Wedding lost

2 Capítulo 2 – É aqui que a guerra declarada começa?


Notas iniciais
Voltei tão rápido quanto a luz pq hj é dia 01/01/2021 e eu queria começar o ano bem ♥ Vamos?

— Katniss??

Finnick parecia quase tão surpreso quanto ela própria, mas mesmo assim, abriu um sorriso largo, que ela conhecia bem. O tão conhecido sorriso de Finnick Odair.

Finn sempre fora popular na escola. Katniss nunca imaginou que ele fosse se aproximar dela para qualquer coisa, mas para sua surpresa, em dia comum, ele chegou até ela e lhe pediu ajuda com um teste de física. Desde aquele tempo, a morena já sabia que o Odair não era dos que passava despercebido na vida das pessoas. Ele era dos que deixavam marcas.

— Finnick. — forçou-se a cumprimentar com um ligeiro sorriso. — Você está aqui.

Ele assentiu, meio sem saber o que dizer, porém não deixando de olhá-la.

— A gente não vai entrar? — interrompeu Ryan ­

— Ah, sim. Claro. Entrem. Foi culpa minha. — assumiu o homem mais velho.

— A propósito, — começou Katniss — esse é Ryan, meu filho.

Finn baixou seus olhos para analisar o garoto à frente dele. Ryan não parecia notar a atmosfera tensa.

— Ele lembra muito uma pessoa, mas eu não acho que...

— Mãe, vou entrar na frente. Estarei com o tio Gale. — sem esperar que a mãe dissesse algo, o garoto entrou, desaparecendo pelas costas de Finnick. O homem o seguiu com o olhar antes de se voltar para Katniss.

— Eu posso estar doido, mas esse menino é uma cópia do Mellark. Lembra dele? Peeta Mellark, aquele cara que era bem na dele.

Ele não sabia, Katniss percebeu. Não sabia que antes dele falar com ela na escola, ela já conhecia Peeta. Ele não sabia que fora Peeta que juntou os cacos do seu coração quando ele foi embora. Não sabia que, alguns anos mais tarde, esse mesmo Peeta viria a ser seu marido.

— Você não está louco. Ryan é uma cópia fiel de Peeta, — ela afirmou com um sorriso singelo, quase imperceptível. O entendimento demorou vários segundos para chegar aos olhos de Finn — ele é a cópia fiel do pai.

Finnick abriu a boca para falar algo duas vezes, porém nada saiu. Na terceira vez que tentaria falar, uma voz interrompeu a conversa:

— Katniss, querida! Você demorou! — Alma passou direto pelo loiro à frente de Kat, indo direto para abraçá-la. Ao ver com quem a filha conversava, a senhora tratou logo de se explicar — Vejo que já encontrou Finnick. Bem, ele estava na cidade e você sabe o quanto ele e Gale se dão bem. Não achei que faria mal convidá-lo, considerando que vocês dois estão com a vida bem resolvida.

— Tudo bem, mãe. — Katniss se pronunciou, já que Finnick continuava parado e calado.

— Onde está Peeta? — procurou Alma com seus cabelos grisalhos totalmente lisos, mudando agora sua feição alegre — Ele não vem?

— Vem, mãe. Ele só está em uma reunião, mas virá assim que sair de lá.

— No dia de ações de graças? Peeta tem que parar de trabalhar tanto. Vou falar com ele quando chegar.

Katniss rolou os olhos sabendo que aquilo não adiantaria em nada, apenas faria com que Peeta ficasse de mal humor.

— Venham, vamos entrar. Não vão ficar ai na porta, não é?

Katniss deu a Finnick um cumprimento silencioso e adentrou a casa, querendo se livrar rapidamente da companhia dele. Não queria falar-lhe sobre sua vida. Pelos dois anos que estiveram juntos, Finn aprendeu a lê-la de uma forma que apenas uma outra pessoa conseguia: Peeta.

Não queria que ele visse em seus olhos o quanto ela estava infeliz. Não queria que ele percebesse que ela já estava beirando a ter problemas depressivos. Não queria causar uma situação que ela mesma não poderia resolver.

Sentou-se em uma poltrona na sala depois de cumprimentar as pessoas que lá estavam: dois vizinhos de seus pais, amigos de muito tempo; duas tias que moravam longe dali (e pareciam cansadas) e um senhor que ela não conhecia.

Encarou a lareira desligada e sua mente foi inundada pelos pensamentos que sempre a assombrava: por que era tão infeliz? Quando isso começou? Era culpa de Peeta ou sua? Sua, sua, sua. A mente gritava. Mas ela não podia confiar nela, pois essa era a mesma mente que estava tendendo à depressão.

Olhou em direção ao corredor e avistou Ryan e Gale. Pareciam felizes engatados em uma conversa que, provavelmente, envolvia o desenho que Ryan ainda tinha nas mãos. Lembrou que Ryan tinha exatamente esse sorriso quando conversava com Peeta, quanto tinha ainda aproximadamente oito anos.

De quem será que era a culpa por pai e filho terem se afastado tanto?

Passando seu olhar para o corredor da sala que dava para a cozinha, encontrou Glimmer. Ela degustava uma taça de vinho, com seus belos e ondulados cabelos dourados e o batom vermelho fosco nos lábios. Ao seu lado, Gloss parecia entretido em observar o jogo de xadrez de mármore do senhor Everdeen, que descansava no aparador da sala. Seu braço rodeava a cintura dela.

Aquele vestido coral que ela usava lembrou um que a própria Katniss tinha, e que usara em um dia que sua mãe fez um jantar em família. Ela quase podia ver, Peeta na mesma posição que Gloss, abraçando-a por trás, enquanto ria de alguma piada que o senhor Everdeen fazia. Para onde tinha ido aquela risada de Peeta?

— Katniss?

Virou-se e encontrou Madge a olhando.

— Em que mundo você está? Já te chamei três vezes.

— Eu estava só... Pensando.

Madge apenas ignorou, levando a irmã até a cozinha.

— Ajude-nos a por a mesa, hum?

Quinze minutos após isso a campainha tocou de novo. Alguém abriu e Katniss ficou atenta para ver quem entraria em casa, porém a pessoa se demorou na porta. Sentia uma inquietação nas mãos quando, cinco minutos depois, viu Peeta entrar. Seu semblante fechado dizia a ela o que estava acontecendo e o motivo da demora na porta. Finnick abriu a porta.

Ela teve a confirmação quando viu o segundo loiro, vir após o seu marido, com um rosto impassível.

Peeta cumprimentou a todos e fez o que pôde para dar-lhes o melhor sorriso que tinha. Katniss sabia que ele estava se esforçando. Eles podiam não estar bem, mas ainda se conheciam como ninguém.

Viu quando ele sentou-se na mesma poltrona em que ela estava anteriormente, e começou a varrer a casa com os seus olhos. Estava à procura dela, soube. Sorriu um pouco.

Terminou de colocar o último copo refinado na mesa e pôs-se a andar em direção a ele. Quando a percebeu vindo em sua direção, ele sorriu, talvez até um pouco aliviado.

— Deu para terminar a reunião? — Katniss perguntou casualmente, em pé ao seu lado.

Ele assentiu e olhou para o outro lado. Depois disso, pegou sua mão, e a puxou devagar, trazendo-a para sentar-se em seu colo.

— O que foi? — perguntou ela, estranhando a situação. Depois parou. Aquele cheiro, aquela proximidade... Quando foi que isso deixou de ser comum?

— Nada. Você não tem onde sentar, e não precisa ficar em pé.

Ela olhou ao redor e percebeu que sim, era verdade, não havia mais lugares disponíveis na sala. Porém captou outra coisa também: o olhar de Peeta, que de vez em quando ia para a direção oposta de onde estavam.

A morena olhou na direção que o pegou observando e encontrou Finnick, encostado no batente, olhando-os como se estivesse estudando um caso.

Katniss virou-se para Peeta, que estava mexendo nas pequenas pérolas de sua pulseira. Fora um presente dele, logo quando ganhou seu primeiro milhão na empresa. Ela quase riu quando lembrou-se que naquele dia, ele trouxe o maior milho que encontrou no mercado e colocou em cima da mesa. Ela perguntou o que era e ele respondeu que era um milho grande, um milhão.

A morena riu confusa então ele a abraçou forte, ainda sorrindo, dizendo que a empresa tinha conquistado seu primeiro milhão. E ele tinha trago muito milho e que era para avisar à Nita que hoje o jantar seria com milho. Depois do jantar, ele agradeceu a esposa pelo apoio, e lhe deu aquela pulseira, que seria a primeira joia das muitas que ela tinha hoje. Ela trocaria todas elas para voltar a aquele tempo em que a empresa vinha depois da família que eles tinham.

Depois da lembrança boa, sentiu a latente irritação na sua voz quando disparou, com uma voz baixa:

— É por causa de Finnick, não é? Que está fazendo essa cena.

Ele parou de mexer na pulseira e a encarou curioso. Logo depois, parecia irritado também só por aquela ação tê-la irritado tanto. Porém não respondeu nada. Olhou para Finnick que continuava olhando-os, e involuntariamente segurou Katniss com mais força.

— Peeta. — chamou ela, pela segunda vez, vendo- o distraído — Peeta me solta, eu preciso ver onde Ryan está.

— Ryan. — repetiu parecendo voltar a si — Sim, Ryan.

Soltou-a e a acompanhou com a visão até que ela desaparecesse do cômodo. Finnick fez a mesma coisa. Aproximou-se dele.

— Devia parar de olhar para minha mulher com esse seu olhar de derrotado. — provocou Peeta.

— Derrotado? Você tem certeza disso?

— Bem, sou eu que estou com ela agora, não?

— Só por que eu fui embora. Se eu estivesse aqui, ela nem teria olhado para você. — Finnick percebeu que conseguiu atingi-lo com essa. No fundo, Peeta pensava a mesma coisa.

— Pelo menos ir embora com sua mini banda lhe rendeu muitos lucros. Eu percebi pelo seu carro lá fora.

Foi a vez de Finn engolir seco e desviar seus olhos com nítida raiva. Ele tinha deixado a cidade certo de que como bom músico que era, faria muito sucesso com seu trabalho. Ele trabalhou duro por anos, mas tudo o que conseguiu foi um apartamento velho no subúrbio, e um carro mais velho ainda. Isso o frustrava tanto que ás vezes ele se perguntava que merda ele tinha feito com sua vida.

— Você por outro lado parece que dorme em dólares não é Mellark? — Peeta deu de ombros e observou Katniss passar pelo corredor falando algo com Ryan e Gale. Ela não os notou ali. — Sabe o que é engraçado? Eu não consigo ver nenhum traço de contentamento em Katniss, mesmo com tudo isso.

Peeta olhou-o, porém não respondeu nada. As pessoas em volta pareciam não notar o embate entre eles, concentrados em suas próprias conversas fúteis.

— Você não a conhece.

— Ah não? Sério que não? Ela sempre fecha as mãos quando está nervosa, odeia ser surpreendida e é escorregadia quando não quer falar sobre algo. Ela simplesmente arruma uma brecha e sai. Sabe, pelo pouco que conversei com ela hoje, Katniss continua a mesma. E bem, pelo que eu sei da minha Katniss, ela não está contente não. Na verdade, eu classificaria seu olhar como bem infeliz.

— Sua? — Peeta deu uma risada sem graça — É melhor calar a boca. Tá’ falando merda demais.

— Pai — chegou Ryan correndo — me dá a chave do seu carro, para eu guardar essas folhas? Não acho a mãe para pedir a dela.

— Quantos anos você tem, Ryan? — perguntou Finnick, recebendo a atenção do menino, e um olhar estreito de Peeta.

— Onze.

— Onze. Bem, você já deve entender bem o futebol. Você gosta?

— Claro! — se animou o garoto

— Pois vou falar com sua mãe para irmos ver um jogo, qualquer dia desses. O que acha?

— Ryan tem a escola. E seus treinos. — interveio o pai do menino

— Não pai, eu estou entrando de férias. Eu ia querer ir muito mesmo!

— Pois então fique esperando que sua mãe lhe avise o dia. Vou falar com ela e — falou um pouco mais baixo, mas ainda audível para o menino e para o pai — talvez ela até queira ir conosco.

Ryan assentiu e Peeta entregou-lhe a chave querendo que o menino saísse logo dali.

— O que você quer, hum? Que eu bata em você na sala da Alma para que ela me expulse e você fique como vítima, é isso? Por que se for, não perca seu tempo, eu não sou tão otário.

— Se eu fosse fazer isso, não seria para a Alma que eu pagaria de vítima. — respondeu Finnick sorrindo, antes de deixar um Peeta furioso na sala.

A guerra tinha começado.

Notas finais
eeeeeeeeeeeeeeeeeita ! e ai vcs são Team Peeta ou Team Finn? aisjsai Me falem nos comentários e logo voltarei! Feliz 2021 :)