Welcome to badlands

28 Capítulo Vinte e Sete: clube de strip-tease.


Após acabarem com todas aquelas pizzas, Daisy revirou os armários na cozinha e pegou uma garrafa de vinho. Tristan arregalou os olhos, assustado com aquela situação.

— É claro que não é pra vocês – Daisy encarou Tristan e riu – Osmar adora tomar um pouquinho depois de comer.

— Eles podem tomar também, se quiserem – Osmar pegou a taça de vinho para servir-se e olhou para os garotos – vocês já são bem grandinhos, não é? – sua risada era rouca, de fumante. A de Seth era igual, Sawyer pensou.

— Somos sim, senhor – Keith respondeu e pegou seu copo vazio, o erguendo para Osmar. Daisy apenas encarou o garoto e riu, balançando a cabeça.

Daisy achava os garotos muito intensos para o Tristan e ela os achava péssima influência, mas isso foi antes de ela finalmente conhece-los. Ela os adorava àquela altura. Sabiam tudo que fizeram de bom para o filho e o porquê de Tristan querer continuar naquele bairro. Era por causa daqueles meninos. E então ela aprendeu a gostar deles.

Mesmo sendo grosseiros e falarem muitos palavrões, ela os considerava divertidos. Osmar os adorava, o lembravam da sua tão distante juventude morando naquele bairro antes da sua vida mudar completamente.

— Vocês sabem o que farão da vida? – Osmar os olhou enquanto bebia – Você já tem dezoito? – ele encarou Sawyer, que se engasgou com o vinho e balançou a cabeça, pronto para largar o copo, mas Osmar continuou – Vai se dar bem no quartel se você conseguir entrar.

— Nunca pensei sobre isso, senhor – Sawyer pigarreou.

— Você tem o físico, deveria pensar então – Osmar serviu mais um copo para Keith, que encarava o homem encantado.

— Eu com certeza quero me alistar...

Aiden encarou o chão, não querendo conversar sobre aquilo porque não havia sido aceito quando tentou, no final do ano passado. Lembrou-se daquele homem grande e fardado que lhe dispensou com um simples "excesso de contingencia". Ele bebericou o vinho doce enquanto conversavam.

— E a Ingrid? – Tristan semicerrou os olhos para Keith, que deu de ombros.

— Não vou pra guerra, Tristan – Keith riu e revirou os olhos.

— Passa rápido – Osmar garantiu – e faz você sentir falta de casa – ele riu e balançou a cabeça. Seu semblante sempre ficava mais aliviado depois que bebia. Daisy e os garotos beberam em silêncio enquanto Osmar contava sobre os seus dias no quartel. – Os superiores são bem sacanas – ele riu.

— Vocês vão conseguir – Daisy os encarou.

— Eu já tentei — Aiden deu um sorriso sem graça — mas fui dispensado.

— Eles às vezes podem ser exigentes — Osmar murmurou, encarando os outros garotos.

Sawyer, Tristan, Keith e Aiden andavam pelas ruas do bairro cambaleantes enquanto cantavam e gritavam. Sentiam-se bêbados. E invencíveis. Sentindo-se novamente aqueles garotos atazanando as pessoas pelo bairro. Ninguém reclamou do barulho que faziam, apenas comemoravam junto com eles. E a cada momento era uma comemoração. Por Tristan e a faculdade. Por Keith que em breve seria pai.

Por Sawyer e um futuro longe de Seth.

— Eu tenho certeza que Osmar tem razão – Aiden segurou os ombros de Sawyer e ele parou de andar, encarando Aiden com os olhos arregalados – você pode entrar no quartel! Na aeronáutica, como ele!

— Ele tem razão – Keith assentiu. Tristan parou de andar quando percebeu Zion e seus amigos parados.

— Vamos – Tristan os chamou – está frio!

— É, vamos. E deixem que eu decido minhas coisas, beleza – Sawyer cuspiu no chão e ajeitou a touca na sua cabeça.

Passava da meia noite e apesar de ser dia de semana, o barulho dominava as casas e ruas, viam apenas sombras e vultos, sussurros altos e risadas. Eles caminhavam pelo asfalto como se fossem reis, como se nenhum carro passando pudesse atingi-los. Sawyer ria e parava no meio da rua, aguardando o carro para poder rolar para o lado e sair da vista do perigo. Aiden ria porque estava embriagado, mas se surpreendia em como Sawyer gostava de brincar de desafiar a morte.

Tristan segurava Zion no colo e pulava com ele, sorrindo sem parar enquanto pensava que em breve seria advogado. Sentia certo alívio por finalmente ter se encontrado. Keith, que era sempre tão falante na volta para o apartamento, estava quieto e pensativo após a bebedeira passar aos poucos. Pensava sobre seu futuro, que antes parecia tão certo de repente não parecia o bastante. Ele queria ser como Osmar, não como o dono da lanchonete, um velho gordo rico e miserável.

— Você sabe como Osmar começou a ser rico? – Keith questionou Tristan enquanto estavam parados no elevador apertado. Ele subia vagarosamente.

— Ele era coronel, eu acho – Tristan deu de ombros – Ou comandante – ele riu – realmente não sei. Mas ele também tem uma loja de bebida na Costa Rica.

— Sabe se ele precisa de alguém pra trabalhar lá? – Sawyer perguntou enquanto apertava o número três com mais força, como se fosse fazer o elevador subir mais rápido.

— É pra vender, não pra degustar – Tristan riu baixinho e Sawyer revirou os olhos. – mas eu acho que não. E como você iria até lá?

— De ônibus – Sawyer deu de ombros – enfim, não importa.

A porta automática do elevador abriu no terceiro andar e Sawyer foi o primeiro a sair, esperando algum dos garotos abrirem enquanto ele encarava a porta de madeira.

— Não precisa ficar bravo – Aiden sussurrou quando se aproximou para abrir a porta – Nós queremos que você fique por aqui.

— Com certeza vou ficar – sua risada era amarga e os olhos indiferentes.

— Você vai se dar bem no quartel – Keith cutucou Sawyer – você viu o que Osmar disse.

— Podemos só não falar sobre isso por hoje? – ele bufou – quem vai comigo comprar bebida?

— Eu posso ir – Aiden ergueu a mão quando notou que ninguém se manifestaria.

O apartamento estava bagunçado, casacos jogados pelo sofá, brinquedos do Zion pelo chão e louças na pia. Tristan começou a recolher os brinquedos e os casacos e pediu a Keith para lavar as louças, mas ele apenas se jogou no sofá e ficou mexendo no seu celular.

Aiden se aproximou de Keith antes de sair com Sawyer e o cutucou.

— Vai lavar a louça, era sua ontem.

— Desculpa, mestre – Keith riu e ergueu as mãos na defensiva. Largou o celular na mesinha de centro e foi até a cozinha.

Sawyer já estava em frente ao elevador quando Aiden saiu e fechou a porta.

— Você não precisa ficar estressado com a gente – Aiden murmurou quando entraram no elevador. Estavam próximos, apenas a alguns centímetros de distância. A porta fechou e Aiden pensou que Sawyer faria algo, mas ele apenas encostou-se à parede do elevador e deslizou até o chão. Ergueu os olhos para Aiden e sorriu.

— Eu sei. Mas eu tô cansado de tudo. Eu não tenho como me livrar do Seth, Aiden. – Sawyer sussurrou, sentindo sua voz falhar. Ele pensou em contar a verdade, mas nunca aguentaria o olhar de decepção de Aiden o encarando. Aiden nunca poderia saber que Sawyer foi responsável pela morte de alguém.

— Acho que você só não quer se livrar dele – Aiden sentou ao seu lado, dois centímetros de distância os separando. O elevador continuou descendo vagarosamente, mas o silêncio permaneceu. Não havia clima para beijos escondidos ou carinhos sutis.

Sawyer continuou sentado mesmo quando a porta abriu. Ficou encarando o chão enquanto Aiden erguia a mão na sua direção para que levantasse.

— Você pode pensar nisso depois – ele garantiu – vamos só comprar as bebidas e subir para aproveitar a noite com nossos amigos.

E foi o que fizeram. A loja de bebidas era o único lugar aberto onde eles poderiam conseguir álcool àquela hora.

— Estamos fechando – o dono anunciou quando Aiden e Sawyer entraram, mas havia algumas pessoas ali dentro.

— Não vamos demorar – Sawyer seguiu para a parte de trás da loja, onde estavam as bebidas geladas e ignorou o homem. Aiden o seguiu, sem olhar para trás.

Eles pegaram vinho e cerveja, o homem encarou os dois e estava pronto para pedir a identidade quando Aiden colocou seu documento em cima da bancada da loja e arrastou com o dedo em cima da sua foto 3x4. O homem encarou o documento à sua frente e depois ergueu os olhos para Aiden.

— 32,50 – sua voz era apática enquanto encarava os garotos. Aiden lhe passou uma nota de 50, ele a ergueu contra a luz e assentiu, entregando o troco para Aiden.

Sawyer pegou a sacola da mão do homem e os dois saíram da loja.

— Você já se imaginou vestido de soldado? Soube que as meninas adoram um homem de uniforme camuflado – Keith riu enquanto lavava a louça. Tristan estava sentado na mesa, o encarando.

— Eu realmente não queria me alistar...

— Não é questão de querer – Keith deu de ombros.

— Eu sei – Tristan bufou. Keith colocou o último prato no escorredor de louças e secou as mãos na camiseta.

— E se você parar pra pensar, só vai ser bom pra gente – Keith foi até a sala e Tristan o seguiu – você vai querer trabalhar naquela piscina pra sempre? Porque eu certamente quero sair daquela lanchonete o quanto antes.

Sawyer largou a sacola com bebida no chão do elevador e suspirou, sentindo o cansaço o atingir. Sentindo vontade de deitar e dormir, mas não acordar.

Aiden se aproximou vagarosamente e tocou no seu rosto. Ele sabia quando Sawyer precisava de um abraço e ele estava pronto para isso quando Sawyer ergueu a cabeça e os lábios dos dois tocaram vagarosamente. Foi um toque suave e rápido, mas aquilo fez com que Sawyer despertasse.

— Você pode dormir comigo hoje – Aiden sussurrou ao seu lado. Não havia distancia entre os dois enquanto conversavam, os olhos de Aiden encaravam a boca de Sawyer e ele encarava os olhos de Aiden.

— Vai ser estranho – ele desviou os olhos e encarou a sacola, do outro lado do elevador.

— Eles nem vão se importar – Aiden murmurou, mas sabia que estava errado. Eles tentavam não demonstrar nada para seus amigos e se dormissem juntos no apartamento, eles saberiam de tudo.

— Estava falando com o Tristan em como seria legal nós juntos no quartel! – Keith começou a dizer assim que eles entraram no apartamento. Aiden bufou.

— Será que vai ficar falando sobre isso até a hora que o velho nos levar lá? — Sawyer tirou as bebidas de dentro da sacola e encarou Keith.

— Provavelmente — Keith assentiu e pegou uma lata de cerveja, tocou para ver se estava gelada e a abriu — coloca o resto na geladeira — pediu quando viu Sawyer desaparecer na cozinha com a sacola.

Aiden sentou no sofá com sua latinha de cerveja e suspirou, sentindo todo seu corpo cansado. Lembrou-se do pai, que sempre se sentava no sofá com seu copo de cerveja e quando bebia tudo pedia a Aiden para ir buscar mais.

Sawyer sentou ao lado de Aiden e pegou um cigarro amassado no bolso, antes de acender ele encarou Keith, parado na porta da cozinha servindo-se de vinho.

— Escuta – ele chamou Keith – onde o Tristan dorme quando fica aqui?

— No sofá – Tristan apontou para onde Sawyer e Aiden estavam sentados e sentou no chão. Zion começou a correr com a bolinha amarela pelo apartamento.

— Mas vocês dois não vão caber ai – Keith os encarou após beber um gole generoso de vinho.

— Poderíamos juntar os colchões aqui e dormir todo mundo junto – Aiden deu de ombros – como nos velhos tempos.

Keith semicerrou os olhos para Aiden, mas bufou e concordou. O problema era que Keith não gostava de dormir com ninguém que não fosse uma garota, mas ele apenas assentiu e foram até o quarto de Aiden, que só tinha uma cama de madeira e uma pequena cômoda ao lado da janela, com todos seus pertences guardados em quatro gavetas.

Eles pegaram o colchão e o jogaram em frente ao sofá. Zion subiu e começou a brincar sozinho, correndo atrás do rabo.

O quarto de Keith era cercado de posters pelas paredes. Mulheres, bandas, carros. A janela cheia de adesivos e a cama bagunçada. Ele jogou as roupas que estavam em cima do colchão no chão e o carregaram até a sala para coloca-lo ao lado do de Aiden.

— Satisfeitos? — Keith bufou e deitou-se no colchão, Zion se aproximou e lambeu seu nariz.

— Você já vai dormir? – Tristan perguntou, desconfiado. Keith levantou rapidamente e riu.

— Claro que não, ainda temos muito que beber.

A noite prosseguiu daquela forma. Sentados no colchão enquanto bebericavam a cerveja e o vinho, sem se importar em misturar as bebidas, sem se importar que no dia seguinte todos teriam de acordar cedo.

Seth já não era preocupação na cabeça de Sawyer, que sempre se esquecia do irmão quando estava com os amigos. Tristan contou uma história sobre a mãe dele e Sawyer ficou o encarando, impressionado em como ele parecia diferente. Tristan costumava ser um garoto triste e com olhar assustado, mas desde que sua tia foi presa, ele parecia destemido e mais sorridente. Nunca conversaram após o que aconteceu porque eles não eram garotos de conversar sobre assuntos delicados.

Sawyer se perguntava o que seus amigos fariam ou diriam se soubessem sobre ele e Aiden. Parando para pensar, ele não sabia quando havia sido o momento em que descobriu que gostava dele, ou que gostava de garotos, mas pareceu tão simples que ele apenas compreendeu e seguiu a vida. Não fez uma grande revelação sobre si mesmo, não contou a ninguém, muito menos para os seus amigos.

Aiden parecia saber sobre o segredo de Sawyer antes dele mesmo.

— Dá pra perceber que ela não gosta de morar lá. Não é igual ao outro bairro, lá ela tem milhares de coisas pra fazer à tarde, mas aqui ela fica decorando a casa – Tristan revirou os olhos – mas é legal morar com ela – ele sorriu – tem café da manhã todo dia! E quando o Osmar dorme lá, tem croissant – ele fez um biquinho ao pronunciar a palavra de um jeito exagerado.

— E como é isso, afinal? – Keith ergueu a sobrancelha – ele ainda fica... – ele levantou o dedo, o dobrou e ergueu.

— Eu não sei né, Keith – Tristan revirou os olhos – ele é velho, claro, mas existe viagra, não é?

— É o que dizem – Sawyer deu de ombros e riu segurando sua latinha de cerveja.

— Que coisa desagradável falarmos sobre isso – Aiden balançou a cabeça, era o mais sóbrio naquela noite. Tristan também estava bêbado, mas só perceberia quando finalmente levantasse do colchão para ir ao banheiro.

— Já que ninguém aqui tá transando — Keith deu de ombros. Ele sempre foi um garoto carnal, sabia que era como o pai e não negava isso, mas ele nunca havia ficado tanto tempo sem transar e aquilo o incomodava mais do que ele poderia admitir. Já pensou em ligar para Vanny do telefone de casa para ela não saber quem era. Já pensou em baixar aqueles aplicativos de encontro, mas com a sorte que tinha arranjaria alguém que ele já até pegou.

E ele sabia que seus amigos também não transavam. Pelo menos eles não falavam sobre isso com ele. E foi com isso em mente, nos seus pensamentos deturpados por toda bebida, que ele disse, após levantar-se do sofá e erguer o braço.

— Quem topa em ir até o clube de strip-tease?

Apesar de passar das duas da madrugada, o clube estava lotado. Ninguém se importava com a hora ou os compromissos do dia seguinte. Sawyer começou a se arrepender no segundo que colocou os pés para fora do elevador. Pensando que seria melhor se eles simplesmente voltassem para o apartamento e dormissem, mas Aiden parecia genuinamente animado, o que era estranho.

— Finalmente vou entender todo o barulho dessa merda – ele bufou enquanto seguiam para fora do prédio, sentindo o ar gélido passando por suas faces quentes por causa do vinho.

— Finalmente vou sair da seca – Keith secou a boca, como se estivesse babando.

— Ah, desculpa te avisar – Tristan o cutucou. Ele não queria estar ali, mas seu raciocínio estava mais lento naquela noite. Não sabia se era pela bebida ou pelo nervosismo. – Mas elas não são garotas de programa... – ele sussurrou, apontando para algumas garotas entrando no clube.

As pessoas em frente ao estabelecimento eram em sua maioria homens mais velhos e engravatados. As mulheres na fila pareciam estar em um tipo de despedida de solteira.

Os garotos entraram na fila enquanto eram analisados por todas aquelas pessoas que eles analisavam antes. Alguns os encaravam com curiosidade e outros com desprezo, os julgado por estarem ali, mas isso não os impediu de se acomodarem no último lugar na fila para aguardarem.

— Essas pessoas são estranhas – Keith observou – nunca vi essa gente aqui.

— Porque você só conhece o pessoal que frequenta a vizinhança e os clientes da lanchonete. – Sawyer deu de ombros – eu sou um homem que já vi de tudo nessa vida – ele acendeu um cigarro – esse pessoal vem aí pra jogar dinheiro pras mulheres. Pensa que elas não faturam uma grana nessa espelunca? – ele sussurrou, mas Tristan não estava levando muita fé no que o amigo dizia, o encarava com o cenho franzido – nós não temos grana, vamos fazer o que aqui?

— Admirar – Keith deu de ombros – só quero ver mulher. Só isso basta.

— Você tá parecendo um doente – Aiden o olhou como se ele tivesse alguma doença, o que chateou Keith, mas não a ponto de se importar enquanto estivesse bêbado e eufórico.

— Preferia estar na cama dormindo – Sawyer bocejou e passou a mão pela cabeça, sentindo os cabelos pinicando a palma da sua mão enquanto o cigarro pendia nos seus lábios. Ele tragou uma vez e pegou o cigarro novamente enquanto a fumaça dispersava no ar e quando ele ergueu os olhos, percebeu que Aiden o observava, mas apenas encarou o lugar à sua frente e todas as pessoas impacientes.

Tristan não estava sóbrio e àquela altura já não se importava onde estavam, sua única preocupação era Zion sozinho no apartamento e o medo de chegar e o cachorro ter destruído o lugar. Ele não havia avisado aos amigos que Zion começou a querer destruir tudo que via à sua frente.

A fila começou a andar e o segurança encarou os garotos por alguns segundos antes de falar para entrarem. O clube foi um dos lugares que Seth trabalhou antes de começar a se dedicar apenas ao tráfico, ele era um dos seguranças, como o cara naquela noite, que não podia impedir ninguém de entrar e só deveria separar brigas e revistar pessoas "suspeitas".

Keith estremeceu enquanto passava pelo homem, pensando que provavelmente ele os mandaria sair, mas o segurança já estava concentrado nas próximas pessoas na fila. Quando Keith entrou no lugar, o primeiro e mais ansioso, seus olhos precisaram de alguns segundos para se acostumar à luz neon que invadia o clube. Algumas garotas dançavam em um palco perto da entrada enquanto os espectadores as admiravam, ocasionalmente jogando dinheiro.

Ele olhou ao redor e percebeu que havia outro palco com homens dançando. Keith encarou a cena, confuso e riu.

— Tem até homem aqui – ele encarou os garotos atrás dele, encarando a mesma cena.

Três homens de sunga brilhante e chapéu dançavam para algumas mulheres mais velhas enquanto elas gritavam. A música tocando era alta e a melodia sensual enquanto os homens e as mulheres dançavam para seu público. Sawyer perdeu alguns segundos encarando os dançarinos, mas seguiu para o bar.

Keith sentou-se perto dos homens mais velhos à frente das mulheres e ficou olhando. E enquanto olhava, percebeu que era legal, claro, mas nada comparado a tocar. Tristan seguiu Sawyer para o bar e Aiden, percebendo que estava sozinho parado, seguiu os dois garotos.

— Vocês topam beber um shot de tequila? – Sawyer perguntou, erguendo as sobrancelhas para Aiden e Tristan. Olhou para trás deles, à procura de Keith. – Cadê o Keith?

— Ali – Tristan apontou para trás, na direção do palco das mulheres. Sawyer encarou as costas de Keith, inclinado enquanto admirava as mulheres dançando. Ele revirou os olhos.

O bar era em frente aos palcos, os garotos sentaram-se nas banquetas enquanto esperavam o barman servir os shots de tequila. Keith, cansado de ficar apenas olhando, levantou-se e se juntou aos amigos. Alguns homens estavam escorados na parede ao lado do bar e encararam Keith.

— Você não é novo demais pra estar aqui? – o homem de camiseta polo perguntou enquanto o encarava.

— Tenho idade o suficiente – Keith bufou enquanto passava por eles.

O barman entregou os copos para os garotos e eles beberam em sincronia, apertando os lábios e largando o copo na bancada com certa violência. Sentiram a ardência queimando e balançaram a cabeça, para dispersar a sensação incômoda.

— Outra? – Sawyer perguntou e eles apenas assentiram.

Após a segunda dose, as lacunas ficaram em branco na memória dos garotos. Não lembram quando, após tomarem duas doses, Aiden e Sawyer foram ao banheiro e, no calor do momento, começaram a se beijar na cabine aberta. Sawyer não foi gentil, ele estava bêbado e Aiden não se importou porque também estava. Tristan, já sentindo sua bexiga estourar, entrou no banheiro e os viu. Ele esfregou os olhos com as costas da mão e piscou diversas vezes para a visão focar à sua frente, mas ele continuou vendo a mesma cena: Sawyer e Aiden se beijando, as mãos inquietas tocando em cabelo, rosto e pescoço. Tristan saiu do banheiro, sem saber como reagir àquilo e voltou para o bar, ainda sentindo a bexiga apertada.

Keith se aproximou do palco e pegou uma nota no seu bolso, sem perceber quanto realmente estava disposto a entregar àquela mulher que parecia com Vanny se ela parasse de se drogar. Keith aproximou a mão do rosto da garota, mas antes que ele pudesse entregar o dinheiro ou dizer qualquer coisa, foi atingido no rosto por um soco. Keith não viu quem era, não percebeu que era o mesmo garoto da camiseta polo que mexeu com ele naquela noite.

Tristan, depois de muito tempo sentado no bar, percebeu o alvoroço em frente ao palco. O segurança entrou no clube e tirou o garoto de cima de Keith, que estava no chão com o rosto ensanguentado e sorrindo, como se ele estivesse bêbado demais para sentir dor.

O beijo de Sawyer e Aiden durou alguns minutos, até perceberem que a porta da cabine estava aberta. Saíram do banheiro e Aiden começou a se perguntar quem pode ter visto, mas seus pensamentos foram interrompidos quando percebeu que Keith estava sendo expulso do clube e Tristan estava atrás, argumentando com o segurança. Sawyer correu, alcançando os amigos e puxou Tristan, que ficou alarmado achando que era alguém querendo bater nele.

— O que diabos aconteceu?

— Bateram no Keith e agora estão expulsando ele! – ele gritou, furioso. O segurança fechou a porta e Keith ficou do lado de fora. Sawyer se aproximou e tocou o ombro do homem, que o encarou com o cenho franzido.

— Ele apanhou, não bateu! – Sawyer gritou para o segurança escutá-lo, mas o homem ergueu a mão e fez com que Sawyer se afastasse e parasse de falar.

— Ele tentou tocar em uma das meninas. Namorada do filho do dono, pra completar – ele riu – acho melhor vocês irem embora também, não querem que eu os expulse como fiz com ele, né?

Sawyer não tinha o que dizer depois daquilo, então apenas puxou seus amigos porta afora e encontraram-se com Keith, bêbado cantarolando e dançando. Ele olhou para os garotos e sorriu.

— Eu não sinto meu rosto, mas será que algum dia realmente o senti? – ele tocou na face, seu semblante se contorcendo em confusão.

Tristan não estava mais bêbado àquela altura, ele pegou o braço de Keith e fez com que seguissem sem muito alvoroço para dentro do prédio, mas os garotos começaram a cantar a falar alto. Sawyer pulando e os coturnos pesados faziam barulho no piso de linóleo da entrada do prédio.

— Amanhã vão reclamar – Tristan argumentava, mas nem no elevador eles conseguiram parar.

— Estou meio enjoado – Sawyer murmurou, colocando a mão na boca. O movimento lento e contínuo do elevador não o ajudava, mas ele encostou a cabeça na parede e encarou o teto. Respirou fundo e fechou os olhos.

— A gente tá quase chegando – Aiden disse, segurando seu braço. Sawyer não reparou, mas Tristan encarou a cena interessado – não vomita aqui dentro – ele riu, se inclinando para perto de Sawyer.

— Agora eu estou sentindo meu rosto – Keith tocou no nariz e os garotos o encararam, notando seus dentes cheios de sangue e o nariz machucado – ih, não estou bem – ele notou os dedos com sangue e bufou. Ele foi o primeiro a sair do elevador quando a porta abriu, correu para o banheiro e não notou os seus tênis jogados pelo corredor mordiscados por Zion, que estava deitado em sua pequena cama dormindo, como se não tivesse feito nada.

O semblante de Tristan era decepcionado encarando a arte que seu cachorro havia feito. Alguns tênis estavam comidos nos cadarços e outros no couro. Keith amava os tênis, mas não o suficiente para guarda-los. Aiden tocou o ombro de Tristan e riu.

— Amanhã a gente lida com isso – e puxou o braço dele para deitar-se no colchão, onde Sawyer já estava, deitado usando apenas sua cueca preta e meia branca. Tristan o encarou e lembrou-se do que viu naquela noite, mas resolveu deixar de lado e deitou com os dois no colchão enquanto Keith se limpava no banheiro.

Tristan permaneceu com sua roupa, mas tirou o sapato. Aiden ficou de camiseta e samba canção, deitando-se ao lado de Sawyer. Quando Keith saiu do banheiro, encarou os tênis jogados e despedaçados, depois encarou os amigos, deitados o esperando. Ele riu e balançou a cabeça, porque ainda estava bêbado demais para se importar. Não havia sangue ou resquícios de machucado em seu rosto, mas eles sabiam que em breve as marcas apareceriam.

Enquanto Keith retirava sua calça e seu tênis para deitar-se com os amigos, escutaram o vizinho do andar de baixo batendo com o cabo da vassoura nos pés de Keith, o que o fez rir ainda mais, fazendo barulho. Tristan revirou os olhos, desistindo e tentou dormir.

Os dois colchões de solteiro não foram o suficiente para os quatro e em certo momento da noite, Keith escolheu dormir no sofá, onde teria mais espaço para as pernas compridas.

Sawyer e Aiden estavam acostumados a lugares pequenos, camas de solteiro e ficar escondido. E mesmo com Tristan virado de costas ao lado, a mão de Aiden não saiu de cima da de Sawyer. O lençol fino e gelado os cobria, escondendo o pequeno segredo.