Mila não estava entendendo o porque estavam fazendo isso com ela. Ela não entendia porque haviam batido na porta da casa de Layla e a terem levado algemada para a cadeia. Ela dividia a cela com mais duas mulheres, uma era mais velha e mais gorda que ela e a outra era mais nova com cabelo raspado e cheia de tatuagens. Passar uma noite na prisão fazia você se sentir a pior pessoa do mundo. De repente a guarda das celas chega com um molho de chaves e diz:

–Detenta Mila, você tem visita.

– UM DIA ANTES -

–Bem vindo ao lar — diz David — minha casa é toda sua.

–Obrigado — diz Troy.

A mãe de David havia deixado Troy morar lá mas contanto que eles não dividissem a mesma cama.

–Obvio que vamos dormir juntos de conchinha — diz David.

–É melhor obedecermos sua mãe, não quero ter que morar na rua.

–Se depender de mim sozinho você não mora nunca.

David joga a mochila dele no chão e agarra Troy pelo pescoço e dá um beijo nele como nunca deu antes.

–Eu acho que vocês estão muito próximos pro meu gosto — era a mãe de David.

–Me desculpe sra. Torres — diz Troy.

–Mãe relaxa, não estamos trepando um em cima do outro, é apenas um beijo sabe, o mesmo que você faz com papai na minha frente!

–Nossa como você é engraçado — diz a sra. Torres — agora desçam, preparei lanche para os dois.

–Mãe, não temos 5 anos de idade!

A sra. Torres sai do quarto e David vira os olhos.

–Ela só estava tentando ser gentil — diz Troy.

–Gentil até demais — diz David — daqui a uma semana ela vai estar planejando nosso casamento, sério não confia nela.

Troy ri e eles descem para comer.

***

Para tentar crescer a amizade, Vic preparou uma noite das meninas e convidou Mila. Mas ela não tinha chegado ainda.

–Aposto 100 que ela não vem — diz Layla — você se lembra que ela me odeia?

–Com razão! — diz Vic — Mas acho que vocês duas estão se entendendo esses últimos dias e isso é muito bom.

–Será?

A campainha toca e Vic vai anteder, era Mila.

–Você veio!

–Pensei muito antes de vim mas decidi que preciso relaxar um pouco e curtir minha juventude.

–Fez o certo.

Mila entrou e observou Layla sentada no sofá.

–Não devo me preocupar com nenhum suco verde hoje não né?

–Quantas vezes eu tenho que me desculpar e te provar que não sou mais a mesma garota fútil e mimada que eu era antes?

–Ela trouxe pizza! — disse Vic tentando mudar o rumo da conversa.

–Espera um pouco — diz Layla — eu sei exatamente o que fazer para ganhar sua confiança!

–E o que seria exatamente? — diz Mila desconfiada.

***

–Você quer que eu faça o que? — diz David.

Tony havia chegado do nada em sua casa e feito um pedido maluco para David.

–Quero que você enrole seu pai e consiga a chave do necrotério da delegacia para eu analisar o corpo de Lorelai.

–E em qual mundo você achou que eu iria concordar com isso?

–A gente precisa descobrir quem é esse outro assassino. Não podemos mais ficar sentados e esperando a próxima vitíma.

–Isso, é exatamente isso o que eu quero fazer, aproveitar o resto de vida que eu tenho com meu namorado para quando chegar minha hora eu ir em paz.

–Você só pode estar brincando né?

–Não, é você que está falando maluquices aqui! Eu não posso fazer isso!

–David, por favor, pela nossa amizade, eu nunca te pedi nada.

Isso era fato, Tony nunca tinha pedido algo extremo a David pela amizade. Diferente de David que já fez inúmeros pedidos bizarros para Tony, como bancar o novo namorado para fazer ciúmes em algum ex dele.

–Eu odeio você — diz David.

–Eu sabia que você não ia me deixar na mão.

–Espera um pouco, tenho que inventar uma desculpa pra minha mãe e pro Troy.

***

–Então essa era sua brilhante ideia de tentar fazer as pazes comigo? — diz Mila.

Layla havia levado ela para seu closet, e dito que iria fazer uma mega transformação em seu visual.

–Querida, você já se olhou no espelho? — diz Layla — Necessita urgente de um Esquadrão da Moda, e eu queria sou sua fada madrinha.

Ela pega muitas roupas suas antigas e começa a dar pra Mila ir vestir. De uma em uma ela vestia e Layla dava o veredito se havia ficado bom ou não. Depois de tantos desfiles, elas deitaram no chão e comeram brigadeiro.

–Eu nunca imaginei que iria acabar me transformando em um dos seus minions — diz Mila.

–Você não é um minion — diz Layla — você é minha amiga agora. Tudo bem em sermos amigas?

–Pode ser, você provou seu valor no exato momento em que aceitou ajudar a investigar a morte da minha amiga. Ao contrário de vocês as nossas outras amigas que se diziam BFF'S de Lorelai me expulsaram de todos os grupos ao invés de ficarem ao meu lado.

–É nas piores horas que vemos quem são nossos amigos de verdade.

–Quem diria que Layla Fitz também é cultura.

Layla joga um travesseiro nela e as duas fazem guerra de travesseiro. Mas tudo acaba quando a luz apaga.

–O que aconteceu? — diz Layla.

–Você pagou a conta de luz? — diz Mila.

–Meus pais deixaram tudo certo antes de viajarem.

–Então só pode ser uma coisa...

Elas se desesperam e correm para o closet. E fecharam.

–Isso definitivamente não é uma boa ideia — diz Layla.

–Liga pra polícia.

–Deixei meu telefone em cima da cama.

Um silêncio profundo, mas aí um barulho de porta se abrindo se ouve. Alguém havia entrado no quarto. O coração de Layla batia forte e Mila tentava não gritar. A pessoa misteriosa andou pelo quarto e parou em frente ao closet. A porta do closet abre rapidamente e as duas começam a gritar.

–Que gritaria é essa? — era Vic.

–MAIS QUE PORRA VOCE ESTA FAZENDO AQUI? — grita Layla.

–Faltou luz e eu vim procurar vocês — diz Vic.

–Achamos que fosse o serial killer — diz Mila.

–Será que estamos ficando malucas? — diz Layla.

–Com certeza — diz Vic.

***

Na delegacia, David foi até a sala do xerife que por acaso era seu pai. Ele contou a história de Troy e enquanto o pai tomava seu café, David aproveitou e pegou as chaves dele e sem muito alarme jogou pelo chão, onde Tony pega.

Tony não sabia o que procurar em um corpo morto, ele não era legista, mas pelo menos uma pista tinha que ter. Ele abre a porta e a fecha com cuidado, não havia câmeras pois a delegacia era bem antiga e não a tinham modernizado ainda. Ele vai até a ficha onde tinha o nome e o número dos corpos, o de Lorelai era 037, ele correu até a gaveta dela, abriu e o fedor era inevitável.

–Agora vamos até o fim — disse ele.

Ele leu a ficha dela novamente e o relatório dizia que a morte foi causada por alguém que não entendia de facas pois o corte não foi muito preciso, e Lorelai ainda agonizou um pouco antes de morrer completamente. Tony olhou para a garganta dela e realmente, o corte não era igual ao das outras vítimas que o serial killer tinha feito.

–Mais que merda.

Tony vai até David e devolve a chave. Eles saem dali tranquilamente.

–E ai? — diz David — Conseguiu alguma coisa?

–Só o que nós já desconfiávamos, o serial killer não matou Lorelai. As marcas da faca eram muito diferentes das que encontramos nas vítimas atuais.

–Mas então quem matou Lorelai? E mais importante, porque alguém faria isso?

–Não sei, e eu odeio ficar sem saber das coisas.

***

Mila decidiu ir embora, Vic também. Quando elas foram se despedir na varanda algo estranho aconteceu. Um carro de polícia parou em frente a casa de Layla e um policial veio em direção a elas.

–Pronto — diz Layla — deu merda.

–Quem de vocês se chama Mila? — perguntou o policial.

–Eu — disse Mila.

–Você está presa pelo assassinato de Violet Duncan.

–EU O QUE? — Mila se desespera, nunca tinha ouvido esse nome antes — Isso só pode ser um engano, eu nunca ouvi esse nome na vida.

–Eu sei — diz o policial colocando as algemas nela — todas dizem isso.

Eles colocam Mila na viatura e ela grita:

–ME TIREM DESSA.

–O que vamos fazer agora? — diz Layla.

–Precisamos de uma reunião urgente — diz Vic.

***

–A Mila está presa? — se assusta Tony.

–Acusaram ela pelo assassinato de uma tal de Violet — diz Vic.

–E quem é essa Violet? — diz David.

–Só sabemos que os policiais chegaram aqui, prenderam ela e a levaram pra delegacia — diz Layla.

–Nós saímos de lá faz um tempo — diz Tony — precisamos fazer alguma coisa.

***

Na sala de interrogatório Mila estava muito nervosa.

–Então você diz que não conhece Violet — diz o investigador.

–Nunca ouvi esse nome na minha vida.

–Então como você explica isso — o investigador joga várias fotos de um corpo de uma garota que teve a garganta cortada.

–O serial killer a matou.

–Sim, já ouvi esse nome antes, ele está na boca do povo. A onda de mortes de garganta cortada está bem alta esses últimos meses. E quem sabe não acaba agora que pegamos você.

–Eu não sou a assassina, e porque diabos você está pensando que fui eu?

–Temos uma prova, você é meio descuidada, encontramos fios de cabelo seu na cena do crime.

–Isso não prova nada!

–Prova que você esteve na cena do crime. E provavelmente deve ter cometido o crime.

–Eu sei que sou de menor e não posso falar mais nada sem a presença dos meus pais e de uma advogado, agora por favor me leve de volta para minha cela.

O investigador não gostou nadinha de ter ouvido aquilo mas teve que obedecer.

***

No dia seguinte a galera já sabia o motivo da prisão.

–Não foi ela — diz Layla — ela estava comigo escolhendo roupas, Vic pode muito bem confirmar.

–Então temos um álibi — diz Tony — se eu não me engano eles estão achando que o serial killer é Mila, temos que provar que ela não teria como matar todas essas vítimas.

–Vai ser difícil — diz David — lembra que ela estava naquela prisão antiga quando teve que escolher entre Layla e Carol.

–Mas eu posso testemunhar a favor dela não é? — diz Layla.

–Pode mas precisamos de uma pista maior — diz Tony.

–Eu já sei — diz Vic.

–Finalmente ela serviu para alguma coisa — diz Layla.

–Nós já vimos o assassino face a face, e ele não tinha o mesmo tamanho de Mila, muito pelo contrário ele era maior que ela.

–Mas eles não vão acreditar na gente — diz Tony.

–Mas podem acreditar em uma outra vítima que sobreviveu a um ataque — diz Vic — a Diretora Mistral.

***

– No dia seguinte —
Mila não estava entendendo o porque estavam fazendo isso com ela. Ela não entendia porque haviam batido na porta da casa de Layla e a terem levado algemada para a cadeia. Ela dividia a cela com mais duas mulheres, uma era mais velha e mais gorda que ela e a outra era mais nova com cabelo raspado e cheia de tatuagens. Passar uma noite na prisão fazia você se sentir a pior pessoa do mundo. De repente a guarda das celas chega com um molho de chaves e diz:

–Detenta Mila, você tem visita.

Ela se levanta e caminha até a sala de visitas. Era Tony.

–Me diz que vocês estão tentando me tirar daqui — diz ela.

–Estamos, e temos algumas provas que podem te tirar daqui.

–Por favor, me tira daqui, eu não fiz nada disso e você sabe muito bem. E tenho a leve impressão de que uma das minhas companheiras de cela quer transar comigo e eu não sou lésbica!

–Pode ficar tranquila, vamos te tirar daqui.

–O HORARIO DE VISITAS ACABOU — ordenou a guarda que cuidava das visitas.

–Me salve — disse Mila antes de ser levada de volta para a cela.

***

No hospital Tony e Vic foram falar com a diretora.

–Vocês querem que eu testemunhe a favor de Mila? — diz Mistral — Como vou saber se ela não é a psicopata que arrancou minha perna direita?

–Ela é pequena — diz Tony — e nós vimos aquele dia que ela não teria altura e nem força para ter feito aquilo com a senhora.

–E temos uma testemunha que prova a inocência dela, só precisamos de você para termos certeza que ela vai ser solta.

A diretora olhou para eles, ela ainda estava se recuperando do choque que foi perder a perna, e aprendendo a andar apenas com a perna esquerda.

–Sim, eu irei ajudar. Mila é uma boa menina, não merece ser acusada injustamente.

***

Com a ajuda do pai de David, eles todos puderam mostrar as provas a favor de Mila.

–Então — diz o pai de David — vocês terão que soltá-la, pois não têm provas suficientes contra ela.

O investigador olhou meio torto, não gostava nadinha de perder.

–Irei soltá-la — disse ele.

***

Do lado de fora da delegacia Mila estava feliz por se sentir livre outra vez.

–Estar na prisão, mesmo que por uma noite me fez imaginar toda a minha vida — diz Mila — é muita pressão lá dentro.

–Nós sabíamos que você não tinha culpa de nada — diz Vic.

–Mas uma coisa me intriga — diz Tony — como o seu cabelo foi parar na cena do crime?

–Com certeza foi nosso amigo psicopata que está matando pessoas e nos ameaçando gratuitamente e diariamente — diz David.

–Ele está ficando mais ousado — diz Tony — conseguiu pôr um de nós na cadeia, o que mais ele pode fazer?

–Ele está matando — diz Layla — ele está no controle.

–Pois nós mostramos hoje que estamos revidando — diz Tony — não vamos deixar ele ganhar!

Após isso todos foram embora.

***

–Desculpa se te deixei sozinho com minha mãe ontem, e hoje — diz David.

–Já disse que sua mãe é uma boa pessoa — diz Troy — agora me diz, conseguiram tirar Mila da cadeia?

–Sim.

–Esse assassino está cada vez ficando mais perigoso, eu tenho tanto medo dele fazer algo contra você por não ter conseguido matar aquela menina.

–Fica tranquilo, com a turma ele não mexe pois sabe que estamos unidos.

***

Mila pediu para ir andando pois queria pensar na vida. Mas no meio do caminho o telefone dela toca.

–Alô?

–Olá queridinha — a voz estava modificada.

–Quem está falando?

–Aqui quem fala é seu pior pesadelo. Se você não parar de ajudar esses moleques com essa investigação de merda, eu vou fazer muito pior do que cortar seu cabelo de madrugada para te fazer ser presa por um crime que não cometeu.

–Você falhou hoje, e não há nada que você fale que vai me fazer parar.

–Se eu fosse você parava, ou a próxima vítima da minha faca será a sua garganta.

O telefonema desliga e Mila recebe uma foto, é foto de todas as vítimas feita por ele cheias de sangue, e uma mensagem escrita: Quer ser a próxima?