas ainda sim era amedrontador, mas não tanto quanto a luz da vida real, aquela sim era medonha, ela fazia a todos sofrer, a vida não era uma boa coisa, consegui definir isto depois de tudo... para que vinhamos a vida?.

Logo após nascermos começávamos a estudar, o que se tornava uma rotina por longos dezessete anos da vida do ser, logo após acaba seu ensino médio, geralmente a esta idade ele já consegue entrar em uma faculdade, na maioria das vezes uma federal, como era meu caso... já havia prestado o vestibular, e se não me falha a memoria eu havia conseguido uma boa nota e ficado na segunda chamada. Mas então ficaria mais alguns anos na faculdade, ralando para passar e logo após continuaria minha vida trabalhando, e só então chegaria o dia de minha morte. Viemos ao mundo para isto?. Para trabalhar e estudar a vida inteira, para sofrer com amizades destruídas e com amores não correspondidos, com o medo de fracassar em suas metas pessoais?.

“ — Exato, para isso você veio ao mundo garoto, é para isso que os humanos existem.” — uma voz sombria ecoava no lugar em que estava, mas era apenas coisa de minha imaginação, ou era pelo menos o que eu queria que fosse.

Forcei-me a abrir os olhos e esperei que eles se acostumassem novamente a escuridão, só então para ver um ser sentado de frente para mim, ele parecia ser, mas não poderia, meu gêmeo; Héracles, mas não era possível, afinal, ele havia sido assassinado por motivos desconhecidos a pouco menos de um ano.

“ — Sim sou eu, irmão.” — exclamou o ser sombrio com a forma do caçula

“ Não é você”. — pensei enquanto fechava novamente os olhos e colocava a cabeça entre os joelhos abraçados por meus braços, no mesmo momento passei a mão pelo meu bíceps e tríceps e os senti mais finos, e mais fracos, desde quando eu estava assim eu não sabia, sempre tive os braços fortes e incansáveis independente do trabalho braçal que tivesse de fazer, mas não era o que parecia de uns tempos para cá, nesta escuridão.

Ao mesmo tempo passei a mão pelo meu tronco e consegui sentir meus dedos deslizarem sobre minhas costelas, não havia sequer carne ali, apenas pele e osso. Me arrepiei e senti medo. Levei a mão ao que parecia ser o bolso de minha imunda bermuda e de la tirei um pequeno papel de seda enrolado, e um isqueiro, não senti medo de acende-lo mas fiquei com receio da luz que ele emanaria. Coloquei a ponta do enrolado em minha seca boca, fechei os olhos e acendi o isqueiro, queimando a outra ponta do cigarrinho.

Tudo pareceu tão leve dali em diante, cada tragada era importante, cada uma delas me relaxava mais que a outra, tudo parecia tão distante, tão sem importância, uma sensação ótima. Mas isso logo passou quando a droga chegou ao fim, a abstinência tomou conta de meu corpo, mais forte do que anteriormente. Bati em meus bolsos a procura de mais um pouco da erva para animar meu corpo e me dar um pouco de forças em meio aquela escuridão, mas não encontrava nada.

Parei, inspirei e abri os olhos, e então observei meus ante-braços, e passei ligeiramente meus dedos da mão esquerda por sobre meu pulso direito, senti pequenas cicatrizes ali e alguns machucados, todos em formas de corte. Uma dor, uma profunda dor percorreu meu corpo até meu coração e fui forçado colocar a mão no peito.

Senti uma pequena lagrima escorrer pela minha bochecha direita até meu queixo e logo após cair em minhas mãos, novamente respirei fundo, limpei o rosto com as costas de minha mão para tirar qualquer vestígio de lagrimas ali para que ninguém pudesse vê-las, mesmo sabendo que estava sozinho aquilo não era tipico de mim.

Passei a mão sobre meus cabelos que antes eram lisos e bem hidratados, porem, hoje pareciam imundos e ressecados, puxei meus cabelos e senti novamente uma dor.

“ — O que é tudo isso?.” — pensei comigo mesmo enquanto me encolhia ainda mais devido a dor.

“ — Tudo que você se fez lhe levou a isso” — a mesma voz de meu irmão falou em resposta. Levantei o olhar para ver desta vez a mesma forma negra, mas desta vez uma lagrima escorria pelo seu rosto, mas uma lagrima vermelha, como, sangue.

Senti minhas bochechas molharem e uma gota da lagrima cair em meus pulsos, que pareceram arder... com a dor intensa anterior agora aumentando cada vez mais, fiz a única coisa que veio a minha cabeça e com minhas unhas que pareciam bem grandes arranhei meus pulsos, aquilo sim me deu uma leveza, um estado de torpor, senti meus olhos pesarem e meu corpo aos poucos ficando mais fracos e então desmaiei.

Quando acordei e abri os olhos, eles demoraram um pouco mais para se acostumarem a escuridão mas quando se adaptaram eu estava sozinho, ou pelo menos parecia estar.

“ — Enfim sozinhos”. — respondeu uma voz grave e intensa, vinda do outro lado do comodo. Observei a parede contraria a em que me encontrava e nada encontrei a não ser uma parede suja com uma tintura negra desbotada. Mas então um hálito de álcool encheu o local o que me deu uma sensação de nostalgia, a quantos dias eu não colocava algo as minhas bocas, a quanto tempo eu não saia para beber, eu não sabia.

“ — Pai...?” — respondi com medo da resposta do dono dessa voz, que me era levemente confortante e ao mesmo tempo amedrontadora. Em um pequeno momento, em que pisquei meus olhos a forma de meu pai se formou; um homem alto, de cabelos negros, pele negra, olhos negros, dentes negros, língua negra e tudo mais negro. “ Mais um ser da escuridão” — pensei.

“ — Respeite-me garoto!.” — rugiu a voz em resposta a meu pensamento. — “ Sou seu pai, e mais nada, assim como Héracles é seu irmão.”

Estava incrédulo com aquilo, meu irmão havia sido morto, e meu pai... bem, meu pai, havia sido pego em um acidente de transito ocasionado por ele.

“ — Impossível.” — falei com os olhos fixados nas orbitas oculares negras do ser.

“ — Na luz eu morri, mas minha presença continua aqui, assim como a de seu irmão.” — respondeu calmamente o ser, mas com uma pequena duplicação em sua voz, como se alguém falasse juntamente dele.

“ — Você não é meu pai, sei que não é.” — gritei, em resposta. Um tapa acertou meu rosto, e logo após senti a dor de antes o que fez com que eu fechasse meus olhos e sentisse uma dor insuportável em minha cabeça, e desta vez a voz começou a falar dentro de minha cabeça.

“ — Me desrespeita assim como fazia antigamente, por isso morri, por não ter seu devido respeito e por não ser aceito como pai.” — mas a voz que ressoava em minha mente não era de meu pai, e sim de Héracles.

Senti meu mundo desmoronar, o que acontecia ali?. Me encolhi no canto de parede e comecei a passar as mãos pelo meu pescoço, e logo após indo em direção a barriga, quando a mão encontrou a região do oblíquo abdominal próximo a bacia senti outros cortes, a dor desta vez não era tão forte. Apertei a mão contra meu abdômen apenas para sentir a flacidez dos músculos que não se encontravam mais ali, meus músculos haviam desaparecido, consegui imaginar que estava ali a muitos meses, ou quem sabe, até anos.

Duas formas apareceram subitamente a minha frente, meu irmão e meu pai novamente, os dois falavam em uníssono.

“ — Tudo é tua culpa menino, o assassinato você no fundo de sua mente sabe o porque mas não aceita; suas dividas, suas drogas, fizeram com que seus 'amigos' chegassem até a família. Você me trocou pelas suas drogas.”. — uma voz alta e amedrontadora falava, saindo da boca dos dois seres bípedes.

“ — Não, não foi assim, não foi!.” — berrei em resposta. Mas eles continuavam a falar.

“ — O acidente foi causado pelo seu excesso de bebida, as discussões em pleno carro me fizeram perder a atenção e a bater no caminhão. Você escapou com vida, e seu pai?. ” — falou o ser segurando a gola de minha camiseta, berrei em resposta argumentando contra aquilo, mas então as lagrimas começaram a sair novamente, desta vez elas eram demais, então apaguei rapidamente quando senti minhas pálpebras pesadas.

Quando finalmente acordei os dois haviam sumido, me levantei devagar com a pouca força que ainda me restava ali, apoiei-me na cadeira e sentei na mesma, senti dezenas de navalhar cortando minhas costas, soltei um grunhido duradouro de dor mas logo me levantei sentindo as costas molhadas e úmidas, olhei para a cadeira e nada estava ali, apenas a cadeira sem estofado que anteriormente se encontrava lá. O machucado em minhas costa eram demais, aquilo já começava a ficar psicótico, não era possível entender mais nada, a única coisa possível de se entender, eu tinha de aceitar, caso contrario continuaria sofrendo, foi a única coisa que entendi.

“ — A luz, vá a luz.” — foi uma voz materna que falou em minha mente, não consegui reconhecer a voz, mas aquilo me deu forças.

Caminhei devagar e quase caindo até o abajur apagado do quarto, porem antes que pudesse liga-lo um novo ser aparece a minha frente, desta vez era uma mulher, com um bebe no colo, os cabelos da mulher eram negros e seu olhos também, da mesma forma que todos os outros seres provenientes da escuridão, já o bebe, parecia ser um recém-nascido, tinha olhos acastanhados e cabelos da mesma cor.

“ — Olá, filho.” — foi a única coisa que ouvi a mulher falar, senti tudo escurecendo ainda mais que o possível, uma loucura preencheu minha cabeça.

“ — Não é possível, isso não, como aceitar isto?. “ — respondi a mulher me lançando ao chão e me encolhi como anteriormente entre meus joelhos.

“ — Você sabe o motivo de eu estar aqui, assim como sabe quem é o garotinho aqui... sua culpa, uma vida por uma morte, troca equivalente. “ — respondeu a mulher com uma voz tenebrosa, assumindo o controle.

Gritava, berrava, esperneava e nada e nem ninguém me escutaria, mas eu não queria aceitar, não foi minha culpa, com certeza não havia sido, não pedi para ser trouxe a vida, não pedi para que isso acontecesse, assim como não pedi para que todas aquelas outras tragédias acontecessem, eu não queria isso, nunca quis.

“ — Você queria, no seu interior, você queria, queria ser independente desde o momento em que lhe trouxe a vida e você retirou a minha.” — falou a voz, dando um sorriso largo e medonho. “ — Você sabe o que fazer garoto, apenas aceite, e tudo sumira, você parara de sofrer e logo voltara a sua vida cotidiana e sofrida que levava, sem sua família, sem parentes próximos, sozinho, sem amigos, apenas você e seus vícios.”

Não, isso eu não conseguia aceitar, poderia aceitar tudo, menos isso. Eu não causei a morte de minha própria mãe, aquela que me deu a vida, a que me trouxe a este mundo; mesmo sem perguntar se queria vir a ele.

Rapidamente uma luz branca veio a minha mente e um flash-back tomou conta. Uma maca de hospital, meu pai segurando a mão de uma mulher de cabelos castanhos e olhos verdes que berrava de dor. Um médico pediu para que o homem se retirasse e esperasse ali perto e então foi para dentro da sala de cirurgia. A visão embaçou e voltou direto para a situação do velório, o enterro de minha mãe, meu pai me segurando em seus braços e uma mulher do lado do mesmo, com um sorriso no rosto. Minha madrasta que nunca conheci supus, ou melhor, mãe do Héracles.

“ — Não foi eu, a culpa não é minha.” “- É, e você sabe disso, se não existisse toda sua familiar estaria viva, toda ela continuaria tranquilamente vivendo sem você, apenas um ser no verdadeiro mundo sofrido.”

Chorei, chorei um pouco mais e então a mulher sumiu e um garoto apareceu, este parecia ser verdadeiro, deveria ter uma media de onze anos de idade, um cabelo liso com a franja sobre a testa, olhos vivos e cheio de energia.

“ — Você sabe o que fazer, ainda tem como fugir disto, você não se lembrara propriamente deste lugar, mas saberá que não pode fazer tudo novamente, não pode.” — respondeu o garoto, da mesma forma que responderia se estivesse no lugar dele.

O garoto estendeu a mão para mim que depois de alguns minutos a segurei, usei o baixinho como apoio, com as lagrimas em meu rosto me aproximei do abajur e o liguei, rapidamente uma luz branca tomou conta de meus olhos, minha forma no passado sumiu e logo tive de tampar o rosto por causa da imensa luz que tomava conta do lugar.

Quando me dei conta estava deitado em uma cama, tudo parecia tão branco... me levantei devagar e observei meus pulsos, sem cortes, sorri levemente, me sentia mais forte, não tão cabisbaixo. Levantei-me devagar e fui colocar minha roupa, segui até a cozinha; apenas para ver meu pai e meu irmão rindo juntos, enquanto faziam seu café-da-manhã.

“ — Bom dia, dorminhoco. “ — falou meu pai com um sorriso no rosto, enquanto me dava aquele olhar que sempre era o mesmo de quando acordava atrasado. Meu irmão com nove anos correu até mim e me deu um abraço. Sorri para ele e correspondi o caloroso abraço.

Me juntei a eles no café da manhã, e enquanto comíamos jurei ter visto um vulto passando por trás de minha cadeira... uma mulher de olhos verdes, que sussurrara em meu ouvido:

“ — Faça diferente, tudo!. Ainda pode mudar as coisas.”

Não entendi o que ela falava ou quem era a mulher, mas sabia que aquilo valeria para todas as escolhas em minha vida, todas.

Notas finais
Deixem suas opiniões que lhes agradeço imensamente por isso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!