Welcome To Hell
26 Colocando o papo em dia!
Notas iniciais
Pov. Peter
Eu não me mexi. Acho ate que prendi a respiração automaticamente. Minha mãe parecia a própria descrição de uma modelo de marca famosa. O cabelo loiro dourado tava caindo em cascatas pelos ombros, o rosto com maquiagem, os olhos da mesma cor que o meu. As roupas caras, o vestido chamativo, o salto alto. Aquele sorriso exagerado de comercial de pasta de dente. Ela era intimidadora.
Basicamente chamativa. Quando ela se inclinou pra mais perto de mim e eu percebi qual era sua intenção eu despertei e me afastei.
—Não encoste em mim!
Ela continuou sorrindo sem se abalar nenhum um pouco com minha rejeição.
—Ah, que isso filho, não vai me deixar te dar um abraço? — Ela disse em expectativa — Já faz 4 anos que não nos vemos!
Eu olhei para seus braços estendidos na minha direção e soltei todo ar que estava prendendo. Continuei parado agora fitando seu rosto. Ela revirou os olhos e abaixou os braços desistindo.
—Tudo bem, teremos bastante tempo para nossa reconciliação de mãe e filho...
—Quero que saia do carro — Sussurrei e ela se calou. — Não devia estar aqui!
—Você esta tao bonito sabia? — disse mudando de assunto — Ta parecido comigo, eu senti sua falta. Quer saber o que eu fiz nesses quatro anos? Temos que por o papo em dia.
Engoli em seco.
—Eu quero você saia do carro, agora! — Falei elevando a voz — Você não ta me ouvindo?
Ela se endireitou pro meu lado passando o braço pelo banco. Fechou a cara pra mim no mesmo segundo. Vocês não sabem a cara de psicopata que ela tinha quando fazia isso.
—Já ta na hora de você parar com essa coisa de adolescente rebelde, não acha? Peter, pare de ser infantil. Supere! Eu sou sua mae e...
—Ah, cala a boca! — Eu gritei e ela parou de falar. — Motorista, pare esse carro agora!
Eu gritei tao alto que ele parou o carro na mesma hora no acostamento e me encarou pelo retrovisor.
—Já tivemos nosso momento mae e filho, agora some! — Apontei pra porta — Vai embora.
—Não, filho, por favor. Você tem que me escutar! — ela pois as maos em meu ombro e me forçou a olhar pra ela.
—Meu pai sabe que você veio aqui?
—Não — disse ela — Eu preciso que...
—Eu sei o que vai dizer. Sei exatamente o que vai me pedir. Minha resposta é não. — Me desencostei dela fazendo suas maos caírem — Agora, escute. Não vou ficar pedindo dinheiro pro meu pai por você, não vou fazer nada por você. Se quiser pode me matar faça o que quiser, só que enquanto eu não estiver morto eu quero que você finja que eu não existo. Pode ser? Agora, suma!
Ela respirou fundo empinando o nariz pra mim e saiu do carro andando pro meio da estrada. Eu afundei no banco do carro e fechei os olhos respirando fundo.
Mas que merda!
—Me desculpe Sr. Wayland — disse o motorista voltando a dirigir — Ela apareceu do nada no jardim da sua casa me dizendo que seu pai pediu pra ela ir junto buscar você. Como ela é sua mae, não pensei que fosse ter problemas. Sinto muito aborrece-lo!
—Não tem problemas!
Eu conhecia aquela mulher o suficiente pra entender o poder de persuasão que ela tinha. Felizmente isso não funciona comigo já faz um tempo.
Chegava a ser hilário essa situação. A mulher que me pois no mundo e que tentou me matar algumas vezes, aparece de repente querendo por o papo em dia. Inacreditável!
O resto do caminho foi rápido. Minha casa não ficava muito longe do instituto. O instituto era que ficava longe de tudo.
30 minutos depois e entramos no meu condomínio. A frente da minha casa estava cercada por guardas. Muito mais do que o normal. Quando o carro parou eu saltei pra fora e entrei em casa.
A sala estava silenciosa, só algumas empregadas aqui e ali arrumando o lugar. Subi as enormes escadas de vidro e fui direto pro escritório do meu pai. Ele estava lá, trabalhando. Levantou o olhar pra mim quando eu entrei e não disse nada. Me joguei no sofá no canto da parede.
—Você chegou cedo — ele disse.
Bufei encarando o teto, totalmente indignado com o que tinha acontecido.
—Não adiantou nada você ter colocado todos esses guardas em frente da casa. — Ele me fitou de repente, confuso — Sabe, ela invadiu o carro e apareceu no instituto.
Eu ouvi ele arfar e o som da caneta cair pelos seus dedos. Olhei pra ele e sua expressão era torturada.
— O que? — perguntou — O que ela fez? O que ela queria?
Eu ri, sem humor nenhum.
—O que ela sempre quer. Não é novidade pra ninguém.
—Ah , meu Deus! — ele rugiu levantando da poltrona quase levando a mesa junto — Não sei mais o que fazer!
Eu me levantei também fitando meu pai. Ele olhava pela janela com as maos na cintura se negando a algum pensamento que eu não sabia. Eu suspirei.
—Vou pro meu quarto descansar, afinal ela vai vir atras de mim em pouco tempo — soltei um riso sem humor — Preciso estar disposto!
Meu pai se virou pra mim com o olhar morto. Desesperado. Desamparado ou melhor, preocupado.
—Você esta bem? Ela... Ela fez... Alguma coisa com você? — ele perguntou num fio de voz e eu não deixei o riso morrer.
—Eu estou ótimo pai. Não é como se eu nunca tivesse passado por isso! — dei de ombros.
Ele abriu a boca pra dizer algo, mas eu não queria ouvir então deixei a sala correndo pro meu quarto. Não queria ficar falando sobre ela, ficar lembrando sobre nossos últimos encontros ou olhar pro meu pai e ver como ele sabe como tudo vai começar de novo. As ameaças! As invasões! As loucuras! Tudo.
Prefiro fingir que não tem nada acontecendo e me preocupar com coisas normais de adolescentes. Como a festa de amanha!
[...]
Pov. Izzy
Eu estava chorando de raiva. Primeiramente porque o segurança desceu do carro e me fez passar vergonha me colocando a força no carro. Segundamente porque minha avo estava se divertindo as minhas custas, e eu estava inconformada pelo fato dela estar se feliz com isso.
Desci do carro feito um foguete e ela veio atras de mim chamando meu nome. Eu ignorei batendo o pé pelo gramado da mansão. Ela me chamou de novo, e na mesma hora que entrei na sala, senti maos me agarrarem pelo braço com uma força brutal. Era o maldito motorista dela, não deu tempo de gritar com ele e pedir pra me soltar, ela entrou logo em seguida soltando os cachorros em mim.
—Fique sabendo Isabelle, que graças ao seu comportamento infantil esta de castigo o fim de semana todo! — Disse dando de ombros e sentando no sofá.
Meu queixo caiu.
Pensei em dizer muitas coisa no momento, mas sabia que não iria adiantar.
—Eu odeio você! — Gritei, encarei o segurança soltando fogo pelas ventas. Ele tava me segurando ainda, acho que ia ficar a marca dos dedos dele no meu braço — ME SOLTA CARALHO!
Ele pulou assustado com o grito e foi tempo suficiente deu puxar meu braço e me soltar.
—Santa educação que seus pais te deram — Ela balançou a cabeça em negação.
Eu avancei somente dois passos dela, pra que ela pudesse me olhar e respirei fundo pra que eu não avançasse nela.
—Você não fale dos meus pai na minha frente. Eles me deram a melhor a educação do mundo, porém me ensinaram também a com quem usar e eu não vou desperdiça-la com você!
Dei meia volta e subi pro meu quarto.
Mas que Velha desgraçada! Puta que pariu. Agora teria que mandar uma mensagem pra Leah, avisando que hoje seria impossível ajuda-la com a festa do Jonah.
[...]
Pov. Peter
Depois de ter tomado uma banho e almoçado com meu pai. Voltei pro quarto e deitei na minha cama. Minha cabeça tava girando feito um carrossel. Uma coisa era seu pai te ligar avisando que sua mae reapareceu, outra coisa era ela mesma aparecer pra te ver, quer dizer, pra pedir favores.
E eu sabia qual era o próximo passo dela. Ela me ameaçaria, tentaria me induzir. E como não tem nada pelo qual ela possa me ameaçar, ela vai ameaçar meu pai como terceiro passo tentando me atingir. Tudo não passava de uma questão de tempo ate ela me procurar de novo.
Bufei, revirando na cama. Não queria mais pensar nisso. Era torturante, eu precisava me distrair e eu sabia algo do qual me deixaria sem pensar na minha mae.
Encarei meu celular por minutos decidindo e depois disquei o numero. Ele tocou algumas vezes ate uma voz muito baixinha atender.
—Alô — Escutei a voz da Izzy do outro lado da linha.
—Oi, sou eu Peter!
Ela não disse nada por um tempo, depois ouvi ela suspirar.
—Como conseguiu meu numero?
—Eu li sua ficha também e decorei seu numero — eu ri imaginando a cara dela — Achei mais fácil do que te pedir.
—Serio. Você e Leah tem que parar com isso — Ela riu e depois fungou. O que era aquilo? Ela estava chorando?
—Ta tudo bem com você?
—Ah — ela ajeitou a voz pigarreando — Ta. Ta tudo bem.
—Tem certeza? Parece que você ta...
—Eu estou bem — Ela me cortou. E eu escutei ela fungar de novo.
Não é como se eu nunca tivesse visto ela chorando né.
—Ok, o que aconteceu? — Ela bufou. — E não minta pra mim.
—Não foi nada. É só que... Não vou poder ir a festa do Jonah.
—Porque?
—Estou de castigo. — Eu me vi surpreso. O que ela teria feito pra estar de castigo? Esperei pacientemente que ela continuasse. — Eu não estou em casa. Estou com a minha avó e ela não vai me deixar sair daqui tão cedo!
Ah! Avó dela. Agora fazia mais sentido, até porque eu sabia que elas não tinham uma boa relação.
—Vocês brigaram?
—Um pouco. — Ela respondeu. Mas eu sabia que nao existia brigar um pouco com Isabelle Monroe, elas devem ter quase se matado. — Mas ta tudo bem, como eu disse.
—Ah, sei!
Fiquei imaginado o motivo pelo qual ela estaria com a avo e não com a tia. E principalmente porque ela estava de castigo. Mas eu sabia que ela não ia me responder por telefone.
—Humm. Enfim... Porque me ligou?
Eu encarei o teto do meu quarto meio sem resposta. Afinal, qual era o meu problema? Foi minha vez de suspirar.
—Eu... Não sei! — Admiti. Esperei que ela dissesse alguma coisa, mas ela não falou nada. Nenhuma palavra. — Só queria ouvir sua voz!
Admiti mais uma vez e me senti bem em dizer aquilo. Não sabia se ela estava me ouvindo porque ate agora nenhum sinal de vida dela. Cheguei a ficar preocupado. Sera que ela desligou na minha cara e eu não ouvi?
—Isabelle? Você ainda ta ai?
—Aham — Ela sussurrou — Desculpa eu só... To um pouco surpresa de você dizer isso.
—Eu também estou! — falei. Ela riu.
—É uma pena, não é? — ela perguntou me deixando confuso. Uma pena o que?
—O que?
—Eu não poder ver você amanha?
—Sim, é uma pena.
Eu fiquei dividido entre ir e não ir. Afinal, pra mim não teria graça se a Izzy não fosse, mas não podia simplesmente não ir. Jonah é o meu melhor amigo e era o aniversario dele.
Afundei a cabeça no travesseiro, arrasado.
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