Welcome to my World!
17 Algumas horas intenso demais, outras horas indiferente demais!
Notas iniciais
Eu estava tomando banho, tentando relaxar um pouco, algo que parecia impossível, já que eu lembrava daquele maldito beijo de Paula e Vitor o tempo inteiro, por mais que eu quisesse esquecer, eu não conseguia. Respirei fundo e me levantei da banheira, vesti um moletom cinza da adidas e uma legging preta.
—Você está bem, Méri? — Sophia perguntou, assim que eu abri a porta do banheiro, fazendo-me arregalar os olhos, assustada.
—Você me assustou. — Avisei, encarando-a.
—Você está melhor? — Voltou a perguntar, rolei os olhos.
— Desde quando eu estava passando mal? Não lembro. — Falei, com a voz carregada de cinismo.
—Você entendeu. — Ela disse, cruzando os braços.
—Na verdade não, aliás, nunca entendo nada que você fala. — Dei de ombros.
— O beijo da Paula e do Vitor! — Explicou, se aproximando de mim.
—Era pra ter me afetado? Por que eu não dei a mínima. — Menti, arqueando a sobrancelha, como se realmente não tivesse dado importância alguma.
—Você ficou magoada com o beijo deles, eu percebi. — Ela disse e eu bufei.
—Por que você sempre acha que sabe de tudo? Você não sabe nada sobre mim, não aja como se soubesse. — Falei e sai do quarto rapidamente, antes que ela tivesse tempo de responder.
No momento, tudo o que eu queria era distância de Sophia, sabia que se caso eu continuasse ali, ela iria me interrogar a noite inteira e eu não quero isso. Andei rapidamente até á cozinha, torcendo para não me encontrar com ninguém, porém, como não posso jamais perder minha fama de a garota mais azarada do mundo, tinha alguém lá e, para piorar, a pessoa que eu menos gostaria de encontrar no momento.
Vitor, o imbecil.
—E aí, está melhor? -Ele disse assim que me viu.
—Por que todo mundo está me perguntando isso? -Revirei os olhos.
—Talvez por causa da sua crise de ciúmes ao me ver beijando a Paula. — Ele mordeu o lábio inferior, soltando um sorriso um tanto cafajeste.
—Vê se para de se iludir. Eu não estava com ciúmes de você, apenas havia me cansado daquela brincadeirinha fútil e depois fiquei irritada por aquela garota ter derrubado suco em mim, foi só isso.
—Entendi. — Ele falou, mantendo aquele sorriso que tanto me irritava, porém, apenas fiquei calada e andei até a geladeira. -Como está sendo a noite, você e a Sophia estão se divertindo muito? -Voltou a dizer, tentando puxar assunto.
—Está sendo normal, sem grandes emoções, na verdade, sem emoção nenhuma. — Falei e Vitor gargalhou, o encarei não entendendo a graça e em seguida, abri a geladeira, pegando uma jarra de suco de limão.
—Você não tem muita experiência com amizades, não é? — Perguntou, abrindo o armário e pegando dois copos, em seguida, entregando-me ambos.
—A única amiga que eu já tive foi a Mila, uma tartaruga. — Falei, despejando o líquido nos copos.
—Você é doente. -zombou, bebendo um pouco do suco, mas, logo continuou.- Então me diz, onde ela está agora? — perguntou e eu respirei fundo, não queria ter que responder essa pergunta.
—Morta. -contei e Vitor me encarou, provavelmente estava arrependido de ter perguntado isso — Tudo bem, não tem mais importância. Quer dizer, teve muita, mas, já entendi que tudo sempre vai embora, a vida é assim.
—América, quero pedir desculpas por ter beijado a Paula, é sério. — disse, mudando de assunto repentinamente.
—Não quero voltar a falar sobre isso, não confunda as coisas De La Riva, só estamos conversando por puro tédio, nada mudou. — Falei e ele sorriu.
—Não é possível te entender nunca. -Ele praticamente sussurrou, se aproximando de mim de forma suspeita, o encarei erguendo a sobrancelha, ele apenas sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. O que ele pensa que está fazendo? Estava prestes a dizer alguma coisa, mas, antes que eu tivesse a chance, Vitor me prensou contra a parede, esse ato fez com que eu prendesse o ar por alguns instantes, voltei a encará-lo, mas, assim que senti seu rosto se aproximar do meu, tentei afastá-lo, entretanto, antes que eu tivesse algum êxito, Vitor subiu o copo de suco que eu tinha o entregado há alguns minutos atrás e despejou completamente tudo em minha cabeça, o empurrei bruscamente, tentando me limpar de alguma maneira.
—Você é maluco, garoto? -gritei, o metralhando com o olhar.
—Desculpe ruivinha, mas, é que na verdade eu precisava fazer isso. Quando a gente se conheceu, você fez a mesma coisa, lembra!? Desde lá, eu tinha a necessidade de me vingar, então... Agora é minha vez de dizer: Welcome to my World, baby! — Disse rindo e saiu em seguida.
Dessa vez, fui eu quem não me movi.
Apesar disso, não pude impedir que um pequeno sorriso escapasse por meus lábios, ele ainda se lembrava de como tínhamos nós conhecido... Na verdade já fazia bastante tempo, era bom recordar! Pisquei os olhos várias vezes consecutivas, quando senti uma ardência por causa do limão, qual é o meu problema, não é como se fosse um momento feliz e nostálgico. O De La Riva é um idiota, na verdade, dessa parte eu já sabia, agora era a vez de descobrir como eu iria me vingar.
(...)
Quando voltei para o quarto, Sophia não estava ali. Algo em mim tinha certeza de que ela estava com Daniel, mas, preferi confirmar. Tomei outro banho rápido, apenas para que aquele cheiro insuportável de limão saísse de mim, em seguida, sai para procura-la. Não precisei andar muito pelos corredores da casa para logo ouvir algumas risadinhas, outrora, gemidinhos, de Sophia e Daniel. Os barulhos vinham de um dos quartos de visita da casa, era exatamente o que eu tinha imaginado. Eu sabia que isso não é o mais certo que Sophia devia fazer, eles acabaram de se conhecer e, principalmente, eu conheço o Daniel. Algumas horas intenso demais, outras horas indiferente demais, provavelmente no dia seguinte, ele nem iria saber quem era Sophia. Mas, quer saber, eu não ligo, nunca me importo com as pessoas mesmo, então eles que arquem com as consequências depois.
Dei meia volta decidida a voltar para o meu quarto, mas infelizmente, no meio do caminho encontrei-me com Paula.
—Estou ouvindo os barulhos lá do meu quarto. — Reclamou, bufando. — Sua amiga é bem apressadinha, não é? Já está se oferecendo pro meu irmão. -Paula falou, eu tive que segurar o riso quando a fitei, ela estava com uma coisa estranha e verde no rosto.
— Acredito que você não seja a pessoa mais indicada no mundo para julgá-la, não é? -Falei, com um sorriso sarcástico nos lábios. — E vê se tira isso do rosto, você está ridícula! — Completei, saindo em seguida, ficar perto de Paula por mais de dez minutos me deixava extremamente sem paciência.
Dia Seguinte...
No domingo acordei bem cedo, melhor dizendo, de madrugada. Levantei-me, encarando meu reflexo no espelho, não me orgulho nada do que vejo. Eu ainda devia estar dormindo, a cama ainda estava em mim, não sei como eu estava conseguindo me manter em pé. Entretanto, sei que valerá a pena, pelo Vitor tudo vale a pena, quer dizer, para me vingar dele tudo vale a pena!
Pego uma câmera antiga que eu tinha esquecido por anos, nem sequer sei por que a trouxe para cá em minha mudança, mas, por sorte, ela está aqui. Será algo de extrema ajuda no que eu pretendo fazer contra Vitor. Passo a mão sobre ela, tentando tirar o excesso de poeira, usei essa câmera apenas em uma época da minha vida em que eu estava realmente decidida a gravar tudo o que eu fizesse nos meus dias, para que quando eu ficasse mais velha, pudesse ver e nunca esquecer, meu pai fez essa bobagem passar bem rápido, ele disse que caso eu continuasse com aquilo alguém iria roubar a câmera e me levar para longe, assim nunca mais poderíamos nós ver, no fim, ninguém precisou me roubar e me levar para longe para fazer que nós não nos víssemos mais... Andei até a televisão e conectei a câmera ali, começando a ver alguns vídeos, como eu era pequena e sem maturidade, eu tinha uma visão perfeita da vida e sem duvidas nenhuma, muita inocência no olhar. Não consegui ver aquilo por mais de cinco minutos, logo meus olhos encheram-se de lágrimas, como eu tinha saudades daquela época. Desliguei a TV e expulsei esses pensamentos aleatórios de minha cabeça, preciso focar em minha real meta de hoje, antes que Vitor acorde e acabe com todos meus planos de vingar-me.
"Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam pra trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos. — Jeremy Irons. "
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