Welcome to badlands

9 Capítulo oito: lugar de veado é na floresta.


A primeira coisa que Sawyer sentiu foi um chute. Ele conhecia tão bem aquela sensação que não tinha como errar. Ele se afastou de Aiden, alarmado.

— Bonecas — um garoto disse. Estava em cima da cabeça deles. Sawyer estava desnorteado, o coração acelerado no peito, a sensação da língua de Aiden ainda em sua boca. Aiden notou o garoto só naquele momento, mas não fez menção de levantar. Sawyer cuidaria daquilo, ele sempre cuidava — desculpem atrapalhar o beijo — o garoto disse, rindo — mas acho que lugar de veado é na floresta.

— Por que você não tá lá então? — Sawyer levantou, empurrando os ombros do garoto. Não o conhecia, mas isso não fazia diferença. Era apenas mais um babaca.

— Não sou eu que estou beijando qualquer um por ai — o garoto deu de ombros e quando Sawyer olhou para trás notou que um garoto segurava Aiden por trás, apertando os braços dele nas costas.

— Solta ele — Sawyer deu um passo em direção aos dois, mas o garoto que o chutou o puxou pelo braço.

— Não faz isso, Sawyer — ele disse, se aproximando do ouvido de Saywer e sussurrando. Sawyer cerrou o maxilar e os punhos, se virou na direção do garoto e lhe deu um soco. Ele caiu por causa da força e Sawyer seguiu até Aiden, que estava se debatendo para sair do aperto daquele outro garoto. Sawyer pensava que os covardes estavam em dois, mas quando encarou o outro lado da praça, notou uns cinco se aproximando.

Normalmente isso não o abalaria, mas ele estava fora de si. Nervoso, assustado por Aiden e um pouco bêbado.

Ele avançou até o garoto, torcendo que desse tempo até os outros se aproximarem.

— Solta ele ou eu te mato — Sawyer disse, tirando um canivete preto do seu bolso de trás. Aiden arregalou os olhos e o garoto atrás dele aliviou o aperto.

— Você não teria coragem — o garoto disse, rindo. Aiden estava nervoso, mas preferia que Sawyer fosse embora para não se machucar.

— Sawyer — Aiden tentou chamá-lo enquanto ele se inclinava com o canivete na mão. Segurava tão forte que os nós dos seus dedos ficaram brancos.

Sawyer não escutou Aiden murmurando “não faz isso”, ele apenas fez. Direcionou o canivete na direção do braço do garoto, que gritou bem alto, fazendo Aiden se contorcer, e o soltou. Sawyer e Aiden correram, não ficaram para ver se estava saindo muito sangue.

Keith e Tristan voltaram juntos para a casa naquela noite. Estavam felizes. Saíram juntos depois que Tristan e Katherine se beijaram. Keith e Vanny ficaram empolgados pelos dois e resolveram ir até a piscina. Era estranho sem Aiden ou Sawyer, mas não era ruim.

Eles estavam andando até a casa de Keith quando notaram a aglomeração na praça.

— O que aconteceu ali? — Tristan arregalou os olhos.

— Não sei — Keith estava curioso, mas o cansaço poderia facilmente vencer. Mas então quando olhou para a direita, em direção ao caminho para a casa dos garotos, enxergou Aiden correndo. Ele sabia que era o Aiden pelo modo que ele corria, graças ao esforço de anos para acompanhar Sawyer nas corridas, o garoto corria de um jeito desajeitado.

— Prefere ver o que aconteceu ou ir até Aiden? — Keith perguntou, mas quando notou Tristan já estava no círculo pequeno em volta de um garoto com braço machucado.

— Ele me esfaqueou, aquele imbecil — ele estava dizendo quando Keith se aproximou.

— Quem? — Tristan perguntou. O garoto que chutou Sawyer os encarou, mas engoliu em seco antes de responder.

— Sawyer. Mas não foi nada grave — ele revirou os olhos e se aproximou de Tristan e Keith — só tem um corte pequeno ali, mas ele tá exagerando. Não deem atenção. Acho melhor irem até seus amigos.

Keith e Tristan não retrucaram, apenas deram de ombros e foram até a casa de Sawyer.

Sawyer demorou para abrir a porta. Não estava com medo por ele, mas por Aiden. Sawyer não se importava caso alguém quisesse bater nele, estava acostumado. Mas Aiden não merecia aquilo.

— O que aconteceu, cara? — Keith entrou — Olá — cumprimentou a mãe de Sawyer, que estava jogada no sofá. Ele sempre fazia isso, mas nunca recebia uma resposta decente. Às vezes um olhar cansado e alienado, outras vezes alguns sussurros, que Keith temia, mas sabia que não eram para ele.

— Vamos pro quarto — Sawyer murmurou e correu escada acima. Aiden estava deitado na sua cama, tentando dormir. Sawyer não conseguiria dormir tão cedo.

— Você esfaqueou aquele garoto? — Tristan foi o primeiro a perguntar quando Sawyer finalmente fechou a porta.

— Ele mereceu — Sawyer disse, tentando se justificar. Ele não se importava com todas pessoas que batia, mas ninguém podia machucar seus amigos.

— Ele tentou me bater — Aiden disse. Estava de costas para os três, encarando a janela aberta. A cortina furada voando com o vento, parecendo um fantasma.

— Justo — Keith disse e se jogou ao lado de Aiden na cama.

Sawyer encarou os três garotos. Tristan sentou no chão ao lado da cama.

— Querem dormir aí hoje? — ele perguntou para Keith e Tristan. Aiden já estava pronto para dormir ali, de qualquer forma.

— Claro — Tristan deu de ombros e Sawyer começou a fazer uma cama improvisada no chão.

— Keith, não se importa de dormir com Aiden aí, né?

— Ah, velho — Keith levantou — não vou roubar tua cama. Eu durmo no chão.

— Deixa quieto — Sawyer disse, a voz rouca — pode ficar aí. Tristan, se importa de dormir comigo?

Aiden virou vagarosamente para os garotos. Encarou Sawyer, que estava evitando ao máximo o seu olhar.

— Não — Tristan suspirou. Estava aliviado. Ficaria longe da tia. Teve uma tarde incrível e passaria a noite com seus amigos. Nem Seth o assustava. Ele sabia que seus amigos o ajudariam.

Keith foi o primeiro a dormir. O ronco invadindo o quarto. Seth apareceu em casa quase de manhã. Estava usando um terno pelo que Sawyer pôde ver quando desceu para a cozinha.

— Onde tava? — Sawyer perguntou, bebendo água. Estava muito alerta para conseguir dormir. Seth encarou o irmão, acendeu um cigarro e se jogou em cima da mesa.

— Trabalhando — ele murmurou. Seth parecia velho, Sawyer notou naquela luz fraca da cozinha. Apenas quatro anos de diferença, mas naquela noite Seth parecia ter quase trinta anos.

— Beleza — Sawyer murmurou, estranhando o terno de Seth, mas não querendo perguntar. Sabe-se lá que tipo de trabalho era aquele. Não era a primeira vez que Seth usava aquele terno, mas Sawyer nunca se interessou.

— Boa noite, pirralho — Seth murmurou, e quando Sawyer passou por ele, ergueu a perna e lhe deu um chute fraco, Sawyer foi de encontro a geladeira, mas não machucou. Ele riu, saiu da cozinha e deixou Seth fumando seu cigarro e procurando alguma bebida.

Quando estava subindo as escadas para o quarto, Sawyer se assustou com alguém sentado no primeiro degrau.

— Vai dormir, Aiden — Sawyer o cutucou.

— Tô sem sono — Aiden murmurou e Sawyer sentou ao seu lado.

— Tá tudo bem?

— Não, né — ele suspirou — acha que fizemos errado?

— O que?

— Na praça — Aiden engoliu em seco, nervoso. Estava balançando a perna, mexendo na madeira da escada com a unha. Tinham algumas lascas faltando e ele tentou se concentrar nelas.

— Eu que fiz aquilo. Se o cara quiser vir atrás de mim...

— Não — Aiden ergueu os olhos — não tô falando disso — ele sussurrou. Sawyer desviou os olhos, encarando a cozinha, a luz ainda estava acesa, mas não queria falar sobre aquilo na escada. Não queria falar sobre aquilo e pronto.

— A gente fala sobre isso amanhã — Sawyer levantou, ignorando os protestos de Aiden e foi para o quarto.

Na manhã seguinte Tristan estava renovado. Levantou do chão com dor nas costas, mas estava feliz. Ele desceu as escadas, esperando encontrar Sawyer por lá, mas só encontrou Seth.

— Onde está Sawyer? — ele perguntou, sem encarar Seth, quando chegou na cozinha. Seth estava sem camiseta e de cueca. Aiden e Keith continuavam dormindo na cama.

— Foi buscar uma coisinha pra mim — Seth disse, jogando leite no seu cereal. Ele ofereceu para Tristan, mas ele balançou a cabeça, nervoso.

— Uma coisinha? — Tristan perguntou, mas Seth não respondeu.

— Bom dia — Keith apareceu na porta, os cabelos jogados para trás, oleosos.

— E ai — Seth murmurou enquanto mastigava — fizeram festa do pijama por acaso? — ele riu, e quando fez isso alguns pedaços de cereais voaram da sua boca.

— É — Keith riu. De todos eles, era o que mais se dava bem com Seth. Keith se dava bem com todo mundo, na verdade.

— Cadê o Sawyer? — foi a primeira coisa que Aiden perguntou quando apareceu na cozinha, alguns segundos depois de Keith, se espreguiçando e bocejando.

— Buscar uma coisinha pro Seth — Tristan murmurou enquanto sentava em um dos bancos. A cozinha era pequena para tanta gente. A geladeira fazia um barulho estranho e às vezes parava de funcionar. A luz era fraca, mas eles preferiam deixam a cortina da janela aberta para entrar claridade.

A mãe de Seth e Sawyer estava no quarto, trancada. Ela passava a maior parte do tempo dormindo ou ignorando os filhos.

— E ai, cambada — Sawyer estava feliz naquela manhã. Nem parecia ele. Estava cheio de sacolas pesadas e as colocou em cima da mesa.

— Pizza? — Keith perguntou, os olhos brilhando.

— Não se acostumem — Seth disse, jogando a tigela de cereal na pia enquanto abria a caixa de pizza congelada.

Além da pizza, Tristan conseguiu ver algumas bebidas. E de comida só tinha salgadinhos e chocolates. Nada muito saudável, claro.

— Acho que o papai noel veio mais cedo — Aiden disse, enquanto abria uma embalagem de doritos.

— Foi o salário mesmo — Seth riu e colocou a pizza dentro do micro-ondas. Ele pifava às vezes e Seth tinha de arrumar. Mas naquele dia, para a sorte deles, conseguiram ver a pizza girando e girando enquanto esperavam.

— Salário, é? — Sawyer ergueu uma sobrancelha para Seth, sugestivo.

Seth cerrou o maxilar, ficando de mau humor.

— Quer falar alguma coisa, garotinho? — ele perguntou avançando na direção de Sawyer.

Ele não apanhava há muito tempo. Não como apanhou naquele dia.

Seth estava bravo. Talvez por Sawyer ter estragado seu dia. Talvez por causa dos efeitos das drogas da noite anterior. Mas ele segurou Sawyer pela camiseta e socou seu rosto, Sawyer não revidou e o sorriso sarcástico no rosto dele apenas deixava Seth pior. Sua raiva crescendo enquanto Tristan, Keith e Aiden tentavam tirar Seth de cima do Sawyer.

Eles ignoraram o aviso do micro-ondas enquanto a pizza parava de girar. Ignoraram o barulho da geladeira parando de funcionar aos poucos. Aiden ignorou a embalagem de doritos no chão de madeira. Sawyer ignorou os socos, o olhar de raiva do irmão. Ele aceitou apanhar. Ficou quieto enquanto Seth depositava socos em seu rosto e chutes nas suas costelas.

Quando Keith se jogou na frente de Seth, ele finalmente ergueu os olhos e balançou a cabeça, voltando à si. Voltando para o presente. Olhou para o chão e notou Sawyer sangrando, ainda sorrindo. E abriu a porta da frente, saiu e não a fechou.

— Por que você não parou ele, seu idiota? — Aiden estava gritando. A mãe dos garotos apareceu na porta do seu quarto no andar de cima, mas quando viu Sawyer suspirou fundo e voltou para dentro.

— Pra que? — Sawyer riu e levantou. Tentou ao máximo se mostrar forte, mas ele se curvava, com dor. Respirou fundo e foi até a cozinha — assim tem mais pizza e bebida pra gente! — ele sorriu, tentando convencer seus amigos. Ou apenas tentando convencer a si mesmo.

Aiden encarou Sawyer enquanto ele retirava a pizza de dentro do micro-ondas. Seu sorriso não vacilou. Ele até parecia feliz por apanhar. Como se merecesse. Aquilo fez com que Aiden estremecesse, parado na soleira da porta tentando processar a imagem dos três garotos ignorando o que tinha acabado de acontecer. Apenas segurando pratos para comer, se importando apenas com aquilo. Aiden considerou que talvez Sawyer fez de propósito, como se ele já esperasse que Seth perderia a cabeça.

Mas Aiden sabia que Sawyer não merecia apanhar. Muito mais pelo motivo verdadeiro que ele estava aceitando apanhar.

Aiden balançou a cabeça e se juntou à mesa com seus amigos, pegando uma fatia de pizza na mão. Sawyer se serviu de cerveja e murmurou que ia até o banheiro.

Sawyer se olhou no espelho, um pouco arrependido por ter deixado Seth bater tanto nele. Ele pensava que não causaria tanto estrago, já que Seth estava visivelmente ainda alterado por causa das drogas, mas seu rosto inteiro doía. Sawyer não se importava com a dor. Mas quando viu o rosto de Aiden atrás dele pelo espelho, tudo doía. Tudo.

— Sawyer — Aiden disse, calmamente. Não queria piorar nada. Sawyer suspirou fundo — por que você deixou?

— Tá tudo bem, Aiden — ele respondeu, sem se virar e lavou o rosto, não querendo olhar para Aiden, que se aproximou e pegou a toalha de rosto, entregando para Sawyer.

— Você não precisava. Você não merecia apanhar daquele jeito — ele estava sussurrando, com medo de Sawyer ficar com raiva.

— Você não sabe de nada.

— É por causa de ontem, não? — Aiden semicerrou os olhos para ele. Sawyer estremeceu e continuou secando o sangue e a água do rosto na toalha. A olhou e a jogou no cesto lotado de roupa suja perto do vaso sanitário.

— Não fala merda — Sawyer murmurou, fazendo menção de se afastar, mas Aiden segurou sua mão.

— Eu sei que é, Sawyer. Podemos falar sobre isso? — ele estava implorando e Sawyer estava se sentindo pior do que nunca. Os chutes e socos não chegavam perto da dor que ele sentia quando via Aiden decepcionado com ele.

— A gente conversa sobre isso outro dia — ele suspirou, soltando a mão de Aiden e saindo do banheiro.

Claro que eles não conversaram sobre aquilo.

Aiden tentou, mas Sawyer mudava de assunto ou apenas revirava os olhos e mandava Aiden se preocupar com algo importante.

Sawyer não sabia, mas ele era muito importante para Aiden.

As mudanças começaram algum tempo depois daqueles dias.

Tristan já conseguia se defender, sua tia nem aparecia na sua porta à noite. Ele notou que ela estava com medo. Do que, exatamente, ele não sabia. Mas era melhor daquele jeito.

Tristan e Katherine se viam todos os dias na escola. Saíam com Vanny e Keith às vezes. Mas nunca acontecia nada. Katherine parecia aniosa, mas nunca forçava nada. ela gostava do Tristan do jeito que ele era. Ele a olhava como se ela fosse alguma salvação para a sua vida. Mal sabia ela o quanto estava certa.

Sawyer não tentou estressar Seth, na realidade, tentou se juntar a ele, quase como um irmão que Seth sempre quis ter. O ajudava com as mercadorias sempre que podia. Às vezes Aiden ia até a casa de Sawyer, não para procurar algo seguro depois de apanhar, apenas para ficar com Sawyer, mas era difícil ele estar em casa. Sempre na rua, sempre aprontando com Seth.

Em um fim de semana, Tristan estava na casa de Katherine, junto com Vanny, Keith e Aiden. Eles estavam aproveitando o resto do dia enquanto fumavam e bebiam, esperando Sawyer voltar da sua saída com Seth.

Os pais de Katherine quase nunca estavam em casa, então quando eles não iam até a casa de Keith, ficavam na casa dela.

— Aiden, tá na hora de arranjar alguém pra você — Vanny disse, passando o baseado em frente. Keith pegou, encarou Aiden e começou a balançar a cabeça no ritmo da música. Era uma música calma e sem vozes. Eles costumavam escutar músicas daquele tipo quando queriam apenas relaxar no escuro e conversar enquanto bebiam ou fumava.

Aiden não olhou para ninguém e resolveu nem responder, estava deitado no chão, os braços atrás da cabeça, o pé balançando para os lados.

— Acho que ele já tem — Tristan murmurou, bebendo um pouco de cerveja. Aiden abriu os olhos e encarou Tristan, mas ele já estava com a boca ocupada beijando Katherine.

Vanny estava no colo de Keith enquanto ela beijava todo seu rosto. Aiden ficou enojado com a cena e com inveja, mas permaneceu deitado no chão, os olhos fechados e o baseado todo para si, já que os casais estavam ocupados demais.

Alguns minutos depois, quando a seleção de músicas já estava repetindo, Aiden escutou alguém batendo na janela de vidro. Ele abriu os olhos, alarmado, e quando olhou para a rua, notou Sawyer, usando capuz e se encolhendo por causa da chuva. Aiden levantou rapidamente e quase tropeçou nos tênis de alguém. Abriu a janela e encarou Sawyer. Ele estava com o olho roxo.

— O que aconteceu?

— Nada — ele rosnou e ergueu a perna para entrar pela janela, murmurou “sai da frente” pro Aiden e entrou no quarto — porra — Sawyer encarou o local. Vanny e Keith estavam encolhidos no pé da cama e Katherine e Tristan abraçados na cabeceira. Ninguém fez menção de dar alguma atenção para Sawyer.

— É — Aiden riu, encarando Sawyer — o que aconteceu aí? — Aiden ergueu a mão para tocar o lábio de Sawyer, ele não a afastou, mas todos seus músculos se enrijeceram.

— Seth e eu apanhamos — ele riu e balançou a cabeça, Aiden retirou a mão e Sawyer foi até o som, aumentou o volume e se jogou no chão onde Aiden estava antes.

— Apanharam por quê? — Aiden arregalou os olhos e sentou ao lado de Sawyer enquanto ele pegava algo no bolso.

— Sei lá — Sawyer pegou a pequena embalagem transparente e Aiden se surpreendeu quando viu o que tinha dentro.

— Sawyer — Aiden murmurou, sem forças para falar — isso é cocaína?

— É — Sawyer se endireitou e pegou um baseado no outro bolso — não me olha com essa cara, não é meu — ele revirou os olhos.

— Trouxe? — Vanny se afastou do abraço de Keith e se arrastou para o chão, erguendo a mão para Sawyer.

— Uhum — Sawyer murmurou, entregando a embalagem enquanto acendia seu baseado.

— Você pediu? — Aiden arregalou os olhos para ela, mas Vanny deu de ombros e chamou Keith para o chão.

Keith nunca fez aquilo. Nenhum deles fez. Vanny estava acostumada com todos os tipos de drogas, não era nenhuma novidade para ela. Tristan nem se interessava, Katherine estava interessada em Tristan. Aiden estava amedrontado, não faria aquilo. Sawyer nem se importava, preferia a maconha e a bebida, mas Keith... Keith queria conhecer tudo.

Vanny afastou os ombros de Sawyer e Aiden e foi até o criado-mudo ao lado da cama de Katherine. Vanny afastou tudo que estava ali: um porta-retrado com os pais de Katherine e ela, as chaves dos garotos, um celular vagabundo e pegou dentro da gaveta o cartão de Katherine da biblioteca da escola.

Ela pegou a embalagem e separou a cocaína em quatro carreiras enquanto Aiden observava atento, Keith estava um pouco afastado, apenas esperando. Sawyer estava com a cabeça apoiada na cama e o resto do corpo deitado no chão, apenas bebendo vodca direto da garrafa. Katherine e Tristan não se desgrudavam.

Vanny procurou pelo criado-mudo alguma coisa que pudesse usar, Sawyer notou sua frustração e lhe entregou uma nota de dinheiro.

— Valeu — ela disse, agarrando aquele dinheiro como se fosse água no deserto.
Aiden o encarou, surpreso que Sawyer estivesse ajudando naquilo, mas ele apenas deu de ombros e entregou o baseado para Aiden.

— Você precisa relaxar — ele disse quando Aiden levou a maconha até os lábios e respirou fundo antes de conseguir tragar.

Vanny se inclinou em uma das carreiras de cocaína e cheirou, jogando a cabeça para trás com um sorriso prazeroso nos lábios, esperando aquela sensação que ela conhecia tão bem. Vanny olhou para trás e chamou Keith, ele não hesitou, mas demorou para segurar aquela nota e finalmente posicionar de um jeito certo para não deixar nenhum resquício de fora.

Vanny o encarou, orgulhosa enquanto ele sorria do mesmo jeito que ela. Eles levantaram do chão, Vanny trocou para uma música mais agitada e segurou as mãos do rapaz. Eles começaram a girar pelo quarto.

Sawyer apenas encarou os dois enquanto eles dançavam pelo quarto. Não demorou muito e Keith agarrou Vanny de um jeito que estava claro que se ninguém os impedisse, eles fariam algo ali mesmo. Aiden levantou do chão rapidamente e os levou para fora do quarto.

Vanny arregalou os olhos e segurou a mão de Keith para dentro do quarto dos pais de Katherine. Não seria a primeira vez dos dois ali dentro.

Keith sentia seu coração acelerado e uma confiança estranha estava o dominando enquanto ele arrancava as roupas de Vanny.

Sawyer encarou o criado-mudo. Encarou Aiden.

— Ainda tem ali — Sawyer disse, mas ele nem precisaria dizer nada, Aiden estava encarando as duas carreiras desde que Keith e Vanny saíram do quarto.

— Vocês vão ficar aí? — Katherine perguntou e Tristan se afastou.

— Sim, eles vão — ele disse, engolindo em seco. Sawyer e Aiden, parecendo entender, apoiaram o amigo.

— Tá chovendo lá fora — Sawyer disse, desculpando-se.

— Tudo bem — Katherine bufou e olhou seu criado-mudo — Vanny tá no quarto dos meus pais? — ela perguntou, não estava brava e nem surpresa. Aiden apenas assentiu. Ela deu de ombros e voltou a beijar Tristan, que já estava mais calmo em saber que seus amigos ficariam com ele.

Sawyer ficou encarando a droga no criado-mudo. Estava curioso, não podia negar. Aiden, notando o olhar dele, ficou apavorado, pronto para intervir caso ele se aproximasse dali.

O barulho da cama no quarto dos pais de Katherine pareceu acordar Keith de um sonho estranho. Um pesadelo. Ele arregalou os olhos e encarou Vanny em cima dele, a cabeça inclinada para trás. Ela ria e gemia enquanto ele piscava os olhos e tentava se conectar ao que estava acontecendo. Ele conhecia aquele lugar, já esteve ali antes.

Segurou Vanny pela cintura e prosseguiu aquilo, um pouco sem jeito enquanto ela tentava sair de cima dele.

— Foi maravilhoso — ela riu, batendo a cabeça na cabeceira, mas aquilo só a fez rir mais — precisamos de mais! — ela tentou levantar, mas Keith a segurou pelo braço, a fazendo deitar novamente.

— Fica aqui — ele disse, os olhos brilhando, o coração acelerado. Queria mais, embora nem tivesse notado quando tudo começou ou acabou.

Sawyer estava tremendo. Pela dúvida. Pela exaustão. Pelos machucados. Queria esquecer tudo aquilo e a maconha já não fazia mais efeito. Ele pegou a nota amassada e a ajeitou mais uma vez, se inclinando na direção de uma das fileiras que Vanny havia feito.

Aiden segurou seu ombro, mas ele ignorou e respirou fundo antes de cheirar.

— Por quê? — Aiden arregalou os olhos enquanto Sawyer sorria para ele.

— Não precisa me olhar assim — Sawyer ergueu a sobrancelha — se quiser, vá em frente — ele disse, ficando de joelhos atrás de Aiden e segurando seus ombros. O massageou rapidamente enquanto Aiden jogava a cabeça para trás, aceitando aquele breve contato enquanto Sawyer lhe entregava a nota enrolada.

A chuva parou. O bairro estava barulhento. O céu negro enquanto nuvens tapavam a lua. Aiden e Sawyer eram apenas dois vultos correndo pelas ruas, gritando e acordando os azarados que tentavam dormir.

Tristan e Katherine estavam sozinhos, o quarto fedendo a cigarro e bebida. Katherine estava tentando retirar sua blusa, mas Tristan não tirava os lábios dela. Ela sorriu, divertida com a vontade do rapaz. Ou o que pensava ser a vontade dele.

Ela levou a mão até o zíper da sua calça e Tristan abriu os olhos, separou a boca da sua e afastou a mão dela com um safanão enquanto caía de costas no chão.