Wedding Bells

1 I don't wanna hear the wedding bells


Notas iniciais
Uma shortfic inspirada na música Wedding Bells, dos Jonas Brothers. (Só inspirada mesmo, porque a história ficou bem diferente da letra.)

Ela me contou naquela manhã, na floresta, onde nós sempre nos encontrávamos.

Eu escutei seus passos apressados minutos antes dela aparecer. Quando vi aquela capa verde chegando eu sabia que era ela e mal podia esperar para envolvê-la em meus braços e sentir seus lábios contra os meus, como sempre fazíamos. Mas dessa vez foi diferente. Assim que ela se aproximou, abaixou o capuz e eu pude ver seus olhos vermelhos regando todo seu lindo rosto com lágrimas.

“O casamento foi marcado.” Foi o que ela me disse antes de me abraçar fortemente, soluçando em meu colo. Eu disse que tudo ficaria bem, que nós iríamos dar um jeito assim como quando decidimos nos encontrar às escondidas na floresta, toda semana. Mas as palavras não saíam da minha boca com certeza, por que eu sabia que nosso amor era impossível.

Não conseguimos conter essa paixão nova e verdadeira, não nos importamos com as consequências, mas agora eu as encarava. Ela estava ali, noiva de um príncipe contra a sua vontade e eu não podia fazer nada.

A igreja e o castelo ficavam a uma distancia considerável do simples lugar que eu e minha avó vivíamos, mas aquelas malditas badaladas estavam tocando o dia todo, anunciando o grande casamento que uniriam dois poderosos reinos, e eu, infelizmente, não podia evitar ouvi-las.

“Não podia fazer nada”, “não podia evitar ouvi-las”... Droga, por que eu tenho que ficar parada, sentada no meu velho quarto, enquanto eu quase posso escutar a mulher que amo se casar com alguém que não sou eu? Sem chance!

Corri o mais rápido que podia. Pela primeira vez, agradeci pelo lobo na minha genética. Senti o ar frio do entardecer secar as poucas lágrimas que escorreram em algum momento de fraqueza. Eu tinha que ser forte, chegar abrindo as portas daquele lugar e, assim que o padre dissesse “ou cale-se para sempre”, eu clamaria meu amor por ela, ela abriria aquele sorriso perfeito e lágrimas de felicidade limpariam toda tristeza dos seus olhos azuis. E então nós fugiríamos, para qualquer lugar, não importa de fato, contato que eu esteja com ela.

Assim que avistei a igreja meu coração pareceu mergulhar em um lago congelado, todos os convidados estavam saindo. A cerimônia já havia terminado, conclui. E mais uma vez, agradeci pelo lobo em mim, pois ouvi alguém dizer ao padre “O senhor não precisa se preocupar, o casamento vai acontecer. Não é tão difícil achar uma princesa fugindo.” Eu não pude conter o enorme sorriso enquanto voltava a correr, pensando por qual direção ela teria ido.

Essa princesa, definitivamente, não era daquelas que precisavam ser resgatadas por um príncipe encantado. Talvez fugir com uma mulher amaldiçoada fosse uma aventura mais legal no final das contas.

Certo, por que eu estava pensando na direção de sua fuga? Nós não nos víamos desde o dia que ela me deu a notícia do casamento, mas seu cheiro estava impregnado na minha mente para sempre e, é claro, eu poderia encontra-la muito mais rápido assim. Achei estranho quando seu odor foi em direção à estrada e não ao nosso lugar secreto numa clareira da floresta. E esse fato deixava minha busca ainda mais complicada, porque o cheiro de cavalos e poeira irritava meu nariz.

Parei alguns minutos para descansar e tomar fôlego, e nesse único momento de distração, ouvi o som de relinchos e ferraduras que me acertariam se eu não tivesse desviado no último segundo, o que me fez perder o equilíbrio e eu caí no meio da estrada. Ótimo, pensei. A última coisa que eu preciso é ser presa por ficar no caminho da rainha. Mas quando aquelas mãos me envolveram para me ajudar a levantar eu vi que não era a rainha, quero dizer, não a má que ameaçou a felicidade de todos no casamento da minha antiga amiga Snow há alguns meses. Digamos que era a minha rainha.

- Ruby! Você está bem? – Ela disse num sussurro, enquanto limpava a terra do meu rosto. E a única coisa que eu consegui responder foi – Belle... – quase sem voz. Levantei em um segundo, finalmente acordando do meu transe, e a beijei como nunca fiz antes. Segurei forte sua cintura, mostrando que eu nunca mais a deixaria escapar de mim, e ela apertou minha nuca, intensificando o beijo. Quando precisamos de ar, descansei minha testa sobre a dela e ficamos assim por alguns minutos, respirações descompassadas e corações acelerados.

- Eu roubei uma carruagem do palácio. – Belle disse com um sorriso sapeca.

- É, eu percebi. — Eu ri, não sabia se por sua frase ou expressão facial, mas certamente estava vivendo o momento mais feliz da minha vida.

Nós subimos na carruagem, eu usaria meu senso lupino de direção enquanto ela, que tivera aulas de hipismo durante toda juventude, tomaria as rédeas para nos guiar até um novo lar. Antes de ir, trocamos mais um beijo, e com aquele simples gesto fizemos uma promessa silenciosa de nunca mais nos separar, nada interferiria no nosso amor, não importava o quão improvável ele fosse.

Seguimos em direção a um reino que eu sabia que estaríamos seguras e seríamos felizes, esse lugar estava logo após a neblina densa que se aproximava. Talvez, ao passar por aquela névoa, todas as lembranças ruins fossem apagadas de nossas memórias e nós poderíamos ter um bom e novo começo.

Notas finais
Vocês sacaram o final? Muahahaha! Eu sei, podem me bater...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!