Welcome to my World!
15 Garota em chamas!
Notas iniciais
Não passou muito tempo e logo já havíamos chegado em casa, eu e Vitor não trocamos nenhuma palavra durante todo o percurso, acho que nós dois estávamos aflitos demais pensando em tudo que estava rolando entre a gente. Quando chegamos, apenas sai do carro rapidamente e entrei.
— América — Ele chamou indo atrás de mim.
— O que é? — Perguntei, parando de andar quando estava prestes á subir as escadas.
— Não acha que tem que me agradecer? — Retrucou, repuxando os lábios.
— Agradecer pelo que? — Perguntei franzindo o cenho — Por ter fingindo transar comigo e por ter me irritado? -Conclui com um sorriso extremamente sarcástico.
— Na verdade não. Agradecer-me por eu ter impedido que você fosse estuprada e por ter tido a consideração de te levar embora, quando eu poderia simplesmente ter deixado você lá. — Disse andando até á escada, e parando ao meu lado, eu revirei os olhos e o encarei por alguns segundos.
— Obrigada De La Riva, satisfeito? Mas você não fez nada que eu não pudesse ter feito sozinha. -Falei dando de ombros.
— Acho que tem algo errado nesse seu “obrigado”, seu orgulho tomou um lugar maior do que seu agradecimento. Poderia repetir? -Sugeriu sarcasticamente, apenas revirei os olhos e terminei de subir as escadas.
Assim que cheguei em meu quarto, me joguei em minha cama, respirando fundo, era bom estar em casa novamente, apesar de toda aquela confusão tudo estava bem, era o que eu acreditava, até aquele momento.
— Olá América! -disse Sophia, surgindo do nada.
— O que você está fazendo aqui? — indaguei, praticamente pulando da minha cama.
— Apenas vim conversar, somos amigas não é? -disse sentando-se em minha cama.
— Você não pode invadir minha casa assim. — falei, tentando manter a calma.
— Eu não invadi, disse para a empregada que somos amigas e ela me deixou subir. — explicou, dando de ombros.
— Mas nós não somos amigas! E mesmo que tivéssemos alguma intimidade você não poderia chegar aqui sem ser convidada — falei pausadamente, para ver se ela entendia, porém, a garota apenas me olhou como se eu tivesse algum problema mental, era inútil tentar explicar qualquer coisa para Sophia.
— Está bem — Respirei fundo — O que você quer? — perguntei.
— Você saiu cedo da festa ontem! — Comentou, começando a abrir as gavetas do meu guarda-roupa, fuçando minhas coisas.
— Não tinha nada interessante lá — falei, fechando todas as gavetas que ela estava abrindo.
— Sério? Você parecia estar se divertindo, aliás, saiu de lá com um tremendo gato! Pode me dizer o que rolou entre vocês?
— Está falando do Vitor? Não aconteceu nada entre nós e ele nem é um “tremendo gato” — falei, mas eu mesma não pude acreditar em minhas palavras.
— Sério que você foi tão burra? Ele é muito gostoso! -Ela disse e eu respirei fundo.
— Ele não é pro teu bico! -Gritei parecendo uma namorada ciumenta — Não é gostoso e… E ele é ridículo — Falei e ela me encarou confusa, realmente eu não tinha me expressado bem, ao mesmo tempo em que parecia estar com ciúmes, parecia odiá-lo. — E quer saber? Para de mexer nas minhas coisas, Sophia! -Reclamei finalmente, já estava demorando.
A garota soltou uma gargalhada em baixo tom.
— Está rindo do que? — Perguntei, colocando as mãos na cintura.
— Você é louca por ele, não é?
— O-o que? Claro que… Claro que não, garota! De onde você tirou isso? — Praticamente gritei, com os olhos arregalados.
— Tem vários tipos de apaixonados. Os que se rendem logo no início e os que tentam resistir — Afirmou como se fosse uma especialista — Você escolheu a segunda opção, que segue a seguinte ordem: Suposto ódio, negação, mas depois também se rendem — ela bufou. — Isso é tão clichê, não acha? Eu prefiro a primeira opção.
— E eu prefiro a opção em que você sai da minha casa! — Falei sem nenhum pingo de consideração.
— Ele é filho do seu padrasto, não é? -Perguntou, ignorando minhas palavras.
— Hey, como você sabe disso? – Questionei.
— Somos da mesma sala, esqueceu? Sou mais observadora do que pareço ser, garota em chamas! -Disse me encarando como se eu fosse uma tremenda imbecil.
— Garota em chamas? — Voltei a questionar, com certo deboche.
— Bom, não sou muito criativa, então tive que roubar o apelido da Katniss mesmo. — Disse referindo-se a garota do filme "Jogos vorazes" — Mas ninguém liga, afinal, esse apelido cai melhor em você. Chamas é fogo e na verdade, você sempre parece estar pegando fogo por causa desse seu... jeito e não é só isso, fogo é meio vermelho e você é ruiva! — Deu seus motivos, seus olhos chegavam a brilhar — Eu descobri a nova versão dos Jogos Vorazes! Agora apresento ao mundo: América, a menina que pega fogo! — Ela disse e eu apenas fiquei encarando-a séria durante todo esse tempo.
— Sabe Sophia, tudo que você diz parece ter saído da boca de um ET — Contei quase em um sussurro, gesticulando com as mãos para que ela entendesse e em seguida continuei — Alô, alô, é do outro mundo? Acho que vocês esqueceram um alienígena aqui, o nome é Sophia. Poderiam vir buscar? — Brinquei, simulando estar falando com alguém no telefone.
Sophia começou a rir e eu também.
— Eu vou embora. -Sophia avisou, após cessar os risos.
— Você é totalmente do contra, quando tinha que sair não quis e agora quer ir — Constatei, balançando a cabeça.
— Você quer que eu fique aqui? Olha que eu aceito, podemos fazer uma maratona de séries! — Ela praticamente gritou, jogando-se em minha cama.
— Na verdade eu não quis dizer bem isso, mas... A maratona de séries parece ser interessante!
Sophia vibrou como uma criança de sete anos, fazendo–me rir mais uma vez.
Tudo certo, eu não preciso ficar grudada nela pra sempre, mas, hoje está sendo um dia ruim, na verdade, todos os dias desde que eu cheguei aqui estão sendo assim.
Sempre estou totalmente entediada, as vezes triste e outras vezes simplesmente confusa. Sempre com os olhos no futuro e com o único objetivo de sair daqui, sem nem saber o que acontece depois disso.
Enfim, em meio a esse turbilhão de sentimentos e coisas que me perturbam, Sophia me fez rir, isso é especial.
Então vou abrir uma exceção!
"A vida é cada momento.Será que aproveitamos estes momentos ou deixamos todos os momentos do nosso presente passem despercebidos, porque estamos com os olhos fixados no futuro? " — Natalia Felix.
Fale com o autor