Welcome to my Life
1 Prólogo
Notas iniciais
Bem... Aproveitem a leitura.
“Olá, como estás?
Quando você é um adolescente, sua vida consegue ser particularmente complicada.
Pode ser idiota, mas é foda.
Com tantos problemas para se pensar na vida, como conseguir boas notas na escola para poder passar de ano, para assim poder entrar na faculdade e depois ter a possibilidade de um bom emprego, carro, casa, família e todas essas coisas que as pessoas jogam em nossas costas joviais de agora, na esperança de que atinjamos o quanto antes os objetivos da vida adulta. Aparentemente minha vida é um jogo eterno, onde tenho que sempre correr atrás e quase me matar para conseguir passar pro próximo nível. Pelo menos, é a única metáfora que faz sentido para mim.
E dentre toda essa responsabilidade, que a cada dia se torna mais pesada em minhas costas de aluno de terceiro ano, tem aquela coisa chamada família e a outra chamada vida pessoal. E o “foda” de ser adolescente é justamente ter que manter, ou pelo menos tentar manter, o equilíbrio entre essas três coisas.
Esse “triângulo illuminati”, ou essa “tríplice maldita” é o que ferra a vida de todo adolescente, e comigo, a coisa não é diferente.
Meu nome é Lucas e tenho dezessete anos. Estudo num colégio particular meio bosta, com professores estranhos, de uma cidadezinha pequena ainda mais bosta que a escola. Moro com minha mãe e meus dois irmãos, Pedro e Carlos, sendo eles mais velho e mais novo, respectivamente.
Pois é. Sou o “do meio”. E eu odeio ser o “do meio”. É muito detestável. O mais velho, é o “primogênito”. O mais novo, é o “caçula”. E eu, sou essa bosta de “do meio” que não tem nominho especial.
Dificilmente vejo meu pai, porque ele trabalha em outra cidade. Aparece por aqui só aos fins de semana e como sempre está cansado, não falamos muito. Eu até era grilado com isso quando era mais novo, mas agora já não faz diferença. Não que eu tenha rancor ou raiva, nada disso. Só sou... Quieto. Na verdade, sou bem na minha, em casa e na escola. Quase nunca puxo conversa com ninguém. Mas também não sou imbecil, se falam comigo, eu respondo.
Agora voltando ao lance de “ser adolescente é foda”. Estou no meu terceiro ano do ensino médio. E é tipo... O último ano. Eu tenho que passar. Se eu não passar, vou ter que ir pro cursinho e todo mundo fica me metendo medo sobre ir pro cursinho. Que se eu for pra lá vou ficar por muito tempo, e que vai atrasar minha vida e os caralhos.
Resumindo: cursinho, igual a atraso de vida. Então me cago de medo de ir pro cursinho.
E aí estudo. Sou esforçado e tal, mas não sou aquele nerd. Ou aquele cara natural e monstruosamente inteligente que pega tudo de primeira e não tem que estudar muito, ou nem estudar. Sou aquele aluno mediano. Sempre com meus setes e oitos. Sou feliz com meus setes e meus oitos. Ou pelo menos era, no passado. Agora ando meio muito desesperado para aumentar minhas notas, mas... É, ficou só no desespero mesmo, porque não adianta estudar mais, continuo sempre na mesma.
Já estou na metade do meu terceiro ano, e meu futuro vai ser decidido daqui a três meses, quando rolar uma prova de nível nacional que basicamente vai dizer o que eu posso estudar e aonde de acordo com minha nota.
Meu sonho é cursar jornalismo.
Aliás, não é sonho, sonho, sabe? É só... O que eu acho que vai dar certo pra mim. Gosto bastante de ler artigos e curto umas redações. Então... Pronto, é a área pra mim. É o que eu quero pra minha vida.
Preferencialmente, quero cursar jornalismo aqui em Minas mesmo, mas se eu não conseguir nota, vou ter que fazer algum tipo de magia negra e conseguir passar em algum outro lugar. Ou talvez mudar o curso... Ou ir pra porra do cursinho, argh.
Enfim, agora tenho que ir dormir porque amanhã cedo tenho aula. As férias já acabaram e minha pouca paz também.
Um abraço apertado e um aperto de mão,
Lucas.”
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