Welcome Future
1 Experiência Desnecessária
Notas iniciais
Nossa história começa no passado, com uma lembrança, oq eu sei é contraditório com o titulo da fic, mas vcs vão entender dps.
[Anos atrás...]
Lembro-me de estar brincando no jardim, apesar de já ter escurecido eu ainda conseguia diferenciar as cores das rosas, o céu estava estrelado e o brilho da lua crescente era lindo; Could apenas me observava, ele não gostava de brincar comigo e estava sempre dizendo coisas como “eu sou mais velho que você sua pirralha! Então não enche!”. Sei que havia mais alguém ali, alguém que brincava comigo, um garoto de cabelos castanhos, mas por mais que eu tente não consigo me lembrar de quem era.
Era véspera do meu aniversário de seis anos, mas eu não estava muito animada. Enquanto eu jantava com Could e seus pais eu queria perguntar se meus pais e meu irmão iriam voltar, mas sabia que se falasse ao menos uma palavra, estaria encrencada.
A comida estava horrível como sempre, e eu ficava olhando a sala de jantar imensa e rústica com suas cortinas de rendas que caiam sobre o tapete vermelho no chão brilhante, a empregada trouxera vinho e servirá a todos, até mesmo a Could – é claro que eu não era incluída no “todos”, não por ser criança, mas sim por não ser da família – eu imagino que a comida deles devia estar maravilhosa, eu comia o mesmo que os empregados, o que havia sobrado do outro dia normalmente, enquanto eles saboreavam suas comidas francesas até as ultimas migalhas, obviamente para não restar nada para os “inferiores” como eles mesmos nos chamavam.
Eu nunca achei que todo aquele escarlate na decoração e o ouro com prata dos talheres fosse algo esplendoroso, era brilhante demais, chamativo demais, assim como o lustre de cristal colocado no teto bem no meio da sala de jantar, mas era “sofisticado”, era o que os ricos e perfeitos Twityng tinham que possuir.
Depois de acabar o jantar e eu como sempre limpar tudo criei coragem e me dirigi até o escritório onde o tenebroso Sr. Twityng ficava após as refeições, e lá estava ele sentado em sua poltrona de couro fumando seu cachimbo caríssimo, rodeado pelo seu ego que era capaz de cegar alguém. A porta estava aberta, mas mesmo assim eu bati de leve, ele não me olhou, quase nunca fazia isso, e depois de uns segundos eu disse:
— Bem... Eu queria saber se o senhor me diria... — minha voz saiu meia tremula e baixa — se meus pais deram notícias?... Se eles podem vir amanhã? — ele não me respondeu, mas eu continuei — Então, sim ou não? — ele provavelmente teria me dado um belo tapa na cara pelo meu atrevimento, mas para minha sorte o humor dele devia estar bom.
— Eles não virão te ver. — respondeu o Sr. Twityng com sua foz fria e insensível — mas você terá uma surpresa. — disse enquanto bebia mais um gole de seu vinho branco.
— Surpresa? – murmurei baixinho, mas com certeza ele me ouviu.
Eu subi para meu quarto no segundo andar, tomando cuidado para não me encostar ao corrimão, a Sra. Twityng me fazia limpa-lo quando eu me encostava a ele. Meu quarto devia ser o menor cômodo da casa, era todo branco só contendo minha cama de solteiro com a colcha cinza e uma cômoda para minhas roupas, seguida da pequena janela de madeira, mais nada, nem mesmo um tapete ou um abajur e sem nenhum brinquedo ou ursinho, isso por que ninguém nunca me deu um nem mesmo minha própria mãe, ela deixava obvio que meu irmão Manuel era sue filho favorito; nas histórias que eu conhecia normalmente o filho caçula era o mimadinho, mas no meu caso era o contrário, se minha família estivesse por perto, eu só ouvia Manuel isso, Manuel aquilo, tudo era Manuel!
Deitei na minha cama e fiquei pensando no que seria a tal surpresa, por mais que eu não quisesse admitir sabia que algo bom não era por que do meu ponto de vista todo mundo me odiava o que provavelmente era verdade.
Para a Sra. Twityng eu era a empregada, isso para não dizer escrava; apesar de eu ter sua permissão para fazer as refeições com eles a mesa era minha “obrigação” limpar o que eu tinha sujado e também tinha que ajudar os outros empregados às vezes. Já para o Sr. Twityng era óbvio que eu era um experimento, uma cobaia, eu era o mesmo que um animal de testes. Ele gostava de se “divertir” testando o que acontecia comigo sob certas circunstâncias. Meus pais sabiam é claro, mas não ligavam nem um pouco.
Até onde eu sabia, Manuel tinha uma doença, algo que não tinha cura ao menos não do ponto de vista de um médico, e ai que eu entrava, eu era uma criança diferente por assim dizer, de qualquer forma eles utilizavam o meu sangue para curar a tal doença do meu irmão. Ele já devia estar melhor, pois não tiravam mais amostras do meu sangue a um bom tempo, e isso significava que eu não era mais necessária para meus pais, então a família Twityng poderia fazer o que quisesse com a “experiência” que agora eles não precisavam mais.
Às vezes eu me perguntei se amo ou não meus pais, talvez eu os ame e não saiba, ou talvez simplesmente não saiba o que é amar. Provavelmente a segunda opção deve estar certa, mas o que eu realmente penso é “eu sentia saudades se eles morressem?” afinal de contas eu nunca os via mesmo então qual seria a diferença?
Eu fui até a janela e fiquei observando a lua crescente, enquanto imaginava meus pais falando que não precisavam mais de mim, que não me amavam, que não me queriam, e então mesmo contra a minha vontade minha mente reproduziu aquela cena horrível de quando eles me deixaram com os Twityng e foram se afastando, se afastando até que eles sumiram do meu campo de visão, uma lágrima percorreu meu rosto e eu a enxuguei com a mão, e então fui dormir torcendo para não sonhar com aquilo.
Talvez meu inconsciente estivesse tentando me alertar do que iria acontecer.
Notas finais
Me façam feliz com uns comentários, sim? (nem se for pra dizer q tá horrível rsrs), e eu aceito criticas construtivas ^_^
até loguinho.
C.M.
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