Welcome to my World!

33 A dor ainda estava ali!


Notas iniciais
Oiie gente! Tudo bem? Capítulo tá bem triste, não vou negar que até deixei umas lágrimas cair escrevendo kkk, mas eu choro por tudo então não conta! Ahh, vão ler logo ♥ Música pra acompanhar o capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=fGieDlcKs7Q

Minha cabeça doía, ou melhor, meu corpo inteiro doía. Senti minhas mãos suarem, não tinha força para abrir os olhos, mas precisava abri-los. Precisava encarar aquilo.

Pisquei duas vezes.

Na primeira visão vi uma parede branca. Eu estava em meu quarto.

E pela segunda, já conseguindo ver melhor, encarei meu pai.

— Oi. — Ele disse em tom baixo, assim que percebeu que eu havia acordado.

— Oi — Respondi no mesmo tom, respirando fundo. — E aí, o que acontece agora?

— Como assim? — Meu pai perguntou, encarando-me confuso por minhas palavras.

— Vai me levar embora? Mudar minha vida toda de novo? O que acontece comigo dessa vez, pai? Como vai se livrar de mim agora? — Perguntei com a voz um pouco mais alterada que devia, levantando-me da cama. Ele me encarou incrédulo por uns instantes, assustado por minhas palavras, mas logo disse:

— Por agora apenas coloque a roupa mais infeliz que você tiver e vá ver sua mãe pela última vez! — Após isso ele saiu.

Assim que desci ás escadas, fitei Daniel e Sophia ali.

— Oi, gente. — Falei, tentando ignorar os olhares de pena que eles me dirigiam.

— Oi Méri, está tudo bem? Ai, que pergunta idiota, claro que não está... — Sophia disse, calando-se em seguida.

— Onde estão todos? — Perguntei, apenas ignorando-a.

— Já foram para o velório. Eu meio que vim buscar você! — Daniel explicou e eu apenas balancei a cabeça em concordância.

— Belo vestido... Foi ela que te deu não é?

— "Ela" morreu Daniel, mas ainda tem nome... — Falei sorrindo sem humor algum. — E sim, quando minha mãe comprou, disse brincando que seria meu vestido do "luto" por ser extremamente preto, então... — Falei com certa dificuldade, mas antes que eu terminasse, Daniel me abraçou forte, como se tentasse tirar toda dor que eu estava sentindo.

Mas assim que ele se afastou, a dor continuava ali, acabando comigo.

— Podemos ir logo? — pedi, esboçando outro sorriso falso novamente.

Pelo visto o dia se basearia nisso. Meu falso controle emocional e um enterro baseado em falsidade.

(...)

Assim que entrei ali fitei àquelas rosas espalhadas por todo canto, e bem no meio daquela enorme sala, o caixão... Aquilo me deu arrepios. Desviei o olhar rapidamente e logo, senti os olhares de todos sobre mim.

Eu sabia o que todos esperavam que eu fizesse agora: Chorar, gritar e dizer o quanto a vida era injusta!

Mas isso não ia trazê-la de volta.

Duvidei se conseguiria ficar ali, minha vontade era de fugir pra longe mas, logo senti a mão de Daniel sobre meu ombro e soube que precisava entrar.

Fui logo em direção á minha mãe, ou melhor, do caixão onde ela estava. O que eu vi assim que me aproximei, doeu. Doeu mais que posso descrever. Só quem já perdeu uma mãe sabe da dor que estou sentindo agora! E o pior, nem pude passar tanto tempo com ela, grande parte por culpa do meu orgulho exagerado. Como daria tudo para voltar no tempo... As coisas seriam diferentes!

Senti meus olhos se encherem de lágrimas e por um instante tentei até impedi-las, mas assim que meu olhar pousou em minha mãe novamente, todo aquele sofrimento veio á tona...

Deitei-me sobre aquele caixão, como uma garotinha de cinco anos, e então chorei... As lágrimas caíram como nunca. Senti-me uma completa imbecil chorando diante todas aquelas pessoas. Mas isso não importava agora. Fechei os olhos, abracei o corpo pálido e frio de minha mãe e desejei mais que nunca poder dormir para sempre ali com ela.

Por que a vida era tão injusta comigo?

Sempre essa sensação de que o mundo está contra mim!

O que me impede de ser feliz?

Sempre que eu penso que está tudo bem o universo parece me dar um tapa bem na cara, como se quisesse dizer: Ei, não foi o suficiente tudo o que você já passou, sofra um pouco mais!

Eu apenas queria ter outra vida, uma vida em que eu pudesse ser feliz.

É pedir demais?

Quando finalmente voltei ao mundo real, percebi que várias pessoas estavam em volta de mim.

— SAIAM DE PERTO DE MIM! — Gritei, tacando umas flores inúteis no chão. — Não preciso da pena de vocês... Aqui tem mais de cem pessoas! E sabem quantas realmente estavam ao lado da minha mãe? Nem vinte... E desses vinte, ainda tem aquela grande porcentagem dos que foram uns babacas com ela. Mas é mais fácil assim, não é? É mais fácil aparecer no final de tudo, dizer que lamenta e ir embora. Mas a verdade é que poucos aqui se importam de verdade! Mas qual é, idaí? É mais fácil não ligar mesmo. – Falei tais palavras em alto e bom som.

E aquelas pessoas não tiraram os olhos de mim nenhum instante, e no fim, alguns até choravam... Ótimo, agora estavam comovidos pela minha maldita dor que insiste em se manter, e com certeza também está bem estampada em meu rosto! – E querem saber mais? Quem organizou essa merda é um idiota. Qualquer um sabe que minha mãe odiava essas rosas.- Falei com a voz por um fio, e após isso, apenas sai correndo dali.

Corri tanto que cheguei a quase ser atropelada na rua, não conseguia parar... Eu esperava que em algum momento o cansaço pudesse ser tanto que superaria aquela tristeza enorme, mas não foi isso que aconteceu.

Parei de correr e encostei-me em uma parede para tentar recuperar o ar e após isso:

A dor ainda estava ali... e as lágrimas também.

Escorreguei por aquele murro, até me sentar no chão, após isso abracei meus próprios joelhos.

Não estou disposta a sair daqui, não estou disposta a voltar pra casa e muito menos disposta a querer continuar essa vida.

Mantive esses pensamentos depressivos até perceber que aquela rua não estava mais tão solitária.

Percebi que alguém havia se sentado do meu lado, eu já sabia muito bem quem era, reconheceria aquele cheiro mesmo á quilômetros de distância, então apenas joguei-me para o lado, deitando-me em seu colo.

— Vai ficar tudo bem, ruivinha... Essa dor vai passar. – Vitor disse, acariciando meus cabelos.

— Diz isso pro meu coração. – pedi o encarando e percebi que seus olhos também estavam cheios de lágrimas. – Por favor! – Sussurrei, começando a chorar ainda mais.

Nesse instante, o garoto apenas me abraçou bem forte. Agradeci aos céus por Vitor estar aqui, se alguém podia me fazer sentir melhor é ele.

— O que está fazendo aqui? – Perguntei, após uns minutos.

— Eu segui você – Ele explicou, rindo de leve.

— Vitor... Isso não pode continuar! – Falei me afastando dele, nesse momento ele apenas parou de sorrir ficando sério imediatamente, como se já soubesse o que eu diria agora – Há um ano atrás, se alguém me perguntasse de amor, eu diria que é bobeira, mas isso mudou quando conheci você. E hoje eu tenho certeza que eu amo você e nem em mil anos eu seria capaz de negar isso. Só que o amor ainda é cruel, ele ainda acaba com a gente no final, e talvez seja covarde da minha parte acabar com tudo isso que temos por medo, mas... Eu simplesmente não quero deixar o tempo passar e me apegar mais á você, por que no fim eu de qualquer jeito vou perder você – Analisei sua expressão a cada palavra que eu dizia – Escuta, eu vou embora com meu pai e provavelmente nunca mais vamos nós ver mesmo, então é melhor terminar com isso agora.

“O cérebro das pessoas para de funcionar quando pensam que vão perder alguém que amam.”— Greys Anatomy.

Notas finais
E aí, gostaram? O que acham da decisão da América de terminar tudo com o Vitor? Comentem ;)