Welcome To Hell
5 Noite perturbadora!
Notas iniciais
Quando finalmente as aulas acabaram e nos estávamos dispensados voltei pro meu quarto. Leah disse que ficaria ate tarde no campus fazendo o trabalho dela com uma garota que diz ela que sempre odiou, mas depois que descobriu que ela é ótima em bio ela passou a gostar 10% a mais dela.
Encarei a mesinha ao lado da minha cama cheia de remédios. Tomei um e coloquei o resto dentro da gaveta. Oh meu Deus, o Peter iria aparecer no meu quarto a qualquer momento pra essa droga de pesquisa e eu não tava nem um pouco preparada pra ficar sozinha com ele!
Bufei seguindo pro banheiro tomando um banho demorado e relaxante. Quase meia hora depois quando sai coloquei minhas lingeries que estavam jogadas num canto e me enrolei na toalha. Assim que abri a porta levei um susto.
–Ahhhh! — Soltei aqueles gritinhos histéricos.
Peter estava deitado na minha cama jogando meu ursinho de pelúcia pro alto enquanto cantarolava. Assim que ouviu meu grito ele se apoiou nos cotovelos e me fitou dos pés a cabeça. Minha toalha quase escorregou.
–Que isso heim! — Mordeu os lábios pra reprimir um sorriso.
Ok Izzy finja que ele não esta te olhando.
–Como você entrou aqui? — Perguntei. Eu tinha certeza que tranquei a porta antes de entra no banho.
–Pela janela! Algum problema? — Se sentou na cama ainda me fitando com um sorriso cafajeste.
–Eu prefiro não responder. Você não disse que viria de noite?
–Monroe... Já é de noite! — Apontou pro relógio onde marcava oito horas da noite.
–Invadir meu quarto desse jeito... Você é um abusado! — Ele soltou um riso e não falou nada. E nem eu, já que eu não conseguia dizer mais nada pelo jeito que ele tava me olhando. Isso me fez perder a voz.
Fiquei olhando pra ele, parecia que eu tinha desaprendido a andar. Então forcei minhas pernas ate meu guarda roupa e puxei uma leggin e uma blusa de moletom já que tava frio. Eu sentia seu olhar preso em mim, mas acho que seu eu o fitasse de volta, desmaiaria. Eu já tava caminhando pro banheiro quando ele me chamou.
–Hey! — O encarei — Pensa rápido! — Me jogou um travesseiro. Como um reflexo eu o peguei com as duas mãos deixando cair à toalha e as minhas roupas no chão. Só percebi o que ele fez quando o vi me olhar sorrindo e me deparei apenas de Lingerie na frente do meu inimigo.
Ai meu Deus isso não ta acontecendo.
–Bem melhor assim! — Falou piscando pra mim. Acho que ate a minha alma ruborizou. Ele tava me olhando sem se importar e eu queria morrer agora! Morrer de vergonha!!
Senti um choque de realidade e peguei minhas roupas no chão com rapidez e taquei o travesseiro nele com força que desviou.
–Seu desgraçado! — Taquei a toalha nele também.
Corri pro banheiro e me encostei na porta respirando fundo. Mas que droga. Eu não acredito que isso aconteceu! Peter Wayland me viu de calcinha e sutiã. É o fim dos tempos... Pelo menos não era o de ursinhos e corações!
Coloquei minha roupa rapidamente e fiz um rabo de cavalo no meu cabelo e sai do banheiro. Ele ainda segurava a toalha nas mãos sentado na minha cama.
–Você não presta Wayland! — Falei enquanto puxava a toalha da mão dele e a joguei dentro do banheiro.
–Eu nunca disse que prestava! — Deu de ombros.
–Não tem vergonha na sua cara?
–Nenhuma! — Ele riu — A propósito gostei da sua calcinha!
–Cala a boca! — Gritei mais vermelha que um pimentão. Ele, pois uma almofada no rosto escondendo o riso — Vou matar você!
Ele preveu o que eu ia fazer e levantou correndo. Taquei tudo que eu via na direção dele, mas ele não parava quieto e digamos que meu quarto já estava uma bagunça total, travesseiros, livros, cadernos, sapatos e mais um monte de coisa espalhada no chão. Isso durou longos e longos minutos e eu tava realmente disposta a matá-lo.
Peter esbarrou na minha cama onde tinha um vaso (De plástico claro, pois vidro não entrava no instituto) Mas quando ele caiu fez um barulho agudo que se alastrou para fora do quarto. E segundos depois duas batidas na porta ecoaram no quarto. Meu corpo gelou.
–Seu idiota! — Sussurrei ele tampou a boca rindo.
Bateram na porta outra vez, só que agora mais forte. Quer arrombar use uma marreta!
–Leah? Isabelle? Abram à porta! — Era a Sra. Addans. Mas que ótimo, a situação sempre tem como piorar, sempre!
Peter me encarou e eu não sabia o que fazer, se ela pegasse ele aqui provavelmente nos mataria e levaríamos outra advertência resultando em fim de semana presa no instituto. Totalmente fora de cogitação pra mim!
–Anda abra a porta! – Insistiu.
–Espere! — Disse. Apontei pro banheiro e Peter entendeu o que eu disse se enfiando lá dentro trancando a porta.
Respirei fundo me recompondo. Abri a porta e lancei o sorriso mais falso que eu poderia dar. A senhora Addans estava de braços cruzadas e com a cara fechada.
–Ouvi barulhos vindo do seu quarto. Quem esta ai com você Isabelle?
– É Izzy! — A corrigi ela revirou os olhos.
–Responda! — Bateu o pé no chão me assustando.
–Quem mais seria. A leah é claro. Dividimos um quarto lembra?
Ela passou por mim entrando no quarto sem dizer uma palavra e eu já tava quase desmaiando de medo. Ela rodou o quarto todo encarando cada canto dele e depois me olhou de boca aberta.
–O que aconteceu aqui? — Eu ia começar a responder mais ela me cortou — Tava tentando suicídio?
–Isso é puro preconceito com depressivos ta! Nem todos tentam se matar sabia? — Ela não respondeu ficou me fitando — E não, não tava tentando suicídio. É que eu e a Leah tava... Brincando!
–Brincando?
–É pra descontrair sabe! Tirar o estresse das aulas! — Sorri amarelo e ela continuava me encarando desconfiada.
Ela ta na minha lista de pessoas que odeio só pelo fato de estar me encarando assim. E continuou olhando em volta procurando por alguma coisa.
–Onde esta a Leah?
–Tomando banho! — Respondi rápido demais.
Ela soltou um suspiro encarando o chão do quarto e depois caminhou ate mim levantando o dedo na direção do meu rosto.
–Você não me engana Monroe. To de olho em você e arruma essa bagunça!
–Tenha uma boa noite Senhora Addans!
Fechei a porta antes dela dizer algo e me encostei na parede soltando o ar. Graças a Deus! Se ela me pega aquele imbecil aqui não quero nem pensar no que ela iria fazer!
E em falar no imbecil o mesmo saiu do banheiro me olhando de forma estranha. Me encarando como uma anormal!
–Você é depressiva? — Perguntou de repente.
Engoli em seco vendo aqueles olhos cinza escuros me encararem. Mas que droga de pergunta era aquela? Quer dizer que ele tava ouvindo tudo?
–Eu, ham... Não exatamente. Mas isso não é da sua conta!
–Tem depressão. – Concluiu — Eu já desconfiava você não gosta de sair do quarto a não ser por obrigação. E já vi você chorando nas aulas. — Ele caminhou ate mim e ficou me fitando com a testa franzida. Seus olhos me estudavam e isso tava me incomodando. Ele sempre fazia isso comigo!
–Olha isso não é da sua conta...
–Afinal porque você ta aqui? No instituto? — Cruzou os braços.
A distancia dos seus braços era a única coisa que nos afastava. Ele me encarava tão serio que por um momento eu achei que ele deveria estar imaginando que eu era uma assassina ou ate coisa pior. O jeito que ele me encarava eu não sabia o que pensar e nem o que dizer. Parecia que ele tava tentando invadir a minha mente e descobrir os meus segredos mais profundos ou apenas me intimidando.
–Sabe que eu ia te fazer a mesma pergunta! Porque Peter, porque você esta no instituto?
Ele não respondeu e parece que toquei no ponto fraco dele. Pois ele recuou alguns passos parando de me encarar, seus olhos fitaram o chão e ele baixou a cabeça. Eu ate pensei em pedir desculpas pela reação dele, mas não consegui falar nada e no segundo seguinte Leah abriu a porta do quarto e seu queixo caiu no mesmo instante.
–Mas o que foi que... Aconteceu com o meu quarto? — Ela andou de um lado pro outro indignada. Mas antes de falar qualquer outra coisa percebeu a tensão em nos dois já que nenhum de nos falou alguma coisa — To atrapalhando alguma coisa?
–Não! — Peter disse. Logo em seguida saiu do quarto sem falar mais nada e bateu a porta com tanta força que fez tremer a parede atrás de mim. Suspirei alto.
Leah me encarou confusa com as sobrancelhas erguidas.
–O que foi que aconteceu?
–Nada! Só Peter sendo o Peter! — Tentei lançar um sorriso
–Não foi o que pareceu...
–Não se preocupe. Vou arrumar essa bagunça! — Falei caminhando ate o banheiro ela ficou parada no meio do quarto me olhando — Mas depois ta!
Tranquei-me no banheiro escondendo o rosto nas mãos. Mas que merda! Porque ele fazia isso comigo? Isso não era justo, ele, é um idiota e eu uma garota depressiva e ele me deixava mais depressiva ainda tentando descobrir algo que eu não quero dizer.
No fim das contas não fizemos nada da pesquisa, só brigamos, quase levamos advertência e por um momento quase tive que falar do meu passado pra ele e descobrir o dele. O que eu ainda quero fazer. E pretendo fazer.
Essa noite foi mais que estranha, foi perturbadora!
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