Welcome to my World!
10 O que está acontecendo comigo?
Notas iniciais
— Não mesmo! –Neguei na mesma hora. – Minha educação é ótima senhora. Apenas não sei lidar com pessoas ignorantes que se acham superiores as outras. Não preciso de aulas de boas maneiras. – Afirmei me levantando em seguida, exibindo uma expressão convicta e impaciente.
Peguei meu skate e fui em direção à escola, já percebi que terei um longo dia.
O tempo passou voando e logo eu já estava no meio de uma aula entediante de matemática. Após correr os olhos por toda a sala, pude notar que a Sophia não estava ali, para minha infinita sorte.
— Olá Alunos. – Disse o diretor, entrando na sala.
— Bom dia! -Todos responderam juntos.
— Quero avisar que amanhã vamos comemorar o aniversário de 30 anos da escola. Todos os alunos terão que estar presentes, caso contrário, irão perder todos pontos de conceito. – Ele avisou e nesse momento pode-se ouvir algumas pessoas comemorando. Já outras, como eu, reclamavam pelo fato de serem obrigados a ir nessa festa.
O resto da aula correu normalmente, sem grandes acontecimentos e logo o sinal bateu, me libertando daquele inferno para talvez um pior ainda...Vitor De La Riva.
...
— E aí? Como vai ser? — Indagou Vitor, me olhando.
— Eu limpo um lado da biblioteca e você o outro, não quero ficar perto de você hoje. –Avisei.
— Como quiser marrentinha. -Ele disse com um sorriso sarcástico e eu o fuzilei.
— Marrentinha é a sua avó garoto. -Eu disse, dando ênfase em "marrentinha".
— Como você consegue ser assim? Ontem estava tão legal e agora já se transformou nisso novamente.
— Olha aqui... – Comecei a dizer, mas ele me interrompeu.
— Você sabe que aquele chute que você me deu ontem doeu pra caramba, não é?
— Você... -Voltei a dizer e ele me interrompeu novamente.
— Você não devia fazer essas coisas. – Avisou, começando a me deixar nervosa, eu odeio quando as pessoas me interrompem. — Ah... eu te interrompi, não é? Foi mal. -Completou me olhando de forma sarcástica.
— Você não tem um pingo de educação mesmo, então acho que isso já está virando costume! -Revirei os olhos. — Mas como eu ia dizendo, você não sabe o quanto fico feliz ao saber disso. -Falei e sai em seguida, indo em direção ao outro lado da biblioteca.
Depois disso, eu e ele não nos falamos mais. Assim que acabei o que tinha que fazer ali, fui embora. Cheguei em casa um pouco mais de 2hrs da tarde, pedi para a empregada levar meu almoço no quarto já que eu não estava com a mínima vontade de me juntar a ‘’família feliz’’.
Liguei para Daniel e nós marcamos de ir na academia juntos a noite, já que só poderíamos nos ver assim, por ele ainda estar suspenso. Em seguida, resolvi sair para ver se encontro um trabalho por aqui, com certeza vou achar algo em que eu me interesse. Tomei um banho e depois coloquei a roupa mais adequada que encontrei, prendendo meu cabelo em um coque frouxo, acabei de me arrumar e desci as escadas quase cantarolando, tudo parecia ótimo, quando de repente uma voz disse:
— Onde você vai, América?
— Estou indo procurar um trabalho. Já disse que não quero depender de você para nada.
— Para trabalhar você precisa da minha permissão já que é menor de idade e eu não dou. -Disse minha mãe, cruzando os braços.
— Por que não? -Berrei.
— Você não precisa trabalhar nessa idade. Vou começar a te dar uma mesada todo mês, no valor que você quiser e está tudo resolvido. Eu quero que você se dedique apenas aos seus estudos agora. -Ela explicou.
— Mas eu quero trabalhar, não quero nada seu. – Reclamei, bufando.
— Sinto muito por você, mas será assim. -Ela foi firme, nada que eu dissesse a faria mudar de opinião.
—Droga. -Murmurei e subi para o quarto, muita brava. Não é possível que eu vá precisar dessa mulher para tudo agora. Odeio depender das pessoas, não importa quem seja, mas se tratando dela isso se torna pior ainda. Alguns chamam isso de orgulho, já eu chamo de não querer fazer papel de imbecil.
Passei o resto da tarde comendo pipoca e vendo alguns filmes na netflix, até dar a hora da academia. Não teve muita cerimônia, coloquei minha roupa de ginástica e fui. No caminho pude perceber que logo iria cair uma baita chuva, o céu estava nublado e escuro e não se passavam de 6hrs da tarde.
— Amanhã terá uma festa na escola, você tem sorte de estar suspenso, assim não precisa ir. – Comentei com Daniel, enquanto corríamos na esteira.
— Alguns amigos já me avisaram e é claro que eu vou. Nesse maldito tédio que estou, uma festa é tudo que eu preciso. -Ele disse e eu revirei os olhos, se tratando de Daniel eu já deveria esperar essa resposta.
— Pelo menos assim eu não vou ficar sozinha... -Eu disse.
— É provável que fique. Vou estar ocupado demais com algumas “amigas”. – Ele disse dando ênfase em Amigas.
— Ah, claro. Muito obrigada por ser esse primo maravilhoso. -Eu disse, sarcasticamente. Ele ia me trocar por meninas? Sério? Ridículo.
— Relaxa América, as festas da escola sempre são legais. — Ele comentou e eu, sem saber o que dizer, me forcei a sorrir. Conseguindo manter apenas uma suave e tênue curva de canto de lábio. No fundo, eu sabia que essa festa seria um desastre.
...
Assim que cheguei em casa uma penca de água começou a cair do céu, como eu já imaginava, fui em direção ao meu quarto e quando passei pela porta um raio tremendo caiu do Céu e a luz apagou. Tive que tampar a boca para abafar o grito. Respirei fundo e me aproximei de minha cama, cobrindo-me rapidamente.
—Tudo bem América, a luz só acabou... -Eu disse para mim mesma, na tentativa de me acalmar, algo que parecia impossível. Pode parecer besteira, mas eu morro de medo de coisas assim como o escuro, altura etc.
Até ali eu estava conseguindo me manter tranquila até que alguém abriu a porta de repente, meu coração disparou, mas logo o imbecil acendeu uma vela e eu me acalmei.
— Vitor!? O que você quer?
—A luz acabou aqui também? -Ele perguntou.
— Não, não, imagina. Eu só apaguei para você não ficar com inveja. -Ironizei, bufando.
— Ah... valeu então... Mas eu achei que quando acabava a luz era na casa toda. – Ele disse coçando a nuca.
— É claro que a luz acabou aqui também, pare de falar merda garoto. -Falei irritada.
— É claro que eu sei, menina. – Vitor entrou no quarto e se jogou em cama também.
— Me diga, o que você quer aqui? – Eu disse e me levantei da cama.
— Imagino que você não queira ficar no escuro. – Ele disse sorrindo e me encarou.
— Onde está todo mundo? -Perguntei cruzando os braços.
— Foram jantar fora. -Ele deu de ombros.
— Olha, você pode ficar, mas sai da minha cama. -Eu disse vendo que essa era a melhor opção, já que se eu o expulsasse dali ficaria no escuro por um bom tempo.
—Não saio mesmo. -Ele disse se deitando mais ainda e se cobrindo com minha coberta.
—Entre ficar sem luz, ter que te suportar ou morrer, eu acho que prefiro morrer. -Falei puxando minha coberta e me deitando na cama novamente, ficando o mais longe possível que consegui dele.
— Não precisa fazer tanto drama. -Ele disse colocando as duas velas no criado que estava ao lado de minha cama.
— Está me chamando de dramática? -Cruzei os braços.
— Se a carapuça serviu... -Vitor deu de ombros e voltou a virar-se para mim.
— Vitor... Cuidado... Atrás de você! -Falei ficando séria de repente.
— O que? – Ele disse me olhando.
—Cuidado... – Repeti fingindo estar assustada.
— Você está blefando, sei que não tem nada atrás de mim, América! – Ele disse dando de ombros.
— Você acha que eu brincaria com algo assim? É sério... fique parado... – Eu disse respirando fundo.
— P-para com isso... – Ele gaguejou e começou a virar a cabeça para ver o que estava atrás dele.
—Não olha, pode ser perigoso... Ai meu Deus... -Eu disse arregalando os olhos, segurando-me para não disparar a rir.
— América, o que tem atrás de mim? -Ele disse e eu pude ver o desespero em sua face. Não aguentei, disparei a rir e Vitor me fuzilou, confirmando que eu estava apenas tirando sarro de sua cara.
— Eu vou te matar. – Ele disse e segurou meus dois braços, furioso.
—Só se for de rir, baby! – Falei sem parar de rir – Solta o meu braço!
—A próxima vez que fazer isso vai me pagar muito caro, ouviu? -Ele disse sem me soltar. Vitor estava vermelho de ódio.
—Você está me machucando. — Comentei o encarando.
—Sei disso. -Vitor apertou mais ainda meus pulsos, tentei me soltar e ele para impedir me puxou para frente, juntando nossos corpos.
—Então por que não me soltou ainda? -Gritei começando a me irritar com aquela situação.
—Por que eu não estou com vontade. — Ele gritou também, e sua voz bem mais forte que a minha tomou conta da discussão que havia sido criada, fazendo um tremor percorrer por meu corpo.
—Mauricinho, estupido, miserável. -Eu disse me debatendo contra seu corpo, tentando sair de seus braços a todo custo.
— Céus, garota, qual é o seu problema? -Ele sussurrou me encarando.
Tentei relutar por mais algum tempo, mas depois desisti e o encarei também. Por uma fração de segundos, pude notar um brilho diferente em seu olhar. Um feixe de paixão. Surpresa, preferi ficar em silêncio. Em menos de cinco segundos minha respiração já estava acelerada e meus lábios entreabertos, estávamos tão próximos, seu olhar me queimava, fazendo-me arder por dentro. Pude sentir seus lábios encostando-se nos meus por no máximo dois segundos, até que de repente a luz voltou e com ela minha sanidade.
— Sai... Sai do meu quarto... -Eu disse com dificuldade, Vitor se levantou da cama também e tentou se aproximar de mim, então eu peguei uma almofada e apontei para ele. – Se você não sair eu taco isso em você!

—Juro que estou com medo de você com essa almofada. -Ele ironizou, gargalhando, então eu realmente taquei a almofada nele, com toda força que consegui, fazendo-o sair correndo dali.
Respirei fundo e levei as mãos até meus lábios sorrindo, quase havíamos nos beijado novamente... O que está acontecendo comigo?
``Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam?
Tantos.
Não ser um desses, é essa a tua missão.- Richard Bach``
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