Wedding lost
10 Capítulo 10 – Passo 5 : Fazer um programa de amigos.
— Peeta! — ela repreendeu enquanto ele dava uma mordida em seu ombro.
— Fica quieta. Eu tô’ com meses de atraso, então vai ter que aguentar.
— Peeta, eu estou dirigindo, se a gente morrer, vai ser culpa sua.
— Você não vai morrer. Não sem antes passar no meu quarto.
Katniss gargalhou, enquanto ele continuava seu trabalho beijando-lhe o pescoço e às vezes deixando pequenas mordidas ali. Em algum momento, ele parou. Mordeu o lábio e ficou observando-a com um meio sorriso.
— Está parecendo um adolescente agora. A baba vai cair se continuar me olhando bobo desse jeito.
Ele ergueu uma das sobrancelhas e desceu um pouco o olhar, sem se importar com Katniss que continuava rindo.
— Encarando meu decote. Meu Deus, alguém me dá meu marido de volta e leva esse adolescente cheio de hormônios.
Peeta riu alto dessa vez, depois voltou à situação inicial: beijar-lhe a clavícula.
— Você está me babando, loiro. — sentiu ele rir sobre sua pele e se arrepiou — Mas é claro que você está fazendo de propósito.
Em poucos minutos, Katniss estacionava o carro na garagem, e tentava se livrar dos braços do marido que não a deixava descer do carro.
— Peeta você quase rasgou a alça do meu vestido lá no jardim, e está estragando ele de novo agora.
— Se quer saber não estou gostando muito dele no momento.
Ele deu uma piscadela e voltou a puxá-la, agora atacando sua boca. Depois que ele teve a iniciativa de beijá-la no jardim, não pararam mais, até Katniss decidir que tinham que voltar para casa. Peeta continuou a sessão de beijos mesmo no carro.
— Tá, vamos descer. — decidiu ele depois de alguns minutos prendendo-a ainda em seu colo.
Entraram em casa as pressas, com Peeta a puxando para que a mulher subisse rápido, até chegar à porta do quarto dele.
Prensada contra o batente, Katniss sorria enquanto ele sussurrava coisas em seu ouvido e a cheirava:
— Quando você foi lá na empresa, os estagiários ficaram loucos — riu — aqueles idiotas estavam secando a minha mulher e no inicio eu fiquei irritado. Mas sabe... Depois de um tempo eu tava até meio orgulhoso. Minha Katniss... — passou a mão pelo seu rosto — minha Katniss sempre foi assim.
Puxou-a para dentro do quarto, batendo a porta e em seguida voltando a abraçá-la.
— Peeta. — chamou ela, assim que ele soltou seus lábios. Como ele não respondeu, apenas voltou ao que estava fazendo, empurrando-a aos poucos em direção à cama, ela chamou mais uma vez — Peeta.
— Hum. — resmungou, simplesmente
— Temos que parar.
— Não temos não.
— Temos sim.
— Não.
— Peeta...
— Kat, o que foi? — exclamou se afastando um pouco, mas ainda com uma mão agarrado ao vestido da esposa — Por quê?
— Por que... Por que não está na programação de hoje, segundo a lista.
Ele sentou-se na cama e passou a mão pelos cabelos, parecendo não conseguir se decidir entre sorrir ou ficar sério.
— A gente sente falta um do outro, a gente se ama e estamos casados. Eu acho que a lista já nos ajudou o suficiente. E eu tenho tanta, mas tanta saudade... — Peeta voltou a puxá-la para si e não parou mesmo ao ouvir a gargalhada dela.
— Pois eu já decidi! — decretou dando um pulo para longe do marido — Vou seguir essa lista até o fim. — após o decreto, aproximou-se novamente dele, tocando seu rosto devagar e falando de modo sussurrado — Vamos fazer direito dessa vez, hum? Quero que dê certo não só hoje, mas também amanhã e depois de amanhã e depois.
O loiro concordou em silêncio dando um sorriso fraco, mas que era sincero. Ele sabia que eles estavam saindo de uma situação complicada, e fazer as coisas apressadamente poderia não causar o efeito de paz duradoura tão almejada.
— Então, enquanto a parte divertida da lista não chega, vou resolver outros dois assuntos pendentes e urgentes. — Katniss o questionou com o olhar e ele prosseguiu — Ryan e o rombo na empresa. Não dá mais para levar adiante nenhuma das duas situações.
Ao término de sua fala, viu sua esposa sorrir, e pousar uma de suas mãos em seu ombro. Ela tinha ficado muito feliz com aquela iniciativa. Ao que parecia, a confusão toda com Finnick tinha, pelo menos, impulsionado Peeta a perceber o quanto a relação com seu filho tinha que mudar.
— Pois bem. — completou ela — Qualquer coisa, estou perto daqui, no quarto que você sabe onde é.
— Tenho permissão para aparecer por lá?
— Depende da intenção — respondeu Katniss, rindo das insinuações do marido e passando pelo batente da porta em direção a seu quarto. Antes de sair o ouviu gritar:
— Com você sempre foram as melhores!
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O próximo passo da lista, segundo Mags, era um programa como amigos. Katniss esperou que o marido chegasse do trabalho para então carregar ele para uma sala de cinema a fim de ver um filme bobo de ação. Ela sabia que aquele filme era no estilo dos que ele gostava e ir ao cinema era uma coisa que eles faziam muito enquanto eram apenas amigos. Isso foi até uma boa ideia, porém somente até a página dois, onde Peeta aproveitava o escuro para roubar-lhe beijos ou causar-lhe arrepios.
— Peeta! A intenção era que fosse um programa de amigos, sabia?
— Amizade colorida também existe — respondeu ele, rindo baixinho, com o rosto como que procurando algo entre os cabelos dela.
— Tem crianças na sala, sabia?
— Que não estão sentadas perto de nós, graças a Deus.
— Está engraçadinho hoje, não está?
— Só um pouco.
Não demorou muito e Katniss soltou um gritinho estranho quando sentiu Peeta mordê-la em algum lugar do pescoço. Minutos depois, lá estava um senhor que trabalhava no cinema vindo perguntar se estava tudo bem. Peeta riu. Katniss ficou vermelha e agradeceu pela escuridão não revelar seu semblante vergonhoso.
— Está. Está tudo bem. Esse... louco, é meu marido.
O senhor olhou com uma cara estranha e foi embora, enquanto Peeta ainda ria como se alguém tivesse contado uma piada.
— Vou dizer à Mags que é impossível cumprir esse item da lista, simplesmente por que o meu marido virou um tarado que não consegue mais ter apenas amizade com uma mulher.
— Com uma mulher eu consigo, mas com a minha mulher, não dá. Acredite, não dá. Você é muito... Você.
Katniss tentou esconder o pequeno sorriso ante ao elogio, porém ele foi notado por Peeta, que voltou a fazer-lhe carícias aleatórias.
— Você conseguia ser só meu amigo antes. E era legal.
— Conseguia com muito esforço, é importante ressaltar. E hoje é mais legal, confesse.
A morena soltou uma gargalhada enquanto ouvia algumas reclamações das pessoas atrás dela, por causa do barulho. Terminaram o filme naquele clima bom que ia de amizade à paixão em questão de segundos, porém agora com mais descrição. Foi o mais próximo que Katniss conseguiu chegar de um encontro de amigos com Peeta. Ela sorriu quando pensou isso; devia ter previsto.
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Katniss ficou curiosa quando Peeta mandou Ryan se arrumar, pois o levaria consigo para o trabalho naquele dia. Ela fez cara de confusa, Ryan de tédio. “Era esse o plano?” Se perguntou, Katniss. Conhecendo o filho como conhecia, tinha certeza de que ele iria se entediar. Mas ela sabia que Peeta também sabia disso, então não estava mais entendendo nada.
Mesmo parecendo contrariado, Ryan fez o que o pai lhe pediu, aparecendo já pronto na sala, depois do café da manhã. Quando se despediu da mãe, ele não viu, mas ela tinha os dedos cruzados escondidos nas costas, torcendo para que o que quer que seja que Peeta estivesse planejando para voltar a se aproximar dele, desse certo.
— Pai, o que eu tô’ fazendo aqui? — perguntou assim que entrou na sala da presidência. Ryan nunca tinha sido um garoto muito paciente.
— Você veio me ajudar. — ao ver a interrogação no rosto do menino, explicou-se melhor — Tenho uma campanha que é dirigida ao publico da sua idade. Quero que faça ilustrações das figuras que vou lhe pedir, do modo que achar melhor. Fiquei sabendo que gosta de desenhar e ter uma imagem ilustrada por alguém da idade do publico alvo é uma ideia diferenciada para a campanha.
— Mas eu nunca desenhei para nada assim, pai... Eu...
— Você vai se sair bem, confie um pouco nisso. Vou te ajudar dando umas dicas de desenho também. Vamos começar?
Ainda achando estranho, Ryan assentiu e sentou-se à mesa do pai, de frente para ele, que logo depois de passar-lhe as instruções sobre o que desenhar, concentrou-se nas informações contidas em seu computador com um semblante sério. O menino não sabia, é claro, mas Peeta estava lhe dando com os rombos nas contas de sua empresa.
No fim do dia, Ryan tinha aprendido coisas novas sobre desenho com o pai (ponto para Peeta), a campanha estava quase finalizada com desenhos que realmente ficaram bons para serem trabalhados e um Peeta preocupado se dirigia ao carro para voltar para casa com o filho no encalço, levando consigo muita comida chinesa para o jantar. Era a folga de Nita.
O dia estava um pouco frio, havia chovido muito na noite anterior, mas no céu, o sol lutava para aparecer, pelo menos um pouco. Já no carro, olhando aqueles poucos raios de sol insistentes, Peeta decidiu levar o filho para dar um passeio rápido na praia, antes de irem para casa, a fim de tentar fazer com que o garoto ficasse um pouco mais relaxado ao lado dele e que ele mesmo relaxasse um pouco. Talvez pelo ambiente rígido ou a áurea de preocupação que pairava sobre a empresa, mesmo com a aproximação que tinha conseguido para ensiná-lo sobre os desenhos, o menino continuava rígido ao seu lado, quase como se estivesse com um desconhecido.
A praia ficava a uns cinquenta minutos da cidade, mas valia a pena. Peeta lembrava-se de como ela era linda e de como a presença de um farol deixava a paisagem bem mais interessante. Tinha esperança de que seu filho se interessasse por aquela construção para que ele pudesse passar-lhe tudo o que sabia sobre aquele farol. Havia muitas histórias.
— Vamos passar em um lugar antes, tudo bem para você?
O garoto assentiu calado, despreocupadamente, enquanto pegava o aparelho celular para jogar algum jogo bobo.
Com quarenta minutos de viagem, em uma parte da pista onde a vegetação já cobria grande parte dos barrancos por onde o asfalto passava, uma van descontrolada, aparentemente com problemas de freios, bateu na traseira do carro, fazendo Peeta perder totalmente o controle, sem tempo de frear. Foi muito rápido, não tinha como prever.
Ele ouviu o grito de Ryan chamando por ele e aquilo foi a última coisa que ouviu antes de sentir um impacto muito forte na cabeça e perder os sentidos. Ele não sabia, mas com um carro caído em um barranco coberto por uma mata fechada, a única pessoa com quem ele podia contar era com o garoto assustado e escoriado no banco de trás, que agora chorava sem saber o que fazer.
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