Welcome to badlands

13 Capítulo Doze: vamos fugir.


Dezembro. Sol escaldante. Asfalto quente. Piscina lotada. Bairro ainda mais barulhento. Suor escorrendo pelas costas e testas.

Era a época perfeita para eles.

Eles amavam o calor. Aqueles garotos selvagens foram criados no fogo. Criados para não temer nada. Inclusive um sol que trazia consigo quase 40 graus de calor.

Os garotos ficavam de pés descalços naquela calçada, adorando a sensação do calor na sola do pé. Sentindo, nos seus cabelos sujos, o suor impregnado no couro cabeludo.

Sentindo, mais que qualquer coisa, o sol esquentando suas peles enquanto andavam sem camiseta pelo bairro. Keith observando as garotas quase nuas. Tristan tentando esconder qualquer vislumbre do próprio corpo. Sawyer segurando uma garrafa de cerveja para se manter gelado por dentro. Aiden tentando ajeitar o cabelo que estava grudando na testa suada.

Eles estavam na piscina. Recentemente arrumada. Sem sujeiras, sem sinal de que os garotos estiveram ali todos os dias depois daquela madrugada.

Férias. E eles sabiam. Eles fugiriam.

Sawyer estava arrumando as malas quando Aiden entrou no quarto.

— Pelo visto nós vamos mesmo? — Aiden sentou na cama de Sawyer, observando o garoto fechar a mala. Era pequena e estava um pouco rasgada, mas Sawyer não tinha muitas roupas e nem se importava em perder algo pelo caminho.

Aiden perguntou aquilo de um jeito nostálgico. Quase como se já sentisse falta daquele bairro.

— Espero que sim — Sawyer disse, largando a mala no chão. Ela fez um barulho alto que pareceu ressoar pelo quarto inteiro. Sawyer sentou ao lado de Aiden. Muito perto.

Aiden sentia todo seu corpo formigar quando Sawyer ficava perto dele daquela forma. Queria erguer a mão e tocar nele. Talvez só um dedo. Estava muito calor para tocar demais, e ele sabia que Sawyer odiava que o tocassem muito. Sawyer fez o primeiro movimento. O toque gelado fora de contexto de Sawyer tomou Aiden de surpresa. Ele tocou na sua mão com delicadeza, como se pedisse permissão.

— Nós vamos sair daqui — Sawyer disse. Olhando bem nos olhos de Aiden — e vamos ser muito felizes — sua voz estava baixa, como se compartilhassem um segredo. Como se o quarto estivesse cheio, mas apenas os dois poderiam saber daquilo. Aiden estava hipnotizado. E ele notou, desnorteado, que ele faria qualquer coisa que Sawyer pedisse.

Sawyer também faria qualquer coisa que Aiden pedisse.

— Como você tem certeza disso? — Aiden elevou a voz. Sawyer sempre queria saber mais.

— Eu não sei — Sawyer suspirou. Apertou forte a mão de Aiden, não o deixando sair dali — mas eu espero que sim, Aiden. — era estranho ver Sawyer, logo Saywer, vulnerável daquela forma. Aiden estava considerando que estava conhecendo outra pessoa naquela tarde. Não Sawyer. Ou apenas uma camada de Sawyer que ele não conhecia.

— Pessoal — eles escutaram a voz de Keith se aproximar do quarto e soltaram as mãos rapidamente — vocês tem sorvete vencido há três meses — ele disse, lambendo uma colher — mas tá bom demais.

— Com certeza isso vai te fazer mal — Tristan murmurou, vindo logo atrás dele — acho melhor irmos comprar um.

— Não temos dinheiro — Aiden revirou os olhos — também queria sorvete. Mas não quero morrer, valeu — ele disse quando Keith ofereceu um pouco de sorvete a ele. A textura do sorvete parecia normal. O cheiro parecia bom. Mas ninguém ali queria arriscar.

— Vamos pedir pro Seth — Sawyer disse, baixinho. Ele odiava demonstrar fraqueza. Odiava pedir algo para o irmão.

— O que? — Tristan arregalou os olhos e olhou para o chão, na direção da mala — o que é isso?

— Nós vamos fugir, ué — Keith disse, a boca cheia de sorvete de creme vencido — acho bom você arrumar sua mala.

— Mas ninguém me disse nada! — Tristen foi em direção ao Sawyer — vocês não me querem junto? — o jeito que ele perguntou aquilo partiu o coração de Aiden. Como se ele estivesse tão acostumado a ser rejeitado, que não seria surpresa aquilo acontecer de novo. E com os melhores amigos dele ainda por cima.

— Calma — Aiden levantou da cama e ficou de frente para Tristan — nós não combinamos nada. Apenas ficou decidido que vamos. Eu também não fiz minhas malas — ele deu de ombros e suspirou.

— Tudo bem — Keith disse, fazendo careta e alisando a barriga nua — acho que vocês deveriam ir fazer isso — ele apontou para a porta — pois vamos neste fim de semana.

Sawyer estava apenas analisando a cena na frente dele, mas aquilo de “vamos neste fim de semana” o pegou de surpresa. “Então é isso. Tá se tornando real”.

— E quem decidiu isso? — Aiden franziu o cenho, encarando Sawyer de soslaio.

— Eu — Keith deu de ombros — acho que esse sorvete tava ruim mesmo — ele disse, colocando a mão na boca, pronto para segurar um vômito, e correu para o banheiro.

— Que nojo — Tristan murmurou.

— Ele é nojento — Aiden fez uma careta — e irresponsável. Como vamos sobreviver no mundo assim? — pânico tomou conta da voz de Aiden. Sawyer balançou a cabeça e levantou da cama.

— Calma — ele disse, segurando o rosto de Aiden suado com as duas mãos geladas — nós vamos ficar bem.

E nenhum deles duvidava disso. Afinal, eles eram melhores amigos. Eles superariam qualquer pessoa. Qualquer caminho. Sairiam daquele bairro. Daquela cidade. De tudo de ruim que tinha por perto.

Tristan ficou calado por alguns segundos, encarando Aiden e Sawyer. Escutou Keith vomitando no banheiro balançou a cabeça.

— Eu sei que vamos ficar bem — Tristan disse, fazendo Sawyer e Aiden olharem para ele — mas só de pensar em nós quatro por aí — ele começou a rir — vai ser complicado.

— Bom — Sawyer riu também — complicado vai ser, mas vai ser bom. Vocês vão ver.

Enquanto o fim de semana não chegava, eles aproveitavam aquele calor. Viviam na piscina ou na casa um dos outros. Aproveitaram para dar uma festa na quinta-feira, na casa de Keith.

— Vocês sabem quem está aqui? — Tristan perguntou. Ele estava feliz naquela semana. Dormiu na casa do Keith, longe da tia, mas também porque estava bebendo.

— Vanny — Sawyer disse. Estava estranhamente calmo, considerando que quase espancou o garoto que estava com ela da última vez que a viram — eu vi — ele disse, dando uma tragada no seu baseado grosso. Presente do Seth.

Sawyer também estava de bom humor. A expectativa da fuga. A vontade de se ver livre de todas aquelas pessoas.

Os convidados daquela noite eram garotas, em sua maioria. Keith tinha uma longa lista de garotas que “gostaria de pegar”, era um termo bem delicado, na verdade, pois os pensamentos dele eram bem depravados. Quando estava com Vanny ele não tinha essa preocupação, mas em uma noite qualquer, enquanto conversava com os garotos, sentados na praça, ele disse “vou pegar 100 garotas antes de morrer”. Ele dizia “pegar”, mas os garotos sabiam que era muito mais que isso.

Tristan achava horrível, mas nunca dizia nada. Sawyer achava estranho essa vontade de ficar com tanta gente diferente, mas também não falava nada. O único que expressava algo era Aiden, e estava longe de ser apoio às loucuras de Keith em relação as mulheres.

“Achei que você queria ser diferente do seu pai”, Aiden disse naquela noite. Keith lembrou de sentir aquela observação como se fosse um tapa muito forte. Mas ele estava chapado demais pra se importar, então apenas deu de ombros.

— Acho que Keith nem vai notar — Aiden disse, encarando Keith abraçado em outra garota no sofá. “Abraçado” era um termo gentil para o que os dois estavam fazendo naquele sofá.

— Eu odeio o que ele se tornou — Tristan deixou escapar — é como se a traição dela tenha desencadeado um Keith insuportável.

— As mulheres fazem isso, cara — Aiden disse, como se fosse um especialista no quesito mulheres.

Sawyer riu, de um jeito exagerado, mas ninguém deu atenção.

— Faz tempo que não vejo Katherine — Aiden considerou, logo depois que Sawyer parou de rir.

— É — Tristan estremeceu — não deu muito certo.

Tristan parecia tão adulto e tão criança. Uma forma estranha habitando aquela terra de gente suja e desnecessária. Uma preciosidade que deveria ser protegida, mas que tinha tanto problema que preferia ficar quieto, apenas analisando o mundo, esperando o próximo cutucão, o próximo apelido, a próxima forma de abuso tomar conta da sua pureza.

Ele não sabia enfrentar problemas, e ele pensava que estava tudo bem. E estava. Ele tinha o tempo dele para se adaptar. Ou tempo algum.

— Podemos arranjar uma moça pra você — Sawyer disse. A voz embargada. De felicidade. De bebida. De tudo.

— Não precisa — Tristan disse, estranhamente confiável daquela declaração. Não. Ele não precisava de uma garota. Ou de qualquer outra pessoa. Ele precisa dos amigos. Precisava sair de lá o quanto antes. Ele só queria ser feliz.

Era o que todos eles queriam.

A festa estava boa. Os amigos de Seth apareceram um tempo depois, aterrorizando algumas pessoas a princípio, mas eles estavam ali para se divertir, então apenas se juntaram àquela multidão. A música estava alta. As bebidas quase acabando. A fumaça preenchendo espaço.

Keith puxou Vanny pelo braço e a levou para o seu quarto. “Que se foda as outras 99. Eu só quero uma”, ele dizia. E ela fingia entender o que ele estava dizendo.

Sawyer puxou Aiden para o quarto proibido. O quarto do pai de Keith. O quarto fedia a sexo. Sexo sujo. A mobília tinha círculos perfeitos de copos e a madeira rangia alto.

As paredes eram mofadas, o ventilador de teto estava com uma hélice quebrada e quando Aiden o ligou o barulho era maior que a música. Então ele desligou.

Os dois estavam bêbados e estranhamente conscientes um do outro.

Eles cresceram tanto. Aiden tinha músculos, não tanto quanto Sawyer, mas o suficiente para fazer com que Sawyer ficasse desconcentrado por alguns segundos. Os cabelos de Aiden estavam grandes, e ele ficava empurrando para trás, do mesmo jeito que Keith fazia, e Sawyer se aproximou e com as duas mãos afastou os cabelos da testa dele.

Aiden estava com os olhos brilhando na direção de Sawyer. Ele o amava tanto. Mas nunca disse isso. Sawyer diria que é coisa de fracote. Amar? Quem poderia amar enquanto eles enfrentavam uma guerra todos os dias.

E então Aiden pensaria – nunca diria – que eles não precisavam ter nenhuma guerra com eles mesmos. Mas Sawyer nunca acreditaria nisso.

— Por que não podemos ficar juntos? — Aiden soltou. Largando um bafo de cerveja no rosto de Sawyer, que apenas sorriu, sentindo os cheiros que ele mais gostava: álcool e Aiden.

— Nós estamos — Sawyer disse, a voz rouca. Era aquela voz rouca que Aiden gostava tanto. Sawyer não deixou que Aiden pensasse muito, nem que falasse mais nada. Estragaria o clima muito fácil. Então Sawyer olhou para a porta, para ter certeza de que estava chaveada, e segurou o rosto de Aiden e lhe deu um beijo na boca. Semelhante ao primeiro beijo deles, mas eles não estavam mais tímidos um com o outro.

Naquela noite, Keith perdeu a vergonha na cara e continuou com Vanny até ela dispensá-lo “preciso ir embora”. Tristan perdeu as chaves de casa. Aiden e Sawyer perderam a virgindade.

Sawyer saiu do quarto, se sentindo envergonhado, com medo de que mais alguém tenha notado o que havia acontecido naquele quarto. Mas a música estava alta, algumas pessoas ainda dançavam na pista improvisada, e outras estavam jogadas no chão ou nos sofás. Tristan estava procurando alguma coisa. Embaixo dos sofás. Em cima das estantes. Sawyer considerou, por alguns instantes, que talvez ele estivesse drogado. A porta de Keith estava fechada, Sawyer considerou que ele estava com alguma garota. Aiden saiu logo atrás, vestindo a camiseta. Seu sorriso fez Sawyer estremecer. De alegria. De temor. De vergonha. Mas, acima de tudo, fez Sawyer sorrir também.

“Que noite!”, era seu único pensamento.

Sawyer saiu cedo da casa naquela manhã. Ele tinha lugares para ir. Coisas para resolver. Não encontrou Seth quando foi até sua casa tomar banho e trocar de roupa. Seu pensamento, enquanto ele atravessava o bairro, estava em Aiden. Ele o deixou dormindo no sofá enquanto expulsava o resto da festa. Tristan ficou murmurando que não poderia ir para casa, então os dois ficaram dormindo nos sofás de Keith. E Keith não apareceu naquela manhã antes de Sawyer sair.

Sawyer não pensava que voltaria até aquele lugar novamente. Perto do ponto de ônibus. Onde conheceu Hilla.

— Meu pequeno — Hilla o cumprimentou. Era estranho ver os dois assim, conversando naquela luz quente que era o sol naquela manhã.

— Hilla — Sawyer o cumprimentou. E ele não estava sozinho. Tinha seus capangas. E um deles olhou feio para Sawyer.

— Não é Hilla — o capanga rosnou para Sawyer, mas Hilla apenas ergueu a mão em sinal de desdém.

— Vamos para um lugar mais calmo — Hilla disse, olhando de lado para os homens atrás dele. E então pegou Sawyer pelo braço e os dois foram até um restaurante chique perto do centro da cidade.

Sawyer não estava vestido para aquele lugar. Mas, estranhamente, todos conheciam Hilla. Ou “Sr, Carlos, bom dia”. Sawyer não estava surpreso, apenas desapontado que Hilla pudesse ser um riquinho metido a besta.

— Ai, Sawyer — ele suspirou quando sentaram em uma mesa. O local era claro, cadeiras aveludadas. Estava até frio lá dentro, considerando o inferno que fazia na cidade. Mas ricos não sentiam calor, obviamente. Sawyer encarou tudo ao redor. Era muito cedo, então poucas pessoas estavam ali. Algumas pareciam de ressaca, apenas bebendo água ou vodca, era difícil saber. Hilla se inclinou na direção de Sawyer — você poderia muito bem ter tudo isso. Eu sei que você tem inteligência — ele piscou para Sawyer.

— Sinceramente não quero um restaurante — Sawyer riu, nervoso. Uma coisa que poucos sabiam sobre Sawyer: ele tinha muito medo do seu potencial. Do seu futuro. Do que poderia ser, mas nunca seria.

— O que? — Hilla riu, alto e despreocupado. — estou falando da ganância. Da ambição. Você acha que lugares assim são construídos do nada? Você acha que eu nasci rico? Não me olha com essa cara, pequeno — Hilla continuou rindo — eu posso ser rico de dinheiro sujo, mas aquele não é meu único trabalho — ele disse aquilo como se estivesse arrependido. De mexer com dinheiro sujo? De ter se tornado rico dessa forma?

— Eu sei disso, Sr Carlos — Sawyer debochou. Sua voz era cortante como uma faca afiada. Hilla não se abalou. Ele gostava demais do Sawyer.

— Eu gostaria que você visse sua grandeza — ele disse, apontando para o coração de Sawyer — você pode achar que tô falando besteira. Pode até pensar que não sou ninguém para lhe dar conselhos, mas vou te dizer uma coisa, Sawyer, você continuando aqui, você tá ferrado. Que nem seu irmão. Talvez até pior, sabe por quê? Por que você se importa. Se seu irmão se importasse com as coisas que faz, as pessoas que ele machuca, ele não viveria bem consigo mesmo. Mas ele está tão ocupado se drogando e transando com todo mundo que pra ele a vida já acabou. Seu irmão tá morto, só nem se ligou ainda.

— Você sabe por que eu vim te encontrar, Hilla? — Sawyer sussurrou. Com medo que alguém escutasse. Com medo de falar besteira. Queria ignorar tudo que Hilla havia dito. Queria ter ficado na casa de Keith, abraçado em Aiden.

— Eu sei — Hilla sorriu e suspirou aliviado, como se soubesse desde o início que em algum momento a vida dos dois se resumiria àquele encontro no restaurante.

— Nós precisamos muito.

— Vocês sabem pra onde vão fugir, pelo menos? — Hilla perguntou, adotando um tom estranhamente profissional — se vocês quiserem, meu irmão mora há algumas horas daqui. Acho que ele pode ajudar vocês. O canalha me deve uns favores — ele riu, cabeça jogada para trás.

— Acho que vou precisar de toda ajuda possível.

Sawyer odiava pedir ajuda. Odiava depender dos outros.

Mas aquele era outro Sawyer. O Sawyer medroso.

O novo Sawyer só tinha medo de uma coisa: perder todo aquele potencial ficando naquela cidade.

E então, na manhã do dia seguinte, eles correram para a rodoviária.

Tudo estava pronto. Encontrariam Hernando, o irmão de Hilla, na rodoviária da cidade grande, e de lá eles fariam a vida deles. A partir daquela manhã de sábado, as coisas melhorariam. Sawyer sentia em todos os seus ossos. Era aquela manhã. Finalmente, sua vida começaria a mudar.

Tristan conseguiu entrar em casa simplesmente tocando a campainha. Sua tia não disse nada enquanto ele fazia as malas. Ela nem sabia o que ele faria, mas de alguma forma ela tinha certeza que ele voltaria.

Keith arrumou a casa antes de sair arrastando uma mala de rodinhas até a porta da frente. Nem viu seu pai antes de sair.

Sawyer pegou a mala arrumada, um cobertor e se dirigiu até a porta. Lembrou-se da mãe, e sentindo uma compaixão estranha foi até seu quarto. Ela estava dormindo. Todas as manhãs e noites ele verificava se ela estava dormindo ou se havia morrido. Dormindo, sempre dormindo. Sawyer depositou um beijo na sua testa antes de sair de casa. Não viu Seth naquela manhã, e ele sabia, se o visse, desistiria de fugir.

Aiden passou pelo seu tio bêbado, deitado no chão da sala. Pegou uma das garrafas de tequila e foi encontrar os garotos na frente da casa de Keith.

— Finalmente — Sawyer murmurou. Era o que todos eles estavam sentindo.

O sol estava os acompanhando naquela manhã. A ida até a rodoviária estava cheia de expectativas. Ouviram coisas boas sobre a cidade, sobre o irmão de Hilla. Sawyer roubou dinheiro de Seth, Hilla ajudou nas passagens. Tudo estava pronto.

Eles pareciam os únicos esperando, e quando o ônibus encostou, Keith sentiu alguma coisa vibrar no seu bolso. Nenhum deles, sem ser Keith, tinha um celular.

“Seth” apareceu na tela do celular. Ele abriu o celular e colocou na orelha, atendendo a ligação.

— Fala — ele disse, apreensivo. Os garotos pararam de entregar as malas para o homem do ônibus e se aproximaram de Keith, que apenas fez um gesto com a mão para que prosseguissem, Seth estava o xingando do outro lado da linha, “onde vocês estão, seus pivetes?”. E então Sawyer estava pronto para subir no ônibus quando Seth disse:

— O pai do Aiden morreu.